Uma das melhores aulas que já assisti (o segredo é literalmente simples)

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    É fácil achar no youtube inúmeras vídeo aulas. De acordes até escalas dos mais diversos sabores. De técnica até canções clássicas. Mas ontem pude assistir uma em especial. Uma aula, em vídeo, do Kiko Loureiro. De começo, ele mesmo avisou que seria uma aula diferente, pois seria voltada para ideias de composição, e confesso que para alguns aspectos, foi um despertar. De começo, Kiko citou sobre se desprender de conceitos, e tocar sem julgamentos: se é complexo, se é simples, se vão gostar ou não…não importa. Esse momento é seu, e o que importa é que sua musicalidade saia, e te agrade, mexa contigo. Dois acordes, uma pentatônica, algumas articulações, e pronto: Kiko começou a compor um tema melódico, variações, e uma frase me marcou: “ um tema simples, mas se bem interpretado, porque não?’’.  Aos poucos, fui conseguindo me conectar com minha própria vida, experiências, leituras, audições…lembrei-me de uma entrevista do mesmo, falando sobre o álbum Temple Of Shadows, no qual foi salientada a influência do rock progressivo, o virtuosismo típico do estilo, mas um trecho muito importante foi elucidado, dizendo que o foco era a composição e a melodia, pois se a música fosse enxugada, ainda sim, funcionaria bem. Bummmm! Nisso minha mente fervilhando, abriu como uma caixa de memórias musicais! Assim como dito nessa entrevista e na aula, tudo pode e soa belo ao começar do simples! Lembrei-me de bandas que sou fã e a forma que atingiram meu ser. O Mr. Big, com suas canções de hard rock cheias de dobras, e solos virtuosos… se enxugássemos esses elementos, ainda assim teríamos uma boa canção. O AC/DC, com seus acordes simples, porém diretos e rítmica gostosa de se ouvir, tem seus solos feitos muitas vezes em 2 desenhos de penta e soam grandiosos, com melodia que te prende e tornam-se clássicas, goste você ou não. Já ouvi inúmeras canções de arranjo hiper complexo, no qual era louvável o conhecimento e informações empregadas pelos intérpretes, mas não sobreviveram em minha alma após a audição. Certa vez, o mestre do blues contemporâneo, Joe Bonamassa, afirmou que sempre busca dar um gancho melódico forte em suas canções, e ainda cutucou alguns músicos de jazz:  “o que muitos deles esquecem, é que as mulheres gostam de ouvir melodias”. Dois grandes músicos dessa área que me cativam, são Miles Davis e Chick Corea, e inúmeras vezes vi  relatos de instrumentistas que tocaram com os mesmos, dizendo que ambos tinham como espinha dorsal de seus temas, a simplicidade. Em Kind of Blue, Miles possui a canção So What, com 2 acordes, e fecha com a canção All Blues, que é realmente um blues, com pequenas alterações.

    O mesmo em veio ao lembrar das bandas de rock/metal que amo: o Metallica chegou em seu ápice técnico e de arranjos complexos, nos álbuns Master of Puppets e And Justice for All, mas a alma estilística, foi sendo apenas incrementada à partir do mais simples e direto Kill ‘ Em All. Rush, com seus arranjos absurdamente quebrados, músicas de mais de 10 minutos, tornam tudo uma canção de audição simples e agradável, graças ao equilíbrio de seu virtuosismo, com ganchos de melodias simples e riffs mais diretos, que te reconectam no momento exato. E até mesmo as bandas que eram calcadas em suas viagens de improvisos, como Led Zeppelin, Deep Purple, possuíam riffs altamente marcantes, e improvisos conectados aos mesmos, que tornavam tudo mais extasiante.

    No fim, mais que teoria ou licks, o que pude aprender é que assim como as coisas mais marcantes e gostosas da vida, a base simples, torna tudo mais fácil, ingênuo e liberto de conceitos, seja lá para qual caminho você queira viajar depois.

