Arquivo mensal: agosto 2014

Música x Humildade

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    Todo ser humano, mais do que naturalmente, quando começa a evoluir numa determinada tarefa, se sente bem. Nós guitarristas, quando começamos a executar nossos licks favoritos, criar outros, tocar com mais precisão, e ter um domínio maior do instrumento, ficamos contentes. Óbvio! Isso é um sentimento com gosto de vitória. Ninguém se empenha, sem visar algum resultado! Então, essa evolução que está cada vez mais latente em você, começa a despertar a atenção de amigos, colegas, desconhecidos que te veem tocando em algum lugar, etc., que naturalmente, começam a elogiar, te dar o reconhecimento. Ai, vem o grande problema: a satisfação do reconhecimento, que algumas vezes, dá lugar ao ego! Quem nunca viu músicos que se sentem como o último biscoito do pacote? Soberbos, se sentindo inalcançáveis por conseguirem executar uma sextina rápida e um arpejo? Lembre-se que sempre, mas sempre, existirá alguém melhor que você. E alguém que você vai servir como exemplo. Você está no mundo, todos nós, para fazer bem aos outros ( todos nós vemos pela TV, o que acontece quando esse simples conceito, não é seguido…). Muitos se auto glorificam, fazem uma couraça de falsa humildade; ”não cara, que isso, não sou tão bom assim” , apenas para parecerem exemplos, mas só estão de nariz empinado, vendo os outros e o público , como escória, ate notar que em terra de cego, quem tem um olho só, é rei. Se deparam em outras situações, jams sessions com outros músicos, precisam tocar com outro equipamento ( falei disso a poucos dias ), se colocar em outras situações musicais, e notam que não são….nada! Exato! NADA! Se acha fodão , tocando magnificamente bem? Ok. Toque um blues em tercinas, durante 3 minutos, enfatizando cada nuance de cada acorde sem soar repetitivo, e veja até onde sua coleção de arpejos e palhetadas na velocidade da luz, vai te levar. Você está num mundo, onde Tony Iommi e Dimebag Darrel, já criaram os riffs mais pesados do planeta, Jimmy Page e Brian May criaram canções, que mais se pareciam com muralhas sonoras, onde Jeff Beck, Eddie Van Halen, Allan Holdsworth e Mattias IA Eklundh, fazem coisas sobrenaturais e inimitáveis, e num mundo onde Clapton, Hendrix, e Gary Moore, mostraram como conectar a alma, à uma guitarra. Pode parecer uma comparação engraçada, mas tome elogios da seguinte forma: avalie, se você os merece, e seja grato, mas os absorva e os ”consuma” como um copo de açaí! Um copo de açaí, como todos sabem, é muito energético e calórico. Pegue essa energia, e use como combustível; gaste-a se empenhando mais, e mais, e não fique de rabo sentado, se glorificando, e engordando, essa bomba de calorias. Somos todos humanos, frágeis e presenteados por um dom, que precisa ser trabalhado, tanto que se você ficar 2 semanas sem tocar, você vai se sentir um mero aprendiz na guitarra, pois perdeu muito da habilidade, provando, que a síndrome de fodisse, se esvai e não adianta nada ser arrogante e soberbo. Como eu disse, estamos no mundo, para fazer bem ao próximo, e se você for capaz de humildemente fazer isso com uma guitarra em mãos, e fazer uma pessoa sorrir, você está cumprimindo sua missão.

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Blues para todos nós…

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    Novamente um amontoado de coisas, mesmo organizadas, perto de mais um compromisso, fazem sua presença em forma de um frio na barriga. Dentre mais uma semana de aulas, visualizei alunos evoluindo bem, tanto na visualização de escalas pelo braço, e começando a improvisar melhor com as mesmas, mais uma constante foi notada em muitos: palhetada alternada, e a forma como cada um se posiciona fisicamente, perante o instrumento. Alguns alunos seguravam a palheta de uma forma a travar completamente a palheta entre os dedos, dificultando assim, tocar com mais leveza, e certas vezes, posicionando a mão, de forma um pouco diferente, que possuía muito mais chances de atrapalhar, do que ajudar. Tocar um instrumento, é relaxar para a vida, se divertir, e trazer paz para si. Não é para ser dotado de esforço, ou força desnecessária. Cada técnica vai demandar mais ou menos força, mas saber a forma mais tranquila de executar cada uma, é um dos detalhes mais importantes, para desenvolver-se bem no instrumento.  Acaba que cabe um pouco ao professor, fazer um certo trabalho de observador também, vendo o aluno tocar, de forma natural, certas vezes sem que o próprio repare, e fazer um trabalho de formiguinha, tentando achar pequenos detalhes, que podem estar dificultando o aprendizado.

