Arquivo da categoria: Diário de um músico

Herick Sales Guitar Festival

1394342_731142716974432_9177128159799886952_n

    Com o fim de ano na porta, chega uma data em que os alunos até já esperam: a confraternização de fim de ano, em que todos se confraternizam, e se apresentam tocando músicas que mostrem abordagens aprendidas na aula, e sejam desafiadoras. De um blues de 12 compassos com improvisos até Alice in Chains, de Iron Maiden à Sepultura, passando por Black Label Society, a ideia era celebrar a boa música e se divertir! Com um mês e meio de antecedência, foram escolhidas as músicas, e começamos a trabalhar cada detalhe, associando com o conteúdo das aulas, e com partes que trouxessem desafios. Logo, se um aluno está se adaptando a palhetadas ferozes de thrash, por que não desafiá-lo a tocar ‘’Refuse Resist’’ do Sepultura, ou se o aluno tem dificuldade em tocar palhetada alternada, que tal tocar algo do Zakk Wylde? Pude ver muita dedicação da parte de todos e tive que passar por cima de dificuldades para estar apto a ensinar todas as músicas da melhor forma possível, e organizar tudo para o ‘’grande dia’’, já que para muitos, o evento ganhou ares de ‘’primeira apresentação’’. Carinhosamente apelidado de Herick Sales Guitar Festival, o dia esperado chegou e tive o prazer de receber até mesmo ex alunos e pessoas de fora, para prestigiar. Foi muito legal ver todo mundo conversando sobre música, com guitarras penduradas, trocando experiências e pontos de vista! Chegada a hora, afinemos os instrumentos, e mãos na massa! Abri a noite tocando “Rock You Like A Hurricane’’ do Scorpions, tirada meio que de última hora, e tentando honrar o mesmo solo mitológico. Em seguida, cada um apresentou as canções escolhidas, e vez por outra, juntava um aluno com outro para fazer um improviso, dando mais ainda, um ar de jam. Todos, sem exceção se superaram e impressionaram, mas um último aluno precisa ter citada sua história: uma dedicação fora de série o fez aprender uma canção, que já fiz até um post sobre, ‘’I Want it All’’ do Queen, e seu problema era justamente com bends. Essa canção era para humanamente ser aprendida em 3 meses, e não teria nem 2 meses completos para tal. Eis que o cara não só conseguiu, como o desafiei para um jam de blues rock, a lá Rory Gallagher e no encerramento, e depois, ainda fez um improviso hard rock com outro antigo aluno.

    Todos alcançaram seus objetivos e deram uma aula de dedicação e superação, afinal, quando você vê alguém que sabia fazer só meia dúzia de acordes, tocar um thrash metal em 2 meses, ou um aluno com digitação falha na guitarra, consertar muitos erros, e tocar os solos do Dave Murray e Adrian Smith? E até mesmo quem não tocou no dia, mas se dedicou até o último segundo, merece ter todo o mérito, que de forma carinhosa, veio com um distribuição de cds, no fim da ‘’farra’’ guitarrística. Se por vezes, meu corpo e alma desanimam e não encontram forças algumas vezes, é com esses exemplos, que ele se alimenta e busca continuar. Obrigado a todos!

1920308_783693618333170_5579977165721213863_n 10849764_642439475867065_1283683285800394775_n

Enfim, o palco!

