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As viúvas do rock/metal

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    “Sepultura acabou em 1996”, “Ah, Deep Purple com Morse, não é Deep Purple”, “Lynyrd Skyrnyd é uma banda cover de si”, e por aí vai. Quantas vezes esbarramos nessas declarações, não é? Hoje ela estão bem mais vivas, com o lançamento do excelente Machine Messiah, que tem um brilhantismo que mostra o amadurecimento, conhecimento, e pegada de uma banda sincronizada. O Sepultura de hoje possui um baterista acima de todas as expectativas, e Derrick achou seu lugar na banda, com um vocal diferenciado e bem agressivo. Logicamente, após a saída do Max, a banda ficou meio perdida com lançamentos fracos, mas também, né? Chegar a esse nível de sucesso e tudo mudar do nada, deve ser bem complicado mesmo, mas há tempos a banda demonstra que se achou (na minha opinião, isso ocorreu no ótimo Kairos), e sejamos sinceros: Machine Messiah nunca teria sido lançado com Max e Igor na banda. Ponto final. Se eles estivessem, seria um álbum melhor? Não sei. Diferente? Com certeza. O que importa é que eu aproveito o que a banda tem de bom a me oferecer musicalmente agora. Sem mi mi mi. Eu não me privo de conhecer o que eles irão apresentar com uma nova formação, afinal, a vida segue em várias esferas: trabalho, relacionamentos amorosos, amizades, etc. O Deep Purple sofreu muito com isso, com a entrada de Steve Morse. O cara já tomou até cuspida no palco! Se não curte a formação, pra que o sujeito sai de casa pra ir ao show, e fazer isso? Enfim… qualidade técnica a ele não falta, e o melhor: Morse devolveu o espírito alegre aos shows do Deep Purple, com aquela onda de improvisos, e ajudou a banda a lançar bons discos, dentre eles o sensacional Purpendicular. A permanência de Blackmore traria o fim da banda, e não teríamos a oportunidade de vê-los com Steve Morse, dando cara moderna a mesma, e shows tão legais. Mas vai o fã boy, e diz que preferia que a banda tivesse acabado. O Lynyrd Skyrnyd nem se fala… com o vocalista Johnny Van Zant (prestando uma bela homenagem ao irmão falecido no fatídico acidente de avião), e o guitarrista Gary Rossington (único membro original, que sobreviveu e está lá até hoje) a banda continua. Gente! Porra! O irmão do vocalista está levantando a bandeira (sem piada com a bandeira dos confederados…), levando as belas canções da banda juntamente de um dos membros que sobreviveram a esse acidente, e pra variar lançando bons discos! Havia uma época em que eu me sentia meio carente de um puta álbum de rock n’ roll, daqueles que só víamos antigamente, e me deparo com os belíssimos  God & Guns e Last of a Dyin’ Breed! Mesmo com todas as adversidades, a banda lançou álbuns que podem figurar entre os melhores, e tem gente que ainda teima e nem se permite ouvir, despidos de preconceitos. Pobres almas…

     Por fim, sabe quando um rapaz namora uma moça por um tempo, pessoal acostuma com aquela dinâmica, mas o relacionamento azeda, termina, ele conhece outra e reencontra a felicidade, dando sequencia a vida?  Então, esses “fãs” tão “fãs” soam como uma tia velha, daquelas bem chatas, que não querem saber se o rapaz está bem hoje, feliz, etc. Fica sempre resmungando: “Não gosto dessa garota! Por mim você ainda estava com sua ex…”. Azar o deles…

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Metallica – Hardwired…to Self-Destruct: um auto resumo musical

