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As viúvas do rock/metal

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    “Sepultura acabou em 1996”, “Ah, Deep Purple com Morse, não é Deep Purple”, “Lynyrd Skyrnyd é uma banda cover de si”, e por aí vai. Quantas vezes esbarramos nessas declarações, não é? Hoje ela estão bem mais vivas, com o lançamento do excelente Machine Messiah, que tem um brilhantismo que mostra o amadurecimento, conhecimento, e pegada de uma banda sincronizada. O Sepultura de hoje possui um baterista acima de todas as expectativas, e Derrick achou seu lugar na banda, com um vocal diferenciado e bem agressivo. Logicamente, após a saída do Max, a banda ficou meio perdida com lançamentos fracos, mas também, né? Chegar a esse nível de sucesso e tudo mudar do nada, deve ser bem complicado mesmo, mas há tempos a banda demonstra que se achou (na minha opinião, isso ocorreu no ótimo Kairos), e sejamos sinceros: Machine Messiah nunca teria sido lançado com Max e Igor na banda. Ponto final. Se eles estivessem, seria um álbum melhor? Não sei. Diferente? Com certeza. O que importa é que eu aproveito o que a banda tem de bom a me oferecer musicalmente agora. Sem mi mi mi. Eu não me privo de conhecer o que eles irão apresentar com uma nova formação, afinal, a vida segue em várias esferas: trabalho, relacionamentos amorosos, amizades, etc. O Deep Purple sofreu muito com isso, com a entrada de Steve Morse. O cara já tomou até cuspida no palco! Se não curte a formação, pra que o sujeito sai de casa pra ir ao show, e fazer isso? Enfim… qualidade técnica a ele não falta, e o melhor: Morse devolveu o espírito alegre aos shows do Deep Purple, com aquela onda de improvisos, e ajudou a banda a lançar bons discos, dentre eles o sensacional Purpendicular. A permanência de Blackmore traria o fim da banda, e não teríamos a oportunidade de vê-los com Steve Morse, dando cara moderna a mesma, e shows tão legais. Mas vai o fã boy, e diz que preferia que a banda tivesse acabado. O Lynyrd Skyrnyd nem se fala… com o vocalista Johnny Van Zant (prestando uma bela homenagem ao irmão falecido no fatídico acidente de avião), e o guitarrista Gary Rossington (único membro original, que sobreviveu e está lá até hoje) a banda continua. Gente! Porra! O irmão do vocalista está levantando a bandeira (sem piada com a bandeira dos confederados…), levando as belas canções da banda juntamente de um dos membros que sobreviveram a esse acidente, e pra variar lançando bons discos! Havia uma época em que eu me sentia meio carente de um puta álbum de rock n’ roll, daqueles que só víamos antigamente, e me deparo com os belíssimos  God & Guns e Last of a Dyin’ Breed! Mesmo com todas as adversidades, a banda lançou álbuns que podem figurar entre os melhores, e tem gente que ainda teima e nem se permite ouvir, despidos de preconceitos. Pobres almas…

     Por fim, sabe quando um rapaz namora uma moça por um tempo, pessoal acostuma com aquela dinâmica, mas o relacionamento azeda, termina, ele conhece outra e reencontra a felicidade, dando sequencia a vida?  Então, esses “fãs” tão “fãs” soam como uma tia velha, daquelas bem chatas, que não querem saber se o rapaz está bem hoje, feliz, etc. Fica sempre resmungando: “Não gosto dessa garota! Por mim você ainda estava com sua ex…”. Azar o deles…

