Arquivo mensal: janeiro 2015

Rock ‘n roll, drogas e profissionalismo não combinam!

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    É simplesmente inegável, que a clássica frase ”sexo, drogas e rock n’ roll”, foi levada a risca por muitos, e forneceu, através do uso de drogas e bebidas, pérolas indiscutíveis da musica, e fazem parte da gênese do rock! Não há como negar. Extrapola gêneros. Miles Davis, um mito do jazz, que ajudou a fundar o fusion ( que propunha trazer elementos do rock, blues e diversos outros gêneros, ao jazz ), usava doses pesadas de heroína, e gravou o álbum ”Kind of Blues”, considerado o melhor disco de jazz de todos os tempos. O Rolling Stones, tem em Keith Richards, a simbiose do rock star rebelde: guitarrista, rebelde ( já ouviram falar das historias de móveis que ele quebrou, nos hotéis em que se hospedava?), e usuário assíduo de drogas. Há até mesmo a lenda, de que ele precisou de uma transfusão de sangue, na tentativa de limpar seu organismo, de tantas drogas. E isso serviu de combustível para a gravação de clássicos, como ”Exile on Main St.”, tido hoje, como melhor álbum dos Stones. Eles se auto exilaram na França, e no porão de uma casa, orgias, bebedeiras e drogas, tramitavam entre composições inspiradas. O Pink Floyd, através das drogas, se entregavam em viagens psicodélicas, a tentavam transpor ( com sucesso ), cada imagem e sensação vista nessas viagens, em suas canções ( ouça as musicas ”’Shine On You Crazy Diamond” e ”Set The Controls For The Heart Of The Sun”, para entender essa temática. A lista é infindável: Ozzy Osboune, Lemmy ( esses dois, juntamente com Keith Richards, precisam ser estudados pela ciência, para saber como ainda estão vivos ), Aerosmith, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, até os Beatles! E também há uma outra lista infindável, de artistas que se foram, por decorrência disso: Jimi Hendrix, Jim Morrison, Layne Staley ( vocal do Alice in Chains ), Bon Scott ( primeiro vocalista do AC/DC ), e saindo do rock, até mesmo a saudosa e brasileiríssima Elis Regina. E tantos outros, que precisam lutar, para se livrar do vicio, e ter capacidade de viver, sem ser refém: James Hetfield e Eric Clapton, são exemplos disso. Os anos 60, 70 e 80, são os espelho dessa realidade musical. Estamos em 2015., então pergunto: hoje em dia, qual a real necessidade de usar drogas, beber compulsivamente e fumar ( sim, cigarro é uma droga, tanto que hoje é proibido passar aquele comercial da Marlboro, com um homem com ar saudável, sobre um cavalo, e um cigarro sendo tragado ). Todos nós temos heróis, seja lá em qual profissão nos miremos, e não é diferente na música. Só que é necessário salientar, que nos anos 60, 70, as drogas eram vistas como um meio de libertação, de viagem. A era Hippie e ideias de paz e amor, pairavam, e as paisagens psicodélicas eram buscadas com outros fins. A rebeldia, tinha causas palpáveis, e legítima. Completamente diferente de hoje, do moleque mauricinho, que fuma e enche a cara, para impressionar as menininhas ( mulheres de verdade, não se impressionam com pouca merda ), e arrumam confusão, com o simples ideal, de se mostrar fodão. Nossos heróis, no passado, já erraram por nós músicos, e hoje, qualquer um sabe, os malefícios causados por essas substâncias. O mapa do rock e de suas vertentes, já foi escrito. Os exemplos musicais, estão nos magníficos discos, e canções deixadas por eles. Não há mais um pingo de necessidade, de cheirar uma carreira de cocaína, para tentar compor uma música. Saiba que muitos álbuns bons, foram feitos nesse período, abastecido por drogas, mas muita porcaria também! Hoje, existem mais informações, que permitem um melhor estudo da musica, mais fontes, discos e mais discos como referência, mais gente qualificada para ensinar…o seu talento, não é o suficiente? O blues, por exemplo, foi criado pelos negros escravos, que sofriam muito, e criaram o blues, como uma forma de lamento. Nem por isso, para você amar o estilo, e tocar um blues, você precisa ser escravo e sofrer. Já vi alunos que disseram para mim, que teriam que parar de fazer aula, pois estavam sem dinheiro, etc. Mas que fumam, e no fim de semana, enchem a cara de passar vergonha ( nada contra beber socialmente ). Isso é se dedicar a música? Já vi pessoas que se drogam, ou bebem antes de tocar. Será que não e possível confiar em si mesmo, e estar sóbrio, para tocar, em respeito ao público que esta ali te vendo? Muitos reclamam de falta de estrutura no local do show, falta de profissionalismo do bar, da casa de apresentação, mas… você acha profissional, encher a cara e se drogar antes do SEU trabalho? Lembre-se, que se você quer trabalhar com musica, ela é pura diversão, mas é um trabalho também, não é um festival de oba-oba. Você acharia bonito, legal, ver uma pessoa, que te tem como exemplo ( sim, você pode fazer poucos shows, e tocar sua guitarra, mas sempre pode servir de exemplo para alguém que te vê, pense nisso ), passar a fumar por sua causa, já que você é ”descolado” também?


