Arquivo da categoria: Música e empreendedorismo

Indústria musical, mudanças, e o que pude aprender com a novo lançamento do Iron Maiden

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    Não adianta. Os tempos mudaram, e isso é um fato! Grande parte das pessoas hoje baixa os álbuns que mais gosta, quando não baixa apenas as canções que mais curte, e não há nada que se possa fazer para mudar isso. Há sim, aqueles que ainda esperam o dia do lançamento de um álbum, vão a loja, compram e tudo mais, mas quando você vai comprar uma roupa o que você costuma fazer antes? Você só bate o olho na estampa e compra? Muito provavelmente você experimenta para ver se cai bem em você, e se você realmente gosta. Claro que em se tratando de arte, nada é muito imediato, você precisa ”degustar” um pouco a obra, para entender o conceito, mas eu particularmente não vejo problema em ter essa ”prova” antes. Quem nunca comprou um álbum e sentiu-se decepcionado, ou enganado? Lembro-me bem da época em que falaram horrores do lançamento de Metallica, que seria pesado, volta às origens, etc, e eles vieram com St. Anger. Então, particularmente, não vejo mal algum em você ouvir o álbum antes de comprar, e antenados nesse tipo de comportamento, o Iron Maiden entrou nessa ”brincadeirinha” de vazar o álbum dias antes do lançamento oficial. Ah, vamos lá, você acredita que isso é sem querer, e o artista não sabe? Sabe de nada, inocente!!! O ser humano é um bichinho que adora ter vantagem, então, numa situação como essa, ele vai lá, baixa, e tem a sensação de que  ouviu antes da maioria. Ele ouve, reouve, se habitua com a obra, e se for boa e agradar, ele vai e compra. Simples! Os fãs antigos, que compravam LPs na época do lançamento, abriam encarte e liam as letras, esses estam ”garantidos”, vão lá religiosamente para comprar o álbum, mas com essa de ”vazamento” ganha-se outra parcela de público. E por fim, o que para mim foi a maior tacada de mestre: o Iron contratou uma empresa para analisar os torrents de seu novo álbum, fazendo uma lista das cidades que mais baixaram ilegalmente o álbum The Book of Souls, para com isso, mapear onde estão mais populares, onde o álbum foi mais buscado, e assim marcar shows passando nessas cidades. Ou seja, ao invés de ficarem choramingando como o mala do Scott Ian faz, dizendo que a internet não deveria ter existido, o Iron usou as mudanças a seu favor! O álbum virou cartão de visitas para o show, algo que o Iron Maiden foi caprichando cada vez mais com o tempo.

    Se você gosta ou não da banda, tudo bem. O que importa é que eles não ficaram reclamando das mudanças do mercado musical! Eles como grande empresa que são, souberam utilizar tais mudanças a seu favor, provando que a longevidade do seu trabalho, se deve não só a competência de seus integrantes musicalmente, mas a mentes que pensam como empresa, e analisam bem o mercado a sua volta, tornando ameaças, em oportunidades.

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Seja um pouco ”oportunista” na guitarra! Potencialize suas qualidades!

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Richie Kotzen: como notou ter mais facilidade com ligados, virou esse monstro…

    Sabe quando você está estudando, e vem logo aquele tipo de técnica que você fica mais à vontade, e sente mais facilidade para fazer? Então, a tendência é você pensar algo assim: ”Ok, os ligados saem, mas a palhetada é uma porcaria, sou um merda”. Antes de ter esse pensamento ”fofo”, que tal pensar: ” Hey! Consigo fazer ligados com bem mais facilidade, por que não investir nisso? ” . Não é largar de mão as técnicas que possui mais dificuldade ( nada de se auto boicotar ), mas é potencializar suas habilidades, as suas competências, algo bem corriqueiro no mundo corporativo e empresas bem sucedidas, que buscam sim, corrigir falhas e amenizar fraquezas, mas focam no seu potencial, aonde podem liderar e sobressair. Seguindo essa lógica, você pode trabalhar no que é mais natural para ti, ser um pouco ”oportunista” na hora de moldar parte do seu estilo. Se você está estranhando essa palavra, sinto-me à vontade de usá-la desde que li uma entrevista com Edu Ardanuy dizendo que fez isso: foi ”oportunista”, potencializando aquilo que lhe era mais fácil, para ganhar destaque nisso, e foi buscando nivelar aos poucos outras técnicas que lhe eram mais difíceis. O moço acima, Richie Kotzen, muito do sabido, viu que possuía bem mais facilidade com ligados do que com palhetada, e sobre isso, foi estudando o estilo de Allan Holdsworth e Steve Vai, e trazendo para seu universo musical, e moldou um estilo único sobre essa facilidade que ele tinha, a ponto de hoje em dia ter desprezado a palheta, e sambar na nossa cara, tocando coisas absurdamente técnicas e virtuosas sem a mesma. Veja isso, e solte o clássico ”PQP”:

    Após essa humilhação, cito o mesmo para comigo. Eu tinha muita dificuldade de palhetar um desenho de escala, em sua totalidade. Porra, eu cagava sempre no meio, ou no final! Aos poucos fui notando que eu conseguia executar o mesmo padrão, com ligados, e sem me matar para isso. Então, fui tentando desenvolver esse lado, e estudando por fora palhetada, e sempre que ia fazer partes longas com palhetada, e via que ia começar a perder a sincronia, completava com ligados, o que dava uma mistura sonora interessante. Conclusão: Hoje, mesmo fazendo longos trechos com palhetada, mesclo sempre partes com ligados, e acrescento tapping também para alcançar maiores intervalos, tudo aproveitando essa facilidade que descobrir ter. Só pra você ter uma ideia, vou botar um vídeo meu aqui, em homenagem ao moço de cima, e a Jeff Beck:

    Deixo aqui, uma tabelinha, para te ajudar a visualizar seus pontos fortes, ao lado de suas fraquezas:

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    Não é incentivo a deixar de lado suas dificuldades! É um incentivo a uma tomada de direção mais qualitativa de si mesmo, que busca ver seus pontos fortes e potencializá-los, ao invés de olhar pelo prisma do pessimismo que só enxerga a dificuldade, e se auto deprecia.

O que eu pude aprender com Dave Grohl

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    Não é necessário ser fã do Dave Grohl para conhecer sua história. O cara foi baterista do Nirvana, e após a morte de Kurt Cobain, passou a liderar o Foo Fighters, que hoje em dia lota estádios e possui mais apuro técnico que sua antiga banda, e que só faz evoluir em termos sonoros. Mas não quero me ater a isso exatamente. Quero mostrar alguns pontos interessantes da personalidade e forma de agir do mesmo. Dave é considerado um dos músicos mais simpáticos do planeta, tendo uma incrível rede de networking. Para quem não conhece, essa é uma expressão que representa uma rede de contatos, às pessoas que um indivíduo conhece e aos relacionamentos pessoais, comerciais e profissionais que mantém com elas. E esse jeitão dele, por incrível que pareça, teve influência de Dimebag Darrel, do Pantera: ”Essa hospitalidade que hoje em dia a gente tenta ter no backstage veio dessa experiência com o Pantera (…) Depois desse dia, eu estava tipo “de agora em diante, todo mundo pode chegar na nossa sala, não importa se é a Britney Spears”. Sempre que eu tô em um festival, a primeira coisa que eu faço é pegar uma garrafa de whisky e ir bater de porta em porta pra ver quem são os caras mais engraçados. Você ficaria surpreso em saber quem são os verdadeiros malucos” ( Fonte: Whiplash.net ). Pode parecer uma bobeira, mas com certeza, isso trouxe um leque importante de mais oportunidades a Grohl, pois ele não ficou ”limitado” na sua área de conforto, ele tinha conhecimento de várias pessoas, e muitas vezes, pessoas certas, e mantinha um comportamento acessível, não se metendo em confusões que manchassem sua imagem, fator que com certeza favoreceu a entrada e o aparecimento de milhares de projetos que ele participa, e faz bem. Além disso, ele mantém um contato e respeito enorme aos seus ”clientes”: o público. Que artista você conhece, que quebra uma perna, pega o microfone, e avisa do ocorrido, deixa os músicos da banda continuarem o show, vai ao hospital, e ainda volta depois? Ele não teria necessidade de fazer isso, mas haviam pessoas ali, que com certeza, trabalharam bastante para pagarem tal ingresso, e vê-los.

    Tais atitudes, mostram os motivos de Dave Grohl ser tão querido, e possuir uma carreira de sucesso, no qual é bem aceito em diversos ambientes. Da próxima vez que quiser pegar sua guitarra, não para fazer boa música, mas para querer se mostrar ”melhor”, ou se achando o ”fodão”, lembre-se desses conceitos e exemplos, e como atitudes inteligentes, cordialidade e os contatos certos, podem impulsionar mais e mais o seu talento e carreira.

Inovação, capacitação e divertimento!

