Arquivo mensal: agosto 2015

Aprenda a andar antes de correr! Fraseando antes de fritar!

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    Eu gosto de solos rápidos. Muito. De verdade! Acho que virtuosismo bem empregado faz parte da música sim, e pode gerar um feeling absurdo, mas, nem só de mil notas por segundo há de viver um músico. Vamos pensar num palestrante que fala rápido, com propriedade sobre um assunto, sem dar pausas para pensar. Para fazer isso, ele mescla intensidades na voz, velocidades de fala, e principalmente, conhece bem o assunto! Trazendo para guitarra, quantos guitarristas tocam uma frase rápida, mas não a compreendem, não sentem seu sabor? Quantas vezes nós mesmos não fazemos isso? Uma frase, ideia, ou tema rápido precisa ser lançado e acelerado à partir de ti, tendo o seu controle, e não sair desenfreado, como notas que batem na parede. Certa vez li o mestre Frank Gambale falando sobre frases e ideias de guitarra, que se elas soam legais lentas, provavelmente soarão bem rápidas. Então, nesse raciocínio, porquê não aprender a frasear primeiro, sentindo cada nota, para acelerar com consciência? Vou contar algo pessoal: quando comecei a tocar, estudar escalas e princípios básicos para solos, eu fiquei fascinado pelo som do Whitesnake, e vi que os solos que mais me impressionavam era do John Sykes, pois ele era pesado, e tinha uma técnica incrível!

 John_Sykes_1984   Mas eu só conseguia entender as melodias bonitas, o resto soava  de outro mundo para mim. Fui conseguindo compreender que eram as escalas com padrões, palhetadas, ligados, mas achava legal, pois mesmo rápido fazia muito sentido. Em contrapartida, eu era apaixonado pelo som do Mark Knopfler, do Dire Straits, e comecei a curtir muito o som de bandas como Deep Purple, Queen e Pink Floyd, que possuíam solos menos velozes, e enfoque na interpretação de cada nota. Então como não conseguia ainda tocar rápido, fui tentando tocar as coisas mais melódicas, ouvi e busquei absorver, improvisando muito sobre as músicas dos mesmos. Sem querer, fui compreendendo o que tanta gente falava de fraseado, e com o passar do tempo, ao ir melhorando gradativamente a parte técnica no que tange trechos velozes, fui tentando mesclar como passagens. Aí sim, pude entender o que eu ouvia nos discos do Whitesnake, Van Halen, Satriani e Pantera: por mais técnica que houvesse ali, o fraseado melódico, com ideias concisas, e bom senso no emprego das mesmas estava ali. Eles e tantos outros dominavam o instrumento, e não ao contrário. Eles não saíam tacando os dedos na escala da guitarra a troco de nada. Todos esses grandes músicos aprenderam a andar antes de correr. A frasear antes de fritar.

    Busque aprender a frasear, brincar com as ideias interpretativas, e compreenda a frase que está estudando, as técnicas empregadas, e o desenvolvimento melódico, antes de sair explodindo com ela pela guitarra. Compreender sua estrutura, te permitirá explorar variações da mesma e criar mais vocabulário para seu fraseado, e te dará gabarito para tocar como bem entender.

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Richie Sambora: muito além de “Livin’ on a Prayer”

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    Só de falar Richie Sambora, e de imediato ter a associação com Bon Jovi, alguns ao lerem esse post, torcerão o nariz. Mas sua pegada blues rock, com certeza, foi um dos ingredientes fundamentais para o sucesso do Bon Jovi dos anos 80 e início dos anos 90, a fase mais vigorosa da banda, ajudando-a a ter mais punch, e menos glicose nas baladas. Dono de um grande feeling, Richie foi influenciado por Eric Clapton ( com o qual gravou junto já ), Jimmy Page, Joe Perry e principalmente, Stevie Ray Vaughan, aprendendo com os mesmos, a ter um fraseado direto, melódico e preciso. Salvo o preconceito até certo ponto correto contra o Bon Jovi ( ouvir algo deles de meados dos anos 90 para cá, é um exercício de tortura ), há grandes momentos guitarrísticos nos arranjos de Richie, provando o que sem querer, ao passear pelo facebook, vi o grande Marcelo Barbosa, guitarrista do Almah , publicar: ” Falem o que quiser, Richie Sambora é foda ”.