    Não há sensação melhor no mundo, do que tocar ao vivo: é o reflexo de tudo que você estudou e você preparou à tempos, para apresentar ao público. Mas e quando isso vem do nada, sem aviso prévio? Clama, que eu explico! Fui chamado para um apresentação numa ong de uma amiga, iria na boa, com meu humilde violão, até que pensei: ” se toquei com minha banda sem ensaio no workshop, e deu certo, porquê não tocar com eles, ensaiando antes?”. A temática era simples: escolher algumas canções em que todos pudessem se divertir, tocar, e improvisar, tal qual faziam as bandas dos anos 70. Led Zeppelin, Deep Purple, Cream, são a escola de tal vertente, ainda mais quando se toca em trio. Alan Viera, meu aluno de guitarra, que passou para o baixo, no intuito de fazer certas dobras, improvisos, e sem um pingo de pudor na hora de se jogar em prol da canção, e Érick Diniz, um dos melhores bateristas da região, com peso e groove. A temática foi adentrar o universo blues rock, e o injetar peso e improvisos. As escolhidas foram ”Everyday I Have The Blues” ( Elmore James ), ”Caleidoscópio” ( Paralamas ),”Down em Mim” ( Barão Vermelho ), ”Cocaine” ( Eric Clapton ), um momento de loucura plena, em que arriscamos puxar um blues e seja o que Deus quiser, e o fechamento com ”Foxy Lady” do Hendrix. Tudo certo, então? Mais ou menos, já que o pouco tempo e compromissos, fizeram que o ensaio ficasse fracionado: uma vez ensaiei com o baixista, noutro dia, com o baterista. Poucos dias antes, pra completar a loucura, a outra banda dos meus amigos Alan e Érick , a Hacrópole, não poderia tocar, pois o baixista original, estaria escalado para o trabalho. Eis que surgiu a ideia, de levarmos nosso projeto no lugar ( afinal, 2 integrantes são os mesmos ). Antecipei todas as aulas para o dia anterior ( ficar numa quinta dando aula de 10h até 22h é cansativo ), mais algumas aulas na sexta, até que chega à noite, uma passada rápida na casa do batera, passa cada música uma estrofe, beijos, tchau! Partimos para casa de show. Vimos a banda que tocou antes, eu malucamente, com a guitarra no pescoço e metrônomo no ouvido, já aquecendo, até a chegada a hora. Pelo line- up do dia, o foco era algo mais alternativo, mas como seria a reação do público, e como soaríamos? Afinal, o primeiro show de verdade! Com a nomenclatura de ”Herick Sales & Woljtek Band ”     ( um tributo descarado à Stevie Ray Vaughan & Double Trouble ), subimos e começamos a tocar ”Everyday I Have The Blues”. Ao que tudo indica, o público gostou e a química começou a dar certo. As músicas ganharam mudanças, como ”Down em Mim”, que ganhou peso e um toque de Gary Moore nos solos. Mas o ápice foi o momento jam, em que foi puxado um blues em E7, passou para um rock estilo Chuck Berry, fechando com ”Whole Lotta Love”. Até agora não sei como isso tudo saiu sem erros. Por fim, ”Cocaine” ( do vídeo ), rendeu um solo destruidor de baixo do meu camarada Alan, que impressionou muita gente, que só o conhece como guitarrista, e fechamos com Foxy Lady. Yes! Foi! Tudo correto, certo, poucos problemas técnicos e a sensação de trabalho feito. Particularmente, ao voltar, mesmo de madrugada, treinei mais um pouco, até chegar a dormir com a guitarra. Dia seguinte, mais correria, levando equipamentos para a ong. Problemas técnicos a mais, faltando equipamento, correria para sanar isso, espaço menor, mais correria, mas foi. Repertório idêntico, porém dotado de improvisos diferentes, e a jam, deu lugar a uma base country e toques fusion no fraseado de guitarra. Eis que cai a ficha: 2 shows, em menos de 24 horas! Nesse momento agradeci a Deus a oportunidade, vi o quanto foi bom tanto tempo de estudo em minha vida, ter tido a dedicação dos meus amigos de banda, e por ter a chance de trabalhar com música. Só faltou fechar com um bom passeio, e uma caipirinha para comemorar!

