E mais um festival…

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    Preciso confessar: nunca imaginei que algo tão sem pretensões, que começou com poucas pessoas, num ambiente de aula e com cara de festinha, tornaria-se um evento de grande porte, e numa lona cultural, mais especificamente na Areninha Carioca HermetoPascoal. Todos nós já quisemos desistir dos sonhos, abandonar tudo, ou achamos que não ia valer à pena. Mas o trabalho contínuo e perseverança mostraram o contrário. Um evento de guitarras, e apenas assim, conseguiu colocar um público de 200 pessoas num sábado, numa lona cultural. Em plena zona oeste do Rio de Janeiro, onde sejamos francos, impera estilos musicais que em nada têm a ver com guitarra. Alunos de diversos níveis provaram que a música não é competição, e que cada um é capaz de narrar uma história musical através de estudo e empenho, e com o tema ”Tributo aos anos 80”, conseguimos mostrar a um público, clássicos dessa década. Foi incrível ver famílias inteiras com crianças prestando atenção e vibrando ouvindo Judas Priest, Queen, Europe, AC/DC, Michael Jackson, etc, e algo que é tão raro atualmente: pessoas de verdade, em cima do palco, tocando bem uma guitarra, e permitindo esse contato para algumas pessoas que talvez nunca tenham visto isso de tão perto. 13754449_1087207428020446_6900056444430566523_n

    Eu ainda acredito sim, que a música e a cultura, são agentes capazes de transformar vidas, e agradeço a cada aluno que esteve lá presente se apresentando, e podem ter certeza: vocês foram agentes de mudança na cabeça de algumas pessoas que estavam lá.

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Herick Sales Guitar Festival na Areninha Hermeto Pascoal

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    É com grande prazer, que comunico essa notícia: um grande festival de guitarras, com grandes guitarristas da região, de vários níveis, estarão juntos numa grande jam guitarrística na Areninha Hermeto Pascoal! Será dia 16 de julho,às 16h, e com entrada franca! Venha participar desse grande tributo aos anos 80, com grandes interpretações de clássicos dos anos 80. Van Halen, Scorpions, Whitesnake, Ratt, Rush, Judas Priest e muito mais, nessa festa da guitarra! Eu, Herick Sales, e a Areninha Carioca Hermeto Pascoal, esperamos vocês!

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A experiência de ver o Children of Bodom ao vivo

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Foto: Vanderson Azevedo

    Dia 29/05/2016. Um domingo à noite. Circo Voador. O pessoal do Children of Bodom sobe ao palco, para promover seu mais recente álbum, o ótimo I Worship Chaos. Estava ansioso para ver toda a banda, e principalmente uma grande influência minha na guitarra: Alexi Laiho. Não vou me ater muito às músicas executadas, pois foram todas grandes canções executadas, dentre novas e clássicas. O que quero comentar aqui é grande entrosamento da banda. O Children pratica um tipo de som altamente pesado, um misto de death metal, com elementos melódicos e inclusão de outras influências como música erudita, metal clássico, e nuances de metal moderno até. E dentre isso, pude reparar o quanto absurdo é o baterista da banda, Jaska Raatikainen, como as linhas de baixo de Henkka Blacksmith são interessantes, não se limitando a fazer ”cabeça de nota”, como a guitarra base de Antti Wirman dá um suporte de peso aos voos guitarrísticos de Alexi Laiho, e como aquele lazarento do tecladista Janne Warman toca pra cassete, incluindo passagens eruditas, que dão ambientação e clima às canções. Já Alexi Laiho é um showman à parte: um híbrido de death metal, com postura hard rocker ( a diva joga o cabelo para o lado diversas vezes, e faz altas poses glam nos solos ), e não tem o que se reclamar: animou a galera, interagiu, e fez diversos duelos com o tecladista, dobrando frases, temas, improvisos, etc. Numa análise mais profunda, foi possível notar o uso extensivo de arpejos ( advindos de sua influência de Malmsteen ), e a maneira que cria/improvisa seus solos: há uma forma temática, em que cada trecho puxa o outro, criando uma história. Facilmente pude notar a influência de guitarristas como Jake E. Lee e Randy Roads nesse aspecto, além de alavancas bem radicais nos momentos certos, a lá Steve Vai.