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    Demorou 8 anos, mas eis que o membro mais famoso do Big 4 lança seu álbum: Hardwired…to Self-Destruct. De cara, não fui impactado como fui ao ouvir o Death Magnetic, que é mais urgente, e demonstrava uma necessidade do Metallica em provar que ainda poderia ser ícone do thrash que ajudou a criar, após o horrendo St. Anger. Ao ir ouvindo com calma, pude notar que o álbum é violento, bem trabalhado, e traz passagens que remetem a todas as fases da carreira, porém com outro tipo de maturidade. Uma observação: eu não sou fã do Load e Reload. Ponto. Acho que se juntassem os dois, teria até dado um bom álbum, mas a pegada soa meio diluída a meu ver. Bem… é apenas o que sinto, porém, o que esses álbuns trouxeram, foram elementos melódicos aos vocais de James (que cantou muito nesse Hardwired!), que não ouvimos nos primeiros álbuns do Metallica. Ou seja, é um álbum que seja intencionalmente ou não, faz um resumo do que de melhor o Metallica fez em seus mais de 30 anos de carreira, e com uma timbragem certeira!

Hardwired: a mais direta, seca e Kill ‘Em All de todas. Riffs simples, e com palhetadas precisas, o arranjo ficou perfeito para o vocal agressivo de James. Só achei um pouco brochante o solo, que me soou muito parecido com outros que Kirk já fez.

Atlas, Rise!: Com uma intro que remete às convenções de Dyers Eve, do And Justice for All, essa canção possui linhas melódicas dobradas e refrão grudento, que ganha força cada vez que é escutada, remetendo bastante ao trabalho de guitarras do já citado And Justice;

Now That We’re Dead: o groove do riff inicial, junto dos bumbos que Lars imprimiu na canção, te remete imediatamente ao clima do And Justice for All (pense na Eye of the Beholder). Um detalhe: isso ocorre muitas vezes durante o álbum, porém, o clima é mais “pra cima” do que no And Justice, e podemos ouvir tranquilamente o baixo, que dá uma baita encorpada no som. Puta musicão!

Moth Into Flame: nessa dá pra notar o mix que citei no início: riffs thrash, que remetem aos primeiros álbuns, aceleradas raivosas, porém, as melodias no refrão remetem um pouco ao senso melódico encontrado nos álbuns Load e Reload;

Dream No More: Puta que pariu! A minha favorita do primeiro álbum, é uma espécie de Sad But True dos novos tempos, mas com uma pegada meio Sabbath e Alice in Chains, e com um vocal diferenciado de James: mais agudo e com certa angústia e raiva. Sensacional! O peso e timbragem da bateria ficaram sensacionais, e tais características permeiam o álbum todo (dessa vez tu acertou Lars, até que enfim!);

Halo On Fire: uma intro típica do Metallica dá vazão a um dedilhado suave, porém, uma vocalização bem diferente do que costumamos ouvir. Talvez essa seja a que mais se aproxime de uma balada, daquelas ao estilo da banda, que vão crescendo. O final com um riff melódico na guitarra e quase épico soou muito bonito, tal qual fizeram em canções como Fade to Black;

Confusion: quase saiu uma Am I Evil aqui (brincadeira). De cara não curti essa canção, mas com algumas audições fui passando a gostar um pouco mais, e notar elementos que remetem a The Day That Never Comes, porém muito melhorada, e sem os exageros da citada. Além de ser mais pesada.

Manunkind: eu simplesmente me amarrei nessa música! O Metallica fazendo rock n’ roll! Riffs setentistas e levada blues/rock, com um peso extra e umas belas quebradas de tempo, fazem dessa uma das mais legais do álbum! E ainda tem o clipe com referências ao black metal, que ficou sensacional!;

Here Comes Revenge: Após uma intro que remete ao clima de Leper Messiah, a canção ganha um groove que me remete um pouco ao Death Magnetic e toques do Black Album até, alterando em vocalizações mais melódicas (outro momento que me remeteu ao Load/Reload), até chegar num refrão bem legal;

Am I Savage?: a intro te engana que vem uma balada, mas a canção entrega o track mais Black Sabbath do álbum (ouça só Lord Of This World, e note o espírito), além de um dedilhado no meio que me deu a sensação que James deu uma escutadinha no Rust in Peace do Megadeth (não vejo problema algum!), e o final pesado com toques modernos na guitarra, com harmônicos naturais, é de bater cabeça!;