Jeff Beck

Carreira exemplar! Inovação e talento!

    Um serviço é um atividade oferecida para venda, ou agregada a um produto, e é muito importante compatibilizar o conhecimento de negócios, com as oportunidades existentes no mercado. Como disse em outros posts, ao fazer um show, você presta um serviço, e ao vender seu material ( cd, camisa, etc ), há um produto agregado, e saber avaliar o mercado da música a sua volta, torna-se de grande valia para buscar maiores êxitos. Um músico de extremo tino visionário, é Jeff Beck, que soube avaliar o que rolava no mercado em cada época, e foi incorporando em seu som, sem se descaracterizar, além de ir melhorando mais e mais tecnicamente. Na virada dos anos 60 para 70, seu som era totalmente voltado para o blues rock característico da época, como pode notar abaixo:

    Já no meio dos anos 70, buscando vôos maiores, incorporou ao seu som o fusion, porém, manteve sua pegada blues, tornando-se um dos ícones do gênero que começava na época:

    E chegou ao cúmulo para alguns, de no fim dos anos 90, com pé nos anos 2000, incorporar a música eletrônica no seu currículo:

    Com isso, podemos fazer um paralelo com o empreendedorismo, sobre como se firmar e conseguir sucesso nos negócios, como vemos abaixo, adaptado de ” O Guia PEGN – Pequenas Empresas & Grandes Negócios ”.

  • Excelência: considerar-se um ”concorrente”, tentando ser melhor a cada dia;
  • Cooperação: fazer parcerias, e juntar esforços com outras pessoas;
  • Apoio da família e amigos: essa parte é complicada, mas sempre ajuda;
  • Criatividade e inovação: questione sempre aquilo que faz, procure sempre melhorar e inovar;
  • Foco no cliente: claro que sua música precisa agradar primeiro você, porém, é bom ouvir seus fãs, quem curte seu som;
  • Visibilidade: divulgue-se! Apenas tocar bem não adianta!
  • Capacitação e conhecimento: invista muito nisso para você, e cobre de sua banda!
  • Autonomia: busque soluções próprias. Não espere que alguém venha resolver tudo para você;
  • Divertimento: faça disso, da sua banda, da sua música, seu divertimento, para que tudo seja verdadeiro, e menos cansativo.

    Complete a uma pesquisa dos artistas que você admira, e suas vitórias, e me diz depois se Jeff Beck, intencionalmente ou não, não trouxe para si muito bem os conceitos de inovação, capacitação e divertimento. O próprio disse, em entrevista, que ao ver Hendrix tocar, sacou que teria que ter um jeito de tocar único para se destacar. Deixo abaixo um vídeo que acho que comprova tudo isso. Ser gênio ajuda, mas não custa se espelhar, né?

Por que uma banda, é uma empresa?

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Rush: exemplo de banda/empresa!

    Por que uma banda é uma empresa, e deve ser vista como uma? Nada melhor, para sanar essa dúvida, do que a definição fiel do conceito ”empresa” : ”Uma empresa é o conjunto de pessoas que trabalham juntas, no sentido de alcançar objetivos por meio de recursos humanos, materiais e financeiros. (…) As pessoas juntam-se para atingir objetivos que isoladamente jamais conseguiriam alcançar graças a colaboração. ” ( Idalberto Chiavenato, 2006, 40 ). Dentro de uma banda, fica claro que os recursos humanos são as pessoas, cada um com seu instrumento e função, destinada a uma finalidade e resultado. Ex: a guitarra  numa banda como Slayer, é um elemento forte, deve preencher tudo com velocidade e peso, sendo um elemento chave na banda. Já em uma banda como Tears for Fears, a guitarra está ali para acrescentar com texturas, timbres, mais voltada para encorpar o arranjo. Os materiais, seriam instrumentos usados para o mesmo, como guitarras com afinações e timbres diferentes, pedais, cabos, palhetas, e tudo que seja necessário, para que seja executada as funções do músico, o mesmo valendo aos outros instrumentos. E por fim, o elemento financeiro, necessário para a compra desses bens materiais, e investimentos necessários para a divulgação de sua banda/empresa.