Richie Blackmore: genioso, porém genial

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    Desde minha adolescência, tive figuras importantes, como inspiração musical, e uma das principais foi Ritchie Blackmore. Um fato a ser esclarecido é que hoje, o Deep Purple conta com o incrível Steve Morse, mas quem criou boa parte dos incríveis riffs e solos, foi Blackmore. O criador do maior riff de todos os tempos, o de Smoke on the Water, deixou-me incrédulo, com o solo de Highway star, do ao vivo Made in Japan. Como era possível, alguém, em 1972, tocar algo tão absurdo desse jeito? Logo após, conheci outra banda, que ele montou após sair do Deep Purple: o Rainbow, que contava com os incríveis vocais do Dio, no começo da banda. Com o Deep Purple, injetou linhas eruditas, e trechos técnicos, que se tornaram marca registrada no hard rock e metal, e com o Rainbow, mais além, traçando o caminho para um metal com som místico, medieval, e na sua fase mais comercial, um hard rock alegre, que influenciou e moldou o caminho do estilo nos anos 80. Sim, estou falando de um dos meus guitarristas favoritos, com um poder de improvisação enorme, cheio de interpretação, e fluência incrível, que influenciou Adrian Smith ( Iron Maiden ), Edu Ardanuy, Faíska, o próprio Steve Morse, Joe Satriani, e Yngwie Malmsteen ( que copia seu estilo, poses, e gênio soberbo ). E pra fechar, uma curiosidade: quando Blackmore deixou o Deep Purple em definitivo, a banda chamou ninguém menos que Joe Satrinani, que cobriu o restante da turnê, e foi convidado a integrar o grupo. Convite esse, que não foi não aceito. Sobre isso, Satriani diz: ”…eu estava preocupado em ter Ritchie Blackmore nos meus ombros. Eu era e ainda sou um grande fã de sua música e você realmente não pode substituir alguém como ele”.

Deep Purple – Bananas

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    Ao entrar no Deep Purple, Steve Morse trouxe um gás novo à banda, além de modernidade, advindo do seu jeito único de tocar, e em 1996, já provou isso com o ótimo Purpendicular. Mas para alguns mais desatentos e preguiçosos, o Deep Purple ficou só nisso. Eis que trago aqui, detalhado, um álbum excepcional, terceiro da discografia da era Morse: Bananas, de 2003.

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    Aqui um belo exemplo, que não devemos julgar um livro pela capa, pois o álbum já abre com a pesada ”House Of Pain”, , com um riff feito com harmônicos naturais na corda solta, no melhor estilo ”Van Halen” , com um solo de guitarra bem imponente, e groove de bateria forte acompanhando. A soturna ”Sun Goes Down”, nos remete ao estilo de ”Perfect Strangers” na introdução, para cair naqueles riffs blues rock bem característicos da banda. Note na convenção que antecede o solo! A balada ”Haunted” não acrescenta muito à carreira da banda, porém soa suave, com direito a vozes femininas junto no refrão. ”Razzle Dazzle” parece ter saído direto dos anos 70, graças ao seu riff e andamento, soando despretensiosa e agradável com ar de jam, possuindo ótimas intervenções do tecladista Don Airey. ”Silver Tongue”, abre com sonoridade blues rock forte, num lick de guitarra bem sacado, e um riff seco e pesado, graças a guitarra de Steve Morse, que está com afinação drop D, e possui intervenções que faz você entender por que de John Petrucci ser tão fã dele. Na sequência, a bluesy ” Walk On ”, remete muito a ”You Keep on Moving” , do excelente ”Come Taste the Band”, com solo gostoso de se ouvir, que abre espaço logo em seguida para a melhor faixa do disco: ”Picture Of Innocence”. Com ar de jam session pura no seu início, e levada jazz na bateria, ela começa num ”crescendo”, até explodir numa convenção bem mais progressiva que o normal, para o Deep Purple, até seu refrão metal, com riff pesado, até sua volta ao clima de jam, como se nada tivesse ocorrido. É fácil afirmar também, que é o melhor solo do álbum, com os cromatismos característicos Morse, e solos de teclado. ”I Got Your Number”, mais uma vez, parece uma composição vinda direto dos anos 70, com clima gostoso, que me faz pensar o que faz uma pessoa botar pagode num churrasco, e não musicas assim. Na sequência, a celta ”Never A Word”, com um dedilhado lindo, cativa de primeira, por sua leveza e melodia bela, servindo de ponte para a pesada e rápida faixa homônima, composta em 7/8, frases de gaita, um refrão com rítmica toda quebrada, e aquela famosa ”briga” de solos de guitarra versus teclado, eternizada por Blackmore e John Lord. Terminando o álbum, temos a swingada ” Doing It Tonight” , com leve acento latino ( ??? !!! ), e a tocante ”Contact Lost”, composta por Morse, em homenagem aos astronautas Colombianos que se acidentaram.

