Arquivo da categoria: Pérolas desconhecidas

For Unlawful Carnal Knowledge – Van Halen

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    Tecer comentários sobre Eddie Van Halen, é completamente desnecessário, mas vamos do princípio de que a fase com Sammy Hagar nos vocais, não é a favorita de muitos, porém no ano de 1991, o Van Halen resolveu abandonar um pouco os teclados em excesso, e soltar um álbum pesado e digno de figurar entre os melhores da banda.

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    Vou evitar dizer ”o melhor solo do álbum”, pois torna-se redundante, tratando-se desse cidadão. Pois bem, para dar um ”oi”, e bem carregado, a mais conhecida do álbum, ”Poundcake”, abre com sua icônica introdução de furadeira, com pegada pesada de bateria, em um riff na qual quero chamar a atenção: note como soa tudo pesado, sem possuir toneladas de distorção! Dentre brincadeiras com harmônicos naturais, a canção vai subindo a adrenalina até seu solo, dando uma aula de dinâmica, técnica e melodia. Tenho pra mim, que é um dos melhores que ele já compôs, com direito até mesmo ao som de furadeira novamente. Trago essa faixa ao vivo, pra você ver a treta:

    Em seguida, a agressiva ”Judgement Day”, entrega um riff bem mais direto e heavy metal, com direto a solo de tapping, feito com as 2 mãos por cima do braço da guitarra! Não entendeu? Vou botar ao vivo também…

   Com clima misterioso, começa ”Spanked”, que deságua num riff funky, belas melodias vocais, e um solo coeso e cozinha presente. Note como todos abusam da dinâmica, e deixam tudo com clima de jam. A seguinte, ”Runaround”, tem aquele clima típico de hard rock, mas dê atenção a sua introdução, que se repete várias vezes na música, com um dedilhado com acordes atípicos para o estilo. A guitarra desenha a música toda, arpejando acordes em muitos momentos e fazendo arranjos com notas dos acordes, até seu solo altamente inspirado, cheio de wah-wah, que entre frases belas, tapping, alavancadas, preenche cada espaço do groove. A mais experimental do álbum, ”Pleasure Dome” , é de dar um certo nó na cabeça, graças ao groove de bateria altamente louco , que brinca com o riff de Eddie Van Halen, dando margem a um solo com ares mais livres e técnicos. A rocker ”In N Out”, abre já com o pé na porta, sem pedir licença, sendo um hard rock vigoroso, que releva aos mais atentos, uma certa influência de Jimmy Page em alguns trechos, até Eddie se soltar no solo. Veja como ele brinca com as alterações que a alavanca proporciona, e a festa que ele faz com ligados, tapping, e até trechos outside, sem deixar de jogar frases bem blues rock entre os vocais até o seu final, do jeito que só ele sabe fazer mesmo. Já iniciando com um tapping atípico, com uma linha melódica dissonante, ”Man On A Mission” vem, e deixa um groove dançante e pesado ao mesmo tempo, e seu solo que entra sem pressa, e meio que plaina pela levada usada. A introdução pesada de ”The Dream Is Over” tem na sequência uma bela melodia na guitarra e mais acordes dedilhados dando um ar diferente ao típico hard rock anos 80, e você notará isso, ao ouvir seu refrão altamente pra cima. Note como que Eddie entra detonando tudo no solo! ”Right Now”, é outro hit do álbum, que possui uma bela base de teclado, e arranjo bem elaborado em volta, e talvez, o solo mais melódico do disco. Obs: essa música foi usada na campanha de Obama, nas eleições americanas! Os belos acordes dedilhados de ”316”, soam agradáveis, e dão margem a última canção do disco, ”Top Of The World”, que sintetiza bem o espírito musical do Van Halen: um hard rock pra cima, com clima de festa, e arranjos bem elaborados, além da guitarra de um dos maiores músicos que o mundo já viu. 

522369_365152026909512_429593611_nk  Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Dio – Killing Dragon

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    Doug Aldrich é um guitarrista de hard rock e heavy metal, de competência absurda, figurando dentre os melhores do estilo na atualidade. Só para ter ideia, chegou a fazer teste para o Kiss, e tocou nos últimos anos no Whitesnake, no lugar pertencente antes, a Steve Vai e John Sykes. Porém, antes disso, teve os holofotes em si, ao entrar para banda do lendário Dio, gravando talvez o melhor álbum dele, desde o clássico The Last Line. 

