Arquivo mensal: abril 2015

Exclusivo: Entrevista com o mestre Marcos de Ros!!!

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    Marcos De Ros é um renomado guitarrista brasileiro, sendo extremamente atuante na área, com workshops, gravando álbuns ( como o excelente ”Peças de Bravura” ), além de ter um senso de humor sensacional! Confiram esse papo exclusivo, rico em ideias:

1) Primeiramente, obrigado por aceitar esse convite! É um grande prazer te entrevistar! Conheço a um bom tempo seu trabalho, e você é um guitarrista dotado de muita técnica, mas também musicalidade, indo do rock ao erudito sem dificuldade. Quais são suas grandes influências musicais?

    Velho, complicado falar de influências, porque até hoje eu continuo estudando e sempre tem guitarristas novos que, de uma certa maneira, acabam me influenciando. Acho que um dos grandes truques é manter o leque aberto, ouvindo e evoluindo. Às vezes uma crítica contundente, na hora certa, pode te influenciar mais até mesmo do que um mestre. Mas para não deixar no ar, vou citar alguns que me vêm à mente agora: Paul Gilbert, Al Di Meola, Malmsteen, Jason Becker e Richie Blackmore.

2) Possuo alunos e amigos que gostam de compor, já possuem banda ou almejam uma, porém, são receosos quanto a receptividade das canções, público, etc. Qual sua motivação para compor e apresentar seu trabalho?

    Se está receoso quando à receptividade do publico, está na profissão errada. Ou então, tem que fazer um bom trabalho psicológico, porque tem muita gente que está aí com o intuito claro de massacrar quem começa a se destacar. Ou tu usa a filosofia Conan, que quando lhe foi perguntado “Conan, o que é o melhor da vida?” ele responde “Destruir seus inimigos, vê-los fugindo de você, e ouvir os lamentos de suas mulheres!” ou seja, ignorando e esmigalhando esses criticos nas cordas da tua guitarra, ou tu tem uma super auto-estima e sabe exatamente quem é, o que tem capacidade de fazer e quais as tuas limitações. Não conheço outra maneira de lidar com isso.

3) No Brasil, temos grandes músicos de qualidade incrível, e artistas de trabalho sensacional. Na sua opinião, por que tais trabalhos não possuem o devido reconhecimeto e espaço?

     Tu vai ficar meio besta com a minha resposta, mas eu acho que os trabalhos absolutamente sérios e compromissados com a sua finalidade, são bastante reconhecidos aqui no Brasil. Se ele ainda não foi reconhecido, talvez falte algo no artista.

4) Você vai lançar um álbum agora em 2015, certo? O que podemos esperar dele?

    Inovação e surpresa. Se não for surpreendente, eu não fico muito empolgado e daí a coisa não deslancha, hehehehe!

5) Obrigado novamente, Marcos! Poderia deixar um conselho para os guitarristas que acompanham o blog, e seus contatos, para quem quiser pesquisar mais sobre você?

    O conselho é o seguinte, nada cai do céu, nem técnica, nem musicalidade, nem senso estético, nem boas composições, nem bandas, turnês ou premiações. Só chuva. O resto, tem trabalhar muito, mas muito mesmo!

    Inscrevam-se no meu youtube e facebook, serão muito bem-vindos:

    https://www.facebook.com/marcos.deros

    https://www.youtube.com/user/marcosderos

    Marcos De Ros

   Abaixo, seu mais recente vídeo. Confira:

522369_365152026909512_429593611_nkkkk Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.

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Como estudar outro guitarrista?

Eric+Clapton

    Ontem tive a prova de que meu trabalho não é em vão, pois fui procurado no facebook, devido minhas postagens, e recebi a seguinte pergunta: ”Como posso estudar um guitarrista?”. Não trarei a fórmula de como estudar as tretas guitarristas do Guthrie Govan, e acordar tocando como ele, pois não faço milagre, mas não sei se você acompanhou, que a um tempo atrás escrevi sobre estudar os discos clássicos, algo que o pessoal hoje em dia não faz muito. Aconselho o mesmo processo na hora de estudar o estilo de um determinado guitarrista. Todo músico evolui e muda em alguns aspectos ( vide Richie Blackmore nos anos 70, e depois no meio dos anos 80, mais técnico ainda), porém, há elementos que sempre se repetem no estilo de cada um, tornando-se suas características. Por volta de 10 anos atrás, lembro bem de ter pouco acesso a discos como hoje ( ontem mesmo pensei em escutar algo do Albert Lee. Botei no youtube, e ouvi um álbum. Quer processo mais fácil do que esse hoje em dia? ), então, cada álbum era uma joia rara a ser degustada ao máximo. Estudei vários guitarristas e ainda o faço, porém, estudo a obra e características, e tento incorporar ao que toco. Quando tive acesso a 2 álbuns do Deep Purple com Steve Morse, eu pirei, pois já tinha visto em um show em VHS, ele destruindo. Ouvi incansavelmente, e tentei tirar algumas ideias, li revistas com licks dele, e descobri que uma ferramenta que ele usa muito, é o cromatismo. Ok. Trabalho de casa: entender como ele faz, em quais passagens, dentro de qual escala, qual sonoridade ele obtém com isso. Ao ter acesso ao Heaven & Hell, do Black Sabbath, eu pirei, pois era pesado, mas com um toque mais rock ‘n roll em algumas canções, e um fraseado muito bonito, e mais ”desenhado”, em comparação a época do álbum Paranoid, por exemplo. Lembro de ter estudado muito sobre a canção ”Lonely Is the Word”, última do álbum, e notei que o lindo solo dela, bem improvisado por sinal, usava e abusava de bends e vibratos, notas com longa duração, e fraseado altamente calcado em blues, mas sem soar tão blues. Então, ouvia essa canção incessantemente, e após pegar o tom e absorver a rítmica das frases, comecei a improvisar em cima, tentando na cara de pau, copiar aquela forma de tocar. Toco igual ao Tony Iommi? Porra nenhuma. E isso se repetiu com muitos outros álbuns e guitarristas (lembro como se fosse ontem, eu passando tardes chuvosas ouvindo Houses of the Holy, e o ao vivo putaqueparivelmente incrível, How The West Was Won, e copiar os bends exagerados e riffs do Jimmy Page ).

