Arquivo mensal: setembro 2014

Covers inusitados, que ficaram tão bons, ou melhores que os originais

Mulher-guitarra-8

Cover é sempre algo divertido quando bem feito, não é verdade? Já que é segunda-feira, só pra dar uma relaxada, resolvi listar uns covers inusitados, que ficaram tão bons, e tão legais, que muita gente desconhece até o original! Uns ficando até mesmo, hilários. Vamos começar com…

Megadeth

Em 1986, a banda lançou seu clássico álbum “Peace Sells… But Who’s Buying?”. Todo mundo sabe que é um marco da música pesada, etc, etc. Mas nele há uma pérola do bluesman Willie Dixon, original de 1961, numa versão bem mais pesada, e solos bem ácidos!

Sepultura

Essa daqui, muita gente, mas muita gente mesmo, acha que o original é do Sepultura, e não é. Em 1986, o Motörhead lançou o álbum homônimo, que continha essa porrada. Como Max e seus companheiros eram fãs da banda, fizeram essa versão em 91, incluída no álbum Arise, fator que com certeza, deu um empurrãozinho a mais na carreira internacional dos caras.

Disturbed

Em 1984, o grupo Tears for Fears, lançou uma pérola pop, chamada ‘’Shout’’, que virou um baita clássico, e faz até sentir saudade de como era tratado o pop antigamente. Eis que a banda de metal Disturbed, fez uma versão bem pesada no álbum The Sickness  de 2000.

Black Label Society

A banda Lynyrd Skynyrd, antes do seu clássico e infeliz acidente, gravou uma linda canção alegrinha chamada ”I Never Dreamed”. Um fã mais do que confesso do trabalho dos cara, Zakk Wylde, tratou de incluir em seu álbum Mafia, uma versão para a mesma, mas extremamente mais melancólica, e dolorosa, com um solo magistral.

Children of Bodom

Pra fechar, trago um cover hilário, e inusitado! Lembra da ‘’sem talento ‘’ Britney Spears, que canta como se estivesse gozando e comendo plástico? Então… ela tinha uma musiquinha bem famosa chamada ‘’Oops!… I Did It Again’’. Então, a banda de death metal melódico Children of Bodom , muito da zoeira que é, regravou essa canção, usando trechos do vocal da própria! Dá uma olhada, e diz se não melhorou consideravelmente!

E aí? Lembra de mais algum legal? Deixe seu comentário!

Anúncios

Uma guitarra…uma vida…

551300_544950608929652_1749056838_n

    Tive uma conversa esse fim de semana, e num papo leve, descontraído, não teve como não escorrer de nossos lábios, um assunto que traz um delicioso sabor para muitos, inclusive, para esse que vos escreve: a música e a guitarra. Em um papo gostoso, foram falados sobre coisas felizes, curiosidades, canções e historias. Até que surge, e recebo uma historia, que confesso, me deixou assustado: a historia de um rapaz, que na adolescência, foi viajar para o exterior, para estudar inglês, ou fazer um intercambio, não lembro ao certo, e se deslumbra com uma guitarra! Como nós sabemos, instrumentos na ”gringolândia” são sempre mais baratos. Esse jovem rapaz, comprou uma. Ok. Até ai, nada de mais, certo? Volta para casa, e desde o momento em que passou pela porta com a guitarra, passou a perder o carinho do pai, e ser rejeitado. E cada passo dado a mais, tocando melhor, formando uma banda, mais renegado pelo pai era, sendo comparado a outros garotos, pois ”fulano” estuda isso, ”fulano” estuda aquilo, simplesmente, porquê o filho não seguiu a profissão que o pai queria. Aliás, simplesmente, porque o rapaz se envolveu de forma apaixonante…..com a música, antes mesmo de pensar em questões profissionais!!!! Pensamentos mil, vieram em minha mente, de como, em pleno 2014, às portas abertas convidando 2015, ainda existe esse tipo de atitude, e pior: maltratar e renegar o filho por isso! Seria mais felicidade para um pai, uma mãe, ver que seu filho passou a usar drogas? A guitarra é mais perigosa? Seria melhor, o rapaz ficar na rua, andando muitas vezes, com más companhias, ou que virasse um bandido? Vou além! Seria de grande orgulho para um pai, ver seu amado filho, tornar-se advogado, mas que defende casos de estupradores confessos, assassinos que não tem amor nem a si mesmos, tendo que mentir, para defender um réu, que merecia a mais severa das penas? Seria tão mais belo, aos olhos de um pai, ver seu filho, com um cargo alto numa empresa, porém, conquistado através de falcatruas, pisando nas outras pessoas, para alcançar tal objetivo? Ou quem sabe, sendo dono de uma bela empresa, que sonega impostos, paga mal seus funcionários, e vive se envolvendo em sujeira, para se estabilizar no mercado, e crescer cada vez mais dando com lucros ( para o filho, óbvio )? Entendo que um pai queira que o filho tenha estabilidade, para poder viver bem. Isso é amor! Agora, não respeitar o sonho do filho, não orientar, buscar talvez saber, para se informar melhor, e simplesmente rejeitar e trata-lo mal? Vejo um preconceito latente, da mesma forma que ainda tem gente acha que psicólogo, é médico de maluco, que mulher massagista é puta, que mulher trabalhando em bar, vem de brinde com a bebida, que um garçom de restaurante, lanchonete, pode ser tratado mal, pois é ”um ser menor”, que um atleta é alguém que não quis estudar, e tantas outras atrocidades…e tem gente que ainda estranha, quando eu falo que certas pessoas não tem dom para ser pai e mãe…