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    O álbum abre com o metal épico Killing The Dragon, com pegada cavalgada, e tudo que quem ama heavy metal tradicional mais adora, com ”aquela” voz…e de cara, uma guitarra cheia de presença e um solo que sintetiza tudo de bom que um solo pode ter: melodias, pegada, velocidade e feeling. Dio sempre teve referência hard rock em seu trabalho, e ela aparece bem forte na canção Along Comes A Spider ( atenção ao riff principal, e seu timbre ), com outra aula de guitarra. Scream é um típico heavy metal daqueles de fazer o público se esgoelar no refrão, e para quem é guitarrista, vale notar a forma que Doug Aldrich costura seu solo, de forma extremamente bem construída, além de um vibrato sensacional. Eis que vem, a melhor música do álbum, Better In The Dark, que com certeza figura entre as melhores músicas que Dio compôs. Atenção total ao solo, que com certeza será um dos melhores que você ouviu numa música de metal, composta de 2000 para cá! Nele você acha referência a tudo: Jimmy Page, Kirk Hammett, Zakk Wylde, Gary Moore, mas sem soar cópia. É simplesmente sensacional!!! A arrastada Rock & Roll, começa suave, com Dio sussurrando, até entrar um riff encorpado e tenso, relembrando seus tempos de Black Sabbath ( note o delicioso riff que entra aos 2:52 minutos, que antecede outro belo solo ). Push, tem um riff melódico, e torna-se empolgante em seguida, casando com a voz perfeitamente, e mais uma vez, um solo que torna-se outra canção, tendo um belo domínio de dinâmicas, com notas abafadas com palm mute, e bends fortes. A hipnotizante Guilty é magnífica pela forma que soa pesada, porém suave ao mesmo tempo, até que em 2:08, surge outro riff estilo Sabbath, que chama o solo ( mais um sensacional, pra variar ).  Throw Away Children segue aquele estilo tenso e soturno que permeou a carreira do Dio, com um refrão belíssimo e um solo lindíssimo, em que ele mistura belas melodias com uma pegada bluesy, além de um lindo coral de vozes de crianças no fim. Com Before The Fall, o álbum volta ao híbrido de hard/heavy, de forma animada, com direito a solo de teclado, que remete imediatamente ao Deep Purple, para dar a vez à última canção, com toques de Rainbow: a maliciosa Cold Feet.

    É interessante notar como um músico talentoso, é capaz de lançar um álbum tão bom como seus clássicos, em que nenhuma música é ruim, e que um guitarrista que trabalhe em prol da canção, consegue dar um novo gás de ideias e entregar ótimos riffs e solos por todo um álbum.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk     Herick Sales, músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Deep Purple – Bananas

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    Ao entrar no Deep Purple, Steve Morse trouxe um gás novo à banda, além de modernidade, advindo do seu jeito único de tocar, e em 1996, já provou isso com o ótimo Purpendicular. Mas para alguns mais desatentos e preguiçosos, o Deep Purple ficou só nisso. Eis que trago aqui, detalhado, um álbum excepcional, terceiro da discografia da era Morse: Bananas, de 2003.

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    Aqui um belo exemplo, que não devemos julgar um livro pela capa, pois o álbum já abre com a pesada ”House Of Pain”, , com um riff feito com harmônicos naturais na corda solta, no melhor estilo ”Van Halen” , com um solo de guitarra bem imponente, e groove de bateria forte acompanhando. A soturna ”Sun Goes Down”, nos remete ao estilo de ”Perfect Strangers” na introdução, para cair naqueles riffs blues rock bem característicos da banda. Note na convenção que antecede o solo! A balada ”Haunted” não acrescenta muito à carreira da banda, porém soa suave, com direito a vozes femininas junto no refrão. ”Razzle Dazzle” parece ter saído direto dos anos 70, graças ao seu riff e andamento, soando despretensiosa e agradável com ar de jam, possuindo ótimas intervenções do tecladista Don Airey. ”Silver Tongue”, abre com sonoridade blues rock forte, num lick de guitarra bem sacado, e um riff seco e pesado, graças a guitarra de Steve Morse, que está com afinação drop D, e possui intervenções que faz você entender por que de John Petrucci ser tão fã dele. Na sequência, a bluesy ” Walk On ”, remete muito a ”You Keep on Moving” , do excelente ”Come Taste the Band”, com solo gostoso de se ouvir, que abre espaço logo em seguida para a melhor faixa do disco: ”Picture Of Innocence”. Com ar de jam session pura no seu início, e levada jazz na bateria, ela começa num ”crescendo”, até explodir numa convenção bem mais progressiva que o normal, para o Deep Purple, até seu refrão metal, com riff pesado, até sua volta ao clima de jam, como se nada tivesse ocorrido. É fácil afirmar também, que é o melhor solo do álbum, com os cromatismos característicos Morse, e solos de teclado. ”I Got Your Number”, mais uma vez, parece uma composição vinda direto dos anos 70, com clima gostoso, que me faz pensar o que faz uma pessoa botar pagode num churrasco, e não musicas assim. Na sequência, a celta ”Never A Word”, com um dedilhado lindo, cativa de primeira, por sua leveza e melodia bela, servindo de ponte para a pesada e rápida faixa homônima, composta em 7/8, frases de gaita, um refrão com rítmica toda quebrada, e aquela famosa ”briga” de solos de guitarra versus teclado, eternizada por Blackmore e John Lord. Terminando o álbum, temos a swingada ” Doing It Tonight” , com leve acento latino ( ??? !!! ), e a tocante ”Contact Lost”, composta por Morse, em homenagem aos astronautas Colombianos que se acidentaram.