     Por fim, ficou a satisfação de ter visto uma das grandes bandas de metal da atualidade, e com certeza, um dos grandes guitarristas da nossa geração, que conseguiu trazer do passado, elementos que deram frescor ao novo metal, e torço para que Alexi Laiho possa fazer o que seus ídolos fizeram no passado: influenciar jovens a sentirem vontade de empunhar uma guitarra, e estudá-la com dedicação.

Exercício de palhetada alternada para mão direita ( vídeo aula 1 )

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    Fala aí, pessoal! Trago aqui o exercício da primeira parte da vídeo aula ”Palhetada Alternada – O conceito” .

    É um exercício simples de cordas soltas, com foco na mão da palhetada! O primeiro exemplo é em colcheia ( 2 notas por tempo ), o segundo em tercina ( 3 notas por tempo ), e o último em semicolcheia ( 4 notas por tempo ).

Obs: mantenha sempre a palhetada alternada, mesmo no exercício de tercina, onde há uma tendência de se fazer sweep. Abraços!

Palhetada alternada ( básico )

Palhetada alternada ( básico ) certo

Pelo que o músico deve ser pago?

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Hoje, muito se é falado sobre downloads, pirataria, etc, etc. Acho que hoje é um caminho sem volta, e um álbum tornou-se um cartão de visitas para seus outros predicados. E sejamos sinceros: quantas vezes nos sentimos mal ao comprar um álbum, e dar de cara com um trabalho sem inspiração, ou muito ruim de fato? ( imagina a dor de quem comprou o ”Risk” do Megadeth, ”St. Anger” do Metallica, ou ”Chinese Democracy” do Guns, nas suas datas de lançamento). Tal qual como uma roupa, podemos experimentar antes de saber se queremos mesmo comprar. Mas isso é uma opinião minha apenas, sem verdades absolutas. Mas se a arte é algo fora da nossa compreensão ( tente me explicar, como seres humanos, sozinhos, sem uma ajuda divina, compõem ”Stairway to heaven” ou ”2112”?) , se é algo que surge de graça para nós como inspiração, o que deve ser pago? Se tocar em público, é um prazer enorme, o que deve ser pago, então? Não vou nem comentar a parte do sustento, que é bem óbvia, mas venho salientar que para chegar ao ponto, de um músico improvisar um solo coerente, dar vazão ao feeling e de forma clara, são horas e mais horas de investimento. Dedos doloridos dos primeiros acordes, que ficam mais doloridos ainda, quando começamos a pegar bends, tendo o cuidado de deixá-los certos. Sincronizar as 2 mãos, aprender como funciona cada acorde, cada escala, cada ritmo. Se capacitar, para ter o máximo de recursos em si, para que a música extrapole de você. Lembro-me de ler uma entrevista de Joe Satriani, no qual ele disse que ficava 12 horas por dia, EU DISSE 12 HORAS POR DIA, estudando a escala lídio dominante, afim de dominar sua sonoridade e poder improvisar bem com ela. Quantos anos de estudo, abstenção e dedicação, um músico emprega pra poder ser instrumento de sua própria música, e qual o valor disso? Fora os equipamentos, que vão precisando evoluir com o tempo, para dar condições para a sua obra surgir, e seus estudos renderem. Preparar-se para um show, gera inúmeros investimentos além do ”ir ao local”: horas de ensaio, às vezes desgastantes, e pega música, e faz arranjo, e alimentação, horas de sono a menos, e por aí vai. O mesmo vale para um professor: ele cobra o valor do tempo que ele precisou se dedicar, para te passar as informações da melhor forma possível.

Então, quando ver um músico no palco, pense nisso: ele ali em cima, é a soma de anos de estudo, que o faz ali ser tão incrível, e merecer ser pago por isso.

