Arquivo da categoria: várias histórias…

A música que fez eu me considerar guitarrista…

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    Lá pelos meus 18 anos, eu tinha minha guitarra e horas e horas de estudo sobre ela, mas ainda faltava algo, que fosse um marco, que me fizesse dizer: ‘’Caralho! Consegui tocar isso!’’ E esse marco pra mim, não é nenhuma canção do Dream Theater, Malmsteen, Steve Vai, ou algo do tipo. Esse marco chama-se ‘’I Want It All’’, da banda inglesa Queen. Desde que comecei a tocar guitarra e me envolver com música, tenho conhecimento de que o Queen era uma banda apoteótica e que Brian May, era uma lenda viva da guitarra, mas somente quando você estuda o trabalho de um guitarrista, é que você tem plena consciência da genialidade do mesmo. Sua introdução, com um bend absurdamente certeiro, e cheio de pegada, sempre me arrepiou, mas somente quando você tenta tocar, você encara o tamanho do problema. Reproduzir apenas esse bend com vibrato, com uma pegada próxima, me tomou um mês ( aqui cai a máscara de muita gente que acha que tocar bem, é fazer 57986468 notas tempo ). Após ter conseguido tocar essa introdução meio que sem querer, brincando na penta de Bm, vi como alguns ligados e as notas certas, são capazes de fazer uma introdução matadora. Sua base com batida diferente do normal para um hard rock (sim, Queen é bem hard e metal quando quer, e isso será assunto de um próximo post), repleta de licks que completam bem a música, me ensinaram como preencher de forma musical um arranjo, até seu refrão forte, e a encrenca maior: o solo! A música acelera depois de um lick de Brian May, e vem de tudo: bends e vibratos fortes, ligados, várias regiões do braço da guitarra explorados, pentatônica e escala natural, vários harmônicos artificiais, tudo equilibrado até chegar o seu final quase orquestral (note que a banda toda acompanha as batidas finais, tal qual uma orquestra).  Como se não fosse o bastante, aos 3:30 minutos, entra mais um pequeno solo, cheio de pegada, e uma frase final, cheia de ligados e rítmica intrincada, que busquei incorporar muito em meu fraseado.

    Fraseado! Diferente de subir e descer escalas, saber construir um solo é uma arte, uma pequena canção dentro de outra, e nisso Brian May é mestre, e com certeza estudar essa música, foi um grande marco para mim! Qual foi o seu?

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Can’t You Hear Me Knocking – Rolling Stones

Conhece Mick Taylor? Não? Então, deixe-me dar uma pequena apresentação: o cara segurou 2 pepinos incríveis no fim da década de 60. Primeiro, substituiu Peter Green e Eric Clapton, na banda John Mayall & Bluesbreakers, depois, substituiu o falecido Brian Jones, no Rolling Stones. Seu vibrato doce, e frases suaves, com tom deliciosamente bluesy, puderam aparecer com o devido destaque no álbum ‘’ “Sticky Fingers”, de 1971, e uma dessas provas, está em ‘’ Can’t You Hear Me Knocking’’, quarta faixa do álbum. Com clima de jam session, a música possui um swing quase latino ( tanto que foi regravada pelo Santana ) e a voz rasgada de Mick Jagger, que influenciou gerações. Chegando ao fim, entra o solo de Mick Taylor, com classe, e brincando com o ritmo das frases, e ninguém melhor do que o próprio para explicar como foi: ‘’ A jam no final de ‘’Can’t You Hear Me Knocking’’ aconteceu acidentalmente  –  jamais planejamos aquilo. Perto do final da canção, tive vontade de continuar tocando. Todos já estavam largando os instrumentos, mas a fita ainda estava rolando. Soou legal, então todos pegaram de volta os instrumentos e continuaram a tocar. Simplesmente aconteceu, e foi em um take’’

Agora, uma pergunta: a quanto tempo, você não ouve uma banda capaz de fazer isso em estúdio, e trazer esse clima para uma canção?