O eterno tributo a Randy Rhoads

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    Ainda tenho a memória fresca de quando, lá pelos meus 15 anos, pude ouvir pela primeira vez o som que Randy Roads era capaz de tirar de sua guitarra. Em uma visita a casa de vizinhos, pude ver em seus acervos, milhares de fitas K7 ( alguém lembra disso? ), e de uma delas, surgiu uma com o nome de ”Ozzy Osbourne- Randy Roads Tribute”, e com um sorriso no rosto, um deles fez questão de colocar para me mostrar, para que eu ouvisse o quanto absurdo era essa tal de Randy. A introdução apoteótica do show, que deu margem ao primeiro riff, o da estupenda ”I Don’t Know”, foi uma das coisas mais absurdas que já ouvi, a ponto de me arrepiar só de lembrar. Um riff forte, com timbre pesadíssimo, e seguido de um comentário de um desses vizinhos: ”olha só o que ele vai fazer! Parece que ele tira as cordas da guitarra, sacode, e bota no lugar!”. Hoje sei que são ligados sobre o acorde de Am com cordas soltas, e alguns harmônicos, mas nunca tinha escutado algo assim antes! Os bends fortes, altos e gritados, vibratos, e interações com dedilhados advindos de seus estudos eruditos, me deixaram consternados. Na sequência, o anúncio de Ozzy Osbourne para ”Crazy Train”, me arrepiaram mais uma vez, até a entrada do solo inicial. Puta que pariu, o que era aquilo? O que eram aqueles bends com harmônicos, e riff tenso? Após isso ela desaguou em meus ouvidos como uma das canções mais alegres e legais que já ouvi, e em seu solo, eu reconheci aquilo que quis pra mim para a vida toda: ser um guitarrista! A forma solta com que Randy tocava, usando-se de ligados, e intervenções durante toda a canção, com licks que conectavam tudo de forma perfeita, sem soar como exercícios tacados, me fizeram entender a que patamar a técnica poderia chegar, sem denegrir ou manchar a música, e como tudo isso poderia ser usado para alavancar mais ainda a carga emotiva das canções. Desde ”Believer”, com riff soturno, que não deve em nada a Tony Iommi, ao solo incrivelmente desenhado de “Mr Crowley”, passando pela sequência erudita de tappings em ”Flying High Again”, tudo, eu digo tudo, soava perfeito: solto como um improviso, porém milimetricamente encaixado, como a mais apurada canção erudita. Suas palhetadas no momento solo, me deixaram apalermado! Sim, eu já tinha escutado outros palhetando de forma virtuosa, mas aquela pegada, que soava limpa e ao mesmo tempo ”raspada”, com um punch rocker, era inédito para mim.

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    Poderia dissecar com detalhes cada canção, e o que senti em cada uma, mas deixo para cada um experimentar em si as sensações de cada uma dessas pérolas, e a certeza de que a forma solta e técnica com que Randy tocava, só encontra paralelo com ícones como Hendrix e Eddie Van Halen, e com certeza, sem ele não teríamos músicos como Paul Gilbert, Zakk Wylde, Dimmebag Darrel, Alexi Laiho, Kiko Loureiro, dentre tantos outros.

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Sobre hericksales

Guitarrista, professor de guitarra e violão a 11 anos.

Publicado em 16 de setembro de 2015, em Música e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Um dos melhores !
    Sem dúvida alguma.

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