Ser músico, e a pergunta: “quando é que você vai trabalhar?”

tumblr_moh8llcjK81qmawuio2_1280

    Vou citar uma situação, que creio que todos passaram por algo parecido: chega um ser vindo do inferno, e pergunta pra você , que toca sua guitarra, se empenha, ”quando é que você vai trabalhar?” , ou ”quando você vai arrumar um emprego de carteira assinada?”, ou até mesmo, a clássica ”você é professor de música… mas qual seu emprego?”. Juro que meu sangue sobre, e tenho vontade responder ”sou um puto, garoto de programa! Inclusive, avisa pra tua mãe, que o programa que ela encomendou pra hoje, está de pé. Ah! Não esquece de avisa-la que pela frequência dela, ela passará a ter um desconto, no cartão – fidelidade” . Se você toca com sua banda, faz free lance… tão ruim quanto! Você é aquele mero vagabundo, que ao invés de ”estudar”, fica tocando por ai, ao invés de ”trabalhar”, fica punhetando a guitarra. Acreditem se quiser, já vi um ser, de 1 metro e meio, filhote de lesma, que me diz, na cara de pau, que achava que aula música, deveria ser de graça. Deu vontade de perguntar se meia horinha de você sabe o que, nela, também era de graça…enfim, vejo muitas vezes pessoas que perguntam isso, mas são pessoas acomodadas, que vivem a anos da mesma forma, não evoluem em nada, e isso, quando não são sustentados (as ), por conjugues ou pais. Então, eu vejo da seguinte forma: nós não somos pagos para tocar guitarra. Tocar guitarra, é dom, algo que nos da muito prazer. Nós somos pagos pelas madrugadas que, enquanto outros estão na putaria, estamos com o rabo na cadeira estudando. Somos pagos para responder os anseios dos alunos, e ouvi-los, e buscar responder as suas dúvidas. Somos pagos para dar aulas em horários loucos, como 22h30, pois o aluno só tem como fazer aula essa hora, e tem um show no fim de semana, e quer sua ajuda. Somos pagos para ouvir ladainhas de pais, que rezam para que seus filhos desistam de formarem sua banda e tocar, pois isso é coisa de vagabundo e drogado. Somos pagos pra ensaiar pra caralho, a mesma sequência de músicas, pois o irresponsável do outro guitarrista, baixista, baterista, seja lá o que, não estudou a música direito. Somos pagos, em algumas ocasiões, para em outras, sermos submetidos a tocar de graça, em semi- espeluncas, no qual o som é uma merda, e se você ficar com fome, você que se vire, e pague o que vai comer. Somos pagos para ouvir, que o filho do vizinho, é advogado, médico, pagou para um concurso, e nós ficamos fazendo barulho com a ”porra” da guitarra. Somos pagos para ouvir que somos loucos. Somos pagos pra abrir mão de muitas coisas, para realizar um sonho, e não sermos ingratos a um dom dado de graça. Sonhos e vocações, que muitos não tiveram a coragem de seguir, enfrentando as dificuldades, em troca de migalhas de uma vida mansa e ”estável” , sem a capacidade de peitar desafios, em prol da felicidade e realização pessoal.