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Cinco solos em que John Petrucci mostrou suas influências na guitarra:

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    Todos nós sabemos que John Petrucci é um monstro técnico da guitarra, influenciado por Rush, Steve Vai, Satriani, Steve Morse, etc.  Ok. Goste ou não, é algo de se admirar a soma de linguagens que seu estilo inclui. Se por vezes, ele extrapola no quesito  “mil notas por segundo”, o que pode soar meio maçante (ainda mais no Dream Theater, que tem como característica musical uma overdose de informações), por vezes ele demonstra suas outras influências um pouco menos óbvias, soando diferenciado e marcante, como nesses exemplos abaixo:

 

Learning To Live – álbum Images And Words

    O solo de violão de Learning To Live , é dotado de uma influência flamenca do mestre  Al Di Meola, conhecido por misturar palhetadas velozes, a um estilo latino com uma pegada furiosa. Tal característica, influenciou outros mestres de Petrucci como Paul Gilbert e Randy Rhoads. Acha que foi de onde que Petrucci catou esse espírito de palhetar tudo?

 

Scarred –  álbum Awake

    Na introdução desse bela canção, Petrucci passeia com uma pegada bem diferente do que acostumamos ouvir:  licks e frases melódicas calcadas no blues, são costuradas na introdução, mostrando influência de um de seus ídolos: ninguém menos que Stevie Ray Vaughan.

 

Trial Of Tears – álbum Live At Budokan

    Aqui há uma característica fusion bem latente. Petrucci cita uma de suas grandes influências, Allan Holdsworth, abusando mais dos ligados, e rítmica similar a do mestre (articulação essa, que influenciou outros ídolos dele como Vai). Note também, que ele cria em cada acorde da progressão sensações diferentes, interpretando cada um de várias formas, criando belas tensões.

 

The Spirit Carries On – álbum Score (20th Anniversary World Tour)

    Extremamente melódico nesse solo de intro, Petrucci cita o estilo de David Gilmour de forma escrachada, passeando com bends, vibratos e melodias, que nos remetem ao estilo da intro de Coming Back To Life, do álbum The Division Bell, do Pink Floyd.

 

Wither – álbum Black Clouds & Silver Linings

    Nessa eu vou fazer até uma brincadeira: ouça antes o solo de Bohemian Rhapsody, do Queen, e depois ouça o da canção Wither. Duvido você não achar estilisticamente parecido:  uma entrada pomposa, e um clima crescente que te puxa para frente, escancaram a influência de Brian May, do já citado Queen. Curiosidade: é fácil achar no youtube, covers que o DT fez para músicas do Queen, como a trinca Tenement Funster/Flick Of The Wrist/Lily Of The Valley, e a própria Bohemian Rhapsody.

 

 

 