    Toda e qualquer empresa, tendo conhecimento ou não, busca dois objetivos: diretos e indiretos. O objetivo direto, seria bem simples, que é ganhar mais do que gasta. Sem hipocrisia! O amor à música é maior e deve ser assim, porém ninguém vive de brisa, e a remuneração é a recompensa do empreendedor que leva a empresa, dentro de uma situação de risco, e que com seus serviços ( no caso sua música ), ajuda ou traz benefícios às pessoas. E por isso o músico deve ser remunerado, pois há investimento de tempo e dinheiro, esforço e trabalho duro para compor, ensaiar, gravar, fazer shows, etc. Já o objetivo indireto, é atender à necessidade do consumidor, ou seja, dos seus clientes, e indo direto ao ponto, seus fãs. Satisfazê-los com sua música e com a qualidade da mesma, e de seus shows e produtos ( camisas, cds, etc ). Para fechar, trago o exemplo do Rush, que além de grande banda que todos conhecem, é uma empresa incrível, desde a divisão de tarefas, até a organização. O monstro da bateria, Neal Peart, além de destruir na mesma, é quem fica encarregado de escrever as letras, já que lê muito e possui um tom quase poético para a composição das mesmas. Já Geddy Lee, e Alex Lifeson ( baixo e guitarra ), ficam na parte dos arranjos, acordes, riffs, melodias. Cada um com sua função bem definida, mantendo tudo funcionando a 40 anos! Começaram querendo entregar um produto musical mais voltado ao hard rock, criaram o álbum ”Fly by Night”. Quando quiseram incorporar elementos de rock progressivo, investiram no ”Caress of Steel”, até chegarem no ”produto” amadurecido que eles queriam, o álbum ”2112”. Além de terem em volta de si, um esquema forte de preparo: alimentação, com pessoas cozinhando, preparador físico, etc. Exatamente isso que você leu: já que eles buscam entregar um produto/show esplêndido, que geralmente dura quase 3h, eles precisam ter preparo físico, e empenham-se para isso, para ficarem sempre dispostos e aguentarem a rotina e cansaço.

    Que ao final desse artigo, você tenha em mente que a música é um trabalho, e a junção de conhecimentos e preparo, podem fazer toda a diferença.

O Benchmarking usado na música

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    Como já venho explicando, quando você possui uma banda, você têm uma empresa também. É incontestável isso. As maiores e bem sucedidas bandas do mundo, funcionam assim. E dentro desse conceito empresarial, temos um conceito muito importante, conhecido como Benchmarking, que nada mais é do que você pesquisar informações em outras empresas, como o quanto eles são competitivas, a inserção delas no mercado, comparações com outras para ver como você está colocado nesse nicho, e melhores práticas para serem inseridas na sua empresa/realidade. Em sem querer, você já faz isso, mas não se deu conta, nem buscou fazer de forma ”organizada”. Eu explico: se você gosta muito do tipo de timbre do Megadeth, e possui uma strato como modelo favorito, você pode descobrir o tipo de distorção que eles usam e captadores, para configurar seu set-up assim, e à partir disso, com sua pegada e estilo de tocar, soar como você, ou seja, acaba sendo um somatório da sua realidade, com o que você aprendeu de outra ”empresa”. Então para facilitar essa proposta apresentada, vou dividir o conceito de Benchmarking, para duas vertentes: desenvolvimento do seu estilo próprio, e desenvolvimento da banda.

Desenvolvimento de um estilo próprio: Darei um exemplo meu: lá para meus 17, 18 anos, fui vendo que possuía mais facilidade com ligados, já que não treinava tanto essa parte, porém, saíam mais fluídos. Ok. Mas eu não tinha tantas ideias assim, então, fui atrás de outros músicos, outras ”empresas” na área, como Satriani, Steve Vai, Dave Murray, dentre outros, que utilizam muito ligados, e busquei estudar ouvindo-os, tirando algumas frases, vendo as escalas usadas, etc. Porém, meu estilo de música, forma de tocar, não parece me nada com Steve Vai por exemplo. O que eu fiz, foi observar a forma que eles faziam, como interpretavam essa técnica, e trouxe para minha ”empresa”, para minha música. Então, se você quer uma melhora em determinada técnica, observe os ícones das mesmas, pegue para você os conceitos, e aplique!

