Arquivo mensal: maio 2015

Como você apresenta sua arte/produto?

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    Um produto é conjunto de atributos tangíveis e intangíveis, que incluem muitos fatores, como a forma que é apresentado e sua aparência, com seus detalhes. Vamos começar a destrinchar esse conceito da seguinte forma: o tangível, é aquilo que você pode pegar, é físico, e para a música, podemos dar como exemplo um álbum, com encarte, e a temática/conceito usado na apresentação do mesmo, de forma que atraia e gere vontade de adquirir, conhecer. Logo, o intangível, é aquilo que não é tocado, sua prestação de serviço e forma que você, músico e banda, se apresentam, se portam de forma a agregar à música.

     Começarei dando exemplos de produto tangível e a forma de apresentá-lo:

    A forma que se amarra o conceito das músicas de um álbum, e apresentação do mesmo, ajudam muito na forma de atrair as pessoas e dar maior força ao mesmo. Veja o caso do Dream Theater

Em 2003, a banda que vinha já soando mais pesada nos últimos álbuns, quis dar mais vazão ao lado mais pesado e dark, lançando o álbum Train of Thought. Só pela capa, é possível entender que a proposta é mais soturna, gerando expectativa do que há por vir. Veja como a temática da capa, combina com o tipo de música apresentada.

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    Já em 2005, eles quiseram voltar ao lado mais progressivo e mais ”viajante”, e trouxeram músicas com essas características no álbum Octavarium e uma apresentação do álbum, cheia de relações com o número 8, a começar pela quantidade de músicas do álbum,  por ter 8 bolas no encarte ( ele aberto ), e 8 páginas no mesmo.

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    Falando da parte intangível, podemos tomar como princípio, a sua imagem perante a música, que inclui postura e até mesmo visual. Veja como exemplo, o Helloween:

    Uma banda de metal melódico, com características mais alegres em suas músicas, com melodias mais ”felizes”. Note que o visual dos mesmos, apresenta uma abordagem muito mais despojada e menos ”adornada” do que outras bandas do estilo.

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    Da mesma forma, posso citar o Children of Bodom, que preza pela mistura de elementos de hard rock, metal clássico, e outros estilos, ao death metal, e tal característica pode ser notada até mesmo na apresentação da banda. Afinal, que banda de death metal, vai andar de jeans e o tem um vocalista que usa touca e óculos escuros? 4bf3f5aced7fa

    Em contrapartida, temos por exemplo o Zakk Wylde. Pense nele tocando. É agressivo, pesado e muitas vezes o adjetivo ”ogro” cai como uma luva no mesmo. Nesse ”pacote”, Zakk é dono de um senso melódico advindo de suas influências de southern rock, como Allman Brothers e Lynyrd Skyrnyd, que tem como característica a mistura do rock, com blues e country, dando um ar quase ”caipira” em suas vocalizações, e tendo como unanimidade, uso de longas barbas pelos mesmos. E além de tudo, é o chefão de uma banda com nome de bebida, a Black Label Society. Depois de ver por esse lado, olha o cidadão abaixo:

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    Então, pense bem em como você vai apresentar a sua arte, pois em um mundo dotado de múltiplas informações, quanto mais conteúdo complementar você puder agregar à sua arte e sua imagem, mais atrativos você dará ao público para que ouçam e admirem seu trabalho.

522369_365152026909512_429593611_nk Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.

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For Unlawful Carnal Knowledge – Van Halen

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    Tecer comentários sobre Eddie Van Halen, é completamente desnecessário, mas vamos do princípio de que a fase com Sammy Hagar nos vocais, não é a favorita de muitos, porém no ano de 1991, o Van Halen resolveu abandonar um pouco os teclados em excesso, e soltar um álbum pesado e digno de figurar entre os melhores da banda.