    Junto disso, a cabeça a mil, com detalhes de um workshop a serem resolvidos: slides com fotos dos músicos citados, tópicos a serem falados, e estudo de cada tema a ser executado, da melhor forma possível, apresentando detalhes da história da guitarra, e de um gênero tão rico como o blues, com todas as vertentes que ele originou, em apenas 2 horas. Linkar o mundo de Robert Johnson, com o de Stevie Ray Vaughan e o de Joe Bonamassa, e o que isso tem a ver com Eddie Van Halen e Paul Gilbert. O que teria a ver isso, com country, ou com jazz? A responsabilidade de apresentar a muitos seus pontos de vista, informações valiosas, sem soar chato, e conquistar novos olhares para a música, seja para estudar mais e buscar melhorar, seja para se interessar a começar a tocar, ou apenas, trazer um pouco mais de conteúdo ao paladar musical de cada um, trocando informações, ouvindo o que cada um tem a dizer. Afinal, música é uma das mais belas trocas que um ser humano pode fazer para com o outro.

A Hard Road – John Mayall and The Bluesbreakers


 
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    O ano era 1967. John Mayall, músico importantíssimo para a formação do blues britânico, perdeu um dos seus principais pilares: Eric Clapton! Ja ouviu falar sobre os muros de Londres, pichados com os dizeres ”Clapton é deus”? São exatamente desse período. Entao, como resolver esse pepino, maior do que a saída de Portnoy, do Dream Theater? Foi em Peter Green, que John Mayall encontrou a solução e confiança, a ponto de chegar para seu produtor, e dizer que estava tudo bem, pois ele encontrou alguém melhor que o Clapton ( !!! ). Então,nesse ano sai ”A Hard Road”, um álbum em que Green mostrou ser capaz de aguentar a responsabilidade, e deixou seus vibratos e fraseado por todo o álbum, que se tornou um dos favoritos, de mestres como Joe Bonamassa e Gary Moore. Aliás, Moore chegou ao ponto de gravar um disco inteiro em homenagem à Peter Green.
    A abertura com a clássica faixa homônima, com seu piano na introdução, é recheada de licks certeiros de Peter Green, e bends que arrepiam a espinha. ”The Stumble”, instrumental, contém um fraseado direto e cheio de nuances blueseiras, em que uma melodia central é sempre interligada à outras frases. ”Another Kinda Love”, regravada até por Bonamassa, aqui soa climática e quase melancólica, dando a vez  para ”Hit The Highway” e mais arranjos de guitarra bacanas. Já ”Dust My Blues”, entra já na toda, com peso e guitarra na cara! ” The Supernatural”, o destaque maior do álbum, mostra todo o feeling de Peter Green, e vibratos que serviram de escola para mestres como Gary Moore. Note o sustein dessa bagaça! ”Someday After A While (You’ll Be Sorry)”, já abre sexy desde o começo, e mais uma aula de licks bem feitos e melódicos, que tornam-se outra aula à parte. 
    Todas as canções desse álbum mostram o retrato de uma época, em que o talento direcionava a criação, e virar as costas para um álbum assim, é virar as costas para parte da história da guitarra. 
Obs: a versão remasterizada possui uma infinidade de bônus sensacionais, como ”So Many roads” , ”Your Funeral And My Trial” e ”It Hurts Me Too”.