Luan Santana e a intolerância no metal

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     Ao ler essa notícia eu ri. Achei engraçada, e que obviamente era uma trollagem, então vejo que de fato foi postado e pelo próprio: Luan Santana, vai se dedicar ao gênero que diz amar, o metal. Eu sou músico e professor de guitarra. Sei muito bem que muitos músicos para conseguirem pagar suas contas tocam em bandas de sertanejo, de pop, etc (afinal, é um trabalho), e em paralelo se dedicam aos seus projetos tocando o que realmente os motivam e gostam. Logo ao ler isso, achei interessante e corajoso se for levado adiante. Com certeza me despertou a curiosidade, pois acostumamos a ouvir (sem querer, cooooom certeza) seu timbre de voz anasalado e malabares em vibratos tão comuns no sertanejo universitário, e veio a pergunta: como soaria essa bodega? Se ele falasse apenas rock, e fizesse algo mais pop rock, ou até mesmo um hard açucarado tipo Bon Jovi, na minha mente seria mais fácil de imaginar, agora metal? Então estou esperando para ver, pois quem sabe não sai um bom álbum do gênero? Mas aí que reside o fator principal do meu texto: a desunião dos headbangers no Brasil. Uma grande parcela foi postar mensagens de extremo desagrado, dizendo que o mesmo não tem capacidade para isso, talento, que iria desonrar o gênero, etc, etc. Porra! O cara nem fez um acorde sequer, já vem gente crucificando, e o pior: por ele querer fazer o que realmente gosta, que é o metal, que deveria ser um estilo de música (e vida) acolhedor, e não seletivo (seria talvez por isso, que esse sertanejo bem bosta faz tanto sucesso aqui no Brasil, já que querendo ou não, acolhe desde mauricinhos/patricinhas, até os mais humildes?). Headbanger reclama que não tem metal no RIR, que metal não aparece na TV, que não há união da cena, e que a mesma é ofuscada e deixada de lado, mas quando um músico como Luan Santana, que não precisa disso (o cara é mais do que estabelecido no gênero dele, e mais rico do que 99% dos que leem esse texto), resolve arriscar a carreira em prol da vertente que ama, a grande maioria marreta o cara, sem antes mesmo ver se ele manja ou não dos paranauês. Mal comparando, lembro do Alex Skolnick, guitarrista de Testament, que foi criticado por muitos da área do jazz, quando resolveu abordar e tocar o estilo, simplesmente por gostar muito e querer visitar essa paixão.

       Não sou nem um pouco fã das canções do Luan, e nem me agradava o estilo que ele adotou para si, mas torço para que ele seja feliz com essa mudança, passando a fazer o que gosta, e quem sabe isso não traga uma visibilidade para o gênero na TV (Domingão do Faustão?). E quanto aos headbangers mais xiitas, ficou a prova de que o pré-julgamento, o elitismo e desunião são grandes fatores que fazem tal gênero ser tão pífio no Brasil, mercadologicamente falando.

PENTA HARD! Um minuto, um lick!

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    Quantas vezes ficamos presos aos desenhos de pentatônica, com licks mais clássicos, porém, sem desenvolver a mesma por todo o braço, com diferentes visualizações e técnicas? É isso que trago para vocês, nessa série de 10 vídeos-aulas de 1 minuto, com partitura/tab no início, execução lenta e depois rápida. E nesse primeiro vídeo, trouxe um lick em Am que possui um estilo de repetição de notas, feito por guitarristas como Gary Moore na sua fase hard rock, e que hoje ganha vida nova nas mãos de caras como Zakk Wylde. Aqui faço algo um pouco diferente: emprego emendas nas notas mais agudas: desenho 4 e 5, 5 e 1, 1 e 2. Tudo executado em sextina (6 notas por tempo), e palhetada alternada. Tome cuidado com a abertura que de início pode incomodar, e com a palhetada para sair clara. Como é uma região próxima e apenas em 2 cordas, poupe movimento de ambas as mãos. Por fim, cuidado na troca de técnica de palhetada para ligado, e com a  blue-note que coloquei ali.  Até a próxima!