1391796_712293818852246_5400309885049228293_n

10334409_528196963950731_2900339314101305383_n

Diário de um músico: ‘’Um passeio pela historia da guitarra’’

10635908_589211427856537_452717937408831999_n

Os sorrisos já falam por si…

 

 Workshop – ‘’Um passeio pela historia da guitarra’’

 

    Só pelo nome, nota-se o tamanho da responsabilidade: sintetizar em 2h, a história da guitarra, com peculiaridades de forma que agrade quem já conhece, toca, e quem é leigo. Mostrar desde o começo do blues, o estilo e peculiaridades, e como influenciou tudo que veio em seguida. Citar Robert Johnson, Elmore James e T- Bone Walker, e o quanto tais nomes, mesmo não tão conhecidos atualmente, foram vitais para a existência de diversos conceitos. Organizar slides, ensaiar exaustivamente várias partes, ideias a serem apresentadas, sem perder um ar de improviso, sem ficar mecânico em demasia. De brinde, no susto, a primeira ‘’apresentação’’ da minha banda, já que o combinado era tocar apenas 2 músicas, porém, o resultado e animação foi tamanha, que tudo transcorreu de forma a tocarmos as 2 horas de workshop. Um pequeno ensaio de 2 horas, e torcida para que a química funcionasse foram essenciais, e de fato, gerou resultados incríveis! Nada mais divertido do que começar tocando “Everyday I Have the Blues’’, e improvisar sobre a canção, dando boas vindas ao público, e trazendo aquele clima do que há por vir a todos. A primeira parte contou com conceitos básicos, porém importantes da guitarra, como bends e vibratos, e diferentes fraseados de blues. Brincadeiras tocando Deep Purple e Rolling Stones, sem ensaio nenhum, trouxe um ar de jam session e diversão entre amigos.  A parte mais difícil, foi tocar um blues em ‘’E7’’, e sobre isso, apresentar os estilos de fraseado, em ordem cronológica, de B.B. King, Peter Green, Eric Clapton, Jeff Beck, Duanne Allman, Stevie Ray Vaughan, Gary Moore e Joe Bonamassa. Os anos escutando cada um deles ajudaram a tornar essa tarefa menos difícil, já que ninguém soará igual a eles.

    Sorrisos, elogios, dão a certeza de que tudo deu certo na primeira parte. Abrir o bloco final, tendo que responder a pergunta de ‘’como se faz para tocar bem’’, é um pouco embaraçoso, confesso. Não há muito que se explicar, cada um encontra seu caminho, mas nele, sempre encontra-se a dedicação e paixão pelo que faz. A mesma linda de blues, agora em outro tom, e com mais acordes, dão a deixa, para mostrar rapidamente como transpor tal universo para o jazz e country, antes de cair para o outro extremo: executar a mesma base mais rápida, e com tapping, prestanto um leve tributo ao mestre Eddie Van Halen. Sem ensaio quase, ouvir a bateria ‘’comendo no bumbo duplo’’, no meio do solo, traz uma sensação de que está dando tudo certo. Uma base flamenca, melodias do Metallica, choro e baião, exigiram muito ensaio meu, para executar tudo um seguido do outro, com basicamente os mesmo acordes, tudo para mostrar que conhecer o braço da guitarra é importante. Um blues lento em tom menor, a transposição disso para um funk fusion, inserindo mais melodias, e uma parte inusitada: uma versão instrumental de ‘’Nos Galhos Secos’’ ( isso, a do vídeo que ficou famoso! ), exemplificando de uma vez por todas, que quanto mais se conhece, mais se pode ‘’brincar’’ com as músicas. Por fim, uma homenagem descarada ao mestre Hendrix, com a clássica Foxy Lady, e uma chuva de improvisos de toda a banda.

    Não há nada mais divertido do que sentir a química entre músicos ao vivo, e poder trabalhar com a música. Se uma pessoa apenas, saiu desse dia de forma diferente, vendo a música com outros olhos, tenho pra mim que a missão foi cumprida, pois se cada ser humano se preocupasse em fazer bem a uma pessoa que seja, o mundo seria bem melhor. Pelos sorrisos da foto, é possível ver os efeitos da música em cada um de nós.