Murder One: a bela homenagem ao Lemmy, começa com belo dedilhado a lá And Justice for All, mas deságua num puta rock n’ roll, extremamente pesado! Lars parece que tocou com uma bigorna!!! Além de possuir o melhor solo do álbum, o que me soou interessante é que a canção tem um toque de Motorhead, mas soa como Metallica! Bela homenagem!;

Spit Out The Bone: acredito que essa seja a canção que muitos esperavam deles desde o fim dos anos 80, pois possui tudo que o fã de thrash gosta: riffs rápidos e pesados, vocais raivosos, várias partes que se encaixaram perfeitamente e bumbo duplo em vários trechos. Spit Out The Bone fecha o play da melhor forma possível!

    Por fim, é muito gratificante ver o Big 4, num período de um ano, lançar álbuns muito bons e maduros, algo que merece palmas numa época em que o metal fica cada vez mais infantilizado, bobo, e não-orgânico.

A guitarra e a caixa de ferramentas

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    “Herick, para tocar guitarra preciso saber fazer arpejo?”

    Essa foi a pergunta que recebi uma vez, de um rapaz que queria fazer aula. De certa forma, essa pergunta possui duas respostas: sim e não. Nunca vi o Zakk Wylde fazer mil arpejos um atrás do outro para fazer belos solos, da mesma forma que o Malmsteen faz direto, e nem por isso tudo que ele faz fica belo. Se você não souber fazer determinada técnica, ou não conhecer teoricamente algum elemento, você pode fazer boas canções e tocar bem? Óbvio que sim! Certa vez li uma entrevista do Stevie Ray Vaughan, na qual ele era questionado sobre como ele pensava em tais acordes em suas canções, e ele responde dizendo que não sabia muito sobre teoria, apenas fazia, e soava bem. Vai dizer que ele não compôs grandes canções e tocava bagarai? David Gilmour já disse em entrevista que foi aprender as escalas há pouco tempo, quando foi estudar sax. E mesmo assim ele compôs “Shine On You Crazy Diamond”, e possui uma afinação de bends que beira à perfeição. Então, o que é necessário afinal? Minha teoria é a da caixa de ferramentas. Imagine-se em casa, e algum aparelho solta uma peça, e você precisa apertar um parafuso. Usa-se uma chave de fenda. Se você precisa botar um quadro na parede? Usa-se um martelo e um prego, e por aí vai. O que quero dizer com isso? Cada situação musical requer uma abordagem. Uma música do Queen nunca precisou de uma sequencia enorme de palhetada alternada para soar bela e bem arranjada, mas nas músicas do Pantera esse elemento cai como uma luva, e é feito com maestria. O repertório desses músicos possui uma gama de técnicas e conhecimentos no qual eles os aplicam conforme suas necessidades. Então, vendo por esse ponto de vista, te convido a pensar assim: se numa situação de improviso, você quiser usar um padrão de ligados, eles soariam uniformes e limpos, com uma velocidade boa, que combine com o solo? Cada música há de dar a abertura necessária para aplicação dos conceitos que ela necessita para se desenvolver, então cabe a você pensar e ver o quanto realmente precisa e principalmente, quer dominar, para oferecer às suas canções ou a sua forma de tocar.

    Tudo o que você domina musicalmente há de ser acrescido à sua caixa de ferramentas musical, indo desde acordes, escalas, técnicas de execução, etc. Então eu pergunto: como anda a sua caixa de ferramentas?

