Deep Purple – Bananas

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    Ao entrar no Deep Purple, Steve Morse trouxe um gás novo à banda, além de modernidade, advindo do seu jeito único de tocar, e em 1996, já provou isso com o ótimo Purpendicular. Mas para alguns mais desatentos e preguiçosos, o Deep Purple ficou só nisso. Eis que trago aqui, detalhado, um álbum excepcional, terceiro da discografia da era Morse: Bananas, de 2003.

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    Aqui um belo exemplo, que não devemos julgar um livro pela capa, pois o álbum já abre com a pesada ”House Of Pain”, , com um riff feito com harmônicos naturais na corda solta, no melhor estilo ”Van Halen” , com um solo de guitarra bem imponente, e groove de bateria forte acompanhando. A soturna ”Sun Goes Down”, nos remete ao estilo de ”Perfect Strangers” na introdução, para cair naqueles riffs blues rock bem característicos da banda. Note na convenção que antecede o solo! A balada ”Haunted” não acrescenta muito à carreira da banda, porém soa suave, com direito a vozes femininas junto no refrão. ”Razzle Dazzle” parece ter saído direto dos anos 70, graças ao seu riff e andamento, soando despretensiosa e agradável com ar de jam, possuindo ótimas intervenções do tecladista Don Airey. ”Silver Tongue”, abre com sonoridade blues rock forte, num lick de guitarra bem sacado, e um riff seco e pesado, graças a guitarra de Steve Morse, que está com afinação drop D, e possui intervenções que faz você entender por que de John Petrucci ser tão fã dele. Na sequência, a bluesy ” Walk On ”, remete muito a ”You Keep on Moving” , do excelente ”Come Taste the Band”, com solo gostoso de se ouvir, que abre espaço logo em seguida para a melhor faixa do disco: ”Picture Of Innocence”. Com ar de jam session pura no seu início, e levada jazz na bateria, ela começa num ”crescendo”, até explodir numa convenção bem mais progressiva que o normal, para o Deep Purple, até seu refrão metal, com riff pesado, até sua volta ao clima de jam, como se nada tivesse ocorrido. É fácil afirmar também, que é o melhor solo do álbum, com os cromatismos característicos Morse, e solos de teclado. ”I Got Your Number”, mais uma vez, parece uma composição vinda direto dos anos 70, com clima gostoso, que me faz pensar o que faz uma pessoa botar pagode num churrasco, e não musicas assim. Na sequência, a celta ”Never A Word”, com um dedilhado lindo, cativa de primeira, por sua leveza e melodia bela, servindo de ponte para a pesada e rápida faixa homônima, composta em 7/8, frases de gaita, um refrão com rítmica toda quebrada, e aquela famosa ”briga” de solos de guitarra versus teclado, eternizada por Blackmore e John Lord. Terminando o álbum, temos a swingada ” Doing It Tonight” , com leve acento latino ( ??? !!! ), e a tocante ”Contact Lost”, composta por Morse, em homenagem aos astronautas Colombianos que se acidentaram.

    Eles nunca mais farão um álbum como ”Machine Head”, e isso é fato. Mas há muita qualidade espalhada na grande maioria dos álbuns do Deep Purple, e em seus discos atuais, muitas das vezes, mais garra do que muitas bandas atuais.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk  Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.

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Sobre hericksales

Guitarrista, professor de guitarra e violão a 11 anos.

Publicado em 4 de maio de 2015, em Pérolas desconhecidas e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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