Arquivo mensal: junho 2015

Entre o elogio e a crítica

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    Todo músico amador ou profissional, vai conviver sempre entre elogios e críticas, e isso faz parte de um ambiente saudável, pois ao ser músico, você se expõe e se mostra. Isso é fato, e o relacionamento entre esses dois opostos, torna-se um termômetro, uma avaliação contínua do nosso trabalho, e merece reflexão.. A linha tênue que separa os benefício de um elogio e a acomodação, é bem frágil para quem não se policia. Todo músico ao receber um elogio, sente a recompensa de todo esforço empregado em horas de treino e estudo, seja do mais simples dos elogios, como estar melhor em determinada técnica ( palhetada, ligados, vibratos ), estar compondo melhor, ou sucesso em determinada empreitada, como gravação com sua banda, shows, etc. Mas é necessário bom senso, para avaliar se o elogio é realmente merecido e válido! Muitas vezes vi pessoas leigas elogiando a velocidade de uma pessoa tocando guitarra, com o famoso ”uau! Você toca muito!”, porém a execução não era limpa, ou apesar de velocidade, as ideias eram mal traçadas. É necessário saber onde encontram-se suas limitações, e mesmo que seja elogiado em uma delas, que permaneça a ideia de buscar melhorar naquilo, pois você possui discernimento para saber que não está tão bom assim, ou se estiver realmente bom, manter esse nível e sempre, eu disse sempre, buscar melhorar. O conformismo há apenas de travar seu desenvolvimento musical, te dando a falsa sensação de ”já sou bom o suficiente”. O mesmo tipo de raciocínio, deve ser levado para a crítica. Há músicos que não gostam de ser criticados em suas obras ou técnica, achando que estão sendo desmerecidos, ou que estão acima do bem e do mal, pois arte está acima de conceitos, blá, blá, blá. Se alguém chegar e disser que você não toca bem, mesmo que seja na grosseria, é necessário avaliar se isso é uma realidade, ou não. Mesmo que essa pessoa tenha sido absolutamente estúpida na sua forma de falar, pode ter salientado alguma realidade a ser melhorada, e esse mal estar causado pela crítica, que ficará em você por um bom tempo, pode servir como ”combustível” para sua tomada de decisão em busca de melhorias, caso você não seja uma pessoa conformada. Se a pessoa falou merda, ignore. Simples! A auto crítica também é muito válida! Há alunos que estudam licks, escalas, e técnicas para usar os mesmos, e num contexto de estudo executam bem, mas numa situação real de improviso, se embolam, erram, etc. Nada de mais, super normal. Porém, em alguns casos, alguns sentem-se ruins, sem capacidade, e com a sensação de que deveriam estudar mais, treinar mais…tentar mais! Que esse mal estar, vire força motivadora, em busca da melhora contínua, e isso nunca se apague em você! Avalie, pois nem sempre um elogio vai te ajudar, e nem sempre uma crítica é para te derrubar, e nunca se conforme com o que sabe,  pois quem se conforma, morre dentro si, e nem percebe.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk Herick Sales, músico e professor de violão e guitarra a 11 anos.

Por que uma banda, é uma empresa?

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Rush: exemplo de banda/empresa!

    Por que uma banda é uma empresa, e deve ser vista como uma? Nada melhor, para sanar essa dúvida, do que a definição fiel do conceito ”empresa” : ”Uma empresa é o conjunto de pessoas que trabalham juntas, no sentido de alcançar objetivos por meio de recursos humanos, materiais e financeiros. (…) As pessoas juntam-se para atingir objetivos que isoladamente jamais conseguiriam alcançar graças a colaboração. ” ( Idalberto Chiavenato, 2006, 40 ). Dentro de uma banda, fica claro que os recursos humanos são as pessoas, cada um com seu instrumento e função, destinada a uma finalidade e resultado. Ex: a guitarra  numa banda como Slayer, é um elemento forte, deve preencher tudo com velocidade e peso, sendo um elemento chave na banda. Já em uma banda como Tears for Fears, a guitarra está ali para acrescentar com texturas, timbres, mais voltada para encorpar o arranjo. Os materiais, seriam instrumentos usados para o mesmo, como guitarras com afinações e timbres diferentes, pedais, cabos, palhetas, e tudo que seja necessário, para que seja executada as funções do músico, o mesmo valendo aos outros instrumentos. E por fim, o elemento financeiro, necessário para a compra desses bens materiais, e investimentos necessários para a divulgação de sua banda/empresa.