Palhetada alternada – Afinal, qual o mistério?

622

Curte velocidade?

Al Di Meola, Yngwie Malmsteen, John Petrucci, John 5, são caras que utilizam essa técnica, e olham para nossa cara com um ar de ‘’quase deboche’’, como quem diz ‘’olha como é fácil’’. Sendo assim, essa técnica é vislumbrada e desejada por muita gente, mas treinada de forma errada. E a pessoa fica se martirizando querendo a ultra-mega palhetada alterna, criando milhões de barreiras e neuras sobre um assunto que é razoavelmente simples. A palhetada alternada, nada mais é, do que tocar com a palheta em ambos os sentidos, alternadamente, ou seja: uma palhetada para baixo, outra palheteada para cima. Fim. Antes que venha uma ideia de que é usada apenas por guitarristas que fritam e tocam mil notas por segundo, esse conceito está errado. A palhetada alternada é uma técnica como qualquer outra, essencial para se tocar bem guitarra, assim como bends, vibratos, slides, ligados, etc. Joe Bonamassa, Slash e Tom Morello,  possuem bom domínio da técnica, usando-a em riffs e trechos de solos, e nem por isso são associados a ela. Tal técnica economiza movimento, afinal, se você palhetar para baixo, terá que voltar com a palheta para tocar para baixo novamente, então, por que não aproveitar o movimento de volta? Mas muita gente se atropela na hora de tentar dominar a técnica de forma errada, causando frustração e até dores, e buscam inacreditavelmente, milhões de dicas, macetes, culpam guitarra, equipamento, palheta,  diz que é olho grande, etc. Tudo se vale do treino, e poucos preceitos até mesmo lógicos:

  • Use um posicionamento correto para você, que não gere esforço, e desconforto. Muitos deixam a mão apoiada na ponte, o que ajuda até a abafar as cordas se preciso;
  • Sincronia! As duas mãos precisam trabalhar em conjunto! Nada pior que a mão da palheta mais rápida que a da digitação, cagando tudo. Só que aqui, fica mais difícil de limpar depois de tocado…
  • Relaxamento! Não force a mão, muito menos o pulso! Muitas pessoas erram em tentar botar força, para alcançar velocidade, e com isso, tocam muitas vezes sem tanta clareza, e com músculos sendo forçados e contraídos, ficam com dores que podem evoluir para uma tendinite, por exemplo. Tem muito mais a ver com ‘’soltar o freio da mão’’, do que acelerar;
  • Treine lentamente, para alcançar precisão. É primeiro necessário tocar certo lentamente, acostumar sua musculatura, para depois ir aumentando a velocidade;
  • Tudo funciona como qualquer rotina: é preciso paciência e treino, e ‘’não se preocupar’’ muito. Simplesmente curta o treino, e não tenha pressa! Muitos resultados vão aparecendo com o tempo de treino, sem você perceber. Você esperou 9 meses para nascer, vai ter pressa agora? Ah! E use aquele aparelhinho chamado metrônomo, que você deixa na gaveta onde ficam as camisinhas que você não usa;
  • Quanto ao equipamento, não há nada que te impeça de tocar certo e limpo. Quem toca certo ou não, é você, e não seu ampli;
  • Qual palheta usar? Uma palheta que ao menos não dobre igual folha de papel, vai ajudar, pois uma palheta muito mole, vai absorver o impacto da corda, te obrigando a fazer mais força. Já uma menos maleável, vai ‘’raspar’’ a corda e passar ‘’ilesa’’ por ela. Melhor ainda, se você inclinar um pouco, para sentir esse efeito de ‘’deslizar’’ pela corda;

Por fim, pra não dizer que sou eu que estou falando, inventando isso tudo, vou deixar os vídeos de 2 caras legais, explicando o assunto: um tal de Paul Gilbert, e um tal de Kiko Loureiro, não sei se vocês conhecem…