Deus e a guitarra

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     Não é qualquer um que torna-se capaz de tocar bem uma guitarra. Todos nós sabemos disso. Muitos colegas e amigos, arranham um violãozinho, uns acordes na guitarra, mas tocar, conhecendo, e pra valer, não são tantos assim. A esses, que sentiram em si uma luz se acender, com a hipótese de exteriorizar suas dores, medos, amores, através de notas, Deus deu um dom: o dom da música! Não, não estou falando de religião, estou falando de uma reflexão: você acredita, que algo tão belo, que jorra através de sensações e sabores, que nossos ouvidos são capazes de sentir, pode mesmo, ter sido criado pelo homem? A música, é uma graça divina! Está harmoniosamente na natureza, e em todos os lugares. E quem tem a oportunidade de transmitir suas sensações numa guitarra, ganhou esse dom, que é um presente dado por Deus, que ganhamos sem merecer. Fique bem claro isso: sem merecer! Mas mesmo assim, Ele deu a alguns esse presente. E o que você tem feito, para honrar esse presente, magnifico, que você ganhou, sem merecer? Deus não faz nada pela metade, então, se Ele te deu esse dom, abriu portas para você conseguir ferramentas para desenvolve-lo: seja com auxílio de seus pais, que te deram o equipamento necessário, pagam aulas para você, ou um bom emprego, para você poder adquirir tudo, e se bancar. Você tem honrado esse presente, ou tem sido omisso, deixando a preguiça te ganhar muitas vezes, ficando na internet a toa por horas, indo encher a cara, com pessoas que algumas vezes, não estão muito ai pra você, só são suas amigas pra beber, e quando você vê o quanto gastou nisso, nota que que seus cabos estão ruins, ou está sem cordas novas, ou colocado desculpa no excesso de estudo, trabalho, que denota muitas vezes sua falta de organização? Ao dar um presente para quem você ama, um presente dado com todo amor, você se sentiria bem, vendo que essa pessoa não deu a mínima, ou não cuida do seu presente?
     Deus, te deu a vida, o dom, a capacidade e a força. Muitas pessoas passam a vida, sem ter a oportunidade de tocar um instrumento, ou deixam a vida seguir, estudos ( óbvio que é muito importante ), casam, tem filhos, e não se deram a chance, ou não a tiveram. Você a teve! Não faça essa desfeita, para com Aquele que te deu um presente tão lindo.

 

Diário de um músico: Dedicação, foco e excelência

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Rory Gallagher: exemplo de paixão e comprometimento com a música

    Um fator que sempre bato na tecla com meus alunos, e até comigo mesmo. O quanto você realmente se entrega à sua profissão? De corpo e alma? Desânimo, doenças, tristezas, baixa autoestima, milhares e milhares de fatores contra a excelência nas suas atividades e trabalho. Mas seja qual for a atividade desenvolvida, para ser com muita qualidade, é preciso empenho, e uma dose de entrega. Diria até mais: paixão. Paixão pelo que se faz. Quantas e quantas pessoas estão atrás de mesas com papéis, ou em outras funções, talvez até muito bem aceitas socialmente, mas são infelizes? Isso muitas vezes, resulta em tarefas executadas corretamente até, mas sem um elemento que traga diferencial, que faça com quem você esteja trabalhando solte um ‘’UAU!’’, pela qualidade do seu trabalho. Dado esse ponto de vista, há necessidade de salientar que, só faz extremante bem feito, quem conhece, quem busca melhorar cada vez mais seus conhecimentos e suas habilidades.  Logo a dedicação e o traçado correto de um objetivo, de sua meta, e como chegar nesse lugar chamado excelência, traz a diferença. Saber onde empregar sua paixão, não frustrá-la, guardando-a num baú trancado, e jogar sua força nisso, de corpo e alma, com dedicação e organização. Esse fator faz a diferença, seja qual for a área. Seja lá o Pelé, Bill Gates ou Eddie Van Halen, todos se entregaram de corpo e alma às suas profissões, tarefas, e souberam onde empregar suas energias. Já vi muitos alunos com determinação, força de vontade, mas que em casa na hora de estudar, perdem o foco e começam a tocar coisas a esmo, repetindo o que sempre já tocaram, e com isso, começam a acreditar que não possuem capacidade avançar. Buscar orientar cada um deles, mostrar os caminhos mais assertivos em busca de um objetivo maior. E não há nem um tom de superioridade em minhas palavras, pois estou nessa mesma busca até hoje, e passo pelas mesmas mazelas que desanimam e atrapalham a qualquer um, e deparo-me com situações complexas de resolver, como por exemplo, marcações de aulas somadas no mesmo dia, totalizando com 12 alunos no mesmo dia, entre idas e vindas do blues rock de Rory Gallagher, que tocava nas caixas de som, entre uma aula e outra. Mas a dedicação e paixão por tudo superam, e anos estudando assuntos sobre determinada área, conseguem fazer você direcionar melhor como organizar cada detalhe da melhor forma possível, afim de que todos saiam com a sensação de que valeu sair de casa, para ter mais uma aula.