10 momentos geniais de Kirk Hammett

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    Kirk Hammett. O bichinho é zoado. Muito zoado. Até eu não resisto e sacaneio às vezes, e entro na pilha de alunos, com seus comentários tipo: “O Metallica roubou do Exodus o guitarrista errado”, ou “Há 30 anos ele faz o mesmo solo”. Dentro da minha concepção atual, ele deixou-se cair na “mais do mesmo”, repetitivo, etc. Porém, lembro-me bem de ouvir o Metallica ao vivo em alguma rádio, tocando no Rock in Rio Lisboa de 2004, com seus solos cheios de ligados na pentatônica, muito wah-wah, e aquela porrada toda dos clássicos da banda. Realmente me impressionou, e tive uma sensação de que ele era uma espécie de Hendrix faiscante (salvo as devidas proporções, é claro). Aluno do mestre Joe Satriani, Kirk tem como influências o já citado Hendrix, Jimmy Page, Michael Schencker, Joe Perry, e etc, e junto do Metallica, influenciou direta ou indiretamente milhões de bandas e guitarristas de metal, sendo citado como influência até mesmo por John Petrucci (ouça AS I Am do Dream Theater e comprove). E vamos ser francos? Quem nunca se inspirou no Metallica, ou até mesmo, começou a tocar por conta deles?

    Por ordem cronológica, vamos de uma do Kill ‘Em ‘All, álbum em que notamos o “foda-se” como tônica, porém, nessa canção temos um começo de solo bem melódico e bem construído.

    Ah, essa nem tem muito o que falar, né? Clássico da banda, com solo inicial muito bem desenhado, que acrescenta muito à melancolia inicial da canção, fora o final com tom mais épico, no qual acho uma certa influência do Randy Rhoads.

     Acho essa canção muito esquecida, porém, contém um dos seus melhores solos, no qual ele passeia por técnicas como tapping, arpejos e aplicação de licks de blues muito bem colocados.

    Aqui, uma do meu álbum favorito, no qual ele usa elementos como pedal piont, e passeia pela menor harmônica, num solo com mudanças de andamento.

    Lembro até hoje da cara que fiz quando ouvi essa música, que tem pra mim, os melhores solos dele. Desde as passagens mais melódicas, até a parte mais rápida, considero esse o solo mais bem feito do Kirk!

       Curto, direto e dramático, esse solo dá para a canção exatamente o necessário:

A alavancada inicial, os licks com bends feitos de forma rápida, e uma cozinha extremamente quebrada, fazem dessa uma das mais bem entrosadas convenções do Metallica, na minha opinião.

    Eu sei que essa é batidona, mas acho muito legal o andamento arrastado da música, com sua entrada cheia de pagada. Arrisco a dizer que é um dos solos mais rock ‘n roll do Kirk, parecendo até um tributo aos seus ídolos Hendrix e Michael Schencker.

    Com esse começo de solo assumidamente retirado de Little Wing do Hendrix, aqui ele caprichou no elemento que o faz ser o Kirk: wah-wah pra car@#%* .

    Olha, se é bonito eu não sei, mas até hoje busco entender o que ele fez exatamente com esses quilos de wah-wah, pra conseguir esse efeito:

    Não sei se vão concordar, mas pra mim, essa é a melhor música composta pela banda desde o And Justice for All, e possui tudo que caracteriza o estilo do cara: aqueles bends palhetados em tremolo, licks de repetição, descidas cromáticas, e muito, mas muito…ah, você já sabe o que.