    Toda e qualquer empresa, tendo conhecimento ou não, busca dois objetivos: diretos e indiretos. O objetivo direto, seria bem simples, que é ganhar mais do que gasta. Sem hipocrisia! O amor à música é maior e deve ser assim, porém ninguém vive de brisa, e a remuneração é a recompensa do empreendedor que leva a empresa, dentro de uma situação de risco, e que com seus serviços ( no caso sua música ), ajuda ou traz benefícios às pessoas. E por isso o músico deve ser remunerado, pois há investimento de tempo e dinheiro, esforço e trabalho duro para compor, ensaiar, gravar, fazer shows, etc. Já o objetivo indireto, é atender à necessidade do consumidor, ou seja, dos seus clientes, e indo direto ao ponto, seus fãs. Satisfazê-los com sua música e com a qualidade da mesma, e de seus shows e produtos ( camisas, cds, etc ). Para fechar, trago o exemplo do Rush, que além de grande banda que todos conhecem, é uma empresa incrível, desde a divisão de tarefas, até a organização. O monstro da bateria, Neal Peart, além de destruir na mesma, é quem fica encarregado de escrever as letras, já que lê muito e possui um tom quase poético para a composição das mesmas. Já Geddy Lee, e Alex Lifeson ( baixo e guitarra ), ficam na parte dos arranjos, acordes, riffs, melodias. Cada um com sua função bem definida, mantendo tudo funcionando a 40 anos! Começaram querendo entregar um produto musical mais voltado ao hard rock, criaram o álbum ”Fly by Night”. Quando quiseram incorporar elementos de rock progressivo, investiram no ”Caress of Steel”, até chegarem no ”produto” amadurecido que eles queriam, o álbum ”2112”. Além de terem em volta de si, um esquema forte de preparo: alimentação, com pessoas cozinhando, preparador físico, etc. Exatamente isso que você leu: já que eles buscam entregar um produto/show esplêndido, que geralmente dura quase 3h, eles precisam ter preparo físico, e empenham-se para isso, para ficarem sempre dispostos e aguentarem a rotina e cansaço.

    Que ao final desse artigo, você tenha em mente que a música é um trabalho, e a junção de conhecimentos e preparo, podem fazer toda a diferença.

Neal Schon: muito além de “Don’t Stop Believin’ ”

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    Os sites de guitarra e revistas especializadas por vezes, destacam ( merecidamete, é claro ) os ”Satrianis” e ”Steve Vais” da vida, porém, acabam por não trazer ao conhecimento da juventude, e até mesmo à memória de alguns, grandes músicos, de importância gigante, como é o caso de Neal Schon. Com certeza você já ouviu sua guitarra, seja em canções de sua banda principal, o Journey, ou em tantos outros projetos e gravações que o mesmo participou. Dono de um fraseado roqueiro, com nuances blueseiras e técnica apurada, sabendo usar de velocidade quando necessário, Schon criou riffs e solos incríveis, em canções que alternavam entre o pop, AOR, hard rock e progressivo, tendo a honra de poder escolher com quem trabalhar, tendo apenas 15 anos: Carlos Santana ou Eric Clapton. Exato! Ele foi convidado pelos dois guitarristas para integrar a banda de apoio deles, tendo ele optado por tocar com Santana. Icônico, sendo um dos poucos músicos a terem coragem de colocar uma ponte floyd rose numa les paul Gibson, Neal Schon é dono de vibratos belos, e fraseado elegante e emotivo, que você pode conferir nessas canções abaixo. Foram todos esses fatores, que fizeram um tal de Zakk Wylde dizer uma vez em entrevista: ”Neal Schon quando toca, não está para brincadeira”.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk Herick Sales é músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.