    Eles nunca mais farão um álbum como ”Machine Head”, e isso é fato. Mas há muita qualidade espalhada na grande maioria dos álbuns do Deep Purple, e em seus discos atuais, muitas das vezes, mais garra do que muitas bandas atuais.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk  Herick Sales, músico e professor a mais de 10 anos.

Como estudar outro guitarrista?

Eric+Clapton

    Ontem tive a prova de que meu trabalho não é em vão, pois fui procurado no facebook, devido minhas postagens, e recebi a seguinte pergunta: ”Como posso estudar um guitarrista?”. Não trarei a fórmula de como estudar as tretas guitarristas do Guthrie Govan, e acordar tocando como ele, pois não faço milagre, mas não sei se você acompanhou, que a um tempo atrás escrevi sobre estudar os discos clássicos, algo que o pessoal hoje em dia não faz muito. Aconselho o mesmo processo na hora de estudar o estilo de um determinado guitarrista. Todo músico evolui e muda em alguns aspectos ( vide Richie Blackmore nos anos 70, e depois no meio dos anos 80, mais técnico ainda), porém, há elementos que sempre se repetem no estilo de cada um, tornando-se suas características. Por volta de 10 anos atrás, lembro bem de ter pouco acesso a discos como hoje ( ontem mesmo pensei em escutar algo do Albert Lee. Botei no youtube, e ouvi um álbum. Quer processo mais fácil do que esse hoje em dia? ), então, cada álbum era uma joia rara a ser degustada ao máximo. Estudei vários guitarristas e ainda o faço, porém, estudo a obra e características, e tento incorporar ao que toco. Quando tive acesso a 2 álbuns do Deep Purple com Steve Morse, eu pirei, pois já tinha visto em um show em VHS, ele destruindo. Ouvi incansavelmente, e tentei tirar algumas ideias, li revistas com licks dele, e descobri que uma ferramenta que ele usa muito, é o cromatismo. Ok. Trabalho de casa: entender como ele faz, em quais passagens, dentro de qual escala, qual sonoridade ele obtém com isso. Ao ter acesso ao Heaven & Hell, do Black Sabbath, eu pirei, pois era pesado, mas com um toque mais rock ‘n roll em algumas canções, e um fraseado muito bonito, e mais ”desenhado”, em comparação a época do álbum Paranoid, por exemplo. Lembro de ter estudado muito sobre a canção ”Lonely Is the Word”, última do álbum, e notei que o lindo solo dela, bem improvisado por sinal, usava e abusava de bends e vibratos, notas com longa duração, e fraseado altamente calcado em blues, mas sem soar tão blues. Então, ouvia essa canção incessantemente, e após pegar o tom e absorver a rítmica das frases, comecei a improvisar em cima, tentando na cara de pau, copiar aquela forma de tocar. Toco igual ao Tony Iommi? Porra nenhuma. E isso se repetiu com muitos outros álbuns e guitarristas (lembro como se fosse ontem, eu passando tardes chuvosas ouvindo Houses of the Holy, e o ao vivo putaqueparivelmente incrível, How The West Was Won, e copiar os bends exagerados e riffs do Jimmy Page ).

    Ver também é muito importante! Quando pude ter um aparelho de DVD vagabundo da Casa & Video, o mundo mudou! No mesmo dia, pra estrear o bendito aparelho, achei o DVD Unplugged – Eric Clapton, e ganhei dias depois, o Queen Live at Wembley Stadium. Tinham dias sagrados, em que eu ligava o ampli mais vagabundo que piranha do Centro, e botava os DVDs e tentava copiar licks, a dinâmica, e improvisar sobre. Digo o mesmo com outros DVDs como Toto – Live in Amsterdan, Pulse – Pink Floyd, ou Mr. Big Farewell Live in Japan, da fase do Mr Big com Richie Kotzen. Pude ver, rever e pausar, e não só ouvir, vários truques, formas de frasear, quem usava mais ligados, palhetada, forma dos vibratos, etc.

