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Herick Sales Guitar Festival 2015.1

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    É interessante, como um evento altamente simples, descompromissado até certo ponto, é capaz de gerar expectativas grandes no coração de cada um, e um nervosismo típico de grandes apresentações. Talvez pelo fato de ser na frente de outras pessoas que também tocam, ou por ter que mostrar o conteúdo aprendido em aula, uma tensão maior seja gerada. Cada um teve seus problemas a serem superados, e esforço aplicado, tendo que conciliar trabalho, estudos, e treino pesado. Pude abrir, com uma das minhas canções favoritas do Iron Maiden , ”Moonchild”, dando em seguida, a vez aos donos da festa brilharem: os alunos! A leve brincadeira em homenagem ao Kiss tomou forma com três canções, cada uma executada por um aluno: ”Hard Luck Woman” ( executada por Clayton, que correu contra o tempo, e treinava 3 horas por dia, mesmo trabalhando, e Caudo ), ”Love Gun” ( executada com maestria por Anderson ) e ”Rock And Roll All Nite” ( um fechamento belíssimo feito pelo ”mascote” Felipe Nunes ). Tivemos esse ano, até mesmo a participação de um ilustre tecladista, Caudo Feitosa, que ao lado Roberto e Anderson, executou, com direito a solo de teclado, a música ”Stormbringer”, do Deep Purple. Um desfile de boas canções, e performances vieram, interpretadas com garra e suor por cada um: ”Black Night”, do Deep Purple ( Lucas Duarte ), ”Now I’m Here, do Queen ( Nathan, mito em forma de guri ), ”Black” do Pearl Jam ( Juliana diva e Patrick ), ”Man in the box”, do Alice in Chains ( Finha, Victor e Anselmo ), ”Walking by Myself”, do Gary Moore ( Pedro Lopes, nada melhor do que uma do Gary para treinar pegada, e ficou ótima! ), ”Countdown’s Begun”, Do Ozzy ( Ramon Corrêa, que chegou de última hora, mas a tempo de tocar, e ficou muito bom! ), além de belas jams e improvisos ótimos, com palhinha de última hora dos alunos mais ”cascudos”, leia-se Alan, Lucas Rodrigues e Lucas Cavaleiro! Gostaria de salientar a apresentação do grande ”menino caqui” Lucas Marques, que fez um belo improviso, em que eu tive a honra de improvisar junto, além de poder fazer uma dobra em terças, gerando muitos aplausos, além da chance de tocar ”Power” do Helloween com o mesmo, fazendo dobras e o solo junto. É muito bom ver uma aluno que veio do zero, chegar nessa nível.

     Não há melhor, ou pior nesse evento. É uma brincadeira, um ensaio para o futuro, uma confraternização em celebração a música, e num dia em que 40 à 50 pessoas vieram ver esse festival, traz a certeza de que ainda há pessoas que gostam de ouvir boa música, e boas guitarras sendo executadas.

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Obs: fica aqui também  minha homenagem a Matheus e Thuanny, que por problemas pessoais, não puderam tocar, mas ambos são vencedores, e seus esforços não foram em vão!

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E o medo de uma apresentação: o que fazer com ele?

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    “Será que estou preparado? Será que vou errar? Será que ficarei muito nervoso na hora? Vou fazer tudo errado! Estou errado agora, não sou bom o suficiente, e na hora vou estragar tudo!” Esses e outros milhares de questionamentos e falsas certezas incomodam a todos, em maior ou menor escala no momento auge da vida de um músico: uma apresentação. Desde músico profissional, até amador, ao executar seja uma música apenas, uma participação, um show, qualquer situação que seja necessário se expor musicalmente e ser ”avaliado” pela platéia, sentem apreensão, afinal, embora não ganhe nota, é nesse momento em que mostra-se a todos o quanto se estudou, treinou, se dedicou, e como faz isso virar música. A dúvida há sempre de existir, pois creio que ela alimenta a busca pela melhora, já que quem se acha bom o suficiente, amarra em si cordas que o travam de seguir. Mas é necessário o controle da ansiedade e insegurança. Estuda-se muito para isso: para domar esses sentimentos de insegurança, e fazer os resultados bons, vindos de seu empenho, brilharem. Não há outro caminho, e outra alternativa: se você treinou e se dedicou, pôs em prática o que foi ensinado em aula ( ou que você pesquisou sozinho ), e souber dominar o pânico, sua música há de se destacar. Todos são capazes! Repense a sua história: Quantas coisas você precisou abrir mão para comprar sua guitarra? Quantas vezes você sentiu dores nos dedos, de tanto tocar? Quantas vezes você treinou com afinco a mesma passagem, o mesmo riff, o mesmo solo, buscando perfeição? Quantas vezes, você deixou de sair para passear, ou dormiu tarde, para se entregar de corpo e alma à sua música e arte? Se nesse momento você respondeu a si mesmo que muitas vezes, e que já perdeu as contas, você há de estar no caminho certo, e tenha a certeza de que a música devolve para ti, exatamente o que você deu a ela, em mesma força e intensidade.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk    Herick Sales é músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Como você apresenta sua arte/produto?

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    Um produto é conjunto de atributos tangíveis e intangíveis, que incluem muitos fatores, como a forma que é apresentado e sua aparência, com seus detalhes. Vamos começar a destrinchar esse conceito da seguinte forma: o tangível, é aquilo que você pode pegar, é físico, e para a música, podemos dar como exemplo um álbum, com encarte, e a temática/conceito usado na apresentação do mesmo, de forma que atraia e gere vontade de adquirir, conhecer. Logo, o intangível, é aquilo que não é tocado, sua prestação de serviço e forma que você, músico e banda, se apresentam, se portam de forma a agregar à música.

