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Entre o jazz e o rock: entrevista com Luke Trigueiros

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    Luke Trigueiros é diretor geral de cordas da rede de escolas Elite Musical, tendo composto o método de guitarra da rede e gravado a vídeo-aula da mesma. Sendo atuante, tocando na noite com a banda de rock The Kalks, Luke está terminando as composições do seu 1º CD instrumental, com foco Jazz brasileiro. Luke tem um vocabulário grande, além de ter em sua essência, um misto dos 2 mundos: o jazz e rock. E é sobre a importância de ser professor, e transitar por esses mundos, que ele entrega essa bela entrevista, com direito a um lick em forma de mini aula. Confiram:

1)  Luciano, você é professor a muitos anos, e eu mesmo tive a honra de fazer 3 meses de aula com você.  Você também lida com outros professores no seu trabalho, gostaria de saber de ti: no atual mundo das informações, com tudo na internet, qual o papel do professor na sua opinião? 

    O professor continua como a peça principal no aprendizado do aluno.  Nada adianta ter todas as informações do mundo na internet como métodos e vídeos, se não houver um profissional qualificado para responder, tirar as dúvidas e orientar o aluno. Hoje existe muita gente publicando materiais na internet e muitas dessas pessoas acreditam saber muito, e não o sabem. Então, cuidado!!! Tem coisa boa na internet?? Sim, mas muita coisa ruim também, e o professor neste caso pode servir para filtrar para o aluno o que é bom, onde existe uma boa explicação e uma boa execução.

2) Como se deu sua aproximação com o jazz?

    Foi com o estudo. Eu comecei na guitarra como quase todos os guitarristas, pelo Rock. Mas com o passar do tempo, estudando, fui me interessando por coisas mais desafiadoras. Tocar Satriani, Vai, Petrucci foi meu grande desafio numa época. Depois o desafio foi conseguir tocar harmonias mais sofisticadas e improvisar nelas com um som clean. E quanto mais eu estudava, mais me apaixonava por esse estilo.

3) Na sua opinião, o que o jazz e fusion, podem acrescentar para quem toca rock e blues?

    Tem muito a acrescentar com certeza. Existem vários guitarristas de Rock que em algum momento podemos escuta-los transitando por algo mais “jazzístico”. Caras que eu gosto muito e que já ouvi coisas sofisticadas, como por exemplo, Mike Einziger (Incubus). E até mesmo Tom Morello e Joe Satriani, que se dizem grandes fãs de Allan Holdsworth. Qualquer estilo musical que você estude, tem muito a acrescentar no seu estilo de tocar. Assim como o próprio Rock também acrescentou para muitos músicos de Jazz.

4)  Você demonstra ser um músico que nunca para de estudar. Enquanto alguns músicos, simplesmente ‘’param’’ um pouco no tempo. Qual a importância de manter-se sempre estudando, na sua opinião?

    Pra mim, me manter sempre estudando, é um ato simplesmente de paixão pela minha profissão. Mas também devemos ter a consciência, de que o músico que para de estudar, acaba ficando desatualizado e por fim obsoleto. A cada dia, mais músicos competentes aparecem no mercado. As técnicas evoluem, a percepção evolui, as composições e a improvisação estão sempre em mutação evolutiva. Não há como parar de estudar!!!

5) Poderia deixar um conselho para os leitores, e 5 álbuns de jazz ou fusion, como recomendação?

     Ame o que faz!!! Ame seu instrumento e não se importe com a opinião dos outros. Cada ser humano é único e cada um vai expressar a arte do seu jeito!!

Vou citar 5 álbuns de guitarristas de jazz ou fusion que eu curti e ainda curto muito!
1- Pat Metheny Group – Letter From Home.
2- John Scofield –  Überjam.
3- Wes Montgomery – The Incredible Jazz Guitar Of Wes Montgomery.
4- Tribal Tech – Face First.
5- Kurt Rosenwinkel – Deep Song.

Contatos com Luke Trigueiros:

Abaixo, a frase com uma ideia jazzística, em pdf, para você ampliar seus horizontes:

Frase de Kurt Rosenwinkel

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Exclusivo: Entrevista com o mestre Marcos de Ros!!!

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    Marcos De Ros é um renomado guitarrista brasileiro, sendo extremamente atuante na área, com workshops, gravando álbuns ( como o excelente ”Peças de Bravura” ), além de ter um senso de humor sensacional! Confiram esse papo exclusivo, rico em ideias:

1) Primeiramente, obrigado por aceitar esse convite! É um grande prazer te entrevistar! Conheço a um bom tempo seu trabalho, e você é um guitarrista dotado de muita técnica, mas também musicalidade, indo do rock ao erudito sem dificuldade. Quais são suas grandes influências musicais?

    Velho, complicado falar de influências, porque até hoje eu continuo estudando e sempre tem guitarristas novos que, de uma certa maneira, acabam me influenciando. Acho que um dos grandes truques é manter o leque aberto, ouvindo e evoluindo. Às vezes uma crítica contundente, na hora certa, pode te influenciar mais até mesmo do que um mestre. Mas para não deixar no ar, vou citar alguns que me vêm à mente agora: Paul Gilbert, Al Di Meola, Malmsteen, Jason Becker e Richie Blackmore.

2) Possuo alunos e amigos que gostam de compor, já possuem banda ou almejam uma, porém, são receosos quanto a receptividade das canções, público, etc. Qual sua motivação para compor e apresentar seu trabalho?

    Se está receoso quando à receptividade do publico, está na profissão errada. Ou então, tem que fazer um bom trabalho psicológico, porque tem muita gente que está aí com o intuito claro de massacrar quem começa a se destacar. Ou tu usa a filosofia Conan, que quando lhe foi perguntado “Conan, o que é o melhor da vida?” ele responde “Destruir seus inimigos, vê-los fugindo de você, e ouvir os lamentos de suas mulheres!” ou seja, ignorando e esmigalhando esses criticos nas cordas da tua guitarra, ou tu tem uma super auto-estima e sabe exatamente quem é, o que tem capacidade de fazer e quais as tuas limitações. Não conheço outra maneira de lidar com isso.

3) No Brasil, temos grandes músicos de qualidade incrível, e artistas de trabalho sensacional. Na sua opinião, por que tais trabalhos não possuem o devido reconhecimeto e espaço?

     Tu vai ficar meio besta com a minha resposta, mas eu acho que os trabalhos absolutamente sérios e compromissados com a sua finalidade, são bastante reconhecidos aqui no Brasil. Se ele ainda não foi reconhecido, talvez falte algo no artista.

4) Você vai lançar um álbum agora em 2015, certo? O que podemos esperar dele?

    Inovação e surpresa. Se não for surpreendente, eu não fico muito empolgado e daí a coisa não deslancha, hehehehe!

5) Obrigado novamente, Marcos! Poderia deixar um conselho para os guitarristas que acompanham o blog, e seus contatos, para quem quiser pesquisar mais sobre você?

    O conselho é o seguinte, nada cai do céu, nem técnica, nem musicalidade, nem senso estético, nem boas composições, nem bandas, turnês ou premiações. Só chuva. O resto, tem trabalhar muito, mas muito mesmo!

    Inscrevam-se no meu youtube e facebook, serão muito bem-vindos:

    https://www.facebook.com/marcos.deros

    https://www.youtube.com/user/marcosderos

    Marcos De Ros

   Abaixo, seu mais recente vídeo. Confira:

522369_365152026909512_429593611_nkkkk Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.