Arquivo mensal: julho 2014

Eruption – Van Halen

 

Todo mundo sabe, que Eddie Van Halen é gênio da guitarra, o guitarrista mais revolucionário da história depois do Hendrix, e que seu álbum homônimo de estreia, gravado em 78, mudou os rumos da guitarra. Mas além de canções sensacionais, o álbum contém, na sua segunda canção, um divisor de águas na história da guitarra: a canção ‘’Eruption’’.  Começando com uma virada de bateria, Eddie já começa mandando licks de rock blues, tocados de um uma forma inovadora, seguido de palhetadas numa corda só, feitas de forma insana. Daí em diante, é um festival de licks de blues ( isso mesmo! Licks de blues a lá Clapton ), usando cordas soltas no meio, para engrossar o caldo, tudo feito na visão e pegada de Eddie, o que torna tudo inimitável. Porém,  o mais incrível, vem aos 0:57 segundos, que contém uma sequência de notas, tocadas de forma inovadora, e sonoridade futurista, que ficou popularizada nas mãos dele:  o tapping, que consiste em usar a mão da palheta sobre a escala do instrumento, fazendo hammer-ons e pull-offs, dando uma extensão de intervalos bem maiores que as possíveis de se fazer com uma mão apenas, além de velocidade. O mais interessante disso tudo, é que esse registro não passou de um ‘’acidente’’. Eddie Van Halen usava esses licks e sequência de notas, como parte de seu solo nos shows, e como aquecimento. Mas quando o produtor Ted Templeman viu aquilo, fez de tudo, para que entrasse no disco. Segundo o próprio Eddie, ele poderia tê-la tocado melhor, pois, em sua visão, existem alguns erros. Mas mesmo contendo tais ‘’erros’’, Eddie gravou um dos melhores, e mais imitados solos da história, popularizando sua marca registrada, e forma única de tocar.

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Secret Society – Europe

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    O ano, é 2006, exatos 20 anos, em que o Europe compôs a clássica ‘’The Final Countdown’’, com seus teclados característicos e sonoridade oitentista. Mas como ser relevante 20 anos depois, sem soar datado, porém, sem parecer ‘’modernoso’’? Uma volta aos primórdios de suas influências, como o Led Zeppelin, ( volta essa já ensaiada no álbum de retorno da banda, ‘’ Start From The Dark ‘’, de 2004 ), uma dose extra de peso,  melodias pop com toques de U2, e refrões fortes, foi a receita usada. John Norum, é um guitarrista chave dos anos oitenta, tendo técnica e feeling de sobra, o que o fez  ter gabarito para substituir George Lynch, no Dokken, por exemplo. Devoto de mestres como Gary Moore, e Michael Schencker, Norum aqui, não se esquiva de adicionar influências citadas em entrevistas do próprio, como Velvet Revolver e Black Label Society, criando riffs e solos, em forma de muralha sonora. A abertura com a música homônima, já demonstra  isso, com pegada rocker, e licks bluesy. A segunda, ‘’ Always the pretenders’’,  com certeza, é uma das melhores canções compostas pelo grupo, contendo delicadeza, peso gigantesco, melodias cativantes, solo bem sacado, e um ar caótico. Daí em diante, o álbum segue com porradas como ‘’ Love is not the enemy’’, ‘’ Let the children play’’ e ‘’ The getaway plan’’ ( note o riff no meio dessa, que remete ao Black Sabbath, e o seu solo de extremo bom gosto ). ‘’ A mothers son’’, é uma balada dolorida, muito acima da média, que surpreende pela  entrega, e a bela ‘’ Forever traveling’’, traz um toque de anos 80, misturado ao hard rock atual proposto pela banda.  Depois da introdução pesada de ‘’ Brave and beautiful soul’’, nota-se descaradamente a influência de U2, mas sem soar forçado, influência essa, que volta na derradeira ‘’ Devil sings the blues’’, em que Joey Tempesta chega a simular o estilo vocal de Bono Vox, enquanto John Norum, contorna suas linhas vocais, com um arranjo de guitarra supremo, com a quantidade certa de drive, e fecha com o melhor solo do álbum, em que a influência de Gary Moore, mostra-se presente, com escolha de notas , licks, e pegada perfeitas. Eis um exemplo de álbum com equilíbrio de ideias, atual, que soa fácil de ouvir, e mesmo assim, é uma aula musical.

Equipamento x fator humano

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Belo equipamento, não?

