Arquivo mensal: dezembro 2014

Suas palavras são armas…

linguaruda

     Você já parou pra pensar, que o que você fala, pode influenciar diretamente, ou indiretamente uma decisão, ou uma opinião de outra pessoa? Sim. Você pode ser visto como exemplo, e nem saber disso. Esses dias mesmo, ouvi de um aluno, que sou uma referência musical para ele, e exemplo, formo opinião. Obviamente, fiquei lisonjeado, mas não deixei de sentir um certo peso da responsabilidade. Da mesma forma que você pode degradar uma pessoa, fazê-la se sentir absurdamente mal, com suas palavras, você pode guia-la, e orienta-la. Trazendo para o lado musical, posso dar exemplos, de coisas que eu ouvi. Pessoas que eu tinha como certa referência, do nada, desembestaram e enjoaram de determinado estilo, ou criaram opiniões diferentes, e as tomaram como verdades absolutas, a serem seguidas por todos, e disseminaram isso para quem quisesse ouvir, e muitas vezes, tentam enfiar goela abaixo de outas pessoas. Já ouvi que Eddie Van Halen, só sabe dar tapping, não toca guitarra pra valer. Já ouvi que quem toca rock, não entende de música. Já vi gente, sem conhecimento necessário, ensinar errado muitas vezes, só pra não admitir que não sabe. Já ouvi que não sou bom professor,e que com meu jeito de tocar, de ser, nunca chegaria a lugar nenhum, nem mesmo teria capacidade de tocar em barzinhos da cidade ( ouvi com essas palavras ). Já ouvi de tudo, que poderia me fazer desistir, ter conceitos errôneos, e visões totalmente distorcidas de muita coisa. Pois bem…imagine se eu, como professor, digo para um aluno, que ele está ”uma merda”? Isso é forma de um ser humano com um pingo de educação falar com outro? Há uma grande diferença entre falar que ”está tudo uma porcaria”, e ”está errado ainda. Vamos treinar mais um pouco e você vai conseguir”. Dizer que um músico é um bosta, somente porquê você não gosta, pode distanciar um aluno, ou uma pessoa, de tomar contato com boa música, e tirar suas próprias conclusões de se acha bom, ou não. Quem entende ou não de música, mostra na prática, o que aprendeu, seja lá qual for o estilo, que aliás, com o tempo, você nota que não possuem tantas diferenças assim, mas isso é assunto para o futuro. Não importa em que nível esteja, iniciante, intermediário, ou avançado: sempre existirá alguém que sabe menos que você, ou te toma como um exemplo, e suas palavras, podem direcionar alguém, ou confundi-la. Faze-la construir bons conceitos, ou verdades absolutas insolúveis e carente de certezas, pautadas apenas em achismos, e ensinamentos mal dados. As suas palavras, podem construir muita coisa boa, ou deixar um rastro de equívocos. As palavras, como disse no título, são armas. E até onde sei, o conhecimento, e a compreensão com o ser humano, e até mesmo, boa educação ao falar, são as melhores armas que temos, para deixarmos nossas sementes, no coração daqueles quem nos ouve, para ser perpetuada no mundo, tão cheio de maus exemplos.

Anúncios

Cultura para quem?