As viúvas do rock/metal

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    “Sepultura acabou em 1996”, “Ah, Deep Purple com Morse, não é Deep Purple”, “Lynyrd Skyrnyd é uma banda cover de si”, e por aí vai. Quantas vezes esbarramos nessas declarações, não é? Hoje ela estão bem mais vivas, com o lançamento do excelente Machine Messiah, que tem um brilhantismo que mostra o amadurecimento, conhecimento, e pegada de uma banda sincronizada. O Sepultura de hoje possui um baterista acima de todas as expectativas, e Derrick achou seu lugar na banda, com um vocal diferenciado e bem agressivo. Logicamente, após a saída do Max, a banda ficou meio perdida com lançamentos fracos, mas também, né? Chegar a esse nível de sucesso e tudo mudar do nada, deve ser bem complicado mesmo, mas há tempos a banda demonstra que se achou (na minha opinião, isso ocorreu no ótimo Kairos), e sejamos sinceros: Machine Messiah nunca teria sido lançado com Max e Igor na banda. Ponto final. Se eles estivessem, seria um álbum melhor? Não sei. Diferente? Com certeza. O que importa é que eu aproveito o que a banda tem de bom a me oferecer musicalmente agora. Sem mi mi mi. Eu não me privo de conhecer o que eles irão apresentar com uma nova formação, afinal, a vida segue em várias esferas: trabalho, relacionamentos amorosos, amizades, etc. O Deep Purple sofreu muito com isso, com a entrada de Steve Morse. O cara já tomou até cuspida no palco! Se não curte a formação, pra que o sujeito sai de casa pra ir ao show, e fazer isso? Enfim… qualidade técnica a ele não falta, e o melhor: Morse devolveu o espírito alegre aos shows do Deep Purple, com aquela onda de improvisos, e ajudou a banda a lançar bons discos, dentre eles o sensacional Purpendicular. A permanência de Blackmore traria o fim da banda, e não teríamos a oportunidade de vê-los com Steve Morse, dando cara moderna a mesma, e shows tão legais. Mas vai o fã boy, e diz que preferia que a banda tivesse acabado. O Lynyrd Skyrnyd nem se fala… com o vocalista Johnny Van Zant (prestando uma bela homenagem ao irmão falecido no fatídico acidente de avião), e o guitarrista Gary Rossington (único membro original, que sobreviveu e está lá até hoje) a banda continua. Gente! Porra! O irmão do vocalista está levantando a bandeira (sem piada com a bandeira dos confederados…), levando as belas canções da banda juntamente de um dos membros que sobreviveram a esse acidente, e pra variar lançando bons discos! Havia uma época em que eu me sentia meio carente de um puta álbum de rock n’ roll, daqueles que só víamos antigamente, e me deparo com os belíssimos  God & Guns e Last of a Dyin’ Breed! Mesmo com todas as adversidades, a banda lançou álbuns que podem figurar entre os melhores, e tem gente que ainda teima e nem se permite ouvir, despidos de preconceitos. Pobres almas…

     Por fim, sabe quando um rapaz namora uma moça por um tempo, pessoal acostuma com aquela dinâmica, mas o relacionamento azeda, termina, ele conhece outra e reencontra a felicidade, dando sequencia a vida?  Então, esses “fãs” tão “fãs” soam como uma tia velha, daquelas bem chatas, que não querem saber se o rapaz está bem hoje, feliz, etc. Fica sempre resmungando: “Não gosto dessa garota! Por mim você ainda estava com sua ex…”. Azar o deles…

Metallica – Hardwired…to Self-Destruct: um auto resumo musical

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    Demorou 8 anos, mas eis que o membro mais famoso do Big 4 lança seu álbum: Hardwired…to Self-Destruct. De cara, não fui impactado como fui ao ouvir o Death Magnetic, que é mais urgente, e demonstrava uma necessidade do Metallica em provar que ainda poderia ser ícone do thrash que ajudou a criar, após o horrendo St. Anger. Ao ir ouvindo com calma, pude notar que o álbum é violento, bem trabalhado, e traz passagens que remetem a todas as fases da carreira, porém com outro tipo de maturidade. Uma observação: eu não sou fã do Load e Reload. Ponto. Acho que se juntassem os dois, teria até dado um bom álbum, mas a pegada soa meio diluída a meu ver. Bem… é apenas o que sinto, porém, o que esses álbuns trouxeram, foram elementos melódicos aos vocais de James (que cantou muito nesse Hardwired!), que não ouvimos nos primeiros álbuns do Metallica. Ou seja, é um álbum que seja intencionalmente ou não, faz um resumo do que de melhor o Metallica fez em seus mais de 30 anos de carreira, e com uma timbragem certeira!

Hardwired: a mais direta, seca e Kill ‘Em All de todas. Riffs simples, e com palhetadas precisas, o arranjo ficou perfeito para o vocal agressivo de James. Só achei um pouco brochante o solo, que me soou muito parecido com outros que Kirk já fez.