    No meio desse estudo, chega um momento em que tudo que você absorveu reside numa ”terra de ninguém” musical, em que os licks, estilos de fraseado, técnicas, escalas, se misturam e besunta tudo( Zakk Wylde e Al Di Meola tocam muito rápido, e Stevie Ray Vaughan tem uma pegada descomunal para licks de blues…que tal misturar os 2, e fazer um lick com altas palhetadas e bends furiosos? ) . Não adianta tentar copiar todos os detalhes, virar uma xérox ambulante, mas pegar emprestado nuances e ideias, estilos, é muito válido, e os mesmos, ficarão no seu sangue. Assim, o resultado dessa mistura será aquilo que você sempre quis ser musicalmente: você mesmo!

Enfim, o palco!

    Não há sensação melhor no mundo, do que tocar ao vivo: é o reflexo de tudo que você estudou e você preparou à tempos, para apresentar ao público. Mas e quando isso vem do nada, sem aviso prévio? Clama, que eu explico! Fui chamado para um apresentação numa ong de uma amiga, iria na boa, com meu humilde violão, até que pensei: ” se toquei com minha banda sem ensaio no workshop, e deu certo, porquê não tocar com eles, ensaiando antes?”. A temática era simples: escolher algumas canções em que todos pudessem se divertir, tocar, e improvisar, tal qual faziam as bandas dos anos 70. Led Zeppelin, Deep Purple, Cream, são a escola de tal vertente, ainda mais quando se toca em trio. Alan Viera, meu aluno de guitarra, que passou para o baixo, no intuito de fazer certas dobras, improvisos, e sem um pingo de pudor na hora de se jogar em prol da canção, e Érick Diniz, um dos melhores bateristas da região, com peso e groove. A temática foi adentrar o universo blues rock, e o injetar peso e improvisos. As escolhidas foram ”Everyday I Have The Blues” ( Elmore James ), ”Caleidoscópio” ( Paralamas ),”Down em Mim” ( Barão Vermelho ), ”Cocaine” ( Eric Clapton ), um momento de loucura plena, em que arriscamos puxar um blues e seja o que Deus quiser, e o fechamento com ”Foxy Lady” do Hendrix. Tudo certo, então? Mais ou menos, já que o pouco tempo e compromissos, fizeram que o ensaio ficasse fracionado: uma vez ensaiei com o baixista, noutro dia, com o baterista. Poucos dias antes, pra completar a loucura, a outra banda dos meus amigos Alan e Érick , a Hacrópole, não poderia tocar, pois o baixista original, estaria escalado para o trabalho. Eis que surgiu a ideia, de levarmos nosso projeto no lugar ( afinal, 2 integrantes são os mesmos ). Antecipei todas as aulas para o dia anterior ( ficar numa quinta dando aula de 10h até 22h é cansativo ), mais algumas aulas na sexta, até que chega à noite, uma passada rápida na casa do batera, passa cada música uma estrofe, beijos, tchau! Partimos para casa de show. Vimos a banda que tocou antes, eu malucamente, com a guitarra no pescoço e metrônomo no ouvido, já aquecendo, até a chegada a hora. Pelo line- up do dia, o foco era algo mais alternativo, mas como seria a reação do público, e como soaríamos? Afinal, o primeiro show de verdade! Com a nomenclatura de ”Herick Sales & Woljtek Band ”     ( um tributo descarado à Stevie Ray Vaughan & Double Trouble ), subimos e começamos a tocar ”Everyday I Have The Blues”. Ao que tudo indica, o público gostou e a química começou a dar certo. As músicas ganharam mudanças, como ”Down em Mim”, que ganhou peso e um toque de Gary Moore nos solos. Mas o ápice foi o momento jam, em que foi puxado um blues em E7, passou para um rock estilo Chuck Berry, fechando com ”Whole Lotta Love”. Até agora não sei como isso tudo saiu sem erros. Por fim, ”Cocaine” ( do vídeo ), rendeu um solo destruidor de baixo do meu camarada Alan, que impressionou muita gente, que só o conhece como guitarrista, e fechamos com Foxy Lady. Yes! Foi! Tudo correto, certo, poucos problemas técnicos e a sensação de trabalho feito. Particularmente, ao voltar, mesmo de madrugada, treinei mais um pouco, até chegar a dormir com a guitarra. Dia seguinte, mais correria, levando equipamentos para a ong. Problemas técnicos a mais, faltando equipamento, correria para sanar isso, espaço menor, mais correria, mas foi. Repertório idêntico, porém dotado de improvisos diferentes, e a jam, deu lugar a uma base country e toques fusion no fraseado de guitarra. Eis que cai a ficha: 2 shows, em menos de 24 horas! Nesse momento agradeci a Deus a oportunidade, vi o quanto foi bom tanto tempo de estudo em minha vida, ter tido a dedicação dos meus amigos de banda, e por ter a chance de trabalhar com música. Só faltou fechar com um bom passeio, e uma caipirinha para comemorar!