    Para fechar, costumo dizer que todo professor possui uma pitada de psicólogo, ainda mais sendo professor de música, que possui uma afinidade muito maior para com o aluno, afinal mexe-se com sonhos e com a sensibilidade do mesmo,e ouço desde histórias hilárias, até medos e desabafos. Orientar como fazer, pautado na experiência já vivida, ou em opiniões saudáveis, mostrando onde direcionar mais sua força, contribui tanto quanto uma escala, um acorde, ou uma música ensinada, para que dentro dos seus limites, todos busquem a excelência. Como diria o jornalista Malcolm Gladwell, escritor do livro Outliers: The Story of Success, para se destacar em determinada tarefa, são necessárias 10 mil horas de trabalho árduo, citando como por exemplo, os Beatles , que ficaram em Hamburgo trabalhando por 18 meses e tocando 5 horas por noite para aperfeiçoarem sua técnica e trabalho em grupo, e que resume de forma simples como mesclar bem o foco, a paixão, e como obter sucesso na sua tarefa:

  1. a) Faça trabalho que tenha significado e seja inspirador para si;
  2. b) trabalhe arduamente;
  3. c) lembre-se que a recompensa merecida depende do esforço que fizer para alcançá-la.

Fat Time – Miles Davis

Uma música, várias histórias…

Fat time – Miles Davis

    Que Miles Davis é um gênio, todo mundo está careca de saber…mas, e quando temos uma música que pode se dizer que possui um dos melhores arranjos fusion da história? Fat time, encontra-se no álbum ‘’The Man With The Horn’’, de 81, e conta com o gênio das seis cordas, Mike Stern, na guitarra. Tendo estudado na conceituada escola Berklee College of Music, em Boston, seu foco tornou-se o jazz, porém, seu jeito de tocar trazia uma violência a mais, e pegada forte, indo além da pegada suave jazzística, cortesia do seu gosto por blues em geral, Led Zeppelin e Hendrix. Esse último, possuía admiração confessa vinda de Miles. Logo, sendo umas das influências notórias de Mike Stern, os caminhos dos dois se cruzaram, rendendo um fruto musical mais cru (direcionamento buscado por Miles na época ), e com vibe fuison, com jogas funk, e solos de pegada rocker. Tal ideia de direcionamento, é confirmada por Mike Stern, que revelou que Miles pediu, que durante as gravações de “Fat Times’’, ele soasse o mais próximo possível da fúria de Hendrix.

    Note as belas improvisações de Miles, com um groove sensacional de baixo e bateria, solo de sax, pequenas interversões de guitarra, até chegar aos 5:18 min, em que a casa cai, com um dos solos mais animalescos da história do fusion. Fluidez, pegada e velocidade, andaram de mãos dados sem limites, nesse momento.

Fused- Tony Iommi/Glenn Hughes

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Um dos melhores álbuns de metal dos últimos tempos!

     