    Ver também é muito importante! Quando pude ter um aparelho de DVD vagabundo da Casa & Video, o mundo mudou! No mesmo dia, pra estrear o bendito aparelho, achei o DVD Unplugged – Eric Clapton, e ganhei dias depois, o Queen Live at Wembley Stadium. Tinham dias sagrados, em que eu ligava o ampli mais vagabundo que piranha do Centro, e botava os DVDs e tentava copiar licks, a dinâmica, e improvisar sobre. Digo o mesmo com outros DVDs como Toto – Live in Amsterdan, Pulse – Pink Floyd, ou Mr. Big Farewell Live in Japan, da fase do Mr Big com Richie Kotzen. Pude ver, rever e pausar, e não só ouvir, vários truques, formas de frasear, quem usava mais ligados, palhetada, forma dos vibratos, etc.

    No meio desse estudo, chega um momento em que tudo que você absorveu reside numa ”terra de ninguém” musical, em que os licks, estilos de fraseado, técnicas, escalas, se misturam e besunta tudo( Zakk Wylde e Al Di Meola tocam muito rápido, e Stevie Ray Vaughan tem uma pegada descomunal para licks de blues…que tal misturar os 2, e fazer um lick com altas palhetadas e bends furiosos? ) . Não adianta tentar copiar todos os detalhes, virar uma xérox ambulante, mas pegar emprestado nuances e ideias, estilos, é muito válido, e os mesmos, ficarão no seu sangue. Assim, o resultado dessa mistura será aquilo que você sempre quis ser musicalmente: você mesmo!

Faça o melhor com aquilo que você tem!!!

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   Já falei em outras postagens, sobre buscar fazer as coisas que te fazem bem, e não ter tanta frescura com equipamento, mas vou trazer uns comentários de alunos nesse texto, e até mesmo pensamentos que já tive muito! Muitas vezes damos uma desanimada por não termos aquela PRS ultra fodástica, com aquela pedaleira gigante, que aperta um botão sai delay, reverb de mola, wah wah, flanger, cafezinho, empada, etc, e um pequeno muro de Marshalls, mas como disse o mítico Hélcio Aguirra, ”quem é que tem isso tudo em casa?”. Faça o melhor com o que você tem! É fundamental ter metas para buscar coisas melhores, adequadas às necessidades, mas desde agora, já, faça o melhor com o que você tem! Se sua guitarra é apenas razoável, e desafina vez por outra com bends fortes, foda-se! Afine e volte a tocar! Se ela está meio capenga precisando de uma regulagem, organize-se para ter essa despesa, mas não deixe de tocar por isso. Um captador falha? Use o outro. Se ela está toda arrebentada, legal: você tem uma guitarra personalizada, com as marcas de seus estudos e avanços. Se sua pedaleira é simples, com um botão quebrado, dane-se isso! Configure-a dentro do possível, e toque! Se nem isso você possui, ligue no ampli direto, mesmo com distorção estranha, mas toque, e faça o seu melhor com ele! O ambiente que você possui para treinar é bagunçado, arrume-o se puder, e se não puder fazer barulho na hora, toque baixo, use fones, mas faça! E não se compare a outros músicos nesse sentido! Cada um tem uma vida, uma história. Há músicos que todos nós sabemos que ralaram menos, e tiveram acesso a instrumentos tops logo de cara, mas…sorte a deles, que tiveram quem bancasse, não? Vai saber se eles não tem outros problemas que faria você não querer estar na pele deles.  Vejo um exemplo do excelente John 5, que possui uma carreira sólida, estilo único e uma coleção imensa de telecasters lindas! Tudo do bom e do melhor, mas para cada conquista na carreira, o mesmo disse que perdeu um membro da família. Exatamente isso! Você gostaria de passar por algo assim? Então, viva a sua história, e não se lamente por não ter tudo do bom e do melhor agora. O melhor tem que ser você! Juninho Afram, já disse em entrevistas ter começado usando um simples Giannini , e pedais que ele mesmo fez, apelidados de ”pedais de (d) efeito ”. Steve Morse começou com uma guitarra alugada ( porra, isso existe? ), que mal afinava. A técnica e o talento, eram deles, e nada, trastes, madeira, cordas, nada, os impediu de galgar sua arte, lapidá-la, aprender mais e mais e aos poucos ir conquistando melhores equipamentos. Mas hoje mesmo, faça essa promessa a si: fazer o melhor possível, com aquilo que você tem agora, pois tem gente que nem isso possui, e lembre-se: ao tocar um instrumento, é sua alma quem fala. Não cale essa voz, de forma alguma!