Estamos em 2015, repito. O profissionalismo é necessário, o estudo imprescindível, e inspiração pode ser encontrada sem uso de substâncias. Encare sua banda, seu projeto, como uma empresa ( note que as maiores bandas, que carregam muitas pessoas, funcionam assim. Vide o Rush e o Iron Maiden, que por um acaso, acredite, não usam drogas ), como SEU TRABALHO, e onde você vai tocar, pense que você foi contrato para prestar um serviço, que é entreter o público. Faça o seu trabalho da melhor forma possível, e ”limpo”. Ou será que você não confia em si mesmo? Nossos heróis, já extrapolaram tudo por nós. Agora, você só precisa depender do seu talento mesmo.

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Dinâmica: deixe a música viver!

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Exemplo de álbum equilibrado, e com dinâmica.

    Dinâmica musical (do grego dynamos = força) refere-se à indicação que um compositor faz na partitura da intensidade sonora com que ele quer que uma nota ou um trecho musical inteiro sejam executados.

       Expressão, em música, é o conjunto de todas as características de uma composição musical que podem variar de acordo com a interpretação. Em geral, a expressão engloba variações de andamento (cinética musical) e de intensidade (dinâmica musical), bem como a forma com que as notas são tocadas individualmente (acentuação – staccatto,tenuto, legato) ou em conjunto (articulação ou fraseado).

      Fonte: Wikipedia

    Não vou me ater a grandes explicações teóricas, e partirei para aquilo que os ouvidos captam: a música e o que ela causa. Lembre-se das músicas que te cativam. Elas são iguais de começo ao fim, todas? Creio que não, a não ser que você seja pagodeiro e funkeiro. Obviamente, existem músicas velozes, ou calmas que possuem a mesma atmosfera e intensidade, e ficam sensacionais ( ouça ‘’Fucking Hostile’’ do Pantera, ou ‘’Planet Caravan’’ do Black Sabbath, que seguindo uma única linha, soam ótimas! ). Porém, um álbum nunca vai funcionar inteiro assim ( salvo AC/DC e Motörhead, pois eles podem fazer o que quiserem ), e saber mesclar dinâmicas diferentes, intensidades, fará sua música ter um frescor diferente e mais agradável ao ouvinte. Então vamos falar uma verdade atual? Sem demagogia? Existem várias, milhares de bandas de metal na atualidade, mas em algumas o que impera é uma barulheira infernal, com gritos, ou vocais vomitadores ogros, riffs com uma caralhada de notas, umas em cima da outra soando uma massa de bosta sonora, com pouco espaço para respiração ou variação, restando apenas um enorme dor de cabeça depois. Saindo do rock, a nossa música pop atual, bonitinha, redondinha, plastificada e sem um pingo de ousadia, sem uma dinâmica legal a mais, algo que surpreenda, tudo feito para ser digerido numa tacada e ouvida só, e esquecido quando o próximo sucesso pop estourar. Saber trabalhar a dinâmica é muito importante para bases e para solos também, e para dar exemplos de gente cascuda, lembro-me do mestre Tonny Iommi, ao ser questionado como faz para criar as mudanças de andamento em suas composições, falar que não entende porque muitas bandas hoje não fazem isso em suas músicas, e Mr. Paul Gilbert, dizer que não importa o quanto você toque rápido, é necessário saber alternar as dinâmicas do que você toca. Deve ser por isso que não dá para enjoar das músicas do Sabbath, e Paul Gilbert é consegue ser hiper técnico, sem perder o caráter humano em suas músicas…

