Arquivo mensal: fevereiro 2015

Bends e vibratos!

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    Ao ter a ideia para escrever esse post, lembrei de uma entrevista que li do Richie Kotzen, em que ele foi perguntado sobre técnica, e disse que o que faz saber se o guitarrista é bom mesmo e domina o instrumento, são seus bends e vibratos. Caso o guitarrista execute uma parte complexa, porém termine com um bend errado, ou vibrato inconstante, ele considera que o cara teve apenas sorte. E ele não deixa de estar certo. Já convivi com alunos e vi músicos que executavam partes velozes, porém, terminavam com um bend que parecia um gato sendo apertado e um vibrato mais inconstante do que o Lars do Metallica, na bateria. Pode-se dizer que um bom bend e bom vibrato, são a alma da guitarra, transparecendo a alma ”chorosa” e ”raivosa” da mesma, e requer o mesmo treino e dedicação de outras técnicas. Imagine você, vendo Steve Morse tocando, passagens absurdamente intricadas, com palhetadas insanas, e no final, ao invés de vermos aquele bend e vibrato violentos, que ele faz com maestria, vem uma sonoridade que não acerta a nota. Há de ser tão broxante quanto marcar um encontro com a Paola Oliveira, ir pensando nela, e encontrar o Derrick Green, do Sepultura. Um bom bend, deve ser feito com certeza da nota a ser alcançada, então, nada melhor do que conferir a nota antes, e muitos desperdiçam energia demais sem ter o posicionamento correto. É necessário ter apoio do polegar, dos outros dedos antes, e o movimento deve ser de rotação, como se os outros dedos fossem encontrar o polegar, como na foto abaixo:

violao guitarra bend

Obs: algumas pessoas dizem ”Ah, mas o Dimebag Darrel, do Pantera não faz isso”. Foda-se! Você não é o Dimebag. Continuando…

    Quanto ao vibrato, achei bem interessante essa definição: ”Usado para dar mais intensidade a qualquer nota tocada, principalmente em solos (…) O vibrato é composto por sucessivos pequenos bends realizados em torno de uma nota.”

E para explicar melhor, vou subdividir de duas formas:

Vibrato com nota parada: toque a nota, e com o mesmo movimento do bend, levante um pouco (1/4 de tom, 1/2, por exemplo ), e volte ao registro original da nota;

Vibrato com bend: Aqui, é o contrário! Acerte a nota com o bend, depois desça um pouco, e volte à altura do bend.

    Em todos os casos, o vibrato deve ser constante, sempre a mesma altura, e mesma velocidade. Dá uma olhadinha nesses dois vídeos: um do já conhecido Kiko Loureiro, e outro prodígio da guitarra, Jonny Lang.

    Por fim, deixo exemplos, para você notar, como cada um tem um tipo de vibrato diferente: uns mais lentos e curtos, outros mais longos e agressivos, e lembre-se: um bom bend e vibrato, separa os homens dos meninos!

Vibratos mais curtos e lentos…

Vibrato lento e longo…

Vibratos fortes e longos…

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Heavy Metal traz violência?