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Começo aqui, com essa bela canção, gravada com um de seus ídolos: Eric Clapton!

Trago aqui o hit homônimo, do último álbum inteiro bom dos caras, Keep the Faith, numa versão ao vivo. Note como com poucas notas, ritmo, e mudanças de oitavas, ele cria um solo, cheio de pegada.

E por falar em ao vivo, note essa daqui. Sim, eu sei, essa causa diabetes em qualquer um, mas antes de julgar, ouça o timbre bem diferente da gravação de estúdio, e solo improvisado muito mais carregado.

Entrando na área das porradas, olha só, o peso desse riff, e a pegada dele!

Aqui temos uma conhecida, em que ele chega a afinar em drop D, e que possui um solo cheio de pegada. Se conseguir, preste atenção ao riff bluesy do pré-refrão.

Essa aqui condensa bem o hard pop dos anos 80, e dá pra ver eles separando os instrumentos, e ao entrar a guitarra, você nota a diferença e belo arranjo. Obs: note a forma dos bends e vibratos, além da pronúncia, e me diz se não é blues pacas!

Essa, chega a causar estranheza, por não lembrar em nada o Bon Jovi atual, com riffs com harmônicos artificias, e uma base metal, que foi digamos, amenizada pelos teclados, típico dos anos 80. Note aqui a beleza do solo, que conta perfeitamente uma história.

E por falar em Steve Ray Vaughan, olha o visual dele nessa aqui, empunhando um violão, e mostrando que não está pra brincadeira. E cuidado pra não se assustar com a brutalidade que ele entra no solo.

Cara, uma música do Bon Jovi, de quase 10 minutos, já é de dar curiosidade, não?

Por fim, saca só como ele domina o blues, tocando em várias preciosidades, com a sua linda namorada Orianthi.

Todos nós possuímos 24h!

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O meu dia possui 24h. O seu também. Deus deu a mesma quantidade de horas para todos. Todos nós possuímos vários afazeres típicos do dia a dia, outros empregos muitas vezes, pegamos trânsito, temos família, etc, etc. Vamos agora comparar com um desejo de ascensão no trabalho: você almeja fazer uma faculdade ou pós graduação, um curso, porém possui todos esses afazeres. O que a pessoa faz? Organiza mais o tempo, e toma para si certos sacrifícios: sair cansado do trabalho e direto para o curso, deixar de sair com a família dias de semana, encarar uma rotina cansativa, sacrificar um sábado inteiro, dormir mais tarde, tudo em busca de um bem maior. E se isso for para ir em busca do seu sonho, ou realização, mas na música? Sempre ouço pessoas falando o famosos ”não tenho tempo”. Claro que para uns será bem mais difícil que para os outros, mas sempre haverá tempo. O dia possui 24 horas para todos! Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Cabe apenas a organização, força de vontade e foco. Estruturar o estudo para otimizar o tempo, é de grande valia também, como uma planilha com quantos minutos para cada exercício, técnica, etc, pois assim, mesmo que você só possa tocar 1h por dia, essa 1h bem trabalhada, vai render com tudo bem equilibrado, e seu avanço será visto, pois mais vale uma hora de estudo com qualidade, do que 4h, 5h, mal feitas. Ainda sente-se sem tempo, e está dizendo aí do outro lado, que para os outros é mais fácil? Vou te provar: quantas vezes, você senta aquela meia hora no sofá, pra ver um programa de tv bem babaca, só pra ver ”imagem passando”? Que tal pegar sua guitarra nesse tempo, e dar uma malhada nos dedos? Pegue então aquele tempinho que você fica de conversa fiada após o trabalho, ou na rua com uma pessoa, que às vezes não está falando nada de legal, e voltar logo pra casa para otimizar esse tempo? Aqueles 20 minutos que você deita na cama, mexendo em aplicativos de celular, ou facebook, curtindo fotos fofinhas, e vendo vídeos bobinhos, que tal sentar com a coluna bem encostada, na cama mesmo, e treinar uns padrões?