Jerry Cantrell: o gênio minimalista

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     O David Gilmor do metal. Desde sempre foi a sensação que tive ao ouvir o som acachapante de Jerry, do Alice in Chains. Meu primeiro contato foi com o álbum Dirt, que fui ouvir com certo preconceito até ( afinal, era uma banda de grunge, que possui o esteriótipo de música simples demais, ou até mesmo mal tocada ). Mas tal qual não foi minha surpresa, ao ouvir as duas primeiras porradas que abrem o álbum: Them Bones.e  Dam That River. Com o passar do álbum ouvi riffs absurdamente pesados, compassos 7/8 ( oi? grunge? ), e solos melódicos com muita pegada, que me fizeram pensar que ele seria a união do Tony Iommi com David Gimour. Diferentemente dos seus companheiros de Seattle, o Alice in Chains possui um apuro melódico e senso de composição expostos em canções acústicas com influência country e folk, até às mais pesadas, que faz a ideia de que grunge é mal tocado, cair por terra. Aliás, o Alice possui sim elementos do movimento, como a melancolia nos vocais, mas seus temas são mais contemplativos, possuem harmonizações vocais complexas feitas por Jerry e o finado Layne Staley, com influências de cantos gregorianos, e uma base corpulenta com afinações muitas vezes baixas, com influência de Sabbath, e até mesmo afinação dropada, com guitarra meio tom abaixo, e o bordão descendo 1 1/2 tom, algo que Eddie Van Halen faz em Unchained, e Zakk Wylde passou a fazer à partir do álbum No More Tears, por exemplo. Aliás, o Alice já abriu shows do Van Halen e Jerry já arrancou elogios de músicos como Kerry King, Dimmebag Darrel e o próprio Zakk.

    Por fim, trago aqui alguns exemplos do porque eu considerar Jerry Cantrell um dos últimos gênios da guitarra a terem destaque numa geração em que cada vez mais, a música fica menos orgânica.

Cadê o grunge dessa porra?

Veja com essa canção soa o tempo todo: arrastada de maneira a quase sair do tempo…

OBS: Olha esse arranjo de guitarra e o solo!

Ué…Extreme?

Pqp!

Acho que eles andaram ouvindo Eletric Funeral, do Sabbath, na hora de compor essa…

Choremos…

Essa leveza ao vivo…

Esse riff é agonizante!!! Apenas 2 notas e bends.

Essa música é incrível, no arranjo como um todo, sem contar o super arranque pesado do meio.

Fecho com 2 do álbum The Devil Put Dinosaurs Here, que na minha opinião, é uma obra-prima dos últimos anos, produzido por Nick Raskulinecz, mesmo produtor dos últimos discos do…Rush!

Preste atenção no peso absurdo desse riff, e a quantidade de camadas gravadas, afim de dar peso e corpo.

Fecho com essa mais melancólica, que possui um dos solos mais belos de Jerry!

 

 

O que é tocar mais do que alguém?

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    Há anos atrás, estava eu numa sala de aula, junto de outro professor conversando sobre guitarristas, e trocando influências e conhecimentos. Entra um aluno e ouve nosso papo, em que Brian May ( Queen ) e Eddie Van Halen eram citados. Então o rapaz solta a pérola: ”Ah…mas eles tocavam bem na época deles. Hoje tem gente muito melhor”. Lembro-me até hoje da cara de espanto do outro professor, que tinha uma formação mais jazz, e tinha escutado coisas do Eddie Van Halen e ficado impressionado. Esse tipo de pensamento é razoavelmente comum num período do aprendizado, quando você contabiliza qualidade instrumental através da quantidade de sextinas e arpejos executados pelo guitarrista. Mas acho esse um fator que separa os meninos dos homens, os guitarristas dos garotos com uma guitarra pendurada no pescoço. Minha cabeça automaticamente volta à imagem de capa do álbum A Night At The Opera, do Queen, e suas músicas incríveis que foram compostas em 1975.

A Night At The Opera

    Um álbum que contém músicas como ”The Prophet’s Song”, e ”Bohemian Rhapsody”. Acredito que isso resume. Eu não teria capacidade de compor isso hoje com toda a informação existente. Nem você. Desculpe a franqueza. Obviamente, nada impede de você compor suas canções, e que elas sejam tão boas como um clássico desses, mas entenda uma coisa: essas canções foram feitas como grandes composições. Letras, harmonias vocais, acordes, encadeamentos harmônicos, timbres, dinâmicas, solos e com um frescor incrível para a época.