moça com blusa

    Bem, antes de tudo, vamos ao ponto da foto: ninguém com peito de fora, nem bunda, apenas uma moça com uma blusa do Motörhead, algo bem mais bonito do que esse desfile inútil de nudez na tv, exaltado no carnaval. Ok. Continuemos. De onde veio o heavy metal? Veio lá do fim dos anos 60 em grande parte, no Reino Unido e nos Estados Unidos , tendo como raízes o blues-rock e o rock psicodélico. As primeiras bandas a traçarem esse caminho, foram o Led Zeppelin, Deep Purple e o ‘’pai’’ do estilo, Black Sabbath, mas antes disso, o pessoal do The Who, do Cream, e o lendário Jimi Hendrix, já estouravam os ouvidos de plateias com volume absurdo, doses maiores de distorções e atitude forte. Até os Beatles tiveram sua parcela ( ouça Helter Skelter, feita por Paul McCartney, em resposta a uma entrevista do guitarrista Pete Townshend, dizendo que o último single “I Can See For Miles,” era a canção mais alta, suja e barulhenta que o The Who já tinha feito. A porradaria foi tamanha, que Ringo Star, após o 18° take, já não agüentava mais tocar a bateria de maneira selvagem, atirou as baquetas no chão e gritou ferozmente: “I’ve got blisters on my fingers!” ou “Eu estou com bolhas no dedos!” Os Beatles incluíram a fala no final da música na versão estéreo ). O ritmo teve muita influência do blues ( como quase todos), e da música erudita também , e até religiosa ( o gutural, tem relação direta com o canto dos monges nos corais ). E através do Black Sabbath, teve a adição de um elemento rítmico copiado das máquinas das indústrias de onde a banda vivia, em Birmingham, Inglaterra. Desde então, o gênero foi se ramificando mais e mais, e com certeza, é um dos gêneros que mais possuem variações e nomenclaturas, e influenciou muita coisa na música pop, e da música em geral. COMO É QUE É? Sim, você leu isso mesmo! Já ouviu falar em fusion? É a mistura de jazz, com vários outros elementos, inclusive, o rock. Scott Henderson e seu Tribal Tech utilizam descaradamente riffs do estilo, antes de caírem em sua quebradeira rítmica típica. O progressivo do Rush, sempre foi temperado por partes pesadas e hora rápidas, hora arrastadas, sendo considerado até, a ponte entre os 2 estilos. O blues ganhou um peso e uma voracidade a mais ( basta ouvir Gary Moore e ver qualquer apresentação do Bonamassa ao vivo, e notar o engomadinho guitarrista, esquecer da elegância e quebrar tudo! Obs: ele é fã de Iron Maiden! ). O fraseado guitarrístico foi profundamente modificado pelo estilo, ganhando doses de virtuosismo, agressividade e sonoridades novas e caóticas por vezes, vindas das mãos de Eddie Van Halen, Jason Becker e Malmsteen com suas influências eruditas, e bandas que não são consideradas metal, como Muse, Pearl Jam e até mesmo o Red Hot Chili Peppers, assumem ter influência do gênero. O pop foi influenciado pelo peso do estilo. Michael Jackson, sempre teve guitarristas de alto gabarito ( o próprio Eddie Van Halen, Slash e Jennifer Batten ), e nunca fugiu dessa influência ( veja os riffs e idéias musicais de ‘’Beat It’’ , ‘’ Dirty Diana’’ e ‘’ Give to Me’’ ). Rihanna contratou os serviços de Nuno Bittencourt, do Extreme, afim de colocar mais gás e peso em suas canções, e até mesmo Madonna, vez por outra tasca-lhe um peso a mais em suas canções ( é possível achar vídeos no youtube, dela própria, com uma guitarra, tocando o riff de ‘’Walk’’ do Pantera ). 

    Enfim, o peso, é capaz de trazer emoções, dar mais gás a uma canção, e o metal em si, traz consigo um ar maldoso, mas hora alegre se quiser também ( metal melódico que o diga ), mas vejo muitos pegarem no pé, por taxarem de um estilo violento…bem… a música é a expressão de sentimentos, e todos nós temos raiva, indignação, vontade de gritar certas coisas, exorcizar certos sentimentos. E não é um estilo de música que fará a pessoa ser violenta. Se for assim, todo mundo que ouve sertanejo meloso é depressivo, e quem ouve pagode é corno. Existem sambas com pegada forte, ritmo alucinante, e nem por isso, nego sai batendo nos outros na Sapucaí. Creio que há um certo preconceito nisso. Muitos dos que falam isso, que a música é violenta, traz mensagens ruins, etc, não olham para si mesmos, e suas violências cotidianas, acordam já reclamando da vida, quando um amigo vem dar um ‘’bom dia’’, tratam com desprezo, ofendem pais, ou dizem ao um filho que ele é incompetente. Não tem pudor na hora de violentar a si mesmo e sua dignidade, transando com qualquer um, contanto quantos mais pegou, sendo pleno objeto. Manipulam outra pessoa em prol de vantagens próprias, e depois descartando-o, como lixo, humilham outros com palavras, trazem consigo um espírito de porco, que se não está bem, o outro tem que se foder também. Tratam mal animais, deixando-os na chuva, não cuidando, tendo bicho pra dizer que tem. Não ouvem seus filhos, não dão carinho, por estarem em demasia irritado ou ocupado… o dia a dia, possui milhares de violências que talvez você mesmo faça, e essas sim, prejudiciais, mas é aquilo, né… isso é mais ‘’normal’’ e não ”faz mal’’…

