O rock e seu estereótipo

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    ”Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação.”
     Fonte: Wikipédia
Nada melhor do que começar essas linhas malucas, com uma definição simples e direta. Então, eu pergunto, quem que gosta de rock e suas vertentes, nunca passou por essa cena: algum ser ( as vezes da família, aquela tia velha gorda, algum fanático religioso, ou alguém que não faz sexo mesmo ), pergunta pra você: ”ah….mas você é roqueiro?” . Ai, você confirma. Fodeu. Na hora, o computador interno do ser, processa os seguintes dados sobre você: fuma cigarro, maconha, charuto, folha de hortelã enrolada no papel, toma chá de cogumelo e de fita cassete, bebe rios de qualquer tipo de líquido com teor alcoólico, e quando fica bem bêbedo, não reconhece mais nada, bebe chorume, transa com qualquer um que vê pela frente ( se possível, mais de um ao mesmo tempo ), não toma banho, só usa preto, mesmo que esteja fazendo 41 graus, usa 655375463 correntes e penduricalhos, ficando igual a uma penteadeira de puta, não estuda, não trabalha, bate na mãe, arruma briga na rua, faz parte de uma gangue de Skinheads, vendeu a alma ao capeta, faz rituais satânicos, matando cabra, desenhando um pentagrama no chão e o cassete, pega um machado e corre para o meio da floresta, para conviver com as forças ocultas e prestar devoção ao deus metal. Óbvio, que tem gente maluca assim, que associa um gênero musical, a uma cambada de atitudes que não condizem com a realidade, e sai fazendo um monte de presepada, e atitudes que foram mais comuns e aceitáveis, com algum propósito, num passado mais distante, e que hoje tornam-se demodê. Sim, o gênero, tem muito a ver com imagem, e a imagem, vende o produto. Não entendeu? Explico: peguemos como exemplo o Sepultura, ok? O que você espera de uma banda com esse nome? Músicas falando de amor, flores, borboletas, e cachorrinhos felpudos? Creio que não. O som deles é muito pesado, agressivo e por vezes, brutalmente veloz, logo, uma letra condizente com a proposta, se faz necessária. Pegue a capa de um dos seus álbuns, e você verá alguma imagem mais soturna, de impacto, que geralmente te faz olhar e dizer ”eita, esse aqui deve ser pesado!”. No dia que eles lançarem um cd, com gatinha brincando com uma borboleta, você vai achar que o disco é bom? No c** pardal! Duvido! Agora, experimente ir no google ou youtube, e pesquise ”Sepultura em 1989″ e depois “Sepultura em 2013″. Antes, com vestimentas mais darks, cabelo longos ( uns de dar até inveja a algumas mulheres ), e cara de mal ”full time”. Hoje em dia, você vê músicos com a mesma gana em cima do palco, técnica ainda exuberante, violência musical absurda…… e calça jeans, uma blusa, uns de cabelo curto, marcas de expressão que a maturidade traz, e sábios em relação ao que querem para si, sem desprezar os tempos modernos. Não é difícil ver Andreas Kisser, o simpático guitarrista da banda, tirando foto com todos, sorridentes, indo em tudo que é programa que é convidado, tocando com músicos variados, de Ed Motta e Toquinho a Paralamas e Motörhead, e que em casa, ama a mulher dele, e brinca de carrinho e joga bola com o filho. Não há mais necessidade de ter uma imagem agressiva que quase ofenda. Roqueiros sorriem, brincam, se divertem, fazem amor, amam suas famílias, muitos acreditam em Deus, ou tem convicções religiosas, ajudam ao próximo, são educados. Os tempos de imagem distorcida, já se foram, e quem ainda se mantém nessa figura, prejudica a si próprio, pois não traz benefício algum. O deus metal não vai te trazer ”bênçãos”, fortuna e te deixará no topo, como se você fosse melhor do que os outros. Por fim, peço que olhe a foto desse post. Reconheceu? É o Iron Maiden, ícone mundial, e um dos alicerces primordiais do rock pesado, que nos anos 80, andavam com roupas de couro e tachinhas ( no palco, pois fora, você encontra fotos deles normais, ou seja, mais uma vez, a imagem do ”produto” se faz presente ), com o vocalista Bruce Dickinson no centro, o homem que em 1982 gritou para o mundo ”666, the number the of the beast”, horrorizando a muitos, que não notaram que a canção se tratava de um relato de um sonho, e trazia trechos bíblicos na letra. Um roqueiro, que hoje não precisa de cabelos longos ( nada contra ), e roupas espalhafatosas para demonstrar seu talento, e que carrega consigo, humildemente, as funções de vocalista, e….. piloto, historiador, esgrimista, radialista, autor, roteirista, piloto de avião, diretor de marketing, pai de família e…… ser vivo normal e inteligente, que mostra, para quem QUISER VER ( afinal, muitos não querem, é mais legal ter preconceito contra o estilo, ou tomar posse dos adjetivos negativos que muitos denotam ao gênero ), que a rebeldia ainda existe, e é necessária! Mas de forma racional, podendo sim, chamar a atenção e mudar muita coisa a sua volta, através da música.
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Sobre hericksales

Guitarrista, professor de guitarra e violão a 11 anos.

Publicado em 11 de fevereiro de 2015, em Música e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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