     Começarei dando exemplos de produto tangível e a forma de apresentá-lo:

    A forma que se amarra o conceito das músicas de um álbum, e apresentação do mesmo, ajudam muito na forma de atrair as pessoas e dar maior força ao mesmo. Veja o caso do Dream Theater

Em 2003, a banda que vinha já soando mais pesada nos últimos álbuns, quis dar mais vazão ao lado mais pesado e dark, lançando o álbum Train of Thought. Só pela capa, é possível entender que a proposta é mais soturna, gerando expectativa do que há por vir. Veja como a temática da capa, combina com o tipo de música apresentada.

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    Já em 2005, eles quiseram voltar ao lado mais progressivo e mais ”viajante”, e trouxeram músicas com essas características no álbum Octavarium e uma apresentação do álbum, cheia de relações com o número 8, a começar pela quantidade de músicas do álbum,  por ter 8 bolas no encarte ( ele aberto ), e 8 páginas no mesmo.

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    Falando da parte intangível, podemos tomar como princípio, a sua imagem perante a música, que inclui postura e até mesmo visual. Veja como exemplo, o Helloween:

    Uma banda de metal melódico, com características mais alegres em suas músicas, com melodias mais ”felizes”. Note que o visual dos mesmos, apresenta uma abordagem muito mais despojada e menos ”adornada” do que outras bandas do estilo.

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    Da mesma forma, posso citar o Children of Bodom, que preza pela mistura de elementos de hard rock, metal clássico, e outros estilos, ao death metal, e tal característica pode ser notada até mesmo na apresentação da banda. Afinal, que banda de death metal, vai andar de jeans e o tem um vocalista que usa touca e óculos escuros? 4bf3f5aced7fa

    Em contrapartida, temos por exemplo o Zakk Wylde. Pense nele tocando. É agressivo, pesado e muitas vezes o adjetivo ”ogro” cai como uma luva no mesmo. Nesse ”pacote”, Zakk é dono de um senso melódico advindo de suas influências de southern rock, como Allman Brothers e Lynyrd Skyrnyd, que tem como característica a mistura do rock, com blues e country, dando um ar quase ”caipira” em suas vocalizações, e tendo como unanimidade, uso de longas barbas pelos mesmos. E além de tudo, é o chefão de uma banda com nome de bebida, a Black Label Society. Depois de ver por esse lado, olha o cidadão abaixo:

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    Então, pense bem em como você vai apresentar a sua arte, pois em um mundo dotado de múltiplas informações, quanto mais conteúdo complementar você puder agregar à sua arte e sua imagem, mais atrativos você dará ao público para que ouçam e admirem seu trabalho.

522369_365152026909512_429593611_nk Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Herick Sales Guitar Festival

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    Com o fim de ano na porta, chega uma data em que os alunos até já esperam: a confraternização de fim de ano, em que todos se confraternizam, e se apresentam tocando músicas que mostrem abordagens aprendidas na aula, e sejam desafiadoras. De um blues de 12 compassos com improvisos até Alice in Chains, de Iron Maiden à Sepultura, passando por Black Label Society, a ideia era celebrar a boa música e se divertir! Com um mês e meio de antecedência, foram escolhidas as músicas, e começamos a trabalhar cada detalhe, associando com o conteúdo das aulas, e com partes que trouxessem desafios. Logo, se um aluno está se adaptando a palhetadas ferozes de thrash, por que não desafiá-lo a tocar ‘’Refuse Resist’’ do Sepultura, ou se o aluno tem dificuldade em tocar palhetada alternada, que tal tocar algo do Zakk Wylde? Pude ver muita dedicação da parte de todos e tive que passar por cima de dificuldades para estar apto a ensinar todas as músicas da melhor forma possível, e organizar tudo para o ‘’grande dia’’, já que para muitos, o evento ganhou ares de ‘’primeira apresentação’’. Carinhosamente apelidado de Herick Sales Guitar Festival, o dia esperado chegou e tive o prazer de receber até mesmo ex alunos e pessoas de fora, para prestigiar. Foi muito legal ver todo mundo conversando sobre música, com guitarras penduradas, trocando experiências e pontos de vista! Chegada a hora, afinemos os instrumentos, e mãos na massa! Abri a noite tocando “Rock You Like A Hurricane’’ do Scorpions, tirada meio que de última hora, e tentando honrar o mesmo solo mitológico. Em seguida, cada um apresentou as canções escolhidas, e vez por outra, juntava um aluno com outro para fazer um improviso, dando mais ainda, um ar de jam. Todos, sem exceção se superaram e impressionaram, mas um último aluno precisa ter citada sua história: uma dedicação fora de série o fez aprender uma canção, que já fiz até um post sobre, ‘’I Want it All’’ do Queen, e seu problema era justamente com bends. Essa canção era para humanamente ser aprendida em 3 meses, e não teria nem 2 meses completos para tal. Eis que o cara não só conseguiu, como o desafiei para um jam de blues rock, a lá Rory Gallagher e no encerramento, e depois, ainda fez um improviso hard rock com outro antigo aluno.

    Todos alcançaram seus objetivos e deram uma aula de dedicação e superação, afinal, quando você vê alguém que sabia fazer só meia dúzia de acordes, tocar um thrash metal em 2 meses, ou um aluno com digitação falha na guitarra, consertar muitos erros, e tocar os solos do Dave Murray e Adrian Smith? E até mesmo quem não tocou no dia, mas se dedicou até o último segundo, merece ter todo o mérito, que de forma carinhosa, veio com um distribuição de cds, no fim da ‘’farra’’ guitarrística. Se por vezes, meu corpo e alma desanimam e não encontram forças algumas vezes, é com esses exemplos, que ele se alimenta e busca continuar. Obrigado a todos!

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