Blues para todos nós…

10603008_671892009568844_1079789581_n 

    Novamente um amontoado de coisas, mesmo organizadas, perto de mais um compromisso, fazem sua presença em forma de um frio na barriga. Dentre mais uma semana de aulas, visualizei alunos evoluindo bem, tanto na visualização de escalas pelo braço, e começando a improvisar melhor com as mesmas, mais uma constante foi notada em muitos: palhetada alternada, e a forma como cada um se posiciona fisicamente, perante o instrumento. Alguns alunos seguravam a palheta de uma forma a travar completamente a palheta entre os dedos, dificultando assim, tocar com mais leveza, e certas vezes, posicionando a mão, de forma um pouco diferente, que possuía muito mais chances de atrapalhar, do que ajudar. Tocar um instrumento, é relaxar para a vida, se divertir, e trazer paz para si. Não é para ser dotado de esforço, ou força desnecessária. Cada técnica vai demandar mais ou menos força, mas saber a forma mais tranquila de executar cada uma, é um dos detalhes mais importantes, para desenvolver-se bem no instrumento.  Acaba que cabe um pouco ao professor, fazer um certo trabalho de observador também, vendo o aluno tocar, de forma natural, certas vezes sem que o próprio repare, e fazer um trabalho de formiguinha, tentando achar pequenos detalhes, que podem estar dificultando o aprendizado.

    Junto disso, a cabeça a mil, com detalhes de um workshop a serem resolvidos: slides com fotos dos músicos citados, tópicos a serem falados, e estudo de cada tema a ser executado, da melhor forma possível, apresentando detalhes da história da guitarra, e de um gênero tão rico como o blues, com todas as vertentes que ele originou, em apenas 2 horas. Linkar o mundo de Robert Johnson, com o de Stevie Ray Vaughan e o de Joe Bonamassa, e o que isso tem a ver com Eddie Van Halen e Paul Gilbert. O que teria a ver isso, com country, ou com jazz? A responsabilidade de apresentar a muitos seus pontos de vista, informações valiosas, sem soar chato, e conquistar novos olhares para a música, seja para estudar mais e buscar melhorar, seja para se interessar a começar a tocar, ou apenas, trazer um pouco mais de conteúdo ao paladar musical de cada um, trocando informações, ouvindo o que cada um tem a dizer. Afinal, música é uma das mais belas trocas que um ser humano pode fazer para com o outro.

Diário de um músico: Dedicação, foco e excelência

Rory-Gallagher

Rory Gallagher: exemplo de paixão e comprometimento com a música

    Um fator que sempre bato na tecla com meus alunos, e até comigo mesmo. O quanto você realmente se entrega à sua profissão? De corpo e alma? Desânimo, doenças, tristezas, baixa autoestima, milhares e milhares de fatores contra a excelência nas suas atividades e trabalho. Mas seja qual for a atividade desenvolvida, para ser com muita qualidade, é preciso empenho, e uma dose de entrega. Diria até mais: paixão. Paixão pelo que se faz. Quantas e quantas pessoas estão atrás de mesas com papéis, ou em outras funções, talvez até muito bem aceitas socialmente, mas são infelizes? Isso muitas vezes, resulta em tarefas executadas corretamente até, mas sem um elemento que traga diferencial, que faça com quem você esteja trabalhando solte um ‘’UAU!’’, pela qualidade do seu trabalho. Dado esse ponto de vista, há necessidade de salientar que, só faz extremante bem feito, quem conhece, quem busca melhorar cada vez mais seus conhecimentos e suas habilidades.  Logo a dedicação e o traçado correto de um objetivo, de sua meta, e como chegar nesse lugar chamado excelência, traz a diferença. Saber onde empregar sua paixão, não frustrá-la, guardando-a num baú trancado, e jogar sua força nisso, de corpo e alma, com dedicação e organização. Esse fator faz a diferença, seja qual for a área. Seja lá o Pelé, Bill Gates ou Eddie Van Halen, todos se entregaram de corpo e alma às suas profissões, tarefas, e souberam onde empregar suas energias. Já vi muitos alunos com determinação, força de vontade, mas que em casa na hora de estudar, perdem o foco e começam a tocar coisas a esmo, repetindo o que sempre já tocaram, e com isso, começam a acreditar que não possuem capacidade avançar. Buscar orientar cada um deles, mostrar os caminhos mais assertivos em busca de um objetivo maior. E não há nem um tom de superioridade em minhas palavras, pois estou nessa mesma busca até hoje, e passo pelas mesmas mazelas que desanimam e atrapalham a qualquer um, e deparo-me com situações complexas de resolver, como por exemplo, marcações de aulas somadas no mesmo dia, totalizando com 12 alunos no mesmo dia, entre idas e vindas do blues rock de Rory Gallagher, que tocava nas caixas de som, entre uma aula e outra. Mas a dedicação e paixão por tudo superam, e anos estudando assuntos sobre determinada área, conseguem fazer você direcionar melhor como organizar cada detalhe da melhor forma possível, afim de que todos saiam com a sensação de que valeu sair de casa, para ter mais uma aula.