Steve Lukather: domínio pleno da guitarra

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    Steve Lukather, é guitarrista, cantor, compositor, arranjador e produtor norte-americano ( só isso, nada de mais ), sendo considerado um dos maiores sidemans de todos os tempos, tendo participação em ”apenas” 1500 álbuns, dentre eles o ”Thriller”, de um tal de Michael Jackson. Logo, seja na sua banda Toto, na sua carreira solo, ou como sideman, você com certeza já ouviu o som e timbre de Lukather. Dono de um dos mais amplos fraseados que já vi, sendo capaz de transitar pelo estilo que quiser ( pop, rock, hard rock, metal, blues, fusion, etc ), Lukather possui a lenda , confirmada por sinal, de nunca demorar mais do que 2 takes para registrar seus solos. Torna-se difícil apontar as qualidades latentes em seu estilo de tocar, mas é notório seu fraseado com embasamento na obra de Hendrix e utilização da alavanca no melhor estilo Jeff Beck ( talvez sua maior influência ). Ele também mescla momentos rápidos e técnicos, advindo de sua influência de Al Di Meola e Eddie Van Halen, e passagens de fusion influenciadas por  John McLaughlin e o já citado Jeff Beck.

     Então, meu amigo, ao ouvir ”Africa”, clássico da sua banda Toto, não se engane! Há muita coisa cabulosa e intrincada em meio da sua obra, e eu vou dar uma leve ajudinha…

     Aqui, um clássico do Toto. Ok, mas já reparou nos solos cheios de pegada, que renderam uma ligação do Clapton tecendo elogios?

     Vamos começar o arregaço: veja essa canção bem hard rock, e os solos desse cidadão…

 

     Uma mais progressiva, pra começar a variar um pouco. Obs: veja a influência de Eddie Van Halen e Jeff Beck:

 

     Lembra que eu falei que ele consegue tocar o que quiser? Aqui uma com afinação baixa, e muito atípica para o Toto.

 

       Diga-me se essa não parece com as clássicas do Mr. Big:

     Vamos ao extremo: veja o assento pop/soul e improvisos fusion ao violão.

     Seguindo para sua carreira solo, veja essa aula de hard rock, cheia de intervenções guitarrísticas fodonas:

     Aqui, uma menos alegre, e com drives secos e belos. Note os caminhos que o solo te leva:

     Olhe o riff inicial, onde ele usa as vozes dos acordes para criar a melodia, que guia toda a canção, densa e forte:

     Umas das minhas favoritas da carreira solo: olha como soa moderna, pesada e pop ao mesmo tempo. Fora o solo! Note a clareza da parte veloz, e como ele tece uma história com as notas:

    E pra fechar, um ótimo exemplo que nem sempre usar toneladas de distorção, é o que fará sua música pesada. Veja o riff inicial, com pouco drive, mas forte e pesado. No meio acordes de violão, dando pinta da sua influência de rock progressivo, e um solo magistral!

O lado bom de Yngwie Malmsteen

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    Esse cara pra lá de mala, foi influenciado pela pela música barroca de Bach e Vivaldi, e pelas guitarras poderosas de Hendrix e Ritchie Blackmore, ajudando com essa mistura, a criar o que veio a ser conhecido como metal neoclássico. Influenciou tanta, mas tanta gente, que fica difícil enumerar: Kiko Loureiro, Edu Ardanuy, Paul Gilbert, John Norum, Guthrie Govan, Roland Grapow, e mais uma caralhada, além de arrancar elogios de músicos como Satriani, Steve Vai, Zakk Wylde e Slash. Então, com isso tudo, como pode o cara só ter feito música merda? Não é possível! Então, em uma pequena pesquisada em seus primeiros álbuns, não torna-se difícil achar ótimos, e quase sublimes momentos em sua carreira, com músicas potentes, solos que não soam repetitivos, boas composições, e feeling! Não deixe de notar 2 qualidades absurdas em seu estilo: clareza das notas, e bends/ vibratos perfeitos.

Essa, é do seu clássico primeiro álbum, o mais citado de todos, que chocou o mundo em 1984:

Essa é uma das mais legais dele, que conta com o poderoso vocal de Joe Lynn Turner, ex Rainbow, provando mais uma vez sua admiração pela obra de Richie Blackmore.

Do mesmo álbum, que tal essa, com bela melodia de refrão e peso?