    Digo o mesmo quanto ao Eddie Van Halen! E meu caro amigo, há poucas semanas fiz um evento com meus alunos, e tive 2 semanas para estudar e aprender ”Hot for Teacher”, e o que tenho a dizer é: caralho, que coça eu tomei! A base ritmicamente chata de manter, dinâmicas, e mesmo com ar de improviso, seu solo possui cada frase milimetricamente no seu lugar. Sempre defendi o fato que Eddie toca com facilidade desumana, e sempre abaixo da sua capacidade. Opa, como é que é? Exato. Meu amigo, veja esse vídeo:

    Agora me diz se esse corno, tocando com essa facilidade, não toca com o pé nas costas essas tranqueiras. Agora imagina no dia que ele falar: ”Vou tocar tudo que eu sei, seus merdas”. Mas o pior não reside nem nisso: reside no fato de que ele criou muita, mas muita coisa, e pra variar, o que ele não criou, ele reinventou. Basta ouvir Eruption, gravada em 1978, que junto do álbum Van Halen I , soa como se tivesse sido gravado semana passada, e ainda apavora guitarristicamente falando.

    Então, quando você ver alguém que pensa assim, lembre-se que pegar o carro pronto e virar a chave é uma coisa, criar as rodas, antes mesmo do próprio carro, é outra completamente diferente.

E mais um festival…

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    Preciso confessar: nunca imaginei que algo tão sem pretensões, que começou com poucas pessoas, num ambiente de aula e com cara de festinha, tornaria-se um evento de grande porte, e numa lona cultural, mais especificamente na Areninha Carioca HermetoPascoal. Todos nós já quisemos desistir dos sonhos, abandonar tudo, ou achamos que não ia valer à pena. Mas o trabalho contínuo e perseverança mostraram o contrário. Um evento de guitarras, e apenas assim, conseguiu colocar um público de 200 pessoas num sábado, numa lona cultural. Em plena zona oeste do Rio de Janeiro, onde sejamos francos, impera estilos musicais que em nada têm a ver com guitarra. Alunos de diversos níveis provaram que a música não é competição, e que cada um é capaz de narrar uma história musical através de estudo e empenho, e com o tema ”Tributo aos anos 80”, conseguimos mostrar a um público, clássicos dessa década. Foi incrível ver famílias inteiras com crianças prestando atenção e vibrando ouvindo Judas Priest, Queen, Europe, AC/DC, Michael Jackson, etc, e algo que é tão raro atualmente: pessoas de verdade, em cima do palco, tocando bem uma guitarra, e permitindo esse contato para algumas pessoas que talvez nunca tenham visto isso de tão perto. 13754449_1087207428020446_6900056444430566523_n

    Eu ainda acredito sim, que a música e a cultura, são agentes capazes de transformar vidas, e agradeço a cada aluno que esteve lá presente se apresentando, e podem ter certeza: vocês foram agentes de mudança na cabeça de algumas pessoas que estavam lá.

A experiência de ver o Children of Bodom ao vivo

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Foto: Vanderson Azevedo

    Dia 29/05/2016. Um domingo à noite. Circo Voador. O pessoal do Children of Bodom sobe ao palco, para promover seu mais recente álbum, o ótimo I Worship Chaos. Estava ansioso para ver toda a banda, e principalmente uma grande influência minha na guitarra: Alexi Laiho. Não vou me ater muito às músicas executadas, pois foram todas grandes canções executadas, dentre novas e clássicas. O que quero comentar aqui é grande entrosamento da banda. O Children pratica um tipo de som altamente pesado, um misto de death metal, com elementos melódicos e inclusão de outras influências como música erudita, metal clássico, e nuances de metal moderno até. E dentre isso, pude reparar o quanto absurdo é o baterista da banda, Jaska Raatikainen, como as linhas de baixo de Henkka Blacksmith são interessantes, não se limitando a fazer ”cabeça de nota”, como a guitarra base de Antti Wirman dá um suporte de peso aos voos guitarrísticos de Alexi Laiho, e como aquele lazarento do tecladista Janne Warman toca pra cassete, incluindo passagens eruditas, que dão ambientação e clima às canções. Já Alexi Laiho é um showman à parte: um híbrido de death metal, com postura hard rocker ( a diva joga o cabelo para o lado diversas vezes, e faz altas poses glam nos solos ), e não tem o que se reclamar: animou a galera, interagiu, e fez diversos duelos com o tecladista, dobrando frases, temas, improvisos, etc. Numa análise mais profunda, foi possível notar o uso extensivo de arpejos ( advindos de sua influência de Malmsteen ), e a maneira que cria/improvisa seus solos: há uma forma temática, em que cada trecho puxa o outro, criando uma história. Facilmente pude notar a influência de guitarristas como Jake E. Lee e Randy Roads nesse aspecto, além de alavancas bem radicais nos momentos certos, a lá Steve Vai.

