Arquivo mensal: dezembro 2015

Lemmy se foi…

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    Lemmy se foi. Não é preciso ser muito fã do Motörhead para sentir um certo pesar. Todo mundo já estava preparado. Ele viveu de forma correta? Não! Viveu intensamente? Sim! Lemmy era exatamente, o oposto do mundo de hoje, em que nada pode ser feito, falado, escrito, pois pode ser ofensivo, etc. Lemmy se vai, deixando a imagem contrária da frescura que impera atualmente, mostrando a rusticidade e genuinidade de um homem entregue ao rock ‘n roll. Ele é um dos poucos casos em que uma palavra pode ser tão associada a pessoa. Todos os seus traços e gestos, transpiram a ideologia do estilo, com seus excessos , erros e vivências. Ele deixou, juntamente da sua cria musical, o Motörhead, uma gama sonora de sutileza quase nula e verdade absoluta. Não há como ouvir suas canções, sua atitude na palco, e não enxergar a verdade e entrega. Lemmy era praticamente a encarnação da palavra ”foda-se”, quebrando regras e conceitos, vivendo a vida como bem entendia. Pagou por isso? Sim. Hoje os excessos cobraram seu preço. Ele teria vivido mais se tivesse se cuidado sempre? Provável. Mas teria sido o Lemmy que conhecemos? Creio que não.

     Não cabe aqui escrever a importância do seu trabalho. Nem dar sua vida como exemplo, longe disso. Apenas saliento suas atitudes verdadeiras. Que esse exemplo de verdade sirva para nós músicos, para que talvez honraremos um pouco mais nossos dons, assim como esse cara fez.

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Entrevista com Fabiano Rodrigues

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    Músico respeitado, atuando a anos, Fabiano Rodrigues não brinca quando pega na guitarra. O cara realmente destrói. Tendo estudado com Mozart Mello, lecionando desde 91, e tendo sido colunista de importantes revistas, como Cover Guitarra e Guitarload, com certeza, Fabiano possui muita história pra contar…

1) Você possui um estilo muito voltado para o rock. Quais foram suas maiores influências?

Bom…minha maior influência na onda Shred foi o guitarrista Vinnie Moore, mas quando comecei a tocar guitarra minhas influências foram David Gilmour, Ed Van Halen e Mark Knopler.

2) Você foi colunista da Cover Guitarra durante um bom tempo, sendo umas das principais ferramentas de estudo para muitos guitarristas. Como vê hoje em dia, a disponibilização de informações na internet?

Putzzz…essa é uma pergunta que eu ficaria aqui horas a fio debatendo contigo, mas enfim…

A internet tem um poder gigantesco sobre a massa, ela ajuda e muito porém ao mesmo tempo atrapalha. O que vejo hoje é que qualquer “um” literalmente qualquer “um” se acha digno de publicar, compartilhar e na grande maioria ensinar alguém a tocar guitarra. O que mais vejo por ai, são garotos que acabaram de se formar num escola bem conhecida nossa e já começa a ensinar postando vídeos na net, mas a verdade é que esse camarada só esta repassando o material que ele recebeu dessa escola. Como eu já disse varias vezes, um professor precisa ter bagagem e principalmente tem condições de criar ferramentas pra “resolver” os supostos problemas de determinados alunos, e esse garoto que acabou de se formar, não tem essa competência.

3) Muito se é falado a favor da guitarra shred, e contra também.  Você é um músico com grande domínio técnico e musicalidade. Qual sua visão sobre isso?

Hahahahahaha…

Penso que quem fala mal ou fica contra é porque não tem culhão pra tocar assim. O que dizer de Paul Gilbert, John Petrucci, Yngwie J.Malmsteen? São todos Shred e ai te pergunto, tocam mal?

4) Você está preparando um cd solo.  O que podemos esperar desse trabalho?

Não tenho mais pretenções de lançar um CD solo. A minha preocupação ainda é, e acredito que sempre será o ensino da Guitarra.

5) Sendo um renomado professor, o que você poderia deixar como conselho para os leitores do blog e amantes da guitarra?