    Por fim, quero comentar sobre um álbum clássico que mudou minha vida, e mesmo sendo hiper pesado, é extremamente bem trabalhado, e atemporal: ‘’Master of Puppets’’, do Metallica. Eles já deram entrevistas, relatando que se preocupam bastante com a ordem de suas músicas e o tipo de dinâmicas que cada uma tem, principalmente quando possuem músicas bem rápidas. Note que o álbum abre e fecha com a duas músicas mais rápidas do álbum: “Battery” , que pra não começar rasgando, entra com uma introdução de violões, e “Damage, Inc.” no fim. Após a abertura, vem ”Master of Puppets’’, que mantém a pegada rápida, porém, menor que a primeira. ‘’The Thing That Should Not Be’’ com ar meio soturno, mais cadenciada. Em seguida ‘’Welcome Home ( Sanitarium ), que começa diferente, com um dedilhado, para acelerar no fim. Em seguida, “Disposable Heroes’’, que começa com ritmo quebrado, antes de acelerar em porrada, que combina com a seguinte, ‘’Leper Messiah’’. Bem diferente, aumentando o volume gradativamente, começa a instrumental ‘’Orion’’, com muitas mudanças, para o fechando hiper acelerado com a já citada “Damage, Inc.”

    A qualidade das canções de um álbum, é uma máxima óbvia, pois sem ela, nada adianta. Mas a atenção às dinâmicas e como fazer cada música soar uma experiência única, equilibrando também os já citados groove e melodia, podem fazer suas canções tornarem-se difíceis de serem esquecidas, como essas abaixo…

Caso você nunca tenha ouvido o álbum na íntegra, ouça e seja feliz:

Para acalmar um pouco, veja esse lindo blues interpretado por Joe Bonamassa, e note as variações de intensidade que ele dá na base, e nos solos:

Mais ou menos nessa linha, essa pérola do Dire Straits. Note como o gênio Mark Knopfler alterna as dinâmicas na música, e principalmente no lindo solo:

Essa daqui é uma pérola sem tamanho! Note como ela começa bela e suave, e possue um refrão forte e emocionante, dando um lindo contraste:

Botando mais gás, essa porrada hard rock, tocada pelo mestre Gary Moore, e suas dinâmicas e intensidades acompanhadas com perfeição pela banda.

Essa é quase uma salada, mas veja o clima típico do Queen, com melodias lindas, as guitarras que começam a preencher a canção, e o riif pesado, de dar inveja ao tio Iommi…

Nessa aqui, os mestres da diversidade, Living Colour conseguem sair de um groove caribenho, para uma dinâmica de hard rock, sem soar forçado, chegando a ser surpreendente…

Trago esse exemplo, pois achei sensacional, a forma como Dave Grohl e o Foo Fighters souberam trabalhar essa canção, com uma dinâmica crescente:

Botando mais peso, note essa canção do Children of Bodom, com um riff quase hard, e caindo para um peso cavalar, porém, tendo varições de andamento da bateira, que não permitem que a canção fique chata.

Fecho com esse exemplo que julgo perfeito: uma música absurdamente pesada, entrando com tudo, mudanças de dinâmicas no solo e até no vocal:

Groove nosso de cada dia!

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Zakk e Dime: mestres do groove no metal

     ” Groove é um termo oriundo da lingua inglesa que, no meio musical, é um sinônimo para “ritmo”. “ fonte: Wikipedia

   ‘’ Ritmo pode ser descrito como um movimento coordenado, uma repetição de intervalos musicais regulares ou irregulares, fortes ou fracos, longos ou breves, presentes na composição musical.