Vamos começar do seguinte ponto: ninguém quer uma guitarra, que possua a mesma delicadeza de toque que um berimbau, e um timbre que pareça um papagaio com fimose berrando de tão agudo, ou uma vaca parideira rouca, de tão grave. Ok. Partindo disso, de uma qualidade básica do equipamento usado, venho por meio desta, humildemente, falar de um fator, irritante, por vezes: o equipamento, perante a realidade e necessidade. Todos nós adoraríamos ter uma puta estúdio, com amplificadores gigantescos da Marshall, Peavy, Mesa Boogie, todos valvulados, pedais mil, que tira até som de catatua com eco, guitarras absurdamente caras, Fender, Gibson, PRS tops, captadores mais fodásticos da galáxia, e….. bem…..mas qual a necessidade disso, no seu atual momento musical, e dentro da sua área de atuação? Vamos começar pelo ampli e os efeitos: como disse uma vez, Hélcio Aguirra, guitarrista da emblemática banda de hard rock nacional Golpe de Estado, todo mundo sonha em ter um Marshall valvulado, gigantesco , e lindo, mas quem tem um desses pra ficar tocando em casa? Um ampli valvulado requer volume, para o aquecimento das válvulas, e obter aquele puta som! Você vai fazer isso no seu quarto jovem? Mais vale você ter um ampli simples, pequeno, pra estudo pra facilitar sua vida. ”Ah, mas eu tenho banda, faço shows, etc….” . muitos lugares já possuem amplificadores próprios, e você tem que se adaptar,e tirar um bom som na marra. A não ser que você tenha uma van, para levar todos seus limpos amplis, e fazer sua apresentação, estilo ”mamãe, eu to no Rock in Rio”. Quanto aos pedais…..aqui entra uma discussão sem fim, entre qual dos 2 é melhor. Se você possui condições de ter um pedal pra cada efeito ( seja lá quantos você vai querer usar ), e paciência para armar isso tudo, seja em casa ou num show….ok. Mas é fato, que as pedaleiras digitais estão cada vez mais modernas e as simulações de amplis e pedais, estão cada vez melhores, e tornam-se mais práticas. Chegue em casa depois do seu trabalho, cansado, e vá tocar um pouco. Você não acha mais prático usar uma coisa só, plugar, e pronto?Isso se você não fizer direto no ampli, não? Você não fará um show em casa, você vai apenas estudar um pouco. E quanto aos show? Se você acha mais legal ter seus pedaizinhos, e acha o som legal, e tem como armar com calma, ok. Mas dependendo da realidade, é muito melhor uma unidade de efeitos única, com tudo ali, um som pronto. John Petrucci com seus putaquparivelmente gigantescos equipamentos, já revelou em entrevista, que possui um micro cube da Roland, pra ficar treinando em casa, a hora que quiser. Edu Ardanuy e Kiko Loureiro, em vários workshops e shows pequenos, usam suas pedaleiras signature. Eu mesmo fui ao show do Richie Kotzen, e vi, ele usando o drive do ampli Marshall. Ok. Mas delay, chorus, etc, ele adicionou de uma pedaleira Zoom. Quanto as guitarras? Você não vai querer ter uma guitarra ruim, óbvio, mas há uma ilusão, de que somente as hiper guitarras, que ficam nas vitrines, protegidas em vidro, nas lojas, que terão o ”grande e perfeito timbre”. Quem toca, tira um puta som de uma guitarra de 300 reais, ou de uma de 3mil, ou 30 mil ( se você já tocou em uma de 30 mil, parabéns! Se tiver foto, me mande, junto com sua foto com Carlos Santana ). Vejo também, pessoas querendo um timbre mais pesado, mais isso, mais aquilo, e escolhe captador daqui, dali, esse que tem mais nome, o que fulano usa, etc…. O peso, vem do seu jeito de tocar! Ritchie Blackmore e Tom Morello, fizeram riffs cheios de pegada e peso, numa strato com single! Eddie Van Halen, possui riffs poderosos, que não são absurdamente distorcidos. Você já ouviu de fato, o som que sua guitarra possui? Já buscou ver, como você toca, se você extrai o melhor som possível dela? Joe Bonamassa, certa vez disse, sobre trocar captadores: ”Não mesmo! Acredito piamente que se uma guitarra soa bem, não quero saber de ninguém chegando perto dela com uma pistola de solda!”. Agora veja todos esses questionamentos, e pense no seguinte: quantas vezes, você consegue sentar o rabo na cadeira, e treinar 2 horas, de verdade? Você pega na sua guitarra para estudar, nem que seja um pouco, todo dia? Você já observou, a forma que você toca, se soa limpa, se tem precisão, ou se você se esconde atrás de uma tonelada de distorção e delay, pra disfarçar? Já experimentou tocar num ampli direto, pra estudar, com um drive leve? ” Ah, mas o som fica seco, sem tanto ganho, ai eu capo, erro”. Parabéns! Pois é assim que você soa! Se ouça! Sente numa cadeira, e estude! Treine! Tem pouco tempo? Se organize! O dia tem 24 horas pra todos! Não consegue tirar um som bom do seu equipamento? Saiba que boa parte do som ruim, está em você! E tenha uma coisa chamada paciência, para consertar tais erros, aprender como utilizar o seu equipamento, e regula-lo, ao invés de falar de cara, que ele é uma merda!

Pra fechar, vou falar de 3 historias: James Hetfield, do Metallica, e Slash, tinham no começo da carreira, copias fajutas de Gibson. Eles gravaram nada mais, nada menos, que os álbuns Kill’ Em All e Appetite for Destruction com elas. E o mestre Tonny Iommi, gravou suas guitarras, para o álbum Born Again, em 1983. Após tudo gravado, foi descoberto, que a ampli estava queimado! E esse é o som que você ouve no álbum todo. Então, ao invés de reclamar tanto, e querer um equipamento tão bom e incrível, se preocupe em primeiro, em ser também incrível.