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Santana – Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time

Muro do Classic Rock

Muito além do que um álbum de covers.

    Santana estava com a carreira mais do que estável, e não precisa provar mais nada para ninguém. Após uma trilogia de cds ( Supernatural, Shaman, e All That I Am), com convidados pra lá de conhecidos, que rendeu bon$ fruto$ ne$$a empreitada, já estava meio que na hora dele carregar sua guitarra novamente, com um gás a mais, sem tanto apelo pop. Então, eis que surge ‘’Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time’’. Muito além de álbum de covers, Santana deu cara nova a muitas canções clássicas, correndo até certo risco, afinal, tem que ter muita bala na agulha para regravar Rolling Stones, Led Zeppelin, Van Halen, Beatles, com seu tempero latino característico, sem deformar as canções.

    De cara, Santana já entra com pé na porta, com uma versão latina de ”Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, com  Chris Cornell ( Soundgarden), nos vocais. Nunca imaginei que alguém pudesse transformar essa música, mudar até mesmo seu solo mais do que emblemático, e deixá-la em alto nível. ”Can’t You Hear Me Knocking”, do Rolling Stones, cantada por Scott Weiland ( ex- Velvet Revolver, ex- Stone Temple Pilots ) ficou sensacional, com uma jam no final e solos pra lá de sensuais. ”Sunshine of Your Love”, do Cream, ganhou uma batida latina, a ponto de ser mudado de leve o riff original, e torna-se quase impossível não se mexer na cadeira.  “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, ganhou uma introdução com ares flamencos, no violão de nylon, e a delicadeza de uma voz feminina, tornando-a angelical e doce. Catada a dedo, direto dos anos 80, “Photograph”, clássico do Def Leppard, manteve o peso hard rock típico, e uma levada latina, que superou a original. Ficou ótima!!!!! Nem tudo são flores, já que em ‘’Back in Black’’, ele dá uma derrapada gigante, ao colocá-la em rap, mas mesmo assim, há um solo excelente na mesma. The Doors foi representado aqui, com  “Riders on the Storm”, e uma das melhores interpretações que Chester Bennington, do Linkin Park, teve na vida. Nem ‘’Smoke in the Water’’, do Deep Purple escapou, ganhando uma ótima versão com licks e solos cheio de wah wah. A alegrinha “Dance the Night Away”, do Van Halen, ganhou percussão, licks e solo que não continham na versão original. “Little Wing” do Hendrix, com  Joe Cocker no vocal, ficou de doer o coração, e no solo que não tem como negar: é Santana na guitarra. “I Ain’t Superstitious’’, do Jeff Beck Group, e “Fortunate Son do Creedence Clearwater Revival, mantém o astral lá em cima, e por fim, uma baita surpresa: “Under the Bridge”, do Red Hot Chili Peppers, que ficou parecendo uma linda canção típica de pôr de sol na praia.

    Muito além de um álbum de covers, Santana mostrou que é possível fazer covers, sem destruir as músicas, e trazê-las para seu universo, quando se tem identidade.

 

 

 

 

 

 

 

Obs: no primeiro vídeo, você já encontra 9 músicas do álbum.