Can’t You Hear Me Knocking – Rolling Stones

Conhece Mick Taylor? Não? Então, deixe-me dar uma pequena apresentação: o cara segurou 2 pepinos incríveis no fim da década de 60. Primeiro, substituiu Peter Green e Eric Clapton, na banda John Mayall & Bluesbreakers, depois, substituiu o falecido Brian Jones, no Rolling Stones. Seu vibrato doce, e frases suaves, com tom deliciosamente bluesy, puderam aparecer com o devido destaque no álbum ‘’ “Sticky Fingers”, de 1971, e uma dessas provas, está em ‘’ Can’t You Hear Me Knocking’’, quarta faixa do álbum. Com clima de jam session, a música possui um swing quase latino ( tanto que foi regravada pelo Santana ) e a voz rasgada de Mick Jagger, que influenciou gerações. Chegando ao fim, entra o solo de Mick Taylor, com classe, e brincando com o ritmo das frases, e ninguém melhor do que o próprio para explicar como foi: ‘’ A jam no final de ‘’Can’t You Hear Me Knocking’’ aconteceu acidentalmente  –  jamais planejamos aquilo. Perto do final da canção, tive vontade de continuar tocando. Todos já estavam largando os instrumentos, mas a fita ainda estava rolando. Soou legal, então todos pegaram de volta os instrumentos e continuaram a tocar. Simplesmente aconteceu, e foi em um take’’

Agora, uma pergunta: a quanto tempo, você não ouve uma banda capaz de fazer isso em estúdio, e trazer esse clima para uma canção?

Montar uma banda no Brasil é viável?

CBns5LkDFQ2 children_of_bodom

  Montar uma banda no Brasil, é algo viável? A chance de você fazer sucesso, sem estar fazendo um rock beeeeem comercial, é a mesma de você encontrar o Patolino vestido de Carmen Miranda, trabalhando de atendente do Mc Donalds. Mas…tudo pode acontecer… dai que vem o questionamento: você quer tocar, soltar o zaralho, se divertir e mostrar a sua música com verdade, e se dedicar a ela , buscando ser cada vez melhor? Vale. Mas se você quer impressionar garotas ( garotos ), e fazer poses como se estivesse em frente ao espelho, e ficar rico com vida de rock star, você está no país errado. Digo até, no mundo errado. Algum de vocês, conhece uma banda novinha em folha, recém chegada no mundo da música, com um som desconcertante nas paradas??? Vai, pensa ai. Não lembrou? Então … A vida de luxo, pompa e glamour dos rock star acabou. Então, o que resta, que sempre deve ser o principal, é a arte. Mas ai, entra um problema gravíssimo, na minha opinião: ser bom no que faz! Se você quer destaque, seja ”o melhor” ! Não falo de pisar em ninguém, passar a perna, nem ser metido a foda. O mercado musical é competitivo, mas não pode ser encarado como um jogo. Sobressai um pouco, quem demonstra relevância, um algo a mais, e um trabalho bem feito. Estou meio enjoado de ver bandas que soam como um Metallica com deficiência, um Iron Maiden sem feeling, e bandas com meia dúzia de riffs, afinações 29 tons abaixo, muito grito, pouca música. Pessoas que começam uma banda, sem nem saber afinar seu instrumento direito, sem fazer um solo que preste, errando viradas na bateria, com letras patéticas, sobre amores idiotas demais, ou com cara de mal, biquinho, mas não assustam nem uma criancinha de 3 anos. Antes que venham comentários malas criticando isso que eu falei, saliento que todo mundo passa por uma fase assim. Não saber tocar direito, e montar uma banda, tirar um som, expurgar ideias, não tem nada de errado. Pelo contrário! Ajuda muito no crescimento musical! O ruim é quando você encontra bandas, que passam meses, anos, e nada muda: o som não evolui, a execução não fica mais precisa, a qualidade das canções não aumenta, trazendo temas legais, boas melodias, e sangue nos olhos. Tudo fica meia boca, mais ou menos, e com uma ”fodisse” tão verdadeira, quanto a de um virgem que teve sua primeira vez com a vizinha puta, mais rodada que nota de 2 reais, e se acha o maior garranhão das galáxias!
O grande vácuo que vejo nisso tudo, na famosa ”cena” que tantos falam, não é tão somente o apoio e organização de veículos, clubes, bares, patrocinadores, e tudo que envolve. Antes de mais nada, muitas bandas, possuem grande parcela de culpa. Você tem o que falar? Sabe tocar bem mesmo seu instrumento, ou se não sabe, busca melhorar, se aprimorar? Você busca influências diversas, pra fazer algo mais ”seu”? Você quer passar uma mensagem, que soe com sentido e atrativa, seja lá sobre o que você esteja falando, para ser acolhida por adultos, pessoas com cabeças pensantes, ou por adolescentes de 15 anos, com um cérebro de omelete de ovo de avestruz, falando de amores idiotas tal qual uma novela teen, ou com a cara de mal e agressividade dos vampiros do Crepúsculo? Ser verdadeiro consigo, buscar um caminho diferente, e querer evoluir, não faz mal a ninguém. Os ouvidos dos seus futuros fãs, precisam ser conquistados, e agradecem! E soando igual o Metallica, não vai adiantar, pois se for pra ouvir algo igual, ouço o original, e pra me deparar em letras com enredos fracos e bobos, eu vou ver ”Malhação” ou uma comédia romântica água com açúcar.