    Eles nunca mais farão um álbum como ”Machine Head”, e isso é fato. Mas há muita qualidade espalhada na grande maioria dos álbuns do Deep Purple, e em seus discos atuais, muitas das vezes, mais garra do que muitas bandas atuais.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk  Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.

12 motivos que fazem do Scorpions uma influência para o metal!

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    Scorpions é uma banda de rock de Hanôver, Alemanha, fundada em 1965 pelo guitarrista Rudolf Schenker, irmão do gênio do hard rock, Michael Schenker.  Daí sai o começo do Scorpions, mas o caminho rumo ao sucesso, veio  com a saída de Michael ( que foi fazer história em outra banda mítica : Ufo ) e a entrada do mestre neo clássico Uli Jon Roth, mantendo-se assim até o lançamento do clássico ao vivo ‘’Tokyo Tapes’’. Com a saída de Uli Jon Roth, ouve uma volta rápida de Michael Schenker, que voltou apenas para dar uma mãozinha ao seu irmão, e a adição do guitarrista Mathias Jabs. E com essa formação de guitarras, Rudolf Schenker e Mathias Jabs, o Scorpions  explodiu em todo o mundo, com diversas músicas de sucesso. Porém, há quem ache que eles são uma banda de hard alegre o tempo todo, e de baladas, mas estão muito enganados: os caras sentam a porrada quando querem, e fazem isso muito bem, conseguindo transitar com exuberância entre o hard rock, e o metal. E eu apresento aqui, 12 exemplos musicais ( caso você não conheça clássicos como ‘’Blackout’’ e ‘”Rock You Like a Hurricane”, faça esse favor a si mesmo, e ouça antes ), que provam que Scorpions é mais heavy metal do que muita bandinha por aí. Como disse Alex Skolnick, guitarrista do Testament, não importava se você era thrash ou glam, todos curtiam Scorpions.

Com Uli John Roth:

Com Michael Schenker:

Com Mathias Jabs:

Covers inusitados, que ficaram tão bons, ou melhores que os originais

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Cover é sempre algo divertido quando bem feito, não é verdade? Já que é segunda-feira, só pra dar uma relaxada, resolvi listar uns covers inusitados, que ficaram tão bons, e tão legais, que muita gente desconhece até o original! Uns ficando até mesmo, hilários. Vamos começar com…

Megadeth

Em 1986, a banda lançou seu clássico álbum “Peace Sells… But Who’s Buying?”. Todo mundo sabe que é um marco da música pesada, etc, etc. Mas nele há uma pérola do bluesman Willie Dixon, original de 1961, numa versão bem mais pesada, e solos bem ácidos!

Sepultura

Essa daqui, muita gente, mas muita gente mesmo, acha que o original é do Sepultura, e não é. Em 1986, o Motörhead lançou o álbum homônimo, que continha essa porrada. Como Max e seus companheiros eram fãs da banda, fizeram essa versão em 91, incluída no álbum Arise, fator que com certeza, deu um empurrãozinho a mais na carreira internacional dos caras.

Disturbed

Em 1984, o grupo Tears for Fears, lançou uma pérola pop, chamada ‘’Shout’’, que virou um baita clássico, e faz até sentir saudade de como era tratado o pop antigamente. Eis que a banda de metal Disturbed, fez uma versão bem pesada no álbum The Sickness  de 2000.