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    Vou evitar dizer ”o melhor solo do álbum”, pois torna-se redundante, tratando-se desse cidadão. Pois bem, para dar um ”oi”, e bem carregado, a mais conhecida do álbum, ”Poundcake”, abre com sua icônica introdução de furadeira, com pegada pesada de bateria, em um riff na qual quero chamar a atenção: note como soa tudo pesado, sem possuir toneladas de distorção! Dentre brincadeiras com harmônicos naturais, a canção vai subindo a adrenalina até seu solo, dando uma aula de dinâmica, técnica e melodia. Tenho pra mim, que é um dos melhores que ele já compôs, com direito até mesmo ao som de furadeira novamente. Trago essa faixa ao vivo, pra você ver a treta:

    Em seguida, a agressiva ”Judgement Day”, entrega um riff bem mais direto e heavy metal, com direto a solo de tapping, feito com as 2 mãos por cima do braço da guitarra! Não entendeu? Vou botar ao vivo também…

   Com clima misterioso, começa ”Spanked”, que deságua num riff funky, belas melodias vocais, e um solo coeso e cozinha presente. Note como todos abusam da dinâmica, e deixam tudo com clima de jam. A seguinte, ”Runaround”, tem aquele clima típico de hard rock, mas dê atenção a sua introdução, que se repete várias vezes na música, com um dedilhado com acordes atípicos para o estilo. A guitarra desenha a música toda, arpejando acordes em muitos momentos e fazendo arranjos com notas dos acordes, até seu solo altamente inspirado, cheio de wah-wah, que entre frases belas, tapping, alavancadas, preenche cada espaço do groove. A mais experimental do álbum, ”Pleasure Dome” , é de dar um certo nó na cabeça, graças ao groove de bateria altamente louco , que brinca com o riff de Eddie Van Halen, dando margem a um solo com ares mais livres e técnicos. A rocker ”In N Out”, abre já com o pé na porta, sem pedir licença, sendo um hard rock vigoroso, que releva aos mais atentos, uma certa influência de Jimmy Page em alguns trechos, até Eddie se soltar no solo. Veja como ele brinca com as alterações que a alavanca proporciona, e a festa que ele faz com ligados, tapping, e até trechos outside, sem deixar de jogar frases bem blues rock entre os vocais até o seu final, do jeito que só ele sabe fazer mesmo. Já iniciando com um tapping atípico, com uma linha melódica dissonante, ”Man On A Mission” vem, e deixa um groove dançante e pesado ao mesmo tempo, e seu solo que entra sem pressa, e meio que plaina pela levada usada. A introdução pesada de ”The Dream Is Over” tem na sequência uma bela melodia na guitarra e mais acordes dedilhados dando um ar diferente ao típico hard rock anos 80, e você notará isso, ao ouvir seu refrão altamente pra cima. Note como que Eddie entra detonando tudo no solo! ”Right Now”, é outro hit do álbum, que possui uma bela base de teclado, e arranjo bem elaborado em volta, e talvez, o solo mais melódico do disco. Obs: essa música foi usada na campanha de Obama, nas eleições americanas! Os belos acordes dedilhados de ”316”, soam agradáveis, e dão margem a última canção do disco, ”Top Of The World”, que sintetiza bem o espírito musical do Van Halen: um hard rock pra cima, com clima de festa, e arranjos bem elaborados, além da guitarra de um dos maiores músicos que o mundo já viu. 

522369_365152026909512_429593611_nk  Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Você presta um serviço, ou implora pra tocar?

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    Algumas pessoas bem próximas, sabem que fiz administração e com certeza, se eu trabalhasse na área, eu iria afundar qualquer empresa. Porém, o muito pouco ( quase nada ) que aprendi, me ajudou, e muito, a ter uma visão diferente perante a música. E para ser mais didático, vou exemplificar com trechos que li no livro ”Empreendedorismo”, do Alberto Chiavenato. Se você possui uma banda, você está numa empresa ou possui uma. Você pode não ter mil afazeres e obrigações que uma banda com o patamar de um Metallica possui, mas você precisa ter esse olhar empresarial. Você lida com a arte, que é um produto imensurável, não palpável, e que vai de encontro com o sentimento das pessoas, mas quando você se dispõe a gravar um álbum, sua música vira um produto, e ao tocar ao vivo, seu show vira uma prestação de serviço. Então, você já parou para pensar no que você oferece ao seu público, e como? Antes de mais nada, é necessário ter um pouco mais de espírito empreendedor! Segundo Chiavenato, o empreendedor é a pessoa que faz acontecer, pois possui sensibilidade para negócios, tino financeiro e identifica boas oportunidades, além de possuir 3 características básicas:

1) Necessidade de realização: quem não quer ter seu trabalho reconhecido?