    Para fechar, costumo dizer que todo professor possui uma pitada de psicólogo, ainda mais sendo professor de música, que possui uma afinidade muito maior para com o aluno, afinal mexe-se com sonhos e com a sensibilidade do mesmo,e ouço desde histórias hilárias, até medos e desabafos. Orientar como fazer, pautado na experiência já vivida, ou em opiniões saudáveis, mostrando onde direcionar mais sua força, contribui tanto quanto uma escala, um acorde, ou uma música ensinada, para que dentro dos seus limites, todos busquem a excelência. Como diria o jornalista Malcolm Gladwell, escritor do livro Outliers: The Story of Success, para se destacar em determinada tarefa, são necessárias 10 mil horas de trabalho árduo, citando como por exemplo, os Beatles , que ficaram em Hamburgo trabalhando por 18 meses e tocando 5 horas por noite para aperfeiçoarem sua técnica e trabalho em grupo, e que resume de forma simples como mesclar bem o foco, a paixão, e como obter sucesso na sua tarefa:

  1. a) Faça trabalho que tenha significado e seja inspirador para si;
  2. b) trabalhe arduamente;
  3. c) lembre-se que a recompensa merecida depende do esforço que fizer para alcançá-la.

Diário de um músico: marketing final

3540358067_e4f2b8b650_z

Suas mãos: seu marketing final

Diário de um músico:

      Semana menos cheia que o normal. Alunos com problemas, dentre eles até de saúde, e inclusive, um resfriado de minha parte, para deixar certas tarefas mais arrastadas. Saber vencer o desânimo em prol de um trabalho bem feito é necessário. Superar a preguiça, o cansaço físico e mal estar, e continuar mantendo o máximo possível, o mesmo nível de dedicação, treinos, e não deixar cair o nível das aulas da semana. Em meio a isso, criar algumas estratégias de propaganda, como forma de divulgar o trabalho e conteúdos que atraiam visitas e futuros alunos, clientes, que precisam ver você ativo e presente, afinal, quem não é visto, não pode ser lembrado. Criar alguns estudos, que possibilitem suprir a demanda de alguns alunos: solar, usando a escala natural, mas de forma coesa e sem ‘’engasgar’’, sem deixar de lado, a visualização da harmonia em questão. É necessário dosar o conteúdo, aos poucos, para uma assimilação concreta do conteúdo, sem ficar algo largado na cara dos mesmos, e não absorvido. Faze-los também, trabalhar em conjunto, ainda mais, quando eles interagem em bandas, etc. Fazê-los não somente mecanizar um padrão, mas tentar direcionar o caminho, e fazê-los raciocinar, e entenderem os porquês de diversos elementos (o porquê dessa nota em tal acorde, o porquê de tal nota não soar bem, etc), mas mostrar na linguagem mais acessível possível, esmiuçando detalhes, sem ser pragmático ao extremo, como se fosse dono da verdade absoluta.