cultura

    Sabe, há uma certa corrente, que diz que as coisas antigamente eram melhores… e olha, não vou negar que cada dia que passa, as coisas ficam piores. O emburrecimento generalizado, propagado pelos meios de comunicação, e da própria sociedade que muitas vezes se deixa enganar ( não se preocupe, eu sou da sociedade também, e não estou acima do bem e do mal ), está cada vez pior. A arte possui uma infinidade de linguagens, e tem como foco, o processo criativo, que tem o intuito de expressar emoções e ideias. A arte abre os olhos e as portas do coração para emoções novas. A arte, é a permissão do homem (o artista), para que o seu coração, que sente apenas sua alma, sinta uma outra alma, através de uma obra. Isso é capaz de mudar a percepção, e forma de pensar de uma pessoa, ou no mínimo, faze-la pensar! Mas como fazer isso, onde o mundo é cada vez mais imediato, e os meios de comunicação, divulgam uma merda que alguns chamam de arte ( cada um chama do que quiser, né? Posso ter um Pit Bull, e chama-lo de Patolino…), e até mesmo nossos políticos amados, querem nos satisfazer com o famoso ‘’pão e circo’’? Não sabe o que é isso? Vou te explicar: comida de graça, e festinha, é o suficiente para deixar o povo ‘’alienado’’ feliz. Não sacou ainda? Já viu político em época de campanha passeando nas ruas, como se amasse todos, distribuindo brindes fajutos, e eventos meia boca, onde rola um belisquete, enquanto ele discursa? Isso é o suficiente para ‘’cativar’’ a muitos. E antes que pense, não estou chamando a população de burra! Todos possuímos capacidade de reter informações, digeri-las, e chegar a conclusões, mas aí que está a correlação com a arte, que queria fazer: arte, gera conhecimento, e conhecimento, gera questionamentos! Quanto mais se sabe, mais se questiona, mais se busca! Numa sociedade onde a escola não incentiva a leitura ( aprovação automática neles ), salvo pelo esforço de alguns excelentes professores, mas que ficam sem material a disposição dos alunos em bibliotecas, onde o teatro mais perto, fica na puta que vos pariu da encruzilhada do inferno, e às vezes caro, o que torna tal arte elitizada. Aqui onde o ensino da música nas escolas ( quando possuem esse milagre), é automatizado e um saco, que não faz ninguém pegar gosto pela mesma e querer conhecer mais sobre esse universo. Não é obrigar alguém a tocar um instrumento! Isso é patético! Mas dar a opção, sim! E o melhor: mostrar música boa, de qualidade, o porquê delas, em que contexto se incluem, muitas com letras inteligentíssimas, e melodias belas. Incentivo a dança, mas danças com beleza, e não vulgaridade, onde o rabo é um ser autônomo, que tem quase vida própria, programas de TV com bons debates, informações boas, novelas com boas histórias, mas aí… pra quê? É bem melhor, manter uma população com uma visão de cavalo, que só olha para frente, e não vê o que está ao seu redor. Não visualiza exemplos? Ok. Veja o que é vomitado sobre nós a cada dia: na leitura, existem por exemplo, jornais de circulação, com linguajar chulo até onde ‘’os menó’’, ‘’as mina’’, e outras palavras de péssima escrita, são colocadas como normais. Teatro, não possue estrutura muitas vezes, apoio aos atores, necas, e os bons teatros, são de difícil acesso, logo, exclui mais do que aproxima. A música passa por um período de putrefação, onde um retardado ‘’rimar’’ uísque com água de coco, tchu tchu tchã, lepo lepo, pagodes com letras de amor pífias, que possuem a maturidade de uma adolescentezinha que fica com a calcinha molhada ao ver Luan Santana na tv, e onde umas das piores coisas que a humanidade já viu, o funk carioca, vira patrimônio cultural, com suas letras que incentivam o sexo de forma animal ( perdão, os animais fazem por instinto, e com um sentido, ofendi os animais), e outras coisas piores. As danças ‘’da moda’’ viraram passinho do romano, do kuduro, quadradinho de 8, triângulo do inferno na terra, em que beleza, delicadeza de movimentos, passos estudados, dão lugar a vulgaridade, briga de bundas, sarrações em conjunto, e etc. A tv, então, puta que pariu! Repare nas novelas: a quanto tempo você não vê uma com uma história boa? Há sempre um núcleo pobre, mas feliz, um podre de rico, mas sempre com uma pessoa mal caráter, um casal lindo, que vai se separar umas 3 vezes, mas no fim, ficará junto, ai que lindo! Fora programas como Big Brothers da vida, ou ‘’Esquentas’’, onde promovem que morar na favela e ser pobre é legal e feliz. Ensinar a ser assim, sem uma perspectiva é show! . Isso, apresentado por você sabe quem, que mora no Leblon. O conhecimento muda! E não dar acesso a ele, é a melhor forma de domar a sociedade, e fazer com que o potencial das pessoas, seja deteriorado. Pão e circo. Nessa hora, me vem à cabeça, uma ótima letra de rock ( não me venha falar que essas porrinhas de pseudo intelectuais rockers de hoje são inteligentes ), do Titãs, que em 87, já dizia bem o que as pessoas que não aguentam mais essa bolha essa bolha querem:

‘’ Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?…

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…’’