Atlas, Rise!: Com uma intro que remete às convenções de Dyers Eve, do And Justice for All, essa canção possui linhas melódicas dobradas e refrão grudento, que ganha força cada vez que é escutada, remetendo bastante ao trabalho de guitarras do já citado And Justice;

Now That We’re Dead: o groove do riff inicial, junto dos bumbos que Lars imprimiu na canção, te remete imediatamente ao clima do And Justice for All (pense na Eye of the Beholder). Um detalhe: isso ocorre muitas vezes durante o álbum, porém, o clima é mais “pra cima” do que no And Justice, e podemos ouvir tranquilamente o baixo, que dá uma baita encorpada no som. Puta musicão!

Moth Into Flame: nessa dá pra notar o mix que citei no início: riffs thrash, que remetem aos primeiros álbuns, aceleradas raivosas, porém, as melodias no refrão remetem um pouco ao senso melódico encontrado nos álbuns Load e Reload;

Dream No More: Puta que pariu! A minha favorita do primeiro álbum, é uma espécie de Sad But True dos novos tempos, mas com uma pegada meio Sabbath e Alice in Chains, e com um vocal diferenciado de James: mais agudo e com certa angústia e raiva. Sensacional! O peso e timbragem da bateria ficaram sensacionais, e tais características permeiam o álbum todo (dessa vez tu acertou Lars, até que enfim!);

Halo On Fire: uma intro típica do Metallica dá vazão a um dedilhado suave, porém, uma vocalização bem diferente do que costumamos ouvir. Talvez essa seja a que mais se aproxime de uma balada, daquelas ao estilo da banda, que vão crescendo. O final com um riff melódico na guitarra e quase épico soou muito bonito, tal qual fizeram em canções como Fade to Black;

Confusion: quase saiu uma Am I Evil aqui (brincadeira). De cara não curti essa canção, mas com algumas audições fui passando a gostar um pouco mais, e notar elementos que remetem a The Day That Never Comes, porém muito melhorada, e sem os exageros da citada. Além de ser mais pesada.

Manunkind: eu simplesmente me amarrei nessa música! O Metallica fazendo rock n’ roll! Riffs setentistas e levada blues/rock, com um peso extra e umas belas quebradas de tempo, fazem dessa uma das mais legais do álbum! E ainda tem o clipe com referências ao black metal, que ficou sensacional!;

Here Comes Revenge: Após uma intro que remete ao clima de Leper Messiah, a canção ganha um groove que me remete um pouco ao Death Magnetic e toques do Black Album até, alterando em vocalizações mais melódicas (outro momento que me remeteu ao Load/Reload), até chegar num refrão bem legal;

Am I Savage?: a intro te engana que vem uma balada, mas a canção entrega o track mais Black Sabbath do álbum (ouça só Lord Of This World, e note o espírito), além de um dedilhado no meio que me deu a sensação que James deu uma escutadinha no Rust in Peace do Megadeth (não vejo problema algum!), e o final pesado com toques modernos na guitarra, com harmônicos naturais, é de bater cabeça!;

Murder One: a bela homenagem ao Lemmy, começa com belo dedilhado a lá And Justice for All, mas deságua num puta rock n’ roll, extremamente pesado! Lars parece que tocou com uma bigorna!!! Além de possuir o melhor solo do álbum, o que me soou interessante é que a canção tem um toque de Motorhead, mas soa como Metallica! Bela homenagem!;

Spit Out The Bone: acredito que essa seja a canção que muitos esperavam deles desde o fim dos anos 80, pois possui tudo que o fã de thrash gosta: riffs rápidos e pesados, vocais raivosos, várias partes que se encaixaram perfeitamente e bumbo duplo em vários trechos. Spit Out The Bone fecha o play da melhor forma possível!

    Por fim, é muito gratificante ver o Big 4, num período de um ano, lançar álbuns muito bons e maduros, algo que merece palmas numa época em que o metal fica cada vez mais infantilizado, bobo, e não-orgânico.