2) Disposição para assumir riscos: será que as pessoas vão gostar da sua música?

3) Autoconfiança: quem possui autoconfiança, sente que pode enfrentar os problemas ao seu redor e tem certo domínio dos eventuais problemas.

    O processo empreendedor, envolve a criação de algo novo, que possua valor e seja valorizado pelo mercado, e bingo! Chegamos ao ponto que eu queria chegar: o que você oferece em termos musicais é um bom produto? É de qualidade? E aqui não estou falando de gosto musical, estou falando de competência para apresentar sua música, sua obra. Se você possui uma banda de punk, e quer tocar covers, ok! Mas puta que pariu! A banda vai e toca errado, fora do tempo, som todo embolado e com músicos errando. Citei o punk, pois é uma música em que o foco é mais voltado à simplicidade, e mesmo assim, tem gente que mostra uma apresentação ”lixuda”. Já vi uma banda ( não era de punk ) ao vivo, em que o guitarrista tocava bends desafinados, e com a guitarra desafinada. Olha a merda! Todo mundo notou isso, e era banda com EP gravado!!! Você acha que isso é prestar um bom serviço? Outro ponto que acho absurdo, é esse costume dos lugares de quererem que os músicos vendam ingressos. As desculpas são as mais variadas, dentre elas, que o lugar do evento, precisa ter essa margem de ”lucro”, para ter certeza que não terá prejuízo, etc. Pra mim, é o mesmo que o cara chamar a mulher para sair, mas já falar de antemão, que tem que ter uns ”agrados” depois, para ele não perder a viagem e não voltar no prejuízo, caso não role química. Absurdo isso! E não adianta dizer que as grandes bandas fizeram isso, que nunca ouvi falar sobre. Ganharam pouco para tocar, ou tocavam até de graça, mas pagar para tocar, não! Pois isso de vender ingresso, é pagar para tocar! O seu serviço, a sua música, é assim? Precisa ”pagar” ao local do estabelecimento para que te ouçam? A divulgação do evento e venda dos ingressos, é de responsabilidade do contratante, e não do músico! Óbvio que você vai chamar até Patati- Patatá para te ver, pois assim você ajuda na divulgação do seu próprio show, mas arcar com despesas, e vender o ingresso, repito: é responsabilidade do contratante. É preciso se impor, porém, mostrar algo de extrema qualidade. Lembro de ter lido que o Queen peitou a gravadora deles, dizendo que fariam o som que queriam, e assim o fizeram. Em contrapartida, entregaram o álbum ”A Night at the Opera”, que continha ”apenas”, a música Bohemian Rhapsody. Então, para você impor suas condições, que são básicas para tocar, é necessário apresentar um serviço de grande qualidade, seja lá qual tipo de som você faz, senão ficam elas por elas, o famoso um merecendo ao outro: dono do estabelecimento/contratante sem te dar o mínimo valor, e você, demonstrando que não é pra dar mesmo, pois você apresenta um serviço bosta.

    Com essa ótica, você já adquire outros 2 alicerces do processo empreendedor, que é a devoção, que envolve comprometimento e esforço para que suas músicas, execução, e seus shows sejam melhores e você possa crescer, e aceitar os riscos que virão, pois como todo e qualquer mercado, existirão êxitos e erros, que para quem tem visão, serve mais como aprendizado, do que derrota, afinal, apresentar sua música, que é o espelho da sua alma, requer muita, mas muita coragem.

522369_365152026909512_429593611_nk Herick Sales, músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Dio – Killing Dragon

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    Doug Aldrich é um guitarrista de hard rock e heavy metal, de competência absurda, figurando dentre os melhores do estilo na atualidade. Só para ter ideia, chegou a fazer teste para o Kiss, e tocou nos últimos anos no Whitesnake, no lugar pertencente antes, a Steve Vai e John Sykes. Porém, antes disso, teve os holofotes em si, ao entrar para banda do lendário Dio, gravando talvez o melhor álbum dele, desde o clássico The Last Line. 