     Por fim, ficou a satisfação de ter visto uma das grandes bandas de metal da atualidade, e com certeza, um dos grandes guitarristas da nossa geração, que conseguiu trazer do passado, elementos que deram frescor ao novo metal, e torço para que Alexi Laiho possa fazer o que seus ídolos fizeram no passado: influenciar jovens a sentirem vontade de empunhar uma guitarra, e estudá-la com dedicação.

Exercício de palhetada alternada para mão direita ( vídeo aula 1 )

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    Fala aí, pessoal! Trago aqui o exercício da primeira parte da vídeo aula ”Palhetada Alternada – O conceito” .

    É um exercício simples de cordas soltas, com foco na mão da palhetada! O primeiro exemplo é em colcheia ( 2 notas por tempo ), o segundo em tercina ( 3 notas por tempo ), e o último em semicolcheia ( 4 notas por tempo ).

Obs: mantenha sempre a palhetada alternada, mesmo no exercício de tercina, onde há uma tendência de se fazer sweep. Abraços!

Palhetada alternada ( básico )

Palhetada alternada ( básico ) certo

O lado bom de Yngwie Malmsteen

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    Esse cara pra lá de mala, foi influenciado pela pela música barroca de Bach e Vivaldi, e pelas guitarras poderosas de Hendrix e Ritchie Blackmore, ajudando com essa mistura, a criar o que veio a ser conhecido como metal neoclássico. Influenciou tanta, mas tanta gente, que fica difícil enumerar: Kiko Loureiro, Edu Ardanuy, Paul Gilbert, John Norum, Guthrie Govan, Roland Grapow, e mais uma caralhada, além de arrancar elogios de músicos como Satriani, Steve Vai, Zakk Wylde e Slash. Então, com isso tudo, como pode o cara só ter feito música merda? Não é possível! Então, em uma pequena pesquisada em seus primeiros álbuns, não torna-se difícil achar ótimos, e quase sublimes momentos em sua carreira, com músicas potentes, solos que não soam repetitivos, boas composições, e feeling! Não deixe de notar 2 qualidades absurdas em seu estilo: clareza das notas, e bends/ vibratos perfeitos.

Essa, é do seu clássico primeiro álbum, o mais citado de todos, que chocou o mundo em 1984:

Essa é uma das mais legais dele, que conta com o poderoso vocal de Joe Lynn Turner, ex Rainbow, provando mais uma vez sua admiração pela obra de Richie Blackmore.

Do mesmo álbum, que tal essa, com bela melodia de refrão e peso?

Essa foi a primeira música que ouvi dele, e me impressionou, muito pelo groove ( sim, groove ), fluidez, e peso. É notória a influência funky de Hendrix:

Essa daqui calcada no blues, revela um hard rock potente e agradável de ouvir, e mostra um grande momento em que Malmsteen trabalhou para a canção:

Essa aqui possui uma bela pegada inicial, vocal potente, e um solo bem rocker!

Meu amigo, essa é uma das melhores: sente o groove ( sim, estranho falar isso do Mamsteen, né? ), chegando a ser sexy:

Essa possui uma sutileza melódica, quase pop, que chega a soar estranha vinda do Malmsteen:

Por fim, deixo esse cover de Red House do Hendrix, pra lá de legal e com o próprio cantando, soando bem mais legal do que sua performance no G3 ao abordar Hendrix.