    Toda peça musical é composta por necessariamente três elementos: a melodia (forma como os sons se desenrolam no tempo), a harmonia (forma como os sons soam em simultâneo) e o ritmo. O ritmo é importante para determinar a duração de cada som na música e também a duração dos silêncios. Uma mesma seqüência de três notas iguais pode dar origem a três composições musicais diferentes apenas pela variação do ritmo.’’  Fonte: infoescola

    Após essas explicações, completo com uma observação feita pelo incrível João Castilho, antes de começar minhas considerações. Certa vez li em um livro dele, que os músicos se preocupam bastante com os elementos harmônicos, escalas, etc, mas esquecem do fator ritmo. Você pode usar as mesmas escalas e acordes num rock, e num baião, mas a rítmica fará tudo soar diferente e precisa ser acompanhada. Já notou que muitas vezes, você ouve uma música sensacional, com ritmo contagiante, quando você vai estudá-la, são poucos acordes, ou notas, e mesmo assim soa poderosa? Tom Morello já disse em entrevista, que muitos de seus riffs, são variações rítmicas das notas da penta de Em nas duas cordas mais graves, indo até a casa 7. Levando isso em conta, sou capaz de afirmar: ninguém resiste a uma música com groove! Não adianta também encharcar uma música de escalas e acordes, e meter tudo em semicolcheias infinitas e ritmo fraco. Quanto a explicação acima, quero destacar um detalhe importantíssimo:’’ O ritmo é importante para determinar a duração de cada som na música e também a duração dos silêncios.’’ Você leu bem? Duração dos silêncios. DOS SILÊNCIOS! FAZ SILÊNCIO NA MÚSICA , PORRA! Tenho tremenda admiração pelo Edu Ardanuy, e lendo suas entrevistas e tendo conversado com ele pessoalmente na edição do Guitar Player Festival que participei, tive contato com várias dicas do próprio e conceitos muito bacanas. Ele comenta sobre as pausas pequenas, como semicholchieas, 4 notas por tempo, e apenas 1 das notas ser uma pausa. Apenas isso, fará tudo ser diferente, e como o próprio disse: ‘’não existe groove, sem pausa’’. Seja no funk, soul, onde o groove dita as regras, até o metal, o groove é acoplado ao peso, ele é um elemento muito importante. Já notou nas clássicas bandas de thrash dos anos 80, como soam atualmente? Metallica, Slayer, Testament, Annihilator, mesclaram suas famosas ‘’metralhadoras’’, com riffs cheios de ritmo, graças a pequenas pausas, e bandas posteriores, como Pantera e o Sepultura, ganharam a acunha de groove metal, devido a grande utilização desse elemento.

    A vida em nossa volta, é feita de ritmos, basta observar à sua volta: a natureza, o coração, e até o sono. Busque trabalhar nele, e em suas variações, e veja quantas coisas legais consegue extrair. E lembre-se de um conselho do mestre Satriani: velocidade em tudo, não dá margem à variação.

    Abaixo, trago 10 exemplos, de vários estilos, em que o ritmo tornou tudo contagiante!

Tudo que tom Morello toca, merece uma certa atenção no que tange o ritmo, mas fique com essa, e tente tocar se for capaz…

Aqui, o mestre do rock com soul, Richie Kotzen, mostra um groove cheio de pegada…

E na área hard rock, Mr. Paul Gilbert mostra que domina velocidade, groove e o que mais pintar ( note o ritmo imponente da canção ).

Steve Lukather é mestre, e é capaz de adentrar todo e qualquer estilo, e ele emprega essa diversidade em suas músicas.

Outro que se dá bem em qualquer área, é Brian May, e quando você faz parte do Queen, tudo fica mais fácil. Note o riff altamente simples, mas em que o groove dele e dinâmica da banda fazem toda a diferença

Lembra do que falei das pausas? Note no que Jimmy Page é capaz de fazer.

Botando toneladas a mais de agressividade, os mestres do groove metal, Pantera ( note a semelhança do riff, com o riff da ”The Ocean” do Led Zeppelin, porém, com ritmo diferente ).

Lembra do que eu falei das bandas de thrash do anos 80? Olha o Megadeth, que manteve o peso, mas adicionou uma boa dose de swing.

Esse trio dispensa apresentações. Note apenas nos detalhes: a guitarra não está com muito ganho ( é uma telecaster ), porém o groove imposto pela bateria e o baixo, faz tudo parecer um trator desgovernado

Termino com mais uma do estilo ”simples e direto”, com mestre Zakk Wylde,  e um dos seus riffs mais contagiantes feito junto do seu padrinho Ozzy. Duvido não te dar vontade de dançar!

Melodia! Onde estás, sua linda?

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Exemplo de boas melodias!

    ”Sucessão coerente de sons e silêncios, que se desenvolvem em uma sequência linear com identidade própria. É a voz principal que dá sentido a uma composição e encontra apoio musical na harmonia e no ritmo. (…) Os sons da melodia possuem um sentido musical. A sucessão de sons arbitrários não se considera que produz melodia. Os sons que formam a melodia possuem quase sempre durações diferentes.”