Essa foi a primeira música que ouvi dele, e me impressionou, muito pelo groove ( sim, groove ), fluidez, e peso. É notória a influência funky de Hendrix:

Essa daqui calcada no blues, revela um hard rock potente e agradável de ouvir, e mostra um grande momento em que Malmsteen trabalhou para a canção:

Essa aqui possui uma bela pegada inicial, vocal potente, e um solo bem rocker!

Meu amigo, essa é uma das melhores: sente o groove ( sim, estranho falar isso do Mamsteen, né? ), chegando a ser sexy:

Essa possui uma sutileza melódica, quase pop, que chega a soar estranha vinda do Malmsteen:

Por fim, deixo esse cover de Red House do Hendrix, pra lá de legal e com o próprio cantando, soando bem mais legal do que sua performance no G3 ao abordar Hendrix.

 

 

 

 

Tirando o freio da mão!

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     Há um trabalho bem chato, até que a pessoa possa alcançar a velocidade que almeja, e não falo tocar rápido como exibicionismo. Grandes músicas exigem velocidade, seja em solos, ou em bases. Vou dar um exemplo de um clássico aqui:

     Viu só? O problema quanto à velocidade aqui, reside na base, hiper precisa e rápida! Já reparou nos riffs do tio James Hetfield, muito rápidos e precisos, que geralmente permeiam mais da metade de um show do Metallica? Imagina tocar assim, por 2 horas seguidas, fazendo força. Ele tem 52 anos, a idade veio chegando, e ele toca na mesma velocidade. Você não acha que se ele forçasse exageradamente, ele estaria tocando até hoje sem nenhum tipo de problema muscular? Fazendo um comparativo, lembram do Jeff Hanneman , do Slayer? Ele juntamente do Slayer fundamentou um estilo de thrash hiper violento, a ponto de influenciar o death metal, e merece total crédito por isso. Vou apenas atentar à parte técnica, ok? Ele sofreu aquela picada de aranha no braço, e até tentou ensaiar com o Slayer e voltar a tocar, mas não aguentava executar as músicas na velocidade certa. Veja só o quanto de movimento que ele faz ao tocar, dando a sensação que há um certo excesso de força e movimento. Repito, não estou desmerecendo o músico! Ele aprendeu assim, e dessa forma se acostumou, mas será que se ele tocasse com uma postura mais relaxada, ele teria tido menos dificuldade e teria voltado?

    Então, deixo aqui essa dica: toque o mais relaxado possível, e com o mínimo de esforço/movimento. Não adianta forçar, pra ter mais uns pontos de velocidade no bpm. Na verdade, além de vício e dores, você só vai empacar nisso. O relaxamento que você tem ao fazer um exercício em 60 bpm, tem que ser praticamente o mesmo, ao fazê-lo em 140, por exemplo.

Bons estudos!

Otimize seu estudo, e treine certo!

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    Como vez por outra, vejo gente falando da forma que estuda, e sempre fica capengando em certa técnica, tendo ainda dificuldade de organização para otimizar tais estudos, vou dar umas dicas pessoais, e espero ajudar um pouco:

  1. Conteúdo a ser estudado: Eu trabalho passando exercícios que variam de escalas ( de forma horizontal e verticalmente ), técnicas sobre a mesma ( bend, vibrato, palhetada, ligados, tapping, etc ), improvisação, músicas, etc. Então chego com uma folha com 5 exercícios por exemplo: numa aula consigo passar 3, ele treina loucamente esses, e na semana seguinte, passo os outros 2, aí ele treina só esses, e caga a evolução dos outros 3. Se você evoluiu bem nos 3 primeiros, e pegou 2 novos, diminua o tempo de treino dos 3 primeiros, e faça mais os outros  2, porém não abandone os antigos!
  2. Estudo de técnicas: Vejo casos assim: o aluno está treinando palhetada. Faz isso segunda e terça. Aí ele vai estudar uma música que requer ligados, e o que ele faz? Estuda só isso o resto da semana, e dias depois, quando vai fazer algo mais palhetado, sai tropeçando na porra toda. Não faça isso! Busque evoluir tudo por igual. Se você tem o material com os exercícios, é muito melhor você estudar cada exemplo 5 minutos por dia, e fazê-los evoluir por igual, do que estudar um exemplo uns 3 dias direto, outro exemplo mais 3 dias, etc. No fim, os primeiros ficarão quase como se você nunca tivessem sido treinados. Pense numa atividade física, e diga quem é mais saudável: o cara que faz uma caminhada de 30 minutos todo dia, ou o que faz 4h de exercício na academia, 2x por semana?
  3. Metrônomo: chega de ter medo dele, igual paciente no dentista! Ele serve para te ajudar a tocar no ritmo certo, e otimizar sua evolução, mas há um erro corriqueiro, no que tange o aumento dos BPMs: muita gente faz um exemplo, lick, frase, num tempo ( ex: 80 bpm ). Aí na hora de aumentar, dá um salto muito grande ( ex: 90 bpm ). Isso faz com que sua musculatura sinta bem esse aumento, e não é a melhor forma. Aumente de 2 em 2, se possível, de 1 em 1! Sim, vai demorar mais tempo, mas com isso, sua musculatura não vai sentir o aumento, cansará menos, e você conseguirá avançar bem mais na precisão e velocidade. É como se ”trapaceasse”: o intuito não é velocidade? Então, você estuda tudo muito devagar, e subindo de pouquinho em pouquinho, para ”enganá-la” e depois…

