Arquivo mensal: novembro 2015

O futuro é a soma do hoje

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    A ansiedade é o excesso de futuro. Nunca mais vou esquecer dessa frase. Simples, direta, e com um peso insuportável certas vezes. A incerteza do futuro, gera milhões de pensamentos por vezes com paisagens turvas, escuras, quimeras pessimistas. O futuro é uma estrada que só termina com nossa morte, e a cada passo vamos deixando nossas pegadas, que servirão de lembranças por onde andarmos. E nesse caminho, existem várias opções de estradas, ramificadas, que podem gerar sentimentos ambíguos: sensação de liberdade e oportunidades, pois podemos escolher por onde seguir, e medo e ansiedade, por receio do que acontecerá, se foi uma escolha certa, errada, se havia outra melhor, etc. É difícil. Não é fácil mesmo. Eu mesmo estou aqui, escrevendo isso, ao som da linda Something to live for, do Lynyrd Skynyrd, e pensando em todas essas paisagens que descrevi, e querendo mostrar aqui a solução, que é simples: ela não existe. O ser humano possui a mania de querer o horizonte, e ver além dele ao mesmo tempo. Você precisa estar nele primeiro, para saber o que vem além, e cada passo dado hoje, te permitirá ver um passo adiante, fazendo que seu horizonte seja infinito. Basta apenas você andar, não parar, dar continuidade a sua jornada, e com a convicção, de que a falta de certeza de agora, pode ser vista como a carta branca à sua liberdade, lhe possibilitando escolhas que lhe forem corretas, com chances de errar, repetir, acertar, e que o futuro é a sua linha do horizonte, que deve ser o somatório do quanto você caminha hoje mesmo, em direção a mesma, pois quanto mais você caminhar, mais desse horizonte se desvendará para você.

 

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Ser músico…

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    Nada de pompa, de luxo, de glamour. Nem mulheres ( homens ), bebidas, comidas exóticas, ou plateias ensandecidas correndo atrás de você. Os tempos são outros, o mercado é outro, e poucos chegam nesse patamar. Qual o real objetivo de ser músico? Você quer ser músico com esse objetivo, de ser capa de revistas, com todo o ”mundo” de beleza e futilidade que a riqueza e fama podem trazer? A música é umas das poucas formas que a alma encontrou, para se expressar. Seja de forma doce, ou com sabor amargo. Seja como uma brisa sutil, ou como um soco no estômago. Seja ela feliz como um raio de sol, ou soturna como um céu negro de dor. Seja nas mais sinuosas surpresas que o amor nos proporciona, ou seja nas mais agressivas tempestades, que a raiva causa. Na música, tudo é permitido: ser ingênuo sem soar bobo, ser romântico sem ser piegas, ser imprevisível sem incomodar, ser violento sem ferir. A música é o beijo, e ao mesmo tempo, o grito da alma. É por si só plena, e vive no ar que você respira, no sons da natureza, no afagar do vento, na transparência da alma. Com ela, você pode ser louco sem ser condenado. Você pode extravasar seus lados obscuros sem ser criticado, e ser sincero sem ser rejeitado. Basta apenas deixar. Deixar-se levar por ela, e por cada sensação que ela te causa. Captá-la ao seu redor, ouvi-la, e respeitá-la, da forma que ela vier. Da forma que ela permitir ser vista. A música vive, torna-se, multiplica-se, através de quem se permite ser um canal, uma ponte, despindo-se de vaidades e ego: simplesmente, deixando a música vir, tomar conta de si, ler as entrelinhas de sua alma, se expor, e tomar forma através de ti. Há um lindo ditado, que diz que os olhos, são o espelho da alma. Mas com certeza, a música, é a pureza em forma de notas, que expressa tudo que a alma sempre quis dizer. Feliz dia do musico a todos nós!

John Petrucci: um equilíbrio sobre sua obra

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    Creio que existam vários níveis de inspiração e motivação, no qual um músico pode exercer sobre você, e nesse caso, cabe um estranho comentário sobre John Petrucci: ele como pessoa, me inspira mais do que em suas composições. Calma, que eu explico. Sua dedicação quase doentia à guitarra, consumindo tudo o que foi possível do material de artistas como Yes, Rush, Metallica, Steve Morse, Al Di Meola, os momentos em que emprega belas melodias, e sua técnica de palhetada alternada absurdamente veloz,  quando usada nos momentos certos, são inspiradoras para qualquer pessoa que veja  e ouça, independente de amar  ou odiar o Dream Theater ( eu me encontro num meio termo: gosto. Não acho a maior da banda de todos os tempos, ou o ápice de onde a música possa chegar como muitos falam, nem os acho escrotos, como outra parte esbraveja). Dentro de seu trabalho, posso salientar, que os que mais me envolveram, e mais tinham um contexto equilibrado, estão os excelentes Images And Words, Awake ( na minha opinião, o ápice do equilíbrio deles, e o melhor álbum, tanto pelas canções, como gravação cristalina), Metropolis Pt 2, Scenes From A Memory e o último cd que para mim, possui todos os elementos perfeitamente desenhados: Octavarium. Sim, o DT tem aquelas musicas pé no saco, com 364836498 solos, riffs copiados do Rush e Metallica, mas dentro desses álbuns que citei, em músicas de outros álbuns (Systematic Chaos ainda possui algumas músicas memoráveis, embora você possa ser capaz de notar em que eles começaram a se repetir mais ), e no seu trabalho com G3, você acha muitos momentos de equilíbrio, e inspiração.

Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.