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    O álbum abre com o metal épico Killing The Dragon, com pegada cavalgada, e tudo que quem ama heavy metal tradicional mais adora, com ”aquela” voz…e de cara, uma guitarra cheia de presença e um solo que sintetiza tudo de bom que um solo pode ter: melodias, pegada, velocidade e feeling. Dio sempre teve referência hard rock em seu trabalho, e ela aparece bem forte na canção Along Comes A Spider ( atenção ao riff principal, e seu timbre ), com outra aula de guitarra. Scream é um típico heavy metal daqueles de fazer o público se esgoelar no refrão, e para quem é guitarrista, vale notar a forma que Doug Aldrich costura seu solo, de forma extremamente bem construída, além de um vibrato sensacional. Eis que vem, a melhor música do álbum, Better In The Dark, que com certeza figura entre as melhores músicas que Dio compôs. Atenção total ao solo, que com certeza será um dos melhores que você ouviu numa música de metal, composta de 2000 para cá! Nele você acha referência a tudo: Jimmy Page, Kirk Hammett, Zakk Wylde, Gary Moore, mas sem soar cópia. É simplesmente sensacional!!! A arrastada Rock & Roll, começa suave, com Dio sussurrando, até entrar um riff encorpado e tenso, relembrando seus tempos de Black Sabbath ( note o delicioso riff que entra aos 2:52 minutos, que antecede outro belo solo ). Push, tem um riff melódico, e torna-se empolgante em seguida, casando com a voz perfeitamente, e mais uma vez, um solo que torna-se outra canção, tendo um belo domínio de dinâmicas, com notas abafadas com palm mute, e bends fortes. A hipnotizante Guilty é magnífica pela forma que soa pesada, porém suave ao mesmo tempo, até que em 2:08, surge outro riff estilo Sabbath, que chama o solo ( mais um sensacional, pra variar ).  Throw Away Children segue aquele estilo tenso e soturno que permeou a carreira do Dio, com um refrão belíssimo e um solo lindíssimo, em que ele mistura belas melodias com uma pegada bluesy, além de um lindo coral de vozes de crianças no fim. Com Before The Fall, o álbum volta ao híbrido de hard/heavy, de forma animada, com direito a solo de teclado, que remete imediatamente ao Deep Purple, para dar a vez à última canção, com toques de Rainbow: a maliciosa Cold Feet.

    É interessante notar como um músico talentoso, é capaz de lançar um álbum tão bom como seus clássicos, em que nenhuma música é ruim, e que um guitarrista que trabalhe em prol da canção, consegue dar um novo gás de ideias e entregar ótimos riffs e solos por todo um álbum.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk     Herick Sales, músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Entre o jazz e o rock: entrevista com Luke Trigueiros

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    Luke Trigueiros é diretor geral de cordas da rede de escolas Elite Musical, tendo composto o método de guitarra da rede e gravado a vídeo-aula da mesma. Sendo atuante, tocando na noite com a banda de rock The Kalks, Luke está terminando as composições do seu 1º CD instrumental, com foco Jazz brasileiro. Luke tem um vocabulário grande, além de ter em sua essência, um misto dos 2 mundos: o jazz e rock. E é sobre a importância de ser professor, e transitar por esses mundos, que ele entrega essa bela entrevista, com direito a um lick em forma de mini aula. Confiram:

1)  Luciano, você é professor a muitos anos, e eu mesmo tive a honra de fazer 3 meses de aula com você.  Você também lida com outros professores no seu trabalho, gostaria de saber de ti: no atual mundo das informações, com tudo na internet, qual o papel do professor na sua opinião? 

    O professor continua como a peça principal no aprendizado do aluno.  Nada adianta ter todas as informações do mundo na internet como métodos e vídeos, se não houver um profissional qualificado para responder, tirar as dúvidas e orientar o aluno. Hoje existe muita gente publicando materiais na internet e muitas dessas pessoas acreditam saber muito, e não o sabem. Então, cuidado!!! Tem coisa boa na internet?? Sim, mas muita coisa ruim também, e o professor neste caso pode servir para filtrar para o aluno o que é bom, onde existe uma boa explicação e uma boa execução.

2) Como se deu sua aproximação com o jazz?