      Aqui vem um álbum que quase ninguém conhece, porém, é um dos melhores da carreira de Iommi, e por incrível que pareça, sem a acunha do nome Black Sabbath. Tonny Iommi e Glenn Hughes já tinham trabalhado juntos em 85, no álbum Seventh Star, e lançaram um álbum, de jams feitas em 1996. Mas aqui, a história já é diferente, pois o chumbo é grosso! A sonoridade pesada, e mais moderna, gravada ao vivo no estúdio com o baterista Kenny Aronoff ( com alguns pequenos overdubs apenas ), é assustadora! De cara, o álbum abre com o peso de ‘’Dopamine’’, com um dos riffs mais absurdamente pesados da carreira de Iommi ( note as texturas de guitarra no refrão ), com solo cheio de licks blueseiros, tocados de uma forma que só Iommi sabe. ‘’ Wasted Again’’ segue, com um riff escabroso e grudento. A dobradinha ‘’ Saviour Of The Real’’, com riff pesado e swingado, de refrão belo, unida à depressiva e dark ‘’ Resolution Song’’, com seu refrão dissonante e que bota qualquer banda de metal atual no chinelo, derrete qualquer cérebro. A macabra “Grace’’, traz modernidade até mesmo na voz soul de Hughes, soando como a trilha sonora do fim do mundo. A balada ‘’ Deep Inside A Shell’’, chega a irritar de tão bonita, e possui um solo com tamanho feeling, que chega a dar raiva. A old school ‘’ What You’re Living For’’, é um puta arrasa quarteirão, que desacelera num refrão melódico, até ir para mais um riff incrível ( novidade!), e um solo rocker que taca tudo no chão. ‘’ Face Your Fear’’ abre com uma pressão na cara, desaguando em praias mais modernas, sem deixar de soar bela, mas logo ela dá lugar à obra-prima de riffs chamada ‘’ The Spell’’, acariciada pela magnífica voz de Glenn Hughles. Dê uma atenção especial, ao riff do refrão, que com certeza é uma das coisas mais demoníacas que Iommi fez desde a clássica canção ‘’Black Sabbath’’. Por fim, a épica ‘’ I Go Insane’’, com seus mais de 9 minutos, com solo na introdução, mostrando o apreço de Iommi pelo blues, até dar espaço para o vocal suave e belo. Daí em diante, é um desfile de riffs e convenções que não acabam mais! É um melhor que o outro!

      No fim, fica uma sensação, de como caras que já passaram da casa dos 50, fizeram algo tão moderno, pesado,  e perfeito. Um dos mais incríveis álbuns de metal dos últimos anos, sem dúvida!

Ideias musicais – como expandir seu vocabulário?

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Richie Kotzen: exemplo de vocabulário musical extenso

Ideias musicais – como expandir seu vocabulário?

     É algo que leio e ouço constantemente, de pessoas de todos os níveis: como expandir o vocabulário musical? O fraseado na guitarra (ou seja lá qual for seu instrumento), quanto maior for, mais te possibilitará se aventurar, e dizer, enquanto toca. Imagina um cara que na hora de tocar um solo, faz sempre aquelas mesmas frases, mesmos licks, ideias parecidas, e você ouve, já sabendo como ele vai terminar, sem nunca ter um elemento surpresa. Não digo que você nunca possa repetir um lick, uma frase legal, mas criar variações soa importante. O vocabulário musical pode ser comparado com as palavras: aprendemos várias delas, e vamos fazendo combinações diferentes, e entonações diferentes, e formando frases, textos, etc. Um adjetivo como ‘’louco’’ pode ser direcionado a alguém com tom de humor, ou tom de espanto, ou raiva. Tudo depende do tom de voz que você usa. A mesma coisa para a guitarra! Uma nota, dependendo da sua interpretação, e do contexto, pode soar agressiva, suave, delicada, suja, etc. Cada variação para a mesma, combinações com outras, ritmos diferentes, e elementos novos, podem trazer ares novos à sua música, e seus solos. Não há problema, em você aprender os licks do Angus Young do AC/DC, uns padrões de palhetada do Paul Gilbert, frases inspiradas nos solos de trompete do Miles Davis, e rítmica fusion, e misturar tudo no pacote, dosando ao seu sabor. Na hora de tocar pra valer, você torna-se um grande chefe de cozinha musical: você é quem vai dosar o tempero! E é sempre bom tentar ter um ’’elemento surpresa’’, algo que deixe o ouvinte desconcertado, concentrado no que você toca, e visitar outros estilos, para buscar tais ideias, é uma ideia muito frutífera. Certa vez, li uma entrevista do Steve Morse, falando sobre improvisos, solos, e sua facilidade ímpar de transitar por vários estilos. Quando questionado sobre a última, ele disse que é muito chato quando alguém fala direto sobre um mesmo assunto, e não é capaz de contar uma boa piada.

