Queen: dissecando a veia hard/heavy de Brian May

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    Phil Alnselmo, Jeff Loomis, Metallica, Dream Theater, Nuno Bettencourt, Slash. A lista de lendas do hard rock e heavy metal que citam o Queen e Brian May é muito maior do que se imagina. Lembro-me bem de ter minhas revistas de guitarra, e uma em especial continha uma entrevista com May, e dizia que o Queen podia ir de algo suave com nuances de Beatles até algo tão pesado quanto o Black Sabbath, e essa afirmação é verídica. Sei que muitos que não conhecem a obra da banda com mais detalhes, ou quem tomou contato com eles agora devido o sucesso do filme, pode achar isso muito estranho, mas convido-os a virem comigo nesses 10 exemplos detalhados, de quanto esse lado porrada do Brian May, influenciou o gênero ao ponto de ninguém menos que Tony Iommi ouvir o álbum A Night At The Opera, e ser influenciado na composição do álbum Sabotage!

 

    Focando nos anos 70, trago de cara, a canção Keep Yourself Alive! Note que de começo, temos uma introdução com rítmica diferente para época, quase cavalgada, algo que bandas como Ufo começavam a fazer vez por outra, e seria usado a exaustão anos depois por bandas como Iron Maiden! Note os riffs com acordes pesados no refrão, mas também linhas melódicas como arranjo/riff, algo que você vê bastante nos riffs do Metallica, por exemplo.

 

    Ainda no primeiro álbum, uma das mais pesadas da banda: Son And Daughter. Abrindo já com seus experimentalismos vocais, que permeariam a discografia da banda, a música deságua num riff muito pesado, grave, que lembra muito a estética sonora de bandas como Led Zeppelin e Black Sabbath. Note que até os vocais e a bateria estão mais agressivos que o normal.

    A primeira música do álbum II (o favorito de um tal de Steve Vai), é Father To Son, que já começa um pouco densa, porém com belas melodias e aos poucos vai encorpando mais e mais, até chegar no ápice (por volta de 2:07 min): uma porradaria com riff grave, pesado, solos sobrepostos e tudo que se tem direito. Essa canção e esse trecho principalmente poderia estar tranquilamente no álbum Sabotage, do Sabbath.  Obs: já notou que intro dela, é muuuuuuito parecida com a intro de Surrounded, do Dream Theater?

    Ainda no Queen II, temos Ogre Battle, que possui uma introdução ao contrário, que depois entra no eixo com um riff pesado e bateria moendo tudo! Ouça essa intro, e me diga quantas vezes você ouviu algo assim anos depois. Fora as frases com convenções no meio, que me fazem suspeitar que o Iron Maiden ouviu esse álbum na hora de compor músicas como Phantom Of The Opera…

    Vinda do álbum Sheer Heart Attack, a música Flick Of The Wrist é bem diferente do que a banda costumava fazer: é tensa, com um arranjo meio soturno até. Há uma combinação de notas no riff que ficam brincando, em tensão e resolução, e causam um clima que anos depois ouviríamos muito em várias vertentes do metal, fora o solo cheio de ligados do Brian May. Obs: Atenção ao trecho de 1:54 min em diante!

    Do mesmo álbum, a conhecida Stone Cold Crazy, já coverizado pelo Metallica. Aliás, desde a concepção de seus riffs até os solos, lembram bastante muitas coisas do Metallica. Um fator interessante é que se você procurar sobre a origem do thrash metal, vemos a citação de 4 músicas: Exciter (Judas Priest), Symptom Of The Universe (Sabbath), Fast As A Shark (Accept) e a citada Stone Cold Crazy.

    Em 1975 o Queen lançava seu clássico maior, A Night at the Opera e nele contém uma joia com ares de Black Sabbath, arrastada e pesada, que estava na frente de tudo da época na sua afinação: o bordão era afinado em D, algo conhecido como Drop-D. Anos depois guitarristas como Eddie Van Halen, Zakk Wylde e Jerry Cantrell usariam tal recurso com muita frequência. E essa música é The Prophet’s Song!

    No álbum seguinte, A Day At The Races, após a doce e icônica Somebody To Love, vinha a música White Man, com a guitarra de Brian May rouca e a voz de Freddie com drives mais fortes. Sua levada rítmica remete ao blues, porém é bem mais pesada e climática.

    O álbum News Of The World foi concebido no meio do surgimento do punk, e com isso, o Queen compôs algumas músicas um pouco mais diretas, e uma veio do batera Roger Taylor que inclusive, tocou as guitarras da gravação! Mas deixarei aqui a versão ao vivo do álbum Live Killers, e algo me faz sentir que se estivesse num álbum do Motörhead não faria feio…

    Por último, trago a música Let Me Entertain You, sexta faixa do álbum Jazz, com bastante peso e agressividade, tendo seu riff acompanhando o vocal, e até mesmo um lick bluesy no riff. Quebradeira de bateria, riffs e mais riffs, alavancadas, tudo soa como uma escola de hard/heavy nessa música.

    Espero ter ajudado a você ter uma nova visão sobre o Queen e o guitarrista Brian May, que é uma das minhas principais influências. Se você é do Rio de Janeiro, e quer entender melhor o que expliquei acima, evoluindo na guitarra de uma forma coesa e aprendendo a compor e improvisar melhor, venha para HS GUITAR SCHOOL! Tel: (21) 99120-1660

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Sobre hericksales

Guitarrista, professor de guitarra e violão a 11 anos.

Publicado em 12 de dezembro de 2018, em Música e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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