Herick Sales Guitar Festival

1394342_731142716974432_9177128159799886952_n

    Com o fim de ano na porta, chega uma data em que os alunos até já esperam: a confraternização de fim de ano, em que todos se confraternizam, e se apresentam tocando músicas que mostrem abordagens aprendidas na aula, e sejam desafiadoras. De um blues de 12 compassos com improvisos até Alice in Chains, de Iron Maiden à Sepultura, passando por Black Label Society, a ideia era celebrar a boa música e se divertir! Com um mês e meio de antecedência, foram escolhidas as músicas, e começamos a trabalhar cada detalhe, associando com o conteúdo das aulas, e com partes que trouxessem desafios. Logo, se um aluno está se adaptando a palhetadas ferozes de thrash, por que não desafiá-lo a tocar ‘’Refuse Resist’’ do Sepultura, ou se o aluno tem dificuldade em tocar palhetada alternada, que tal tocar algo do Zakk Wylde? Pude ver muita dedicação da parte de todos e tive que passar por cima de dificuldades para estar apto a ensinar todas as músicas da melhor forma possível, e organizar tudo para o ‘’grande dia’’, já que para muitos, o evento ganhou ares de ‘’primeira apresentação’’. Carinhosamente apelidado de Herick Sales Guitar Festival, o dia esperado chegou e tive o prazer de receber até mesmo ex alunos e pessoas de fora, para prestigiar. Foi muito legal ver todo mundo conversando sobre música, com guitarras penduradas, trocando experiências e pontos de vista! Chegada a hora, afinemos os instrumentos, e mãos na massa! Abri a noite tocando “Rock You Like A Hurricane’’ do Scorpions, tirada meio que de última hora, e tentando honrar o mesmo solo mitológico. Em seguida, cada um apresentou as canções escolhidas, e vez por outra, juntava um aluno com outro para fazer um improviso, dando mais ainda, um ar de jam. Todos, sem exceção se superaram e impressionaram, mas um último aluno precisa ter citada sua história: uma dedicação fora de série o fez aprender uma canção, que já fiz até um post sobre, ‘’I Want it All’’ do Queen, e seu problema era justamente com bends. Essa canção era para humanamente ser aprendida em 3 meses, e não teria nem 2 meses completos para tal. Eis que o cara não só conseguiu, como o desafiei para um jam de blues rock, a lá Rory Gallagher e no encerramento, e depois, ainda fez um improviso hard rock com outro antigo aluno.

    Todos alcançaram seus objetivos e deram uma aula de dedicação e superação, afinal, quando você vê alguém que sabia fazer só meia dúzia de acordes, tocar um thrash metal em 2 meses, ou um aluno com digitação falha na guitarra, consertar muitos erros, e tocar os solos do Dave Murray e Adrian Smith? E até mesmo quem não tocou no dia, mas se dedicou até o último segundo, merece ter todo o mérito, que de forma carinhosa, veio com um distribuição de cds, no fim da ‘’farra’’ guitarrística. Se por vezes, meu corpo e alma desanimam e não encontram forças algumas vezes, é com esses exemplos, que ele se alimenta e busca continuar. Obrigado a todos!

1920308_783693618333170_5579977165721213863_n 10849764_642439475867065_1283683285800394775_n

12 motivos que fazem do Scorpions uma influência para o metal!

Imagem1

    Scorpions é uma banda de rock de Hanôver, Alemanha, fundada em 1965 pelo guitarrista Rudolf Schenker, irmão do gênio do hard rock, Michael Schenker.  Daí sai o começo do Scorpions, mas o caminho rumo ao sucesso, veio  com a saída de Michael ( que foi fazer história em outra banda mítica : Ufo ) e a entrada do mestre neo clássico Uli Jon Roth, mantendo-se assim até o lançamento do clássico ao vivo ‘’Tokyo Tapes’’. Com a saída de Uli Jon Roth, ouve uma volta rápida de Michael Schenker, que voltou apenas para dar uma mãozinha ao seu irmão, e a adição do guitarrista Mathias Jabs. E com essa formação de guitarras, Rudolf Schenker e Mathias Jabs, o Scorpions  explodiu em todo o mundo, com diversas músicas de sucesso. Porém, há quem ache que eles são uma banda de hard alegre o tempo todo, e de baladas, mas estão muito enganados: os caras sentam a porrada quando querem, e fazem isso muito bem, conseguindo transitar com exuberância entre o hard rock, e o metal. E eu apresento aqui, 12 exemplos musicais ( caso você não conheça clássicos como ‘’Blackout’’ e ‘”Rock You Like a Hurricane”, faça esse favor a si mesmo, e ouça antes ), que provam que Scorpions é mais heavy metal do que muita bandinha por aí. Como disse Alex Skolnick, guitarrista do Testament, não importava se você era thrash ou glam, todos curtiam Scorpions.

Com Uli John Roth:

Com Michael Schenker:

Com Mathias Jabs:

O que estudar, e como?