O rock e seu estereótipo

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    ”Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação.”
     Fonte: Wikipédia
Nada melhor do que começar essas linhas malucas, com uma definição simples e direta. Então, eu pergunto, quem que gosta de rock e suas vertentes, nunca passou por essa cena: algum ser ( as vezes da família, aquela tia velha gorda, algum fanático religioso, ou alguém que não faz sexo mesmo ), pergunta pra você: ”ah….mas você é roqueiro?” . Ai, você confirma. Fodeu. Na hora, o computador interno do ser, processa os seguintes dados sobre você: fuma cigarro, maconha, charuto, folha de hortelã enrolada no papel, toma chá de cogumelo e de fita cassete, bebe rios de qualquer tipo de líquido com teor alcoólico, e quando fica bem bêbedo, não reconhece mais nada, bebe chorume, transa com qualquer um que vê pela frente ( se possível, mais de um ao mesmo tempo ), não toma banho, só usa preto, mesmo que esteja fazendo 41 graus, usa 655375463 correntes e penduricalhos, ficando igual a uma penteadeira de puta, não estuda, não trabalha, bate na mãe, arruma briga na rua, faz parte de uma gangue de Skinheads, vendeu a alma ao capeta, faz rituais satânicos, matando cabra, desenhando um pentagrama no chão e o cassete, pega um machado e corre para o meio da floresta, para conviver com as forças ocultas e prestar devoção ao deus metal. Óbvio, que tem gente maluca assim, que associa um gênero musical, a uma cambada de atitudes que não condizem com a realidade, e sai fazendo um monte de presepada, e atitudes que foram mais comuns e aceitáveis, com algum propósito, num passado mais distante, e que hoje tornam-se demodê. Sim, o gênero, tem muito a ver com imagem, e a imagem, vende o produto. Não entendeu? Explico: peguemos como exemplo o Sepultura, ok? O que você espera de uma banda com esse nome? Músicas falando de amor, flores, borboletas, e cachorrinhos felpudos? Creio que não. O som deles é muito pesado, agressivo e por vezes, brutalmente veloz, logo, uma letra condizente com a proposta, se faz necessária. Pegue a capa de um dos seus álbuns, e você verá alguma imagem mais soturna, de impacto, que geralmente te faz olhar e dizer ”eita, esse aqui deve ser pesado!”. No dia que eles lançarem um cd, com gatinha brincando com uma borboleta, você vai achar que o disco é bom? No c** pardal! Duvido! Agora, experimente ir no google ou youtube, e pesquise ”Sepultura em 1989″ e depois “Sepultura em 2013″. Antes, com vestimentas mais darks, cabelo longos ( uns de dar até inveja a algumas mulheres ), e cara de mal ”full time”. Hoje em dia, você vê músicos com a mesma gana em cima do palco, técnica ainda exuberante, violência musical absurda…… e calça jeans, uma blusa, uns de cabelo curto, marcas de expressão que a maturidade traz, e sábios em relação ao que querem para si, sem desprezar os tempos modernos. Não é difícil ver Andreas Kisser, o simpático guitarrista da banda, tirando foto com todos, sorridentes, indo em tudo que é programa que é convidado, tocando com músicos variados, de Ed Motta e Toquinho a Paralamas e Motörhead, e que em casa, ama a mulher dele, e brinca de carrinho e joga bola com o filho. Não há mais necessidade de ter uma imagem agressiva que quase ofenda. Roqueiros sorriem, brincam, se divertem, fazem amor, amam suas famílias, muitos acreditam em Deus, ou tem convicções religiosas, ajudam ao próximo, são educados. Os tempos de imagem distorcida, já se foram, e quem ainda se mantém nessa figura, prejudica a si próprio, pois não traz benefício algum. O deus metal não vai te trazer ”bênçãos”, fortuna e te deixará no topo, como se você fosse melhor do que os outros. Por fim, peço que olhe a foto desse post. Reconheceu? É o Iron Maiden, ícone mundial, e um dos alicerces primordiais do rock pesado, que nos anos 80, andavam com roupas de couro e tachinhas ( no palco, pois fora, você encontra fotos deles normais, ou seja, mais uma vez, a imagem do ”produto” se faz presente ), com o vocalista Bruce Dickinson no centro, o homem que em 1982 gritou para o mundo ”666, the number the of the beast”, horrorizando a muitos, que não notaram que a canção se tratava de um relato de um sonho, e trazia trechos bíblicos na letra. Um roqueiro, que hoje não precisa de cabelos longos ( nada contra ), e roupas espalhafatosas para demonstrar seu talento, e que carrega consigo, humildemente, as funções de vocalista, e….. piloto, historiador, esgrimista, radialista, autor, roteirista, piloto de avião, diretor de marketing, pai de família e…… ser vivo normal e inteligente, que mostra, para quem QUISER VER ( afinal, muitos não querem, é mais legal ter preconceito contra o estilo, ou tomar posse dos adjetivos negativos que muitos denotam ao gênero ), que a rebeldia ainda existe, e é necessária! Mas de forma racional, podendo sim, chamar a atenção e mudar muita coisa a sua volta, através da música.