Black Label Society

A banda Lynyrd Skynyrd, antes do seu clássico e infeliz acidente, gravou uma linda canção alegrinha chamada ”I Never Dreamed”. Um fã mais do que confesso do trabalho dos cara, Zakk Wylde, tratou de incluir em seu álbum Mafia, uma versão para a mesma, mas extremamente mais melancólica, e dolorosa, com um solo magistral.

Children of Bodom

Pra fechar, trago um cover hilário, e inusitado! Lembra da ‘’sem talento ‘’ Britney Spears, que canta como se estivesse gozando e comendo plástico? Então… ela tinha uma musiquinha bem famosa chamada ‘’Oops!… I Did It Again’’. Então, a banda de death metal melódico Children of Bodom , muito da zoeira que é, regravou essa canção, usando trechos do vocal da própria! Dá uma olhada, e diz se não melhorou consideravelmente!

E aí? Lembra de mais algum legal? Deixe seu comentário!

Kingdom of Desire – Toto

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    Muita gente não conhece a banda Toto, ou quando conhece, são apenas canções de rádio, como ‘’Rosanna’’ e ‘’Africa’’, mas na verdade, Toto quando quer, é uma baita banda de hard rock! Aqui, contando com os vocais fortes, e guitarra magnífica de Steve Lukather ( o cara já gravou, mais de 1000 álbuns! ), a banda solta em 1993, seu álbum mais pesado até então:  Kingdom of Desire. A abertura com ‘’ Gypsy Train’’, dá a base de como será o álbum, com riff pesado, e teclados no melhor estilo anos 70. Atenção à enxurrada de solos técnicos, com pegada  e feeling! Em seguida, um blues sexy, com timbre impecável,  vocalizações arrasadoras, e links blueseiros de arrepiar: ‘’ Don’t Chain My Heart’’. As faixas ‘’ Never Enough’’ e ‘’ How Many Times’’, são aqueles tipos de rock setentista, que chega a dar nostalgia dessa época (atenção ao solo da última!). A balada ‘’ 2 Hearts’’ , possue clima romântico e gostoso, e dá espaço para a viajadona ‘’ Wings of Time’’. Note que apesar de não ser um blues, ela possue uma vibe com tal influência na guitarra de Lukather. A funk ‘’ She Knows the Devil’’, é uma aula de ritmo, e sincronia em banda! Atenção à linha de baixo contagiante, e ao groove da guitarra na canção! Impossível não se empolgar! As baladas ‘’ The Other Side’’ e ‘’ Only You’’ não vão te impressionar, mas soam agradáveis, com clima suave de ‘’antena 1’’. Agora o caldo começa a engrossar: A pesada e soturna ‘’ Kingdom of Desire’’ dá as caras, beirando o heavy metal! Note o clima pesada e denso aos 3:53 minutos, que antecede o solo, daquele capaz de te fazer soltar um palavrão. Por fim, umas das melhores canções instrumentais feitas por uma banda de rock: ‘’ Jake to the Bone’’! Um fusion de cair o queixo, em que todos da banda brilham. Um groove sensacional e quebrado toma conta e a partir daí, é uma chuva de cadências e convenções. Note em 1:22 minuto, um riff quebrado, pesado e ritmado, que abre caminho para um solo de teclado com várias passagens outside, culminando na volta ao riff inicial. Em 3:21 minutos, Lukather brilha com um solo cheio de sentimento, mostrando o porquê de ser um músico tão requisitado, para aos 5:45 culminar numa baita pancadaria e retornar ao groove fusion, como se nada tivesse acontecido.

    Existem pérolas roqueiras escondidas, que muitas vezes não tomamos contato, e ‘’ Kingdom of Desire’’ do Toto, é uma delas.