Ryan-and-Nita

    Está aí, uma pergunta que ouço com frequência, e sempre surgem respostas muito vagas, então vou abordar meus pontos de vista. Acredito que aprender a tocar guitarra seja dominar uma gama de técnicas, nem que sejam algumas, para ficarem na ‘’manga’’ para quando necessário for, serem usadas. Acho que abster-se de alguma técnica, de aprender algo, é fechar-se idiotamente para uma ferramenta nova, uma forma de se expressar. Já vi alunos dizerem ‘’eu não vou aprender tapping, pois o Slash não usa’’, ou ‘’porquê vou usar o dedo mindinho se o Eric Clapton não usa?’’ . Bem…você não é o Slash e nem o Clapton, que possuem uma linguagem própria e ajudaram até mesmo a redirecionar os rumos da guitarra. Então, vamos nos recolher à nossa posição, e deixemos quem tem genialidade ‘’divar’’ merecidamente. Nós, pobres mortais, vamos estudar. Então, como fazer isso?

    Tempo de estudo: isso, antes de tudo, considero tão importante quanto o estudar, treinar, ler sobre: tempo e a frequência! Vou dar um exemplo: todo mundo deve ter um amigo assim, que vai para academia um dia, malha descaralhadamente 5 horas, depois não aparece durante dias, depois volta dias pingados e fica fazendo ‘’reposições’’ com cargas mais puxadas. Isso além de trazer problemas, não vai render tanto. Melhor seria se ele nem fosse para a academia, mas caminhasse 30 minutos todo dia. Seria muito mais saudável para o corpo. O mesmo vale para a guitarra. É bem melhor você conseguir treinar 1 hora todo dia, com calma, do que pegar 2 vezes na semana o dia todo. A rotina e frequência, acostumam sua musculatura, faz ela se desenvolver melhor, você absorve melhor o treino e conhecimento, e conseguirá raciocinar mais rápido na hora de aplicar.

    Conteúdo: dividir o conteúdo, com o tempo que você tem disponível. Se você aprendeu uma sequência de acordes nova, possui escalas para treinar, e está estudando uns licks, e improvisa usando essas coisas, é importante você dividir seu tempo, para estudar tudo de forma equilibrada. Não adianta você estudar uma semana as escalas, elas evoluírem bem, porém, na hora de fazer um licks de blues simples, o bend sair errado, e o vibrato inconstante. Na semana seguinte, treinar só os licks, esquecer das escalas, e depois fazê-las cagadas. O equilíbrio de todos os conceitos, e a sua evolução de forma conjunta, traz resultados melhores, e maior gama de ferramentas ao seu dispor;

    Disciplina: existirão exercícios que, após um tempo, você verá que não precisa fazer todo dia para fazer bem. Ok. Mas você notará que certas coisas ( escalas, padrões, licks, sweep, sincronia ), se você não fizer todo dia, você vai perdendo um pouco o jeito, a habilidade naquilo. Mas dentro da disciplina, acho válido comentar sobre uma coisa: seu amiguinho vai te chamar para ir para festa, vai passar um filme bom na tv, a preguiça atacará pois está frio, o facebook terá recadinhos e amigos querendo bater papo, etc. Tudo vai estar contra você, digamos assim, outros compromissos, etc. Mas vamos lá. Você trabalha? Estuda? Faz isso pois tem essa rotina, e separa esse horário para isso, e é algo que você se ‘’obriga’’ a fazer… Que seja assim também com a música e seus treinos, afinal, é chato certas vezes? Sim. Mas somente a rotina e a repetição traz avanços e melhoras;

    Divirta-se: pode ser estranho terminar assim, mas não se esqueça que você toca guitarra para se divertir! Porquê gosta! Procure pegar o que estudou, e separar um momento, para tocar sem muito compromisso, juntando coisas, e tente improvisar sobre uma música ou sozinho, aplicando o que aprendeu e o que está estudando. Só assim você verá o que precisa melhorar, e o que está evoluindo.

   Todos possuem capacidade plena de desenvolvimento no instrumento, o que vai diferenciar os homens dos meninos nesse aspecto, é como se planeja, direciona, e aplica a capacidade.