Desenvolvimento de sua banda:

a) Estilo da banda: Essa mesma temática para buscar um estilo próprio, usando o Benchmarking, pode trazer grandes benefícios para a banda. Lembro-me que li uma entrevista do Pantera, na qual Phill Anselmo, estava tentando inserir uma sonoridade bem mais agressiva e pesada à banda ( antes do clássico Cowboys from Hell ), então, levou para os músicos, álbuns do Slayer e Judas Priest como referência, e estudaram canções dos mesmos para tal. O Pantera não soa como Slayer ou Judas, porém, pesquisaram características de cada uma, e inseriram em sua forma de tocar.

 b) Colocação da banda no mercado: essa é uma tarefa mais enfadonha, porém, que trará bons resultados: averiguar como as outras bandas do seu estilo procedem, sejam hiper famosas, ou não. A forma que eles gerenciam agenda, contratos, divulgação, apresentação do material, como trabalham com equipe ( caso tenham ), como se portam em suas apresentações, etc. Mas cuidado, observe se isso tem relação com o que você propõe artisticamente! O Metallica foi fazer isso acrescentando influências modernas, até no visual, para melhor se colocar no mercado, gravou o St. Anger. Cuidado!

    A cópia por cópia, não é legal, pois transforma tudo em clones, mas observar a o estilo de outros músicos, os processos de gerenciamento de outras bandas, e suas histórias até chegarem aonde chegaram, pode trazer muitas ideias e benefícios para você, e sua banda.

Como você apresenta sua arte/produto?

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    Um produto é conjunto de atributos tangíveis e intangíveis, que incluem muitos fatores, como a forma que é apresentado e sua aparência, com seus detalhes. Vamos começar a destrinchar esse conceito da seguinte forma: o tangível, é aquilo que você pode pegar, é físico, e para a música, podemos dar como exemplo um álbum, com encarte, e a temática/conceito usado na apresentação do mesmo, de forma que atraia e gere vontade de adquirir, conhecer. Logo, o intangível, é aquilo que não é tocado, sua prestação de serviço e forma que você, músico e banda, se apresentam, se portam de forma a agregar à música.

     Começarei dando exemplos de produto tangível e a forma de apresentá-lo:

    A forma que se amarra o conceito das músicas de um álbum, e apresentação do mesmo, ajudam muito na forma de atrair as pessoas e dar maior força ao mesmo. Veja o caso do Dream Theater

Em 2003, a banda que vinha já soando mais pesada nos últimos álbuns, quis dar mais vazão ao lado mais pesado e dark, lançando o álbum Train of Thought. Só pela capa, é possível entender que a proposta é mais soturna, gerando expectativa do que há por vir. Veja como a temática da capa, combina com o tipo de música apresentada.

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    Já em 2005, eles quiseram voltar ao lado mais progressivo e mais ”viajante”, e trouxeram músicas com essas características no álbum Octavarium e uma apresentação do álbum, cheia de relações com o número 8, a começar pela quantidade de músicas do álbum,  por ter 8 bolas no encarte ( ele aberto ), e 8 páginas no mesmo.

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    Falando da parte intangível, podemos tomar como princípio, a sua imagem perante a música, que inclui postura e até mesmo visual. Veja como exemplo, o Helloween:

    Uma banda de metal melódico, com características mais alegres em suas músicas, com melodias mais ”felizes”. Note que o visual dos mesmos, apresenta uma abordagem muito mais despojada e menos ”adornada” do que outras bandas do estilo.

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    Da mesma forma, posso citar o Children of Bodom, que preza pela mistura de elementos de hard rock, metal clássico, e outros estilos, ao death metal, e tal característica pode ser notada até mesmo na apresentação da banda. Afinal, que banda de death metal, vai andar de jeans e o tem um vocalista que usa touca e óculos escuros? 4bf3f5aced7fa

    Em contrapartida, temos por exemplo o Zakk Wylde. Pense nele tocando. É agressivo, pesado e muitas vezes o adjetivo ”ogro” cai como uma luva no mesmo. Nesse ”pacote”, Zakk é dono de um senso melódico advindo de suas influências de southern rock, como Allman Brothers e Lynyrd Skyrnyd, que tem como característica a mistura do rock, com blues e country, dando um ar quase ”caipira” em suas vocalizações, e tendo como unanimidade, uso de longas barbas pelos mesmos. E além de tudo, é o chefão de uma banda com nome de bebida, a Black Label Society. Depois de ver por esse lado, olha o cidadão abaixo:

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    Então, pense bem em como você vai apresentar a sua arte, pois em um mundo dotado de múltiplas informações, quanto mais conteúdo complementar você puder agregar à sua arte e sua imagem, mais atrativos você dará ao público para que ouçam e admirem seu trabalho.

522369_365152026909512_429593611_nk Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Você presta um serviço, ou implora pra tocar?

