Arquivo mensal: janeiro 2016

Richie Blackmore: genioso, porém genial

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    Desde minha adolescência, tive figuras importantes, como inspiração musical, e uma das principais foi Ritchie Blackmore. Um fato a ser esclarecido é que hoje, o Deep Purple conta com o incrível Steve Morse, mas quem criou boa parte dos incríveis riffs e solos, foi Blackmore. O criador do maior riff de todos os tempos, o de Smoke on the Water, deixou-me incrédulo, com o solo de Highway star, do ao vivo Made in Japan. Como era possível, alguém, em 1972, tocar algo tão absurdo desse jeito? Logo após, conheci outra banda, que ele montou após sair do Deep Purple: o Rainbow, que contava com os incríveis vocais do Dio, no começo da banda. Com o Deep Purple, injetou linhas eruditas, e trechos técnicos, que se tornaram marca registrada no hard rock e metal, e com o Rainbow, mais além, traçando o caminho para um metal com som místico, medieval, e na sua fase mais comercial, um hard rock alegre, que influenciou e moldou o caminho do estilo nos anos 80. Sim, estou falando de um dos meus guitarristas favoritos, com um poder de improvisação enorme, cheio de interpretação, e fluência incrível, que influenciou Adrian Smith ( Iron Maiden ), Edu Ardanuy, Faíska, o próprio Steve Morse, Joe Satriani, e Yngwie Malmsteen ( que copia seu estilo, poses, e gênio soberbo ). E pra fechar, uma curiosidade: quando Blackmore deixou o Deep Purple em definitivo, a banda chamou ninguém menos que Joe Satrinani, que cobriu o restante da turnê, e foi convidado a integrar o grupo. Convite esse, que não foi não aceito. Sobre isso, Satriani diz: ”…eu estava preocupado em ter Ritchie Blackmore nos meus ombros. Eu era e ainda sou um grande fã de sua música e você realmente não pode substituir alguém como ele”.

John 5: unindo country e metal

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    Há quem diga que atualmente, não existem guitarristas bons. A mídia não é muito favorável ao sucesso dos mesmos, porém, se você se esquivar dessa névoa de imbecilidade musical, empurrada goela abaixo diariamente, é possível encontrar músicos excelentes, como John 5. Tendo trabalhado antes, com Marilyn Manson ( obs: ele já possuía esse visual antes de fazer parte da banda de Manson) e atual guitarrista do Rob Zombie, John 5 possui uma carreira solo com discos instrumentais incríveis, unindo com maestria metal ( com elementos de industrial), hard rock e…… country! Sem soar forçado, nem chato, suas músicas possuem altas doses de técnica, melodia, experimentalismos, e feeling. Parando pra pensar, um cara que resolve seguir a música a sério, após ouvir as guitarras de “Welcome to the jungle (me recuso a dizer de qual banda. Se não conhece, joga no google) , teve como influências Eddie Van Halen, Steve Vai ( tanto, que fez parte da banda de David Lee Roth, tendo que executar as pirotecnias guitarrísticas de ambos ), Jimmy Page, estudioso dos mestres do country, além de ser fã alucinado de guitarras Telecaster, e possuir um visual macabro inspirado no Kiss ( sim, isso mesmo ), não poderia fazer um som, que não fosse no mínimo, inusitado.

Quando os ídolos se vão, perdemos nossos prismas.

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    Antes de qualquer coisa, esse artigo não é sobre um artista específico. É sobre uma gama incrível de artistas da nossa era, que elevaram os conceitos de arte musical, para outro patamar, e que a um bom tempo, insistem em nos deixar órfãos, quase que como uma avalanche. No ano passado, tivemos a morte de A.J. Pero  (Twisted Sister, Adrenaline Mob), Chris Squire (YES), B.B. King, Phil Taylor e Lemmy ( ambos do Motorhead ), Scott Weiland (Stone Temple Pilots, Velvet Revolver), e ainda embriagados de tantas perdas, e com os primeiros ventos de 2016, num amanhecer triste, vem a notícia da perda de um gênio da cultura pop geral:  David Bowie. Puta que pariu, tá foda! A morte é o ciclo natural da vida, e todos vamos morrer, mas historicamente, tínhamos em destaque grandes figuras que poderiam “remediar um pouco” tal carência. Quando Hendrix se foi, tínhamos na terra, levando sua tocha da inovação, músicos como Jimmy Page e Robin Trower. Quando da morte de John Bonham, baterista do Led Zeppelin, tínhamos a ascensão de outros mestres da bateria como Deen Castronovo e Dave Lombardo, e a carência deixada pelo Led, por exemplo, pôde ser amenizada pelo talento de bandas que surgiam, como Van Halen e Iron Maiden, por exemplo. Não são comparativos. Mas havia um ciclo criativo, em que haviam mortes sim, mas haviam em voga, outros músicos elevando os conceitos artísticos e experimentações a outros níveis, e fazendo disso algo popular. Mas, e hoje? Não estou dizendo que não há nada de bom não, por favor! Mas vejamos o que há de destaque, em grande escala, rolando na nossa música. O que teríamos de desafiador que desse continuidade de certa forma, ao que David Bowie fez? O que há na atualidade de tão verdadeiro, que possa nem que seja de longe, comparar-se ao que Lemmy fez na terra, em termos de entrega e autenticidade? Consegue entender aonde quero chegar? Não é uma visão pessimista, apenas realista: os grandes representantes da arte na terra, estão indo, deixando legados incríveis, e nos abandonando com o amargo do que é tido hoje como arte.