Pegada: você se preocupa com isso?

1004963_563109373780442_685059875_n

Pegadas furiosas!

    Esse é um ponto que sempre, mas sempre bato na tecla, com alunos e amigos que tocam: pegada. Bem, antes de mais nada, vale salientar, que cada estilo, cada música vai pedir uma pegada, um enfoque, uma interpretação. Não soara bonito tocar ”Wonderful Tonight”, do Clapton, como se estive tocando alguma música do Slayer, ou tocar no estilo do David Gilmour , num thrash metal, a lá Anthrax. Porém, independente disso, é necessário ter pegada, dar sentimento, através do seus bends, vibratos, e o ataque que você exerce nas cordas. Isso fará você ser reconhecido, ao ser escutado, e generalizando, cada um aplica um tipo de pegada no seu instrumento: uns são mais agressivos, outros mais amenos. Agora, um ponto que me … irrita um pouco, é ver guitarristas, que não transmitem pegada no instrumento, não transmitem sentimento, através dele. Não entende o que quero dizer? Dê uma passeada no youtube, e veja alguns vídeos de músicos interpretando canções do Satriani, Petrucci, Malmnsteen, Angra, Chiquititas, Xuxa, e o raio que o parta. Você obviamente, achará muitos vídeos incríveis, mas verá outros, de pessoas que correm pelo braço do instrumento, descaralhadamente, mas soam meio vazias, sem alma… correm, correm, correm, mas soam imitações semi-idênticas de outros. Você já ouviu John 5, Zaak Wylde ou John Norum? Palhetam extremamente rápido, e em certas horas, parece que vão explodir a guitarra, mas não soam mecânicos. Ok. Vamos esquecer isso. Vamos para outra esfera. Depois de corridas orgasmatórias na guitarra, com arpejos, e o caramba a quatro, o ser vai dar uns bends e uns licks com mais pegada e… e nada. Soa mais sem sal do que comida de hospital. Um bend tipo ”gatinho”, que parece miar, um vibrato sem tesão. Sempre que vejo isso, me vem à mente, a imagem de uma linda mulher na praia. O cara vai correndo ao encontro dela, aumenta a adrenalina, a emoção, e quando está chegando, indo para o abraço, o idiota tropeça, e cai. The End! Mais ou menos o que sinto, ouvindo algo assim. Ou você encontrara também, gente que espanca a guitarra, achando que sentar a porrada na bichinha, é tocar com feeling, com pegada. Acima, na foto, músicos de estilos diferentes de tocar, mas dotados de uma pegada única e forte: Brian May, Gary Moore, Orianthi (se você é homem, e fica de mi mi mi, para dar bends e vibratos com pegada, ouça essa menina, e terá vergonha da sua própria existência) Dimebag Darrel, Rory Gallagher e Zakk Wylde, com vídeos dos mesmos, exemplificando mais ainda o que quero dizer. Para finalizar, eu costumo fazer a comparação que pegada na guitarra, é +ou- , como ter pegada com uma mulher ( se você for uma menina, você já deve ter passado por essa situação ) : existe uma diferença gigantesca, entre apertar e puxar uma mulher, com brutalidade, e machucá-la; puxá-la e segura-la como se nunca tivesse tomado Toddinho na vida, passando segurança quase zero; e dar aquela boa puxada pela cintura, segurá-la pela nuca, e dar um belo beijo, e faze-la soltar um ”ui!!”. Bom treino a todos!