A guitarra e a caixa de ferramentas

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    “Herick, para tocar guitarra preciso saber fazer arpejo?”

    Essa foi a pergunta que recebi uma vez, de um rapaz que queria fazer aula. De certa forma, essa pergunta possui duas respostas: sim e não. Nunca vi o Zakk Wylde fazer mil arpejos um atrás do outro para fazer belos solos, da mesma forma que o Malmsteen faz direto, e nem por isso tudo que ele faz fica belo. Se você não souber fazer determinada técnica, ou não conhecer teoricamente algum elemento, você pode fazer boas canções e tocar bem? Óbvio que sim! Certa vez li uma entrevista do Stevie Ray Vaughan, na qual ele era questionado sobre como ele pensava em tais acordes em suas canções, e ele responde dizendo que não sabia muito sobre teoria, apenas fazia, e soava bem. Vai dizer que ele não compôs grandes canções e tocava bagarai? David Gilmour já disse em entrevista que foi aprender as escalas há pouco tempo, quando foi estudar sax. E mesmo assim ele compôs “Shine On You Crazy Diamond”, e possui uma afinação de bends que beira à perfeição. Então, o que é necessário afinal? Minha teoria é a da caixa de ferramentas. Imagine-se em casa, e algum aparelho solta uma peça, e você precisa apertar um parafuso. Usa-se uma chave de fenda. Se você precisa botar um quadro na parede? Usa-se um martelo e um prego, e por aí vai. O que quero dizer com isso? Cada situação musical requer uma abordagem. Uma música do Queen nunca precisou de uma sequencia enorme de palhetada alternada para soar bela e bem arranjada, mas nas músicas do Pantera esse elemento cai como uma luva, e é feito com maestria. O repertório desses músicos possui uma gama de técnicas e conhecimentos no qual eles os aplicam conforme suas necessidades. Então, vendo por esse ponto de vista, te convido a pensar assim: se numa situação de improviso, você quiser usar um padrão de ligados, eles soariam uniformes e limpos, com uma velocidade boa, que combine com o solo? Cada música há de dar a abertura necessária para aplicação dos conceitos que ela necessita para se desenvolver, então cabe a você pensar e ver o quanto realmente precisa e principalmente, quer dominar, para oferecer às suas canções ou a sua forma de tocar.

    Tudo o que você domina musicalmente há de ser acrescido à sua caixa de ferramentas musical, indo desde acordes, escalas, técnicas de execução, etc. Então eu pergunto: como anda a sua caixa de ferramentas?

10 momentos geniais de Kirk Hammett

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    Kirk Hammett. O bichinho é zoado. Muito zoado. Até eu não resisto e sacaneio às vezes, e entro na pilha de alunos, com seus comentários tipo: “O Metallica roubou do Exodus o guitarrista errado”, ou “Há 30 anos ele faz o mesmo solo”. Dentro da minha concepção atual, ele deixou-se cair na “mais do mesmo”, repetitivo, etc. Porém, lembro-me bem de ouvir o Metallica ao vivo em alguma rádio, tocando no Rock in Rio Lisboa de 2004, com seus solos cheios de ligados na pentatônica, muito wah-wah, e aquela porrada toda dos clássicos da banda. Realmente me impressionou, e tive uma sensação de que ele era uma espécie de Hendrix faiscante (salvo as devidas proporções, é claro). Aluno do mestre Joe Satriani, Kirk tem como influências o já citado Hendrix, Jimmy Page, Michael Schencker, Joe Perry, e etc, e junto do Metallica, influenciou direta ou indiretamente milhões de bandas e guitarristas de metal, sendo citado como influência até mesmo por John Petrucci (ouça AS I Am do Dream Theater e comprove). E vamos ser francos? Quem nunca se inspirou no Metallica, ou até mesmo, começou a tocar por conta deles?

    Por ordem cronológica, vamos de uma do Kill ‘Em ‘All, álbum em que notamos o “foda-se” como tônica, porém, nessa canção temos um começo de solo bem melódico e bem construído.