    Melodias, grooves, batidas, letras…esses caras fizeram em boa parte de suas carreiras, canções que eram entregas pessoais musicadas, pontos de vista do que rolava na sociedade em suas épocas, histórias vindas de suas loucas e férteis mentes, que foram feitas para vender? Sim, pois todos queriam viver através de sua arte, mas antes disso, possuíam essa premissa em mente: antes de tudo, ser arte. Antes de tudo, levar o outro a refletir, seja lá o que for, ajudando-o a talvez ser mais, mais completo, mais sensível. Simplesmente mais…ajudando-o a ser mais, e não a ser ”menos”, pois o papel do artista não é apenas distrair as pessoas da realidade, fazendo-as esquecer do que há e volta, mas fazê-las ter momentos de descontração, conectando-as a pensamentos novos, novas perspectivas e novas ideias. O artista em suma serve de prisma, em que o público joga sua luz nele, ele a reflete, devolvendo-nos luzes diferentes, a cada ângulo novo que busquemos. E a cada dia que passa, estamos ficando mais carentes desses prismas…

Os 40 anos do álbum “Frampton Comes Alive”: o álbum ao vivo mais vendido da história.

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    A uns dias, venho pensando em escrever sobre o quanto Peter Frampton é subestimado, e falar sobre a qualidade de suas canções e seu talento como guitarrista, até que ao abrir o facebook, na página do próprio, há um recado comemorativo dos 40 anos do álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos: Frampton Comes Alive ! Você não leu errado. Esse foi o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos, bem mais vendido do que clássicos do rock, como Made in Japan, do Deep Purple, ou Live After Death, do Iron Maiden. Peter Frampton era guitarrista do Humble Pie, onde mostrou no álbum  Performance – Rockin’ The Filmore, que não devia a nenhum Jimmy Page ou Blackmore, em matéria de improviso no palco. Mas logo após, Frampton decidiu seguir carreira solo, tendo 3 álbuns com boas músicas, mas o auge da sua carreira veio em 76, com o álbum ao vivo Frampton Comes Alive !, que vendeu um milhão de cópias já na primeira semana! Assim como em sua carreira toda, não há virtuosismos em excesso, e sim, boas canções, bem trabalhadas, com guitarras muito bem construídas em torno de seus arranjos. Desse álbum, que saíram as versões de absurdo sucesso das canções ”Show Me The Way” ( com seu clássico uso de talk box ), e ”Baby, I Love Your Way”, duas músicas compostas em apenas um dia. Mas o álbum, e sua carreira no geral vão muito além disso: há baladas acústicas, hard rock vigoroso, blues e pequenas ideias jazzy inseridas em suas canções e fraseados, bastando apenas você dar a devida atenção a músicas como ”(I’ll Give You) Money”, ou ao clássico irretocável ”Do You Feel Like You Do”, no qual há de tudo: introdução com toques de jazz, frases de blues, riffs de hard anos 70, além de um longo improviso, com uso do talk box ( isso bem antes do Slash ou Richie Sambora ), e muita melodia. E foi assim que Frampton moldou seu estilo: mesclando suas composições com riffs e fraseados melódicos, que sempre contornam a canção com maestria.

    Que esse álbum possa entrar na sua lista de álbuns a ser escutados nesse início de 2016, pois ter um álbum ao vivo, que a 40 anos lidera como o mais vendido, é um feito que com certeza, credita a qualidade de um trabalho.