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    Algumas pessoas bem próximas, sabem que fiz administração e com certeza, se eu trabalhasse na área, eu iria afundar qualquer empresa. Porém, o muito pouco ( quase nada ) que aprendi, me ajudou, e muito, a ter uma visão diferente perante a música. E para ser mais didático, vou exemplificar com trechos que li no livro ”Empreendedorismo”, do Alberto Chiavenato. Se você possui uma banda, você está numa empresa ou possui uma. Você pode não ter mil afazeres e obrigações que uma banda com o patamar de um Metallica possui, mas você precisa ter esse olhar empresarial. Você lida com a arte, que é um produto imensurável, não palpável, e que vai de encontro com o sentimento das pessoas, mas quando você se dispõe a gravar um álbum, sua música vira um produto, e ao tocar ao vivo, seu show vira uma prestação de serviço. Então, você já parou para pensar no que você oferece ao seu público, e como? Antes de mais nada, é necessário ter um pouco mais de espírito empreendedor! Segundo Chiavenato, o empreendedor é a pessoa que faz acontecer, pois possui sensibilidade para negócios, tino financeiro e identifica boas oportunidades, além de possuir 3 características básicas:

1) Necessidade de realização: quem não quer ter seu trabalho reconhecido?

2) Disposição para assumir riscos: será que as pessoas vão gostar da sua música?

3) Autoconfiança: quem possui autoconfiança, sente que pode enfrentar os problemas ao seu redor e tem certo domínio dos eventuais problemas.

    O processo empreendedor, envolve a criação de algo novo, que possua valor e seja valorizado pelo mercado, e bingo! Chegamos ao ponto que eu queria chegar: o que você oferece em termos musicais é um bom produto? É de qualidade? E aqui não estou falando de gosto musical, estou falando de competência para apresentar sua música, sua obra. Se você possui uma banda de punk, e quer tocar covers, ok! Mas puta que pariu! A banda vai e toca errado, fora do tempo, som todo embolado e com músicos errando. Citei o punk, pois é uma música em que o foco é mais voltado à simplicidade, e mesmo assim, tem gente que mostra uma apresentação ”lixuda”. Já vi uma banda ( não era de punk ) ao vivo, em que o guitarrista tocava bends desafinados, e com a guitarra desafinada. Olha a merda! Todo mundo notou isso, e era banda com EP gravado!!! Você acha que isso é prestar um bom serviço? Outro ponto que acho absurdo, é esse costume dos lugares de quererem que os músicos vendam ingressos. As desculpas são as mais variadas, dentre elas, que o lugar do evento, precisa ter essa margem de ”lucro”, para ter certeza que não terá prejuízo, etc. Pra mim, é o mesmo que o cara chamar a mulher para sair, mas já falar de antemão, que tem que ter uns ”agrados” depois, para ele não perder a viagem e não voltar no prejuízo, caso não role química. Absurdo isso! E não adianta dizer que as grandes bandas fizeram isso, que nunca ouvi falar sobre. Ganharam pouco para tocar, ou tocavam até de graça, mas pagar para tocar, não! Pois isso de vender ingresso, é pagar para tocar! O seu serviço, a sua música, é assim? Precisa ”pagar” ao local do estabelecimento para que te ouçam? A divulgação do evento e venda dos ingressos, é de responsabilidade do contratante, e não do músico! Óbvio que você vai chamar até Patati- Patatá para te ver, pois assim você ajuda na divulgação do seu próprio show, mas arcar com despesas, e vender o ingresso, repito: é responsabilidade do contratante. É preciso se impor, porém, mostrar algo de extrema qualidade. Lembro de ter lido que o Queen peitou a gravadora deles, dizendo que fariam o som que queriam, e assim o fizeram. Em contrapartida, entregaram o álbum ”A Night at the Opera”, que continha ”apenas”, a música Bohemian Rhapsody. Então, para você impor suas condições, que são básicas para tocar, é necessário apresentar um serviço de grande qualidade, seja lá qual tipo de som você faz, senão ficam elas por elas, o famoso um merecendo ao outro: dono do estabelecimento/contratante sem te dar o mínimo valor, e você, demonstrando que não é pra dar mesmo, pois você apresenta um serviço bosta.

    Com essa ótica, você já adquire outros 2 alicerces do processo empreendedor, que é a devoção, que envolve comprometimento e esforço para que suas músicas, execução, e seus shows sejam melhores e você possa crescer, e aceitar os riscos que virão, pois como todo e qualquer mercado, existirão êxitos e erros, que para quem tem visão, serve mais como aprendizado, do que derrota, afinal, apresentar sua música, que é o espelho da sua alma, requer muita, mas muita coragem.

522369_365152026909512_429593611_nk Herick Sales, músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.