    Ah, essa nem tem muito o que falar, né? Clássico da banda, com solo inicial muito bem desenhado, que acrescenta muito à melancolia inicial da canção, fora o final com tom mais épico, no qual acho uma certa influência do Randy Rhoads.

     Acho essa canção muito esquecida, porém, contém um dos seus melhores solos, no qual ele passeia por técnicas como tapping, arpejos e aplicação de licks de blues muito bem colocados.

    Aqui, uma do meu álbum favorito, no qual ele usa elementos como pedal piont, e passeia pela menor harmônica, num solo com mudanças de andamento.

    Lembro até hoje da cara que fiz quando ouvi essa música, que tem pra mim, os melhores solos dele. Desde as passagens mais melódicas, até a parte mais rápida, considero esse o solo mais bem feito do Kirk!

       Curto, direto e dramático, esse solo dá para a canção exatamente o necessário:

A alavancada inicial, os licks com bends feitos de forma rápida, e uma cozinha extremamente quebrada, fazem dessa uma das mais bem entrosadas convenções do Metallica, na minha opinião.

    Eu sei que essa é batidona, mas acho muito legal o andamento arrastado da música, com sua entrada cheia de pagada. Arrisco a dizer que é um dos solos mais rock ‘n roll do Kirk, parecendo até um tributo aos seus ídolos Hendrix e Michael Schencker.

    Com esse começo de solo assumidamente retirado de Little Wing do Hendrix, aqui ele caprichou no elemento que o faz ser o Kirk: wah-wah pra car@#%* .

    Olha, se é bonito eu não sei, mas até hoje busco entender o que ele fez exatamente com esses quilos de wah-wah, pra conseguir esse efeito:

    Não sei se vão concordar, mas pra mim, essa é a melhor música composta pela banda desde o And Justice for All, e possui tudo que caracteriza o estilo do cara: aqueles bends palhetados em tremolo, licks de repetição, descidas cromáticas, e muito, mas muito…ah, você já sabe o que.

Jerry Cantrell: o gênio minimalista

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     O David Gilmor do metal. Desde sempre foi a sensação que tive ao ouvir o som acachapante de Jerry, do Alice in Chains. Meu primeiro contato foi com o álbum Dirt, que fui ouvir com certo preconceito até ( afinal, era uma banda de grunge, que possui o esteriótipo de música simples demais, ou até mesmo mal tocada ). Mas tal qual não foi minha surpresa, ao ouvir as duas primeiras porradas que abrem o álbum: Them Bones.e  Dam That River. Com o passar do álbum ouvi riffs absurdamente pesados, compassos 7/8 ( oi? grunge? ), e solos melódicos com muita pegada, que me fizeram pensar que ele seria a união do Tony Iommi com David Gimour. Diferentemente dos seus companheiros de Seattle, o Alice in Chains possui um apuro melódico e senso de composição expostos em canções acústicas com influência country e folk, até às mais pesadas, que faz a ideia de que grunge é mal tocado, cair por terra. Aliás, o Alice possui sim elementos do movimento, como a melancolia nos vocais, mas seus temas são mais contemplativos, possuem harmonizações vocais complexas feitas por Jerry e o finado Layne Staley, com influências de cantos gregorianos, e uma base corpulenta com afinações muitas vezes baixas, com influência de Sabbath, e até mesmo afinação dropada, com guitarra meio tom abaixo, e o bordão descendo 1 1/2 tom, algo que Eddie Van Halen faz em Unchained, e Zakk Wylde passou a fazer à partir do álbum No More Tears, por exemplo. Aliás, o Alice já abriu shows do Van Halen e Jerry já arrancou elogios de músicos como Kerry King, Dimmebag Darrel e o próprio Zakk.

    Por fim, trago aqui alguns exemplos do porque eu considerar Jerry Cantrell um dos últimos gênios da guitarra a terem destaque numa geração em que cada vez mais, a música fica menos orgânica.