O Benchmarking usado na música

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    Como já venho explicando, quando você possui uma banda, você têm uma empresa também. É incontestável isso. As maiores e bem sucedidas bandas do mundo, funcionam assim. E dentro desse conceito empresarial, temos um conceito muito importante, conhecido como Benchmarking, que nada mais é do que você pesquisar informações em outras empresas, como o quanto eles são competitivas, a inserção delas no mercado, comparações com outras para ver como você está colocado nesse nicho, e melhores práticas para serem inseridas na sua empresa/realidade. Em sem querer, você já faz isso, mas não se deu conta, nem buscou fazer de forma ”organizada”. Eu explico: se você gosta muito do tipo de timbre do Megadeth, e possui uma strato como modelo favorito, você pode descobrir o tipo de distorção que eles usam e captadores, para configurar seu set-up assim, e à partir disso, com sua pegada e estilo de tocar, soar como você, ou seja, acaba sendo um somatório da sua realidade, com o que você aprendeu de outra ”empresa”. Então para facilitar essa proposta apresentada, vou dividir o conceito de Benchmarking, para duas vertentes: desenvolvimento do seu estilo próprio, e desenvolvimento da banda.

Desenvolvimento de um estilo próprio: Darei um exemplo meu: lá para meus 17, 18 anos, fui vendo que possuía mais facilidade com ligados, já que não treinava tanto essa parte, porém, saíam mais fluídos. Ok. Mas eu não tinha tantas ideias assim, então, fui atrás de outros músicos, outras ”empresas” na área, como Satriani, Steve Vai, Dave Murray, dentre outros, que utilizam muito ligados, e busquei estudar ouvindo-os, tirando algumas frases, vendo as escalas usadas, etc. Porém, meu estilo de música, forma de tocar, não parece me nada com Steve Vai por exemplo. O que eu fiz, foi observar a forma que eles faziam, como interpretavam essa técnica, e trouxe para minha ”empresa”, para minha música. Então, se você quer uma melhora em determinada técnica, observe os ícones das mesmas, pegue para você os conceitos, e aplique!

Desenvolvimento de sua banda:

a) Estilo da banda: Essa mesma temática para buscar um estilo próprio, usando o Benchmarking, pode trazer grandes benefícios para a banda. Lembro-me que li uma entrevista do Pantera, na qual Phill Anselmo, estava tentando inserir uma sonoridade bem mais agressiva e pesada à banda ( antes do clássico Cowboys from Hell ), então, levou para os músicos, álbuns do Slayer e Judas Priest como referência, e estudaram canções dos mesmos para tal. O Pantera não soa como Slayer ou Judas, porém, pesquisaram características de cada uma, e inseriram em sua forma de tocar.

 b) Colocação da banda no mercado: essa é uma tarefa mais enfadonha, porém, que trará bons resultados: averiguar como as outras bandas do seu estilo procedem, sejam hiper famosas, ou não. A forma que eles gerenciam agenda, contratos, divulgação, apresentação do material, como trabalham com equipe ( caso tenham ), como se portam em suas apresentações, etc. Mas cuidado, observe se isso tem relação com o que você propõe artisticamente! O Metallica foi fazer isso acrescentando influências modernas, até no visual, para melhor se colocar no mercado, gravou o St. Anger. Cuidado!

    A cópia por cópia, não é legal, pois transforma tudo em clones, mas observar a o estilo de outros músicos, os processos de gerenciamento de outras bandas, e suas histórias até chegarem aonde chegaram, pode trazer muitas ideias e benefícios para você, e sua banda.