O tempo é o mesmo para todos, repito! O que você faz com ele, de verdade? Dei como exemplo na foto, com John Petrucci. Acredite, musicalmente, não sinto-me tão influenciado por ele, nem pelo Dream Theater, pois acho que eles exageram algumas vezes ( pausa para você me xingar ), mas a dedicação dele, empenho e treino tomado quase como algo religioso, é inspirador, e olha o nível do cidadão! Então, que tal se organizar mais e usar bem suas 24 horas?

O dia em que não gostar de música ruim, virou preconceito.

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    A semanas atrás ocorreu aquele fato interessante do Zeca Camargo, que deu uma opinião quanto a supervalorização da importância musical do cantor Cristiano Araújo. O mesmo acontecendo com Mônica Iozzi, ao dizer no programa que apresenta, para as pessoas ouvirem menos funk e sertanejo universitário, e ouvirem mais Cazuza, Legião, e Elis Regina. Estamos na época mais escrotizada da história, no que tange dar uma opinião. Tudo será levado ao imoral, ao errado, ao caralho a 4. Hoje em dia, a música em massa, tornou-se um circo de canções estúpidas, com palhaços a baterem palmas a tudo que é feito por tais artistas. Letras que versam um amor que não existe, de forma piegas, ou pegações eternas da forma mais animal possível, melodias mais do que repetitivas ( ouço um lançamento de pagode, sertanejo universitário ou funk, já sei todas terminações melódicas da música, e às vezes, já pressupõe-se até a letra ), com arranjos que não querem dar nada novo a você. Tudo extramente igual, feito para bater no ouvido e ser digerido imediatamente. Antes que ache que sou completamente contra esse tipo de música, venho dizer que não. Embora isso nunca role em minha casa, e não costumo ir em ambientes em que toque isso direto, acho válido numa festa, numa brincadeira, para dançar, etc. Cada tipo de música tem seu momento, certo? Agora aí que entra aonde eu quero chegar: por que só isso? Por que ligo a televisão no domingo, e há um revezamento entre Zezé Di Camargo e Luciano, Luan Santana, Ivete Sangalo e alguma dupla xerocada de outros sertanejos em todos os programas? Será que todos que querem assistir a um programa de tv, gostam só disso? Será que não há artistas bons de MPB, de samba de verdade, de sertanejo de raiz, de pop, de rock, com um mínimo de conteúdo e músicas gostosas de se ouvir? Tim Maia fazia todo mundo dançar com suas canções, e tinha letras legais, divertidas, belas, e um groove e arranjos deliciosos! Porra, só dá pra dançar com Ivete e Claudia Leite? Sim, há pessoas que ouvem isso o dia inteiro, e vejo garotada cantando letras de funk horrendas, se sentindo os fodões, e não é pra brincar, zoar com amigos: ouvem porquê gostam e se identificam com as letras! Isso não é um processo de emburrecimento? Uma vez ouvi um relato de uma professora, citando seus alunos que ouvem funk o dia todo, e num desabafo ela disse que é complicado eles gostarem de outro tipo de música, pois muitos deles não tiveram acesso, contato mais afundo com outros estilos, gêneros, letras, ritmos. Consegue entender aonde quero chegar?

    Capaz de alguns lerem isso, e levarem já para o lado preconceito, acharem que sou ignorante, e não entendam que isso é uma opinião, um ponto de vista, com alguns argumentos concretos, e pensados. Tais pessoas, talvez sejam até as mesmas, que não se deram ao trabalho nem de interpretar o que Zeca Camargo e Monica Iozzi quiseram dizer.