Clássicos são clássicos

post

    Gosto não se discute. O que eu acho uma merda, você pode amar, e vice-versa. Ok. Mas vou trazer o foco para o que tange o aprendizado e digo até o profissionalismo do músico, no caso aqui, o foco será guitarra. Hoje, muita coisa do que é possível  se fazer musicalmente com uma guitarra, foram feitas, e ficaram registradas muitas vezes, em álbuns que permanecem como clássicos à 20, 25, 30, 40 anos! Então… o que esses álbuns têm afinal? Hoje, encaro parte da música atual como música pra burro: não é para te fazer pensar, questionar, degustar. Tudo tão imediato quanto um miojo. A música da rádio, é feita para celebrar amores de papel, dores de corno e balançar a bunda, celebrando pegações. Indo para o rock, temos a celebração da juventude com um neurônio do tamanho de azeitona, com gritos, melodias tacadas ao ‘’foda-se’’, groove por vezes duro, e quando tem um refrão que querem cantar ‘’mellhor’’, vem uma voz de adolescentes de 13 anos, que parece que vive o maior drama existencial da galáxia…enfim…salvo essas considerações em torno das minhas opiniões, que me fazem sentir falta do Nirvana, que ao menos tinha garra ( olha que nem gosto muito ), esse é meu gosto. Fim de papo. Agora quando a coisa cai para o lado da profissionalização musical, com conteúdo, a coisa muda de figura. Há álbuns que independente de gosto, predileção, uma hora ou outra, precisam ser escutados. Faz parte da formação, se você almeja um crescimento musical, e não sou eu apenas que digo isso! De Mozart Mello à Slash, de Edu Ardanuy à Jeff Loomis. “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band “, dos Beatles, foi um marco absurdo para a música, sendo considerado um dos pontapés do rock progressivo, e da psicodelia, já tendo sido considerado o melhor álbum de rock já gravado, além de ter a incrível produção do mago George Martin, que produziu um álbum incrível, numa época em que recursos eram escassos. O mesmo para o clássico “The Dark Side of the Moon”, que já apareceu mais de 800 vezes nas paradas desde seu lançamento, e tendo sido revolucionário musicalmente quanto tecnologicamente, tendo usado o que de havia de mais moderno na época, e ainda foram criadas mais umas maluquices, afim de registrar a sonoridade desejada ( isso sem contar a aula de guitarra ministrada por Gilmour que bota 90% dos guitarristas atuais no chinelo ). O que falar do “Machine Head”, do Deep Purple, gravado numa tacada só, ao vivo, em instalações de um hotel de Montreux, e sem correções? Chega a ser um golpe na cara, em tempos de ‘’tudo se corrige’’ no estúdio, e em que você nem precisa tocar de verdade para gravar. A temática abordada no álbum “2112” do Rush, que desafia conceitos comerciais da época, com sua canção homônima super intricada, passando 20 minutos, mesclando progressivo e hard rock ( se você curte Dream Theater, aqui de onde veio, óh…), e com apenas 3 integrantes. A sobriedade de Clapton, numa aula de canções e blues, flertes ao rock, pop e country, imortalizados no clássico “Slowhand”, em que mostra licks por vezes simples, mas perfeitamente encaixados. Dizer que toca metal, ama o gênero, e não ter degustado o “The Number of the Beast” por um bom tempo, sem entender o impacto de cada canção, seus arranjos, técnicas avançadas de guitarra usadas por Adrian Smith e Dave Murray, e o primor da produção do genial Martin Birch, é quase sacrilégio! Sacar o impacto no mercado, que foi o lançamento de “Texas Flood”, do Stevie Ray Vaughan, que trouxe de volta o blues, e na década de 80, mostrando uma pegada e fraseado descomunais, de forma orgânica, sem deixar de prestar tributo à Albert King ( outro senhor que merece vossa atenção ). Até mesmo para quem não curte música instrumental, ou virtuosismo, é de extrema importância entender por que o álbum “Surfing With the Alien” do Satriani, o elevou ao status de deus da guitarra, com sua técnica quase sobrenatural, ligados absurdos, e melodias modais.