Bom treino!

 

 

 

 

 

Quando outros estilos invadem o metal

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Bill Steer: Carcass

 

    Graças ao bom Deus, hoje vejo muitas pessoas com mente mais aberta, para ouvirem outros estilos, e até mesmo incluir isso em sua música. O metal  se desenvolveu no final da década de 60 e no início da década de 70, tendo raízes no blues-rock. Basta ver que surgiu das contribuições de Eric Clapton ( fase Cream ), Hendrix, e solidificado na sonoridade de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Ufo e Black Sabbath. E todas essas bandas citadas, começaram a explorar bastante tons menores característicos do gênero, riffs em cordas graves muitas vezes, com paisagens sonoras mais maciças, mas sempre com elementos de blues, jazz, música erudita, etc. Com o passar dos anos, essa perspectiva foi sendo usada em maior ou menor escala, mas nunca excluída, e certas vezes o fã que ouve , não nota, ou no caso do mais tr00, não acha legal, pois acha que vai ”estragar” o estilo, etc. Há exemplos mais do que notórios em clássicos do metal, indo desde a sua gênese, até os estilos mais extremos! Quer ver só?

    Tonny Iommi junto do Sabbath criou o metal. Disso todo mundo já sabe. Mas não precisa ser perito, para identificar que Iommi é um guitarrista de blues enrustido, desde seus riffs, até abordagem nos solos, e indo mais além, há uma forte veia jazz no mesmo. Note esse clássico do Sabbath, bem psicodélico por sinal, tendo um solo com sotaque totalmente jazz:

    O Megadeth, ícone do thrash, vira e mexe dá uma passeadinha em outros estilos. Lembro bem, de ter uns 15 anos e ouvir o clássico Countdown to Extinction, reparando vários exemplos de rock ‘n’ roll. Eis que chega a música High Speed Dirt, cheias desses elementos, e entra uma guitarra clean aos 3:25, e executa frases de blues, com a pegada do estilo, e na cara de pau…

    Pegando mais pesado, trago o exemplo do mestre Dimmebag Darrel, do Pantera. Acredito que a música The Great Southern Trendkill seja uma das maiores carnificinas da história, fazendo muita bandinha de metal atual parecer Restart. Mas devido o peso absurdo, muita gente pode não notar que à partir de 1:54 min, ela entra num riff bem mais rock clássico, e Dimme invoca suas raízes de southern rock no solo. Dá-lhe Lynyrd Skyrnyd!

    E para fechar, o dono da foto da matéria: Bill Steer, do Carcass. Ele com sua banda, ajudaram a fundar o grindcore, e solidificar o death metal. Porém, o amor de Bill pelo rock clássico foi ficando cada vez mais evidente, tanto que na separação da banda, ele formou um projeto voltado para o estilo, e tais influências são encontradas no estilo do Carcass, a ponto de muitos citarem a banda como Death ‘n’ roll. Ouve isso, e me diz se não parece o AC/DC do death metal, usando até mesmo o bottleneck, um anel de slide usado em blues.