    Foi com o estudo. Eu comecei na guitarra como quase todos os guitarristas, pelo Rock. Mas com o passar do tempo, estudando, fui me interessando por coisas mais desafiadoras. Tocar Satriani, Vai, Petrucci foi meu grande desafio numa época. Depois o desafio foi conseguir tocar harmonias mais sofisticadas e improvisar nelas com um som clean. E quanto mais eu estudava, mais me apaixonava por esse estilo.

3) Na sua opinião, o que o jazz e fusion, podem acrescentar para quem toca rock e blues?

    Tem muito a acrescentar com certeza. Existem vários guitarristas de Rock que em algum momento podemos escuta-los transitando por algo mais “jazzístico”. Caras que eu gosto muito e que já ouvi coisas sofisticadas, como por exemplo, Mike Einziger (Incubus). E até mesmo Tom Morello e Joe Satriani, que se dizem grandes fãs de Allan Holdsworth. Qualquer estilo musical que você estude, tem muito a acrescentar no seu estilo de tocar. Assim como o próprio Rock também acrescentou para muitos músicos de Jazz.

4)  Você demonstra ser um músico que nunca para de estudar. Enquanto alguns músicos, simplesmente ‘’param’’ um pouco no tempo. Qual a importância de manter-se sempre estudando, na sua opinião?

    Pra mim, me manter sempre estudando, é um ato simplesmente de paixão pela minha profissão. Mas também devemos ter a consciência, de que o músico que para de estudar, acaba ficando desatualizado e por fim obsoleto. A cada dia, mais músicos competentes aparecem no mercado. As técnicas evoluem, a percepção evolui, as composições e a improvisação estão sempre em mutação evolutiva. Não há como parar de estudar!!!

5) Poderia deixar um conselho para os leitores, e 5 álbuns de jazz ou fusion, como recomendação?

     Ame o que faz!!! Ame seu instrumento e não se importe com a opinião dos outros. Cada ser humano é único e cada um vai expressar a arte do seu jeito!!

Vou citar 5 álbuns de guitarristas de jazz ou fusion que eu curti e ainda curto muito!
1- Pat Metheny Group – Letter From Home.
2- John Scofield –  Überjam.
3- Wes Montgomery – The Incredible Jazz Guitar Of Wes Montgomery.
4- Tribal Tech – Face First.
5- Kurt Rosenwinkel – Deep Song.

Contatos com Luke Trigueiros:

Abaixo, a frase com uma ideia jazzística, em pdf, para você ampliar seus horizontes:

Frase de Kurt Rosenwinkel

A mania de imediatismo e o estudo da guitarra

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    Trago hoje uma reflexão, para ajudar todo mundo que quer estudar corretamente um instrumento e evoluir melhor. O mundo hoje, globalizado, exige imediatismo: uma tarefa precisa ser realizada naquele momento, para agilizar logo outra, que também precisa ser resolvida logo, e assim sucessivamente. Tempo é dinheiro e não ser rápido, é perda de lucros. Mas, no que tange aquilo que mexe com sentimentos, e conquistas duradouras, o tempo e calma precisam ser aliados. Quantos casamentos você já viu, que afundaram, pois pessoas que se conheceram a semanas, poucos meses, se julgaram pessoas da vida do outro, e após casarem, conheceram os defeitos de cada um , amadureceram a paixão, que muitas vezes não suportou o peso da afobação e o fim precoce do conto de fadas, perante a realidade. Quem nunca viu alguém paquerar uma moça ( meninas que estiverem lendo, vejam o contrário, e digam se já não ocorreu com vocês ), e a princípio ela está até aberta a conversação , e o mané, afobado igual virgem vendo 10 mulheres nuas, atropela tudo, demonstra toda insegurança, fala o que não deve, e caga tudo? Naquilo que acaricia a alma, sentimentos, nada deve ser com pressa. Claro que estar aprendendo, e ver o Steve Vai tocando uma das suas belas canções, dotadas de técnicas incríveis, dá um gás e vontade de tocar assim pra ontem, mas ele não conseguiu esse nível de uma hora para outra. Nem você conseguirá. A vontade de burlar o metrônomo, e já sair tocando mais acelerado, e brigando com as cordas e músculos para tocar mais rápido, e com mais habilidade impera, dando as mãos, para a não vontade de regredir um pouco tal técnica, tocando mais lento, e se observar para corrigir erros. Tocar errado traz uma pequena evolução até certo ponto, após isso, é como se uma trava não te deixasse evoluir, e fizesse essa evolução ser muito mais demorada e árdua . É preciso paciência. Repito: É PRECISO PACIÊNCIA. É necessário dar tempo à memória muscular fazer seu trabalho, e muitas vezes, é preciso diminuir a velocidade do que já se faz para corrigir, dar um passo para atrás não para regredir, mas para pegar impulso, e em poucas semanas ver melhores resultados, abrindo as portas de mais avanços, diferente de ficar igual um camundongo girando rápido em torno de si numa gaiola. O mesmo vale para começar certo, e não se enfiar num esforço repetitivo sem avanço. Não se deixe levar pelo imediatismo da rotina corrida. Permita-se absorver o conhecimento e acostumar-se com cada movimento de forma correta, lenta, e gradativa. O tempo que você “economizou” acelerando desesperadamente seus avanços, tornam-se em pouco tempo correntes, que impedirão de avançar, e vão te prender para retroceder e se reinventar.

