Arquivo mensal: março 2016

Quando outros estilos invadem o metal

Carcass_by_HenriKack

Bill Steer: Carcass

 

    Graças ao bom Deus, hoje vejo muitas pessoas com mente mais aberta, para ouvirem outros estilos, e até mesmo incluir isso em sua música. O metal  se desenvolveu no final da década de 60 e no início da década de 70, tendo raízes no blues-rock. Basta ver que surgiu das contribuições de Eric Clapton ( fase Cream ), Hendrix, e solidificado na sonoridade de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Ufo e Black Sabbath. E todas essas bandas citadas, começaram a explorar bastante tons menores característicos do gênero, riffs em cordas graves muitas vezes, com paisagens sonoras mais maciças, mas sempre com elementos de blues, jazz, música erudita, etc. Com o passar dos anos, essa perspectiva foi sendo usada em maior ou menor escala, mas nunca excluída, e certas vezes o fã que ouve , não nota, ou no caso do mais tr00, não acha legal, pois acha que vai ”estragar” o estilo, etc. Há exemplos mais do que notórios em clássicos do metal, indo desde a sua gênese, até os estilos mais extremos! Quer ver só?

    Tonny Iommi junto do Sabbath criou o metal. Disso todo mundo já sabe. Mas não precisa ser perito, para identificar que Iommi é um guitarrista de blues enrustido, desde seus riffs, até abordagem nos solos, e indo mais além, há uma forte veia jazz no mesmo. Note esse clássico do Sabbath, bem psicodélico por sinal, tendo um solo com sotaque totalmente jazz:

    O Megadeth, ícone do thrash, vira e mexe dá uma passeadinha em outros estilos. Lembro bem, de ter uns 15 anos e ouvir o clássico Countdown to Extinction, reparando vários exemplos de rock ‘n’ roll. Eis que chega a música High Speed Dirt, cheias desses elementos, e entra uma guitarra clean aos 3:25, e executa frases de blues, com a pegada do estilo, e na cara de pau…

    Pegando mais pesado, trago o exemplo do mestre Dimmebag Darrel, do Pantera. Acredito que a música The Great Southern Trendkill seja uma das maiores carnificinas da história, fazendo muita bandinha de metal atual parecer Restart. Mas devido o peso absurdo, muita gente pode não notar que à partir de 1:54 min, ela entra num riff bem mais rock clássico, e Dimme invoca suas raízes de southern rock no solo. Dá-lhe Lynyrd Skyrnyd!

    E para fechar, o dono da foto da matéria: Bill Steer, do Carcass. Ele com sua banda, ajudaram a fundar o grindcore, e solidificar o death metal. Porém, o amor de Bill pelo rock clássico foi ficando cada vez mais evidente, tanto que na separação da banda, ele formou um projeto voltado para o estilo, e tais influências são encontradas no estilo do Carcass, a ponto de muitos citarem a banda como Death ‘n’ roll. Ouve isso, e me diz se não parece o AC/DC do death metal, usando até mesmo o bottleneck, um anel de slide usado em blues.

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Há um Megadeth entre Marty e o Kiko

2f16db87e8903adc18478b93d87e651f    Muito é falado e celebrado, acerca da fase do Megadeth, que engloba o clássico Peace Sells…But Who’s Buyin, indo em direção à fase definitiva da banda, que engloba a entrada de Marty Friedman, culminando em álbuns mais do que clássicos, como Rust in Peace , Countdown to Extinction e até um dos favoritos desse que vos escreve, o injustiçado Youtanasia. Agora o Megadeth volta ao centro das atenções, com o sensacional álbum Dystopia, que conta com ninguém menos, do que Kiko Loureiro na guitarra. Mas, e nesse período entre Marty e Kiko, não houve nada de bom? Eis que venho por meio desta, tentar reparar um pouco dessa injustiça e lhes apresentar momentos não menos que genias espalhados em sua obra, que reside dentre o período de 2001 até a saída de Cris Broderick.

    * Em 2001, Mustaine trouxe à banda, o excelente guitarrista Al Pitrelli ( ex-Savatage ), que embora não tenha gravado um álbum primoroso, esteve num dos melhores registros ao vivo do Megadeth, que englobou músicas de toda a carreira. Dê uma olhada como esse cara toca, e com uma Gibson Explorer, lá na altura do joelho…

    Após uma pausa, a banda volta com o ótimo The System Has Failed, que teve na guitarra ninguém menos que Chris Poland, que gravou os clássicos Killing Is My Business… And Business Is Good! e Peace Sells…But Who’s Buyin, além do monstro da bateria fusion, Vinnie Colaiuta.

    Após essa volta em grande estilo, Megadeth passou a contar com os irmãos Glen Drover e Shawn Drover, que lançou o ótimo United Abominations, com canções bem pesadas, e técnicas.