A música que fez eu me considerar guitarrista…

Brian-May-queen-17229267-1024-768

    Lá pelos meus 18 anos, eu tinha minha guitarra e horas e horas de estudo sobre ela, mas ainda faltava algo, que fosse um marco, que me fizesse dizer: ‘’Caralho! Consegui tocar isso!’’ E esse marco pra mim, não é nenhuma canção do Dream Theater, Malmsteen, Steve Vai, ou algo do tipo. Esse marco chama-se ‘’I Want It All’’, da banda inglesa Queen. Desde que comecei a tocar guitarra e me envolver com música, tenho conhecimento de que o Queen era uma banda apoteótica e que Brian May, era uma lenda viva da guitarra, mas somente quando você estuda o trabalho de um guitarrista, é que você tem plena consciência da genialidade do mesmo. Sua introdução, com um bend absurdamente certeiro, e cheio de pegada, sempre me arrepiou, mas somente quando você tenta tocar, você encara o tamanho do problema. Reproduzir apenas esse bend com vibrato, com uma pegada próxima, me tomou um mês ( aqui cai a máscara de muita gente que acha que tocar bem, é fazer 57986468 notas tempo ). Após ter conseguido tocar essa introdução meio que sem querer, brincando na penta de Bm, vi como alguns ligados e as notas certas, são capazes de fazer uma introdução matadora. Sua base com batida diferente do normal para um hard rock (sim, Queen é bem hard e metal quando quer, e isso será assunto de um próximo post), repleta de licks que completam bem a música, me ensinaram como preencher de forma musical um arranjo, até seu refrão forte, e a encrenca maior: o solo! A música acelera depois de um lick de Brian May, e vem de tudo: bends e vibratos fortes, ligados, várias regiões do braço da guitarra explorados, pentatônica e escala natural, vários harmônicos artificiais, tudo equilibrado até chegar o seu final quase orquestral (note que a banda toda acompanha as batidas finais, tal qual uma orquestra).  Como se não fosse o bastante, aos 3:30 minutos, entra mais um pequeno solo, cheio de pegada, e uma frase final, cheia de ligados e rítmica intrincada, que busquei incorporar muito em meu fraseado.

    Fraseado! Diferente de subir e descer escalas, saber construir um solo é uma arte, uma pequena canção dentro de outra, e nisso Brian May é mestre, e com certeza estudar essa música, foi um grande marco para mim! Qual foi o seu?

 Improvisação e rock ‘n roll!

65023_376528102438571_1437331973_n
Há quem diga que tocar rock é fácil, são só três acordes, e qualquer um improvisa em rock. Bem, a essência do rock, se vale da simplicidade, mas não quer dizer que seja só isso. Certa vez, Ian Peace, lendário baterista do Deep Purple declarou que tocar rock é complexo, pois você precisa não só tacar qualquer frase, mas é necessário conhecer e escolher os elementos certos. Os conceitos de improvisação, vêm desde muito tempo, e tivemos ícones, que mostraram os rumos de tal arte, como Miles Davis, que era apaixonado por Hendrix, tanto que quase gravaram juntos, se não fosse a morte prematura do guitarrista. E quando a improvisação, tão comum ao jazz, se encontra ao rock ‘n roll? A muito tempo atrás, vi uma entrevista na tv, e um excelente músico disse o seguinte: ”não importa quantas frases e escalas, você saiba, o que importa, é o que você consegue fazer com elas” . Achei tal afirmação incrível e muito verídica. Afinal, quem está ouvindo uma banda arrebentando, não está pensando em quantas escalas e arpejos, e o raio que o parta, estão sendo usados, e sim, se isso soa musical e com….. feeling, combinando com a canção. Nesse aspecto, a improvisação, no rock e no blues, me chama atenção, ao unir liberdade musical trazida, junto com aquele feeling e pegada mais agressiva. Grandes bandas, extrapolaram as possibilidades que tal empreitada proporciona, sem ficarem ”presas” ao estigma de um estilo. Diversos músicos misturavam elementos de blues, country, jazz, soul, fusion, mas sem deixar de soar com agressivo! Led Zeppelin, Allman Brothers Band, Black Sabbath, Dire Straits, Toto, Cream, Gary Moore, Hendrix, Santana, dentre outros, faziam verdadeiras festas musicais ao vivo, alongando suas músicas, com investidas de toda a banda, numa participação coletiva e sem fronteiras, sem preconceitos musicais, e sem deixar de ser rock. Tais elementos, muitas vezes, podem ser ouvidos até mesmo, em seus discos de estúdio, em que é possível notar tranquilamente, um grande clima de jam session, afinal, muitas canções, surgem de improvisos.

    Como exemplo, mostro canções de várias dessas bandas, quebrando todas as barreiras possíveis ao vivo. E sim, isso tudo que vocês ouvirão nos solos , convenções, etc, são incríveis viagens sonoras, e uma boa aula, do que quem domina a arte do improviso, e o feeling e pegadas do rock, é capaz de fazer, mostrando que tocar rock n’ roll, não é fácil como muitos pensam.