Estudem, estudem, estudem e estudem, mas com quem realmente tem competência pra ensinar. Não procurem somente por questões financeiras, porque um bom professor custa caro e isso vai fazer toda a diferença no teu futuro como guitarrista. Paciência, perseverança e uma vontade inabalável de chegar onde deseja é o principio de qualquer sucesso…

Judas Priest

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“Judas Priest é uma banda britânica de heavy metal que foi criada em meados de 1969, em Birmingham. O Judas Priest é tido junto ao Black Sabbath, Iron Maiden e Motörhead, como as quatro maiores bandas de Heavy Metal do mundo (…) pode ser considerada uma das precursoras do heavy metal moderno. O Judas Priest foi uma das mais influentes bandas de heavy metal dos anos 70, encabeçando a New Wave Of British Heavy Metal ou simplesmente NWOBHM (Nova Onda do Metal Britânico) no final da década de setenta. Tratou-se da primeira banda a unir o peso e temática violenta criados pelo Black Sabbath, à velocidade de alguns grupos de rock como o Deep Purple, adicionando uma frente de ataque com duas guitarras” Fonte: Wikipedia
Bem, creio que essa simples descrição, já diz muito por si só. K. K. Downing e Glenn Tipton, guitarristas originais do Judas Priest, fundamentaram um estilo, que deixou marcas profundas no metal, e no rock em geral. Influenciados por Jimi Hendrix, John Mayall, Eric Clapton e os clássicos Sabbath e Deep Purple, eles incrementaram a união de duas guitarras, dobrando trechos, muitas das vezes em velocidades altas, cravando uma nova forma de fazer musica pesada, que influenciou praticamente toda e qualquer banda que veio depois, como por exemplo, o Iron Maiden ( sim! O baixista/mentor da Donzela de Ferro, Steve Harris, nunca negou a influência do Judas Priest no estilo do Iron, e muito menos a dupla de guitarristas Adrian Smith e Dave Murray ). John 5, Paul Gilbert, Jerry Cantrell ( Alice in Chains ), Michael Weikath ( Helloween ), Chuck Schuldiner ( Death ), e mais uma infinidade de músicos, já declararam sua admiração por eles, e bandas como o próprio Death, Slayer, Angra, Machine Head e Anthrax, já prestaram homenagem ao Judas. Eu mesmo, tive um forte impacto ao ouvir pela primeira vez ( até hoje, me impressiono ), o álbum ”Painkiller”, com todo aquele peso e melodias incríveis, muitas das vezes dobradas de forma insana. Se você ouve bandas atuais fazendo altas dobras de guitarra, e acha que o mundo começou ontem, dê uma conferida no passado, e note que muitas, mas muitas coisas, foram criadas e sedimentadas numa época, em que o equipamento era muito menos sofisticado, e tudo era feito na base do suor e inspiração!

 

Alex Lifeson: a alma injustiçada do Rush

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“A Steve Morse Band esteve na turnê do disco Power Windows. Foi um ponto alto na minha carreira.” – Steve Morse.
“Minhas canções de rock instrumental preferidas são do Rush” – Paul Gilbert
“Gostava muito do estilo de Alex, especialmente, das partes rítmicas” – Vinnie Moore
“Minha banda excursionou com o Rush no começo dos anos 90. Alex tem um timbre feroz – seu estilo preenchia muito bem o som do trio.” – Eric Johnson
Bem….será que preciso falar mais alguma coisa sobre Alex Lifeson? Amante fervoroso de Jimi Hendrix, Pete Townshend, Jeff Beck, Eric Clapton e Jimmy Page (sua principal influência ), Lifeson não só ajudou a moldar a sonoridade do rock progressivo ”não-mala” , como deu de brinde, o mapa das milhares de convenções e tempos quebrados que o metal viria usar ( vide o Metallica, fã assumido da banda ). Seja no começo dos anos 70 , despejando suas influências de Cream e Led Zeppelin, somadas as texturas e arranjos típicos de bandas como Yes e Genesis, seja nos anos 80, timbrando sua guitarra com um belo chorus e absorvendo influências de Adrian Belew (o que caracterizaria parte do som da década), ou dos anos 90 em seguida, com a retomada do peso, Alex Lifeson criou partes de guitarra insanas e bem elaboradas, que ao lado de Geddy Lee e Neal Peart, fez a ponte entre os elementos progressivos e o hard rock/metal de forma complexa, mas sem soar chato. Alex possui um jeito despojado de tocar seus riffs complexos, demonstrando total naturalidade, e solos com ligados, cordas soltas, e intervalos atípicos, que tornam-se grandes desafios na hora de serem tirados nota por nota. Veja os vídeos abaixo, e note o quanto Alex e seus companheiros, tocam com naturalidade e se divertindo! E por fim, se você acha que o Dream Theater é a banda mais inacreditável e original das galáxias, ouça o material do Rush. Mas não me responsabilizo caso você fique com uma leve vergonha alheia….