 

Diário de um músico: Satisfação pessoal acima de qualquer coisa

anthrax_2012

Anthrax: fazendo muitos sonharem com música…

Passado o trabalho maçante de um workshop, em que tudo ocorreu até melhor do que o esperado, volta-se à vida normal. Primeiros dias após, dá uma sensação de alívio, e o cansaço bate, mas outros afazeres chamam, certo?  Aulas marcadas, alguns alunos novos, mirar no que cada um quer e buscar material novo para o mesmo, como algumas vídeo-aulas com estudos de músicas do Rory Gallagher e Joe Bonamassa, e relembrar um música do Bon Jovi (época que era rock…), afim de acrescentar tanto em repertório, como técnica, e utilização dessas técnicas de forma organizada, frutífera no seu habitat: uma canção. Não adianta fazer mil malabares na guitarra, e não conseguir aplicar isso de forma coesa numa canção. Mas valeria usar poucos acordes, e elementos simples, porém compor uma música de alta qualidade          ( Beatles e Creedence Clearwater Revival faziam canções simples e geniais!!! ).

O momento mais legal da semana, foi sábado no fim de tarde, quando dois alunos novos, um de 14 e outro de 18, chegam para fazer aula juntos, e com gostos parecidos. Ambos amantes de thrash metal, chegando ao fato de o mais novo chegar com uma blusa do Anthrax, e o próprio, ter aprendido na ‘’pedreiragem’’ a tocar riffs e licks do Metallica e Angra. Tão legal quanto, é o pai presente, apoiando o filho nessa empreitada, e quando você vai batendo papo, descobre que os dois alunos gostariam de seguir carreira musical. Nessas horas, cai a ficha do quanto você pode ser importante para o desenvolvimento de seus alunos. Papos e conversas mil, sobre música, como é se preparar para uma apresentação, estudos, como é a minha rotina, e talvez com isso, dar uma pequena luz para novos ‘’amigos’’ ( digo isso, pois o clima extravasa um simples trabalho ), é gratificante. Mesmo no fim de um sábado, corpo cansado, não troco essa sensação de alma lavada por nada.

Kingdom of Desire – Toto

Toto-Kingdom_Of_Desire-Frontal 

    Muita gente não conhece a banda Toto, ou quando conhece, são apenas canções de rádio, como ‘’Rosanna’’ e ‘’Africa’’, mas na verdade, Toto quando quer, é uma baita banda de hard rock! Aqui, contando com os vocais fortes, e guitarra magnífica de Steve Lukather ( o cara já gravou, mais de 1000 álbuns! ), a banda solta em 1993, seu álbum mais pesado até então:  Kingdom of Desire. A abertura com ‘’ Gypsy Train’’, dá a base de como será o álbum, com riff pesado, e teclados no melhor estilo anos 70. Atenção à enxurrada de solos técnicos, com pegada  e feeling! Em seguida, um blues sexy, com timbre impecável,  vocalizações arrasadoras, e links blueseiros de arrepiar: ‘’ Don’t Chain My Heart’’. As faixas ‘’ Never Enough’’ e ‘’ How Many Times’’, são aqueles tipos de rock setentista, que chega a dar nostalgia dessa época (atenção ao solo da última!). A balada ‘’ 2 Hearts’’ , possue clima romântico e gostoso, e dá espaço para a viajadona ‘’ Wings of Time’’. Note que apesar de não ser um blues, ela possue uma vibe com tal influência na guitarra de Lukather. A funk ‘’ She Knows the Devil’’, é uma aula de ritmo, e sincronia em banda! Atenção à linha de baixo contagiante, e ao groove da guitarra na canção! Impossível não se empolgar! As baladas ‘’ The Other Side’’ e ‘’ Only You’’ não vão te impressionar, mas soam agradáveis, com clima suave de ‘’antena 1’’. Agora o caldo começa a engrossar: A pesada e soturna ‘’ Kingdom of Desire’’ dá as caras, beirando o heavy metal! Note o clima pesada e denso aos 3:53 minutos, que antecede o solo, daquele capaz de te fazer soltar um palavrão. Por fim, umas das melhores canções instrumentais feitas por uma banda de rock: ‘’ Jake to the Bone’’! Um fusion de cair o queixo, em que todos da banda brilham. Um groove sensacional e quebrado toma conta e a partir daí, é uma chuva de cadências e convenções. Note em 1:22 minuto, um riff quebrado, pesado e ritmado, que abre caminho para um solo de teclado com várias passagens outside, culminando na volta ao riff inicial. Em 3:21 minutos, Lukather brilha com um solo cheio de sentimento, mostrando o porquê de ser um músico tão requisitado, para aos 5:45 culminar numa baita pancadaria e retornar ao groove fusion, como se nada tivesse acontecido.