    Eis que já fui questionado, se uma pessoa que não ouve essas coisas, não pode tocar bem, etc…claro que pode! Busque nos youtubes da vida. Eu mesmo já vi e tive contato com gente que ouve Avenged, ou seja lá o que o dia todo, e toca os mesmos com perfeição. Mas e aí? Não estou falando de tocar bem. Tocar bem, tem milhares por aí. Tocar bem não é tão difícil, mas dominar plenamente seu instrumento, ter vocabulário, saber se posicionar perante à um arranjo, de formas que se adaptem e não choquem, ter cartas na manga que te permitam transitar por alguns estilo sem passar vergonha ao menos, e entender como a música evoluiu, qual foi sua trajetória, é o ”x” da questão. E olha que citei só alguns clássicos no rock e blues, que acho o mínimo a ser feito e conhecido, se você toca esse gênero.

   Estudar certas obras clássicas ( note que chamei de obra, não cd, álbum, disco ), não é o mesmo que baixar o mp3, ouvir  2 vezes, e depois, esporadicamente ouvir. Lembro-me que quando era adolescente, tive a ‘’sorte’’, de não ter internet. Digo “sorte’’, pois óbvio que queria ter! Porém, isso fez com que cada álbum que eu conseguisse, virasse artigo de luxo, a ser degustado até a última gota. Tenha sido o “Houses of the Holy” do Led Zeppelin, o “ Heaven & Hell “ do Black Sabbath, ou o “Van Halen I ’’, esses álbuns rolaram em meu rádio durante semanas e semanas, e eu com minha humilde strato vagabunda, ficava horas e horas, tentando tirar trechos, licks, riffs, improvisar na dinâmica das músicas, entender o estilo de cada guitarrista, entender o clima das composições e o por que esses álbuns perduraram por 20, 30 anos ou mais, diferente das mais novas hiper bandas do momento, que surgem, vendem milhões e graças ao bom Deus, somem depois.

     Seja lá o que você queira ser musicalmente falando, guitarrista, arranjador, produtor, enrolador de cabo de guitarra, não estude apenas para tocar na sua banda, ou para ser apenas bom, para ser mais um. Isso daí tem um monte. Vá atrás da história e do que montou essa história, e estude seriamente isso, pois isso pode fazer a diferença entre você ser de fato músico, guitarrista, ou apenas mais um moleque com uma guitarra pendurada no pescoço.