    Não esquecendo também, que o um dia é munido de diversas outras tarefas, dentre elas, os preparos do workshop. Delinear conteúdos, encontrar assuntos, e se questionar quais seriam mais interessantes ao público, que mescla alunos, pessoas já inseridas na linguagem musical, e leigos que apenas admiram. Achar a linha tênue entre os elementos, e fazer do seu trabalho apresentado, uma grande e forte propaganda, que fica na mente das pessoas como uma lembrança bem guardada, uma melodia, um momento de despertar de sensações. Criar satisfação perante o evento esperado, pois o maior marketing/final de tudo, está em suas mãos e em como você trata à música, para ser degustada por cada paladar.

Diário de um músico

vlcsnap-2010-08-29-13h57m27s164

Jimmy Page: músico e visionário

Arte x visão empreendedora

Bem normal, muitos não dimensionarem o quanto é exigido de um músico em certas situações, ainda mais se ele acumula múltiplas tarefas. Pouca folga, numa semana com aulas, mas seria apenas dar aula, depois voltar para o quarto, treinar mais um pouco, e fim? Nada disso! Alunos de diversos níveis, que querem de você um bom trabalho, e confiam em ti para isso, para corresponder aos seus anseios, sonhos, e expectativas. Planejar tudo o que ensinar para cada um, pois uma música, pode gerar bons resultados para uns, mas não para outros.

Alguns alunos essa semana estudaram ‘’Cochise’’ do Audioslave, música com riffs pentatônicos, boa para desenvolver uma habilidade básica, nas cordas graves, pois possui riff repetitivo e bem feito, mas há alunos com outras necessidades, precisando entender o porquê de determinado grupo de acordes funcionar bem juntos, que precisam melhorar a palhetada, improvisação seguindo a harmonia, ou que por problemas pessoais não puderam treinar, e precisam ‘’voltar à boa forma’’, e necessitam de certa ‘’ajuda’’.  Por tudo em ordem, organizando o que aplicar, e até aprender coisas novas, compor, afim de instruir e sanar tais demandas, requer tempo, paciência e certa dose de visão, de quais exercícios, ou ideias, podem gerar resultados mais rápidos, juntamente do fator ‘’satisfação’’ do aluno. Saber improvisar situações em que todos trabalhem em conjunto, mesmo vez por outra, sendo de níveis diferentes, quando por exemplo, um aluno que está aprendendo uns riffs mais estilo thrash, e outro já está começando a improvisar seus primeiros solos,  calham por problemas de horário de ambos, imprevistos, tendo que fazer aula juntos.  Unir cada um, de forma em que ambos possam aprender separadamente, e em dado momento, juntar suas ideias, completando um ao outro ( obviamente, ambos sabendo de determinada situação de encontro de horário, algo esporádico ). No meio desse furacão, planejar melhorias do ambiente das aulas, com melhores condições para todos, além de manter a técnica em dia, pois nada mais estranho, do que alguém te ensinar algo, exigir de ti bastante, se ele mesmo está meia boca, e tentar aprende algo novo, um lick, uma ideia melódica. Para completar, uma excelente notícia: um convite de workshop, mostrando sua visão de ensino, sua visão da guitarra, em que pessoas querem ouvir seu ponto de vista, sua historia, aquilo que você demorou anos investindo, é algo recompensador. Junto da alegria, um certo peso de responsabilidade, de ofertar um bom conteúdo, direto, sem amarras normais feitas por muitos que dizem ensinar música, mas sem soar vazio, ou apenas ‘’mais um guitarrista’’ qualquer. Atender a todas as situações, fazer com que todos fiquem satisfeitos pelo serviço contratado ( afinal, alunos e pessoas interessadas em sua visão, seu conhecimento, contratam o seu serviço ), e queiram tê-lo como alguém que podem confiar, alguém que possua uma marca de qualidade, mesmo não sendo um produto embalado, requer dedicação e jogo de cintura. Há um mundo inteiro por de trás de acordes, solos, e música, que poucos conhecem, que te fazem trabalhar 13h direto, dormir 3 da manhã com o corpo já não correspondendo da mesma forma, mas há também uma satisfação que só que sente, pode saber o quanto é bom…