Você está pronto para as oportunidades?

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    A algumas semanas estava numa loja de música, e num daqueles papos loucos com opiniões adversas, é falado sobre sucesso na música, e um comentário grudou na minha mente: é importante estar preparado para as oportunidades. Tudo isso junto do alvoroço da escolha do novo guitarrista do Megadeth, a possível entrada do brasileiro Kiko Loureiro, e então, dias depois é confirmado: o nosso brasileiro, é o novo guitarrista de uma das maiores bandas do mundo. Você tem o direito de achar boa escolha ou não, mas duvidar da competência do mesmo, é um pouco de recalque. Mas então, vejo pela seguinte ótica: veja o tamanho da oportunidade, e se ele não fosse um cara preparado? Você pode dizer: ”ah , mas aí Mustaine nem olharia para ele”. Claro que não. Mas o preparo que estou falando veio de anos, e não de um par de semanas. Qualquer lida meia boca na história do Kiko Loureiro, revela sem problemas, que desde novo ele teve contato com a música, estudou bastante, fez aulas com Mozart Mello, ouviu música brasileira e estudou a mesma para acrescentar nuances diferentes, estudou o estilo de guitarristas virtuoses como Randy Roads, Jason Becker, passou pela escola clássica de guitarra, ouvindo caras como Jimmy Page, Brian May, incorporou elementos de rock progressivo de bandas como Yes e Qüeensriche, e refinou ao máximo sua técnica tornando-a praticamente impecável. Faz parte do Angra, no qual gravou bons discos, e nas reviravoltas e problemas que eclodiram na banda, deu foco em sua carreira solo e aproveitou para fazer mais seu nome no exterior com isso, gravando seus discos com grandes músicos internacionais ( olha a visão aqui! ), conseguindo patrocínio de marcas estrangeiras como Laney, e recentemente, a Ibanez, até que veio a oportunidade para fazer teste para entrar no Megadeth. Ache ou não que a química vai dar certo, goste você ou não do Megadeth, essa é oportunidade da vida do cara, comparado a um empregado de uma empresa ir galgando cargos mais altos, até chegar a vice-presidência de uma grande empresa. Mas veja só: Kiko não tem 20, nem 30 anos. Ele tem 42 anos, e entrou no Angra com 17. Logo, são 25 anos de carreira musical, buscando melhoras, resultados, aprendendo com erros, estudando, até chegar essa oportunidade, que abrirá portas mil para a carreira dele lá fora. Agora vou trazer para nossa realidade temporária, algo um pouco mais humilde ( eu gostaria muito de receber um convite para entrar no Anthrax, mas por enquanto acho que não rola… ). Conheço gente que comenta que estuda, treina, mas não tem com quem tocar, pessoal para fazer banda, com mesmos gostos, e desanima para estudar ( estudar para que, se não estou ”usando” agora? ). Eu sei que desanima, mas… e se de repente, uma banda local boa te ver tocando, e te convida para fazer um teste, ou uma gravação? Ou um amigo de trabalho descobre que você toca, te chama pra fazer um som, mas você está ”enferrujado” ? Subindo um degrauzinho a mais: você gostaria de ser conhecido, ao menos na sua região, ser uma certa ”referência” , etc, mas… qual seu trabalho na área? Você tem um bom marketing pessoal? Você se divulga? Possue um trabalho com qualidade, para ser referência, e para que as pessoas te divulguem também?

    Se fulano ou ciclano tem melhores condições, mais dinheiro pra investir, ou já ”cresceu” no meio musical, não interessa: se ele não tiver talento, ele não finca sua marca. E uma grande conquista, duradoura, não vem de um dia para noite. É sempre fruto de dedicação, trabalho, e um somatório de pequenas vitórias, que aos olhos da maioria, pode parecer uma grande vitória repentina. Não se iluda. Salvo golpes de sorte incríveis, nada vem de uma hora para outra, sem foco e dedicação, e talvez uma pequena vitória nesse dia, para ter um futuro diferente dentro da sua área, seja pegar sua guitarra com dedicação essa noite, e fazer a diferença para si mesmo.