    Todas as maravilhas da vida, são trabalhadas e apreciadas aos poucos, degustadas da mesma forma, seja um passeio com os filhos, uma noite com alguém que se ama, um encontro com os amigos, e em troca cada lembrança dessa torna-se duradoura. O mundo pode querer de você resultados imediatos para tudo, mas na hora de realizar seus sonhos, mexa-se! Porém, dê-se o privilégio de respeitar seu tempo, e dar ao seu dom, o cuidado que ele merece.

Qual a importância do professor de guitarra hoje em dia?

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    “Não tenho a menor dúvida que não seria o que sou hoje, se não fosse por meu professor de guitarra. (…) Ele passou a me ensinar tudo o que sabia, o que incluía coisas mais importantes para mim na época, que eram aquelas músicas maravilhosas do Black Sabbath, Van Halen, Robin Trower, Frank Marino e Al Di Meola”

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  É possível aprender a tocar guitarra sozinho? A resposta é sim. A internet está aí, com toneladas de informações, e vários livros são encontrados com uma facilidade enorme, bem mais do que a 10, 20 anos atrás. Mas o que será correto estudar, em que ordem, quando e como? Um professor possui o papel de orientador, aquele que vai organizar esse mundo todo para o aluno, segundo suas necessidades e anseios, além de passar suas experiências e pontos de vista. Lembro-me a um tempo atrás, que um aluno me pediu para aprender a tocar ”Technical Difficulties” , do Paul Gilbert, porém, ele estava num processo, que poderia chamar de ”desintoxicação”: livrando-se de vícios de postura e começando a entender um pouco mais o que ele já fazia, o que já tocava, porém, por pura intuição. Para quem não conhece, eis aqui a treta que ele quis tocar:

    Logo, suas aulas caminhavam sobre os desenhos da pentatônica, altura correta dos bends, e licks básicos, além de improvisos em blues, para fixar, quando recebi esse pedido. Ao explicar que não seria correto da minha parte fazer isso, pois gostaria de explicar cada conceito usado na música, escalas, para que ele pudesse usar para ele, recebi o outro pedido: ”me ensina sem explicar. Eu não preciso saber o que estou fazendo, aí vou fazendo devagar”. Algum professor sem vergonha, poderia muito bem se aproveitar disso, e fazer a aula render um ano em cima da música, e cagar para o desenvolvimento sólido do aluno, mas sejamos sinceros: para aprender só a ”mecanizar” a música, executar por executar,  você não vai precisar tanto de um professor. Basta pesquisar no youtube alguma vídeo aula, ou pegar alguma tablatura. Mas… como fazer isso virar conhecimento para si? Digitadores de escalas, que reproduzem fielmente nota por nota , porém , não absorvem para si o conhecimento e ideias, têm aos montes por aí. Cabe ao professor mostrar o melhor caminho, para aquilo que o aluno ouve e o emociona, aquilo que o faz vibrar, vire música em suas mãos, e conhecimento em sua cabeça! E cabe ao aluno dar valor a isso também! Tenho feito um material sobre pentatônicas, unindo desde abordagens clássicas, até mais modernas, e disponibilizado o material nas aulas. Uma folha dessas pode demorar um dia para ser composta, e 15 segundos para ser impressa, e um par de aulas, para ser explicada, mas foram, para mim, 10 anos de estudo sobre o assunto, que organizei de uma forma, que pudesse ser mais produtiva e prática, do que foi para mim na época. Um bom professor , é aquele também que incentiva , puxa a orelha, enche a paciência para usar o metrônomo, aborta uma aula para conversar ( lembro-me de alunos chegando com mil problemas, sem render na aula, e após uma conversa, em que foram ouvidos, tudo fluiu depois ), e serve de espelho para o aluno, mostrando-se como resultado daquilo que ele mesmo ensina.

