Heavy Metal traz violência?

moça com blusa

    Bem, antes de tudo, vamos ao ponto da foto: ninguém com peito de fora, nem bunda, apenas uma moça com uma blusa do Motörhead, algo bem mais bonito do que esse desfile inútil de nudez na tv, exaltado no carnaval. Ok. Continuemos. De onde veio o heavy metal? Veio lá do fim dos anos 60 em grande parte, no Reino Unido e nos Estados Unidos , tendo como raízes o blues-rock e o rock psicodélico. As primeiras bandas a traçarem esse caminho, foram o Led Zeppelin, Deep Purple e o ‘’pai’’ do estilo, Black Sabbath, mas antes disso, o pessoal do The Who, do Cream, e o lendário Jimi Hendrix, já estouravam os ouvidos de plateias com volume absurdo, doses maiores de distorções e atitude forte. Até os Beatles tiveram sua parcela ( ouça Helter Skelter, feita por Paul McCartney, em resposta a uma entrevista do guitarrista Pete Townshend, dizendo que o último single “I Can See For Miles,” era a canção mais alta, suja e barulhenta que o The Who já tinha feito. A porradaria foi tamanha, que Ringo Star, após o 18° take, já não agüentava mais tocar a bateria de maneira selvagem, atirou as baquetas no chão e gritou ferozmente: “I’ve got blisters on my fingers!” ou “Eu estou com bolhas no dedos!” Os Beatles incluíram a fala no final da música na versão estéreo ). O ritmo teve muita influência do blues ( como quase todos), e da música erudita também , e até religiosa ( o gutural, tem relação direta com o canto dos monges nos corais ). E através do Black Sabbath, teve a adição de um elemento rítmico copiado das máquinas das indústrias de onde a banda vivia, em Birmingham, Inglaterra. Desde então, o gênero foi se ramificando mais e mais, e com certeza, é um dos gêneros que mais possuem variações e nomenclaturas, e influenciou muita coisa na música pop, e da música em geral. COMO É QUE É? Sim, você leu isso mesmo! Já ouviu falar em fusion? É a mistura de jazz, com vários outros elementos, inclusive, o rock. Scott Henderson e seu Tribal Tech utilizam descaradamente riffs do estilo, antes de caírem em sua quebradeira rítmica típica. O progressivo do Rush, sempre foi temperado por partes pesadas e hora rápidas, hora arrastadas, sendo considerado até, a ponte entre os 2 estilos. O blues ganhou um peso e uma voracidade a mais ( basta ouvir Gary Moore e ver qualquer apresentação do Bonamassa ao vivo, e notar o engomadinho guitarrista, esquecer da elegância e quebrar tudo! Obs: ele é fã de Iron Maiden! ). O fraseado guitarrístico foi profundamente modificado pelo estilo, ganhando doses de virtuosismo, agressividade e sonoridades novas e caóticas por vezes, vindas das mãos de Eddie Van Halen, Jason Becker e Malmsteen com suas influências eruditas, e bandas que não são consideradas metal, como Muse, Pearl Jam e até mesmo o Red Hot Chili Peppers, assumem ter influência do gênero. O pop foi influenciado pelo peso do estilo. Michael Jackson, sempre teve guitarristas de alto gabarito ( o próprio Eddie Van Halen, Slash e Jennifer Batten ), e nunca fugiu dessa influência ( veja os riffs e idéias musicais de ‘’Beat It’’ , ‘’ Dirty Diana’’ e ‘’ Give to Me’’ ). Rihanna contratou os serviços de Nuno Bittencourt, do Extreme, afim de colocar mais gás e peso em suas canções, e até mesmo Madonna, vez por outra tasca-lhe um peso a mais em suas canções ( é possível achar vídeos no youtube, dela própria, com uma guitarra, tocando o riff de ‘’Walk’’ do Pantera ). 

    Enfim, o peso, é capaz de trazer emoções, dar mais gás a uma canção, e o metal em si, traz consigo um ar maldoso, mas hora alegre se quiser também ( metal melódico que o diga ), mas vejo muitos pegarem no pé, por taxarem de um estilo violento…bem… a música é a expressão de sentimentos, e todos nós temos raiva, indignação, vontade de gritar certas coisas, exorcizar certos sentimentos. E não é um estilo de música que fará a pessoa ser violenta. Se for assim, todo mundo que ouve sertanejo meloso é depressivo, e quem ouve pagode é corno. Existem sambas com pegada forte, ritmo alucinante, e nem por isso, nego sai batendo nos outros na Sapucaí. Creio que há um certo preconceito nisso. Muitos dos que falam isso, que a música é violenta, traz mensagens ruins, etc, não olham para si mesmos, e suas violências cotidianas, acordam já reclamando da vida, quando um amigo vem dar um ‘’bom dia’’, tratam com desprezo, ofendem pais, ou dizem ao um filho que ele é incompetente. Não tem pudor na hora de violentar a si mesmo e sua dignidade, transando com qualquer um, contanto quantos mais pegou, sendo pleno objeto. Manipulam outra pessoa em prol de vantagens próprias, e depois descartando-o, como lixo, humilham outros com palavras, trazem consigo um espírito de porco, que se não está bem, o outro tem que se foder também. Tratam mal animais, deixando-os na chuva, não cuidando, tendo bicho pra dizer que tem. Não ouvem seus filhos, não dão carinho, por estarem em demasia irritado ou ocupado… o dia a dia, possui milhares de violências que talvez você mesmo faça, e essas sim, prejudiciais, mas é aquilo, né… isso é mais ‘’normal’’ e não ”faz mal’’…

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Sobre hericksales

Guitarrista, professor de guitarra e violão a 11 anos.

Publicado em 17 de fevereiro de 2015, em Música e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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