    Existem pérolas roqueiras escondidas, que muitas vezes não tomamos contato, e ‘’ Kingdom of Desire’’ do Toto, é uma delas.

 

 

 

Diário de um músico: ‘’Um passeio pela historia da guitarra’’

10635908_589211427856537_452717937408831999_n

Os sorrisos já falam por si…

 

 Workshop – ‘’Um passeio pela historia da guitarra’’

 

    Só pelo nome, nota-se o tamanho da responsabilidade: sintetizar em 2h, a história da guitarra, com peculiaridades de forma que agrade quem já conhece, toca, e quem é leigo. Mostrar desde o começo do blues, o estilo e peculiaridades, e como influenciou tudo que veio em seguida. Citar Robert Johnson, Elmore James e T- Bone Walker, e o quanto tais nomes, mesmo não tão conhecidos atualmente, foram vitais para a existência de diversos conceitos. Organizar slides, ensaiar exaustivamente várias partes, ideias a serem apresentadas, sem perder um ar de improviso, sem ficar mecânico em demasia. De brinde, no susto, a primeira ‘’apresentação’’ da minha banda, já que o combinado era tocar apenas 2 músicas, porém, o resultado e animação foi tamanha, que tudo transcorreu de forma a tocarmos as 2 horas de workshop. Um pequeno ensaio de 2 horas, e torcida para que a química funcionasse foram essenciais, e de fato, gerou resultados incríveis! Nada mais divertido do que começar tocando “Everyday I Have the Blues’’, e improvisar sobre a canção, dando boas vindas ao público, e trazendo aquele clima do que há por vir a todos. A primeira parte contou com conceitos básicos, porém importantes da guitarra, como bends e vibratos, e diferentes fraseados de blues. Brincadeiras tocando Deep Purple e Rolling Stones, sem ensaio nenhum, trouxe um ar de jam session e diversão entre amigos.  A parte mais difícil, foi tocar um blues em ‘’E7’’, e sobre isso, apresentar os estilos de fraseado, em ordem cronológica, de B.B. King, Peter Green, Eric Clapton, Jeff Beck, Duanne Allman, Stevie Ray Vaughan, Gary Moore e Joe Bonamassa. Os anos escutando cada um deles ajudaram a tornar essa tarefa menos difícil, já que ninguém soará igual a eles.

    Sorrisos, elogios, dão a certeza de que tudo deu certo na primeira parte. Abrir o bloco final, tendo que responder a pergunta de ‘’como se faz para tocar bem’’, é um pouco embaraçoso, confesso. Não há muito que se explicar, cada um encontra seu caminho, mas nele, sempre encontra-se a dedicação e paixão pelo que faz. A mesma linda de blues, agora em outro tom, e com mais acordes, dão a deixa, para mostrar rapidamente como transpor tal universo para o jazz e country, antes de cair para o outro extremo: executar a mesma base mais rápida, e com tapping, prestanto um leve tributo ao mestre Eddie Van Halen. Sem ensaio quase, ouvir a bateria ‘’comendo no bumbo duplo’’, no meio do solo, traz uma sensação de que está dando tudo certo. Uma base flamenca, melodias do Metallica, choro e baião, exigiram muito ensaio meu, para executar tudo um seguido do outro, com basicamente os mesmo acordes, tudo para mostrar que conhecer o braço da guitarra é importante. Um blues lento em tom menor, a transposição disso para um funk fusion, inserindo mais melodias, e uma parte inusitada: uma versão instrumental de ‘’Nos Galhos Secos’’ ( isso, a do vídeo que ficou famoso! ), exemplificando de uma vez por todas, que quanto mais se conhece, mais se pode ‘’brincar’’ com as músicas. Por fim, uma homenagem descarada ao mestre Hendrix, com a clássica Foxy Lady, e uma chuva de improvisos de toda a banda.

    Não há nada mais divertido do que sentir a química entre músicos ao vivo, e poder trabalhar com a música. Se uma pessoa apenas, saiu desse dia de forma diferente, vendo a música com outros olhos, tenho pra mim que a missão foi cumprida, pois se cada ser humano se preocupasse em fazer bem a uma pessoa que seja, o mundo seria bem melhor. Pelos sorrisos da foto, é possível ver os efeitos da música em cada um de nós.