    Quando possui um material bem organizado, um bom professor pode sim, fazer toda a diferença no aprendizado, e se você possui um, sugue ao máximo seu conhecimento. E se você é um professor, lembre-se que lida com sonhos, e sua função é fazer com que cada aluno, dentro de suas necessidades, sonhe ”acordado” sempre!

522369_365152026909512_429593611_nkkkk  Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.

Deep Purple – Bananas

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    Ao entrar no Deep Purple, Steve Morse trouxe um gás novo à banda, além de modernidade, advindo do seu jeito único de tocar, e em 1996, já provou isso com o ótimo Purpendicular. Mas para alguns mais desatentos e preguiçosos, o Deep Purple ficou só nisso. Eis que trago aqui, detalhado, um álbum excepcional, terceiro da discografia da era Morse: Bananas, de 2003.

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    Aqui um belo exemplo, que não devemos julgar um livro pela capa, pois o álbum já abre com a pesada ”House Of Pain”, , com um riff feito com harmônicos naturais na corda solta, no melhor estilo ”Van Halen” , com um solo de guitarra bem imponente, e groove de bateria forte acompanhando. A soturna ”Sun Goes Down”, nos remete ao estilo de ”Perfect Strangers” na introdução, para cair naqueles riffs blues rock bem característicos da banda. Note na convenção que antecede o solo! A balada ”Haunted” não acrescenta muito à carreira da banda, porém soa suave, com direito a vozes femininas junto no refrão. ”Razzle Dazzle” parece ter saído direto dos anos 70, graças ao seu riff e andamento, soando despretensiosa e agradável com ar de jam, possuindo ótimas intervenções do tecladista Don Airey. ”Silver Tongue”, abre com sonoridade blues rock forte, num lick de guitarra bem sacado, e um riff seco e pesado, graças a guitarra de Steve Morse, que está com afinação drop D, e possui intervenções que faz você entender por que de John Petrucci ser tão fã dele. Na sequência, a bluesy ” Walk On ”, remete muito a ”You Keep on Moving” , do excelente ”Come Taste the Band”, com solo gostoso de se ouvir, que abre espaço logo em seguida para a melhor faixa do disco: ”Picture Of Innocence”. Com ar de jam session pura no seu início, e levada jazz na bateria, ela começa num ”crescendo”, até explodir numa convenção bem mais progressiva que o normal, para o Deep Purple, até seu refrão metal, com riff pesado, até sua volta ao clima de jam, como se nada tivesse ocorrido. É fácil afirmar também, que é o melhor solo do álbum, com os cromatismos característicos Morse, e solos de teclado. ”I Got Your Number”, mais uma vez, parece uma composição vinda direto dos anos 70, com clima gostoso, que me faz pensar o que faz uma pessoa botar pagode num churrasco, e não musicas assim. Na sequência, a celta ”Never A Word”, com um dedilhado lindo, cativa de primeira, por sua leveza e melodia bela, servindo de ponte para a pesada e rápida faixa homônima, composta em 7/8, frases de gaita, um refrão com rítmica toda quebrada, e aquela famosa ”briga” de solos de guitarra versus teclado, eternizada por Blackmore e John Lord. Terminando o álbum, temos a swingada ” Doing It Tonight” , com leve acento latino ( ??? !!! ), e a tocante ”Contact Lost”, composta por Morse, em homenagem aos astronautas Colombianos que se acidentaram.

    Eles nunca mais farão um álbum como ”Machine Head”, e isso é fato. Mas há muita qualidade espalhada na grande maioria dos álbuns do Deep Purple, e em seus discos atuais, muitas das vezes, mais garra do que muitas bandas atuais.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk  Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.