     Tudo na música, e em qualquer área, para ser duradouro e consistente, leva tempo, e dedicação. O fraseado vai se somando, igual às palavras: vão juntando-se ao nosso vocabulário, e hoje fazemos frases, sem pensar. Treine sempre cada ideia musical que você tiver, anote para não esquecer, grave, mas busque ampliar! Não se conforme e tenha paciência. Um dos maiores improvisadores de todos os tempos, Allan Holdsworth, certa vez disse que uma nova ideia musical, sendo sempre estudada, demora em média, 2 anos para soar natural na sua forma de tocar. Se ele que é mestre, disse isso, só resta a nós mortais, estudar e perseverar.

Diário de um músico: marketing final

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Suas mãos: seu marketing final

Diário de um músico:

      Semana menos cheia que o normal. Alunos com problemas, dentre eles até de saúde, e inclusive, um resfriado de minha parte, para deixar certas tarefas mais arrastadas. Saber vencer o desânimo em prol de um trabalho bem feito é necessário. Superar a preguiça, o cansaço físico e mal estar, e continuar mantendo o máximo possível, o mesmo nível de dedicação, treinos, e não deixar cair o nível das aulas da semana. Em meio a isso, criar algumas estratégias de propaganda, como forma de divulgar o trabalho e conteúdos que atraiam visitas e futuros alunos, clientes, que precisam ver você ativo e presente, afinal, quem não é visto, não pode ser lembrado. Criar alguns estudos, que possibilitem suprir a demanda de alguns alunos: solar, usando a escala natural, mas de forma coesa e sem ‘’engasgar’’, sem deixar de lado, a visualização da harmonia em questão. É necessário dosar o conteúdo, aos poucos, para uma assimilação concreta do conteúdo, sem ficar algo largado na cara dos mesmos, e não absorvido. Faze-los também, trabalhar em conjunto, ainda mais, quando eles interagem em bandas, etc. Fazê-los não somente mecanizar um padrão, mas tentar direcionar o caminho, e fazê-los raciocinar, e entenderem os porquês de diversos elementos (o porquê dessa nota em tal acorde, o porquê de tal nota não soar bem, etc), mas mostrar na linguagem mais acessível possível, esmiuçando detalhes, sem ser pragmático ao extremo, como se fosse dono da verdade absoluta.

    Não esquecendo também, que o um dia é munido de diversas outras tarefas, dentre elas, os preparos do workshop. Delinear conteúdos, encontrar assuntos, e se questionar quais seriam mais interessantes ao público, que mescla alunos, pessoas já inseridas na linguagem musical, e leigos que apenas admiram. Achar a linha tênue entre os elementos, e fazer do seu trabalho apresentado, uma grande e forte propaganda, que fica na mente das pessoas como uma lembrança bem guardada, uma melodia, um momento de despertar de sensações. Criar satisfação perante o evento esperado, pois o maior marketing/final de tudo, está em suas mãos e em como você trata à música, para ser degustada por cada paladar.

All Along the Watchtower – Jimi Hendrix

Uma música, várias histórias…

 

 

    A música All Along the Watchtower, na verdade, é composição de Bob Dylan, que foi gravada 6 meses antes da versão feita por Hendrix, no álbum Electric Ladyland, de 68. O produtor e engenheiro de som Andy Johns , que viria a trabalhar também com  Led Zeppelin e Eric Johnson,  registrou a canção numa tarde de domingo, quando Hendrix chegou com um disco de Bob Dylan dizendo que queria regravar tal canção. O músico Dave Manson, disse que precisava de um violão de 12 cordas. Johns, possuía um, que foi tocado pelos Rolling Stones em gravações, e foi busca-lo em seu apartamento, mas como não tinha pago o aluguel, teve pegar o violão, escalar a janela do banheiro e desceu pela calha, para que o proprietário não o visse.

    A música foi gravada várias vezes, e a versão que sai no álbum, não é a favorita do produtor, mas Bob Dylan, ao ouvir a versão, gostou tanto, que passou a tocá-la dessa forma desde a morte de Hendrix, como forma de homenageá-lo. A versão de Hendrix, tornou-se clássica, sendo considerada pela Guitar World, o 5° melhor solo de guitarra, de uma lista de 100 maiores solos, e já foi considerada pela Total Guitar ( revista de guitarra mais vendida da Europa ),  como melhor cover da história.