    Após a saída de Glen Drover, Mustaine trouxe para a banda o sensacional Cris Broderick, criando assim, um dos line-ups mais duradouros da banda, lançando 3 álbuns, dentre eles 2 excepcionais: Endgame e 13.

    Que seja corrigida essa certa injustiça que paira um pouco por aí, como se o Megadeth não tivesse ótimas canções dentre esse período. Pena que eles pouco toquem dessas canções ao vivo…

 

Hoje é dia do guitarrista!!!

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    Tocar guitarra, sexo e chocolate, devem ser as coisas mais tesudas da vida. E ser guitarrista, é um ingresso para externalizar sentimentos: dor, raiva, paixão, tranquilidade… você pode fazer música com mais melodia, ou dotada de mais ritmo, e até com 3 notas e batidas percussivas você pode musicar algo. É ALGO INCRÍVEL! De dentro de si, podem sair paisagens incríveis em forma de notas. Acredito que seja um dos melhores trabalhos do mundo, e uma das melhores diversões também. Você pode tocar guitarra clean com dedilhados, fazer uma base simples de acordes, algo intrincado de jazz, tocar com som levemente distorcido numa onda blues, ou encher de distorção e tocar em drop D. Você pode ser direto, ou rebuscado. Usar mil efeitos, ou plugar direto no amplificador. Ser guitarrista é ficar ”preso” numa cadeira estudando, mas ter a mente e o coração livres para experimentar e sentir, algo que transborda mais ainda no palco. Seja Hendrix, Scott Henderson, Kurt Cobain, ou um jovem garoto: ambos podem sentir a mesma sensação de euforia com uma guitarras em mãos, e essa é a beleza! Tocar com os amigos, ou no quarto, sobre seus discos favoritos…seja lá como, poder exercer esse ato, é um dom de Deus, uma benção. E que nunca desonremos isso!

     E para fechar, deixo a frase da madrinha de um aluno, proferida ontem: ”Enquanto um jovem estiver com uma guitarra nas mãos, ele fica afastado das drogas” Parabéns para nós!

Estude muito. Quando? Agora!!!

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    O que faz de uma pessoa com uma guitarra, virar um guitarrista? Não há uma fórmula pronta, nem uma resposta definitiva, mas te garanto que tal processo não se dá, do dia para a noite. Com certeza, esse processo inclui abrir mão de sair algumas vezes, relacionamentos findados, noites em claro ( ou poucas horas de sono ), muitas horas numa cadeira dialogando consigo mesmo, e com suas felicidades e frustrações. Mas a vontade de se tornar um guitarrista de fato ( veja que estou citando guitarrista mesmo, como profissão, e não uma pessoa que toca algumas músicas na guitarra ), precisa andar lado a lado com o empenho, e saber aproveitar bem o seu tempo atual. Se agora te sobra uma tarde inteira livre, se chega da escola e fica sem compromissos, não desperdice esse tempo de forma alguma! Você não sabe o dia de amanhã, e futuramente surgirão outros afazeres, trabalho, cursos, e seu tempo será menor, e tudo que você estudar agora, com empenho, será refletido em ti e em seu jeito de tocar no futuro. Agora pouco eu estava treinando arpejos, que estudei a mais de 10 anos atrás, e mesmo que eu não use isso em toda música, nem em todo solo, eu carrego o que aprendi sobre o assunto comigo até hoje, e tenho no meu repertório para quando precisar tocar, ou ensinar. Chega a ser contraditório, a pessoa falar que quer ser músico na adolescência, chegar da escola, e à tarde, ou à noite, tocar guitarra apenas 1 hora por dia, e ficar de resto jogando vídeo game, ou vendo séries ( nada contra, mas né? ). E quem já trabalha e tem talvez menos de uma hora pra treinar? Bem…pense no futuro: você acha que terá mais tempo? Você acredita de verdade nisso? Então, nada mais correto do que arregaçar as mangas, domar o cansaço, e correr atrás. Se fosse uma faculdade, ou curso, você estaria arrumando disposição. Então, tentemos ao menos!

     Marty Friedman, Alexi Laiho, Steve Vai, Kiko Loureiro, John Petrucci, Cris Broderick, Juninho Afram e Steve Morse. Escolhi de certa forma aleatória, músicos dotados de técnica, musicalidade, e cada um com seu estilo. Você não precisa conhecer a fundo o trabalho de cada um, mas vale ir atrás de vídeos e entrevistas dos mesmos. Não é difícil achá-los citando que estudaram 8, 9…12 horas por dia, para chegar onde chegaram. Todos os citados já passaram dos seus 20 e poucos anos, e com certeza, carregam consigo o que estudaram com afinco há 10, 15, 20 anos atrás. Então, estude muito, pois você verá como daqui a uns anos, isso se tornará seu maior patrimônio.