 

 

 

A Hard Road – John Mayall and The Bluesbreakers


 
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    O ano era 1967. John Mayall, músico importantíssimo para a formação do blues britânico, perdeu um dos seus principais pilares: Eric Clapton! Ja ouviu falar sobre os muros de Londres, pichados com os dizeres ”Clapton é deus”? São exatamente desse período. Entao, como resolver esse pepino, maior do que a saída de Portnoy, do Dream Theater? Foi em Peter Green, que John Mayall encontrou a solução e confiança, a ponto de chegar para seu produtor, e dizer que estava tudo bem, pois ele encontrou alguém melhor que o Clapton ( !!! ). Então,nesse ano sai ”A Hard Road”, um álbum em que Green mostrou ser capaz de aguentar a responsabilidade, e deixou seus vibratos e fraseado por todo o álbum, que se tornou um dos favoritos, de mestres como Joe Bonamassa e Gary Moore. Aliás, Moore chegou ao ponto de gravar um disco inteiro em homenagem à Peter Green.
    A abertura com a clássica faixa homônima, com seu piano na introdução, é recheada de licks certeiros de Peter Green, e bends que arrepiam a espinha. ”The Stumble”, instrumental, contém um fraseado direto e cheio de nuances blueseiras, em que uma melodia central é sempre interligada à outras frases. ”Another Kinda Love”, regravada até por Bonamassa, aqui soa climática e quase melancólica, dando a vez  para ”Hit The Highway” e mais arranjos de guitarra bacanas. Já ”Dust My Blues”, entra já na toda, com peso e guitarra na cara! ” The Supernatural”, o destaque maior do álbum, mostra todo o feeling de Peter Green, e vibratos que serviram de escola para mestres como Gary Moore. Note o sustein dessa bagaça! ”Someday After A While (You’ll Be Sorry)”, já abre sexy desde o começo, e mais uma aula de licks bem feitos e melódicos, que tornam-se outra aula à parte. 
    Todas as canções desse álbum mostram o retrato de uma época, em que o talento direcionava a criação, e virar as costas para um álbum assim, é virar as costas para parte da história da guitarra. 
Obs: a versão remasterizada possui uma infinidade de bônus sensacionais, como ”So Many roads” , ”Your Funeral And My Trial” e ”It Hurts Me Too”.

Fused- Tony Iommi/Glenn Hughes

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Um dos melhores álbuns de metal dos últimos tempos!

     

      Aqui vem um álbum que quase ninguém conhece, porém, é um dos melhores da carreira de Iommi, e por incrível que pareça, sem a acunha do nome Black Sabbath. Tonny Iommi e Glenn Hughes já tinham trabalhado juntos em 85, no álbum Seventh Star, e lançaram um álbum, de jams feitas em 1996. Mas aqui, a história já é diferente, pois o chumbo é grosso! A sonoridade pesada, e mais moderna, gravada ao vivo no estúdio com o baterista Kenny Aronoff ( com alguns pequenos overdubs apenas ), é assustadora! De cara, o álbum abre com o peso de ‘’Dopamine’’, com um dos riffs mais absurdamente pesados da carreira de Iommi ( note as texturas de guitarra no refrão ), com solo cheio de licks blueseiros, tocados de uma forma que só Iommi sabe. ‘’ Wasted Again’’ segue, com um riff escabroso e grudento. A dobradinha ‘’ Saviour Of The Real’’, com riff pesado e swingado, de refrão belo, unida à depressiva e dark ‘’ Resolution Song’’, com seu refrão dissonante e que bota qualquer banda de metal atual no chinelo, derrete qualquer cérebro. A macabra “Grace’’, traz modernidade até mesmo na voz soul de Hughes, soando como a trilha sonora do fim do mundo. A balada ‘’ Deep Inside A Shell’’, chega a irritar de tão bonita, e possui um solo com tamanho feeling, que chega a dar raiva. A old school ‘’ What You’re Living For’’, é um puta arrasa quarteirão, que desacelera num refrão melódico, até ir para mais um riff incrível ( novidade!), e um solo rocker que taca tudo no chão. ‘’ Face Your Fear’’ abre com uma pressão na cara, desaguando em praias mais modernas, sem deixar de soar bela, mas logo ela dá lugar à obra-prima de riffs chamada ‘’ The Spell’’, acariciada pela magnífica voz de Glenn Hughles. Dê uma atenção especial, ao riff do refrão, que com certeza é uma das coisas mais demoníacas que Iommi fez desde a clássica canção ‘’Black Sabbath’’. Por fim, a épica ‘’ I Go Insane’’, com seus mais de 9 minutos, com solo na introdução, mostrando o apreço de Iommi pelo blues, até dar espaço para o vocal suave e belo. Daí em diante, é um desfile de riffs e convenções que não acabam mais! É um melhor que o outro!

      No fim, fica uma sensação, de como caras que já passaram da casa dos 50, fizeram algo tão moderno, pesado,  e perfeito. Um dos mais incríveis álbuns de metal dos últimos anos, sem dúvida!