    Abro esse post com esse conceito de ”melodia”, retirado do ”pai do burros” virtual, Wikipedia. E aproveito para emendar com um caso que ocorreu ontem comigo: uma aluna, por whatsapp, me questionou quanto ao nome de um música, e de quem era. Para que eu pudesse ajudar, ela me mandou um áudio, dela solfejando a introdução, e com apenas as 2 primeiras notas da melodia, já identifiquei: Heatbreaker , do Led Zeppelin. Então surgiu em minha mente a constatação, de que com algumas notas bem organizadas, esse tal de Jimmy Page, criou uma introdução absurdamente forte, reconhecível até de cabeça pra baixo, mascando chiclete de ova de baiacu. Converso sempre com alunos sobre hoje em dia, que muitas bandas e artistas parecem ter esquecido de criar boas melodias para as canções, usando bem esse fator ”sucessão coerente de sons e silêncios”. Faz silêncio também, porra! Silêncio também faz parte da música! Mas vou me ater mais nesse assunto, em futura postagem sobre groove. Voltando à melodia… não sou daqueles que fala que um solo para ser bonito precisa ser assobiável, pois o solo de ”Highway Star” do Deep Purple, é lindo de foda, mas se você tentar assobiar isso, você perde a os lábios, mas construir seu som envolto de belas melodias, faz com que tudo fique bem amarrado em sua canção, independente da complexidade. Não vou frisar em solos apenas! Isso é muito importante para bases, e muitas vezes, é esquecido. Já notou como as músicas do Rush, são complexas, com convenções e partes, etc, etc, mas não fica cansativo? Eles possuem um senso muito forte de melodia, fator que vez por outra os amiguinhos do Dream Theater esquecem, mas não vem ao caso. Certa vez, li Joe Bonamassa falando que muitos blueseiros e jazzistas, esquecem que as mulheres também precisam gostar do que ele toca, por isso, ele faz questão de incluir muita melodia em suas músicas ( deve ser por isso, que quando paquero uma senhorita, mostro músicas do Bonamassa, e funciona… ). Outro exemplo, é Joe Satriani, que tem uma carreira baseada em canções instrumentais, e muita gente que nem toca, gosta muito ( ouça ”Cryin” ou ”Summer Song”, e você não esquecerá mais dessas melodias ). E o Iron Maiden? Já notou a comoção que causa nas pessoas ouvir suas canções, em shows todo mundo se esgoela, canta tudo em ”ô ô ô” e o cassete? Observe as canções rápidas e pesadas da banda ( leia-se ”Aces Hight” ), porém, com frases melódicas espalhadas por toda a composição.

     Procure ver seus riffs, trechos musicais, não tão somente como ”movimentos de dedos”, em que mais é melhor, ou somente como conjunto de acordes, intervalos, etc. Veja também, como cada nota se comporta em conjunto, dentro de uma frase musical, pois é isso que seu ouvinte vai absorver de suas canções.

    Abaixo, trago 10 exemplos de arranjos, que acertaram em cheio na questão ”melodia”.

Veja a melodia de começo feita pelo belo riff, e as melodias que intercalam até o refrão, sem deixar de soar pesado pra c@#&*%:

Aqui, uma aula! A casa já cai com a melodia de abertura:

Essa é recente, e olha , como ficou incrível a melodia da guitarra, dobrada com o vocal…:

Aqui, uma música um pouco esquecida do Metallica, mas com riff sensacional, e um clima tenso usando o modo frígio:

Note como essa canção é extremamente complexa, mas soa leve, devido aos riffs melódicos da música, que intercalam tudo:

Aqui uma bem extrema, mas note que é banhada em melodias do começo ao fim, daí o termo ”death metal melódico”:

Conhece esse guitarrista? Então olhe essa música dele, e a chuva de melodias belas, que se encaixam uma na outra.

Sem apresentações. Note apenas no dedilhado, e melodia se movendo em seu riff:

Você pode até não gostar desse tipo de som, mas aqui você consegue notar porquê canções dessa época duram até hoje ( foque na guitarra, simples, e bela ):

Por fim, os donos da foto do post, com uma música que é pura melodia do início ao fim, com a melodia feita nos acordes do riff.