Você realmente ouve música?

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Tio Bill Clinton curtindo um som…

    Chega a ser contraditório e estranho perguntar isso para alguém que se dedica à música, estudando, e até mesmo trabalhando com a mesma: você realmente ouve música? Por vezes me deparo com alunos que ao estudarem uma música, dizem que estão com dificuldade, e deixam escapar que não ouviram muito a música, e até mesmo uns que dizem não ouvir música em casa para não atrapalhar alguém, não incomodar, etc. Então, pense comigo: imagine um grande chefe de cozinha, que faz receitas incríveis, ok? Ele antes de criar suas próprias receitas, precisou observar outras, experimentar, conhecer sabores, interiorizar conhecimentos, a ponto de ter esses elementos como ”seus”, e à partir daí, elaborar suas misturas e receitas. O critério de observação é necessário para absorver bem cada elemento, seja lá sobre qual assunto você estude. Então, como tocar uma música bem, se você não absorveu bem seus elementos e ”sabores”? Como estudar bem cada parte, se você não interiorizou bem a pegada, feeling da mesma, passagens, duração de acordes, dinâmicas, etc? Lembro-me de a pouco tempo, estudar a música ”Moonchild”, do Iron Maiden, contida no álbum Seventh Son of a Seventh Son. Eu ouço essa canção desde meus 17 anos, mas mesmo assim, ao estudá-la, precisei ouvir inúmeras vezes para absorver detalhes, melodias, etc. Haviam ali algumas notas no solo, e no arranjo geral, por exemplo, que eu nunca tinha reparado com tanta clareza. Outro exemplo legal que reli esses dias, foi do Kiko Loureiro, quando tocou com a cantora Tarja Turunen, em que ele pegou as músicas, fez um mapa das estruturas, e as ouviu incessantemente, como se fosse o que ele ”mais amasse na vida”. O mesmo digo para compor! Siga o mesmo raciocínio do chefe de cozinha: como compor suas ”receitas”, se você não estudou com calma outras? Como ter ideias de estruturas, mudanças de tempo, inspirações para melodia, se você ouve música superficialmente? Pegue os álbuns que te inspiram, as canções que mexem mais com você, e ouça analisando cada detalhe: como o groove se porta com o riff, e vice-versa, dinâmicas empregadas, a pegada dela, quantas camadas de guitarra você consegue ouvir, quantas vezes se repetem tais trechos ( introdução, estrofes, refrão, interlúdio, etc ), como que funciona o solo nela e como ele é amarrado ( aliás, ajuda muito a ter ideias para improviso ).

    Não deixe a música passar batida, sendo apenas um mero fundo musical para suas atividades. Permita-se curti-la, apreciar cada detalhe, e viajar com a mesma, afim não só de estudar, claro, mas também de se emocionar, sentir-se parte dela e alimentar suas ideias e inspirações.

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Sobre hericksales

Guitarrista, professor de guitarra e violão a 11 anos.

Publicado em 29 de julho de 2015, em Música e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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