Cadê o grunge dessa porra?

Veja com essa canção soa o tempo todo: arrastada de maneira a quase sair do tempo…

OBS: Olha esse arranjo de guitarra e o solo!

Ué…Extreme?

Pqp!

Acho que eles andaram ouvindo Eletric Funeral, do Sabbath, na hora de compor essa…

Choremos…

Essa leveza ao vivo…

Esse riff é agonizante!!! Apenas 2 notas e bends.

Essa música é incrível, no arranjo como um todo, sem contar o super arranque pesado do meio.

Fecho com 2 do álbum The Devil Put Dinosaurs Here, que na minha opinião, é uma obra-prima dos últimos anos, produzido por Nick Raskulinecz, mesmo produtor dos últimos discos do…Rush!

Preste atenção no peso absurdo desse riff, e a quantidade de camadas gravadas, afim de dar peso e corpo.

Fecho com essa mais melancólica, que possui um dos solos mais belos de Jerry!

 

 

O que é tocar mais do que alguém?

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    Há anos atrás, estava eu numa sala de aula, junto de outro professor conversando sobre guitarristas, e trocando influências e conhecimentos. Entra um aluno e ouve nosso papo, em que Brian May ( Queen ) e Eddie Van Halen eram citados. Então o rapaz solta a pérola: ”Ah…mas eles tocavam bem na época deles. Hoje tem gente muito melhor”. Lembro-me até hoje da cara de espanto do outro professor, que tinha uma formação mais jazz, e tinha escutado coisas do Eddie Van Halen e ficado impressionado. Esse tipo de pensamento é razoavelmente comum num período do aprendizado, quando você contabiliza qualidade instrumental através da quantidade de sextinas e arpejos executados pelo guitarrista. Mas acho esse um fator que separa os meninos dos homens, os guitarristas dos garotos com uma guitarra pendurada no pescoço. Minha cabeça automaticamente volta à imagem de capa do álbum A Night At The Opera, do Queen, e suas músicas incríveis que foram compostas em 1975.

A Night At The Opera

    Um álbum que contém músicas como ”The Prophet’s Song”, e ”Bohemian Rhapsody”. Acredito que isso resume. Eu não teria capacidade de compor isso hoje com toda a informação existente. Nem você. Desculpe a franqueza. Obviamente, nada impede de você compor suas canções, e que elas sejam tão boas como um clássico desses, mas entenda uma coisa: essas canções foram feitas como grandes composições. Letras, harmonias vocais, acordes, encadeamentos harmônicos, timbres, dinâmicas, solos e com um frescor incrível para a época.

    Digo o mesmo quanto ao Eddie Van Halen! E meu caro amigo, há poucas semanas fiz um evento com meus alunos, e tive 2 semanas para estudar e aprender ”Hot for Teacher”, e o que tenho a dizer é: caralho, que coça eu tomei! A base ritmicamente chata de manter, dinâmicas, e mesmo com ar de improviso, seu solo possui cada frase milimetricamente no seu lugar. Sempre defendi o fato que Eddie toca com facilidade desumana, e sempre abaixo da sua capacidade. Opa, como é que é? Exato. Meu amigo, veja esse vídeo:

    Agora me diz se esse corno, tocando com essa facilidade, não toca com o pé nas costas essas tranqueiras. Agora imagina no dia que ele falar: ”Vou tocar tudo que eu sei, seus merdas”. Mas o pior não reside nem nisso: reside no fato de que ele criou muita, mas muita coisa, e pra variar, o que ele não criou, ele reinventou. Basta ouvir Eruption, gravada em 1978, que junto do álbum Van Halen I , soa como se tivesse sido gravado semana passada, e ainda apavora guitarristicamente falando.

    Então, quando você ver alguém que pensa assim, lembre-se que pegar o carro pronto e virar a chave é uma coisa, criar as rodas, antes mesmo do próprio carro, é outra completamente diferente.