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Luan Santana e a intolerância no metal

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     Ao ler essa notícia eu ri. Achei engraçada, e que obviamente era uma trollagem, então vejo que de fato foi postado e pelo próprio: Luan Santana, vai se dedicar ao gênero que diz amar, o metal. Eu sou músico e professor de guitarra. Sei muito bem que muitos músicos para conseguirem pagar suas contas tocam em bandas de sertanejo, de pop, etc (afinal, é um trabalho), e em paralelo se dedicam aos seus projetos tocando o que realmente os motivam e gostam. Logo ao ler isso, achei interessante e corajoso se for levado adiante. Com certeza me despertou a curiosidade, pois acostumamos a ouvir (sem querer, cooooom certeza) seu timbre de voz anasalado e malabares em vibratos tão comuns no sertanejo universitário, e veio a pergunta: como soaria essa bodega? Se ele falasse apenas rock, e fizesse algo mais pop rock, ou até mesmo um hard açucarado tipo Bon Jovi, na minha mente seria mais fácil de imaginar, agora metal? Então estou esperando para ver, pois quem sabe não sai um bom álbum do gênero? Mas aí que reside o fator principal do meu texto: a desunião dos headbangers no Brasil. Uma grande parcela foi postar mensagens de extremo desagrado, dizendo que o mesmo não tem capacidade para isso, talento, que iria desonrar o gênero, etc, etc. Porra! O cara nem fez um acorde sequer, já vem gente crucificando, e o pior: por ele querer fazer o que realmente gosta, que é o metal, que deveria ser um estilo de música (e vida) acolhedor, e não seletivo (seria talvez por isso, que esse sertanejo bem bosta faz tanto sucesso aqui no Brasil, já que querendo ou não, acolhe desde mauricinhos/patricinhas, até os mais humildes?). Headbanger reclama que não tem metal no RIR, que metal não aparece na TV, que não há união da cena, e que a mesma é ofuscada e deixada de lado, mas quando um músico como Luan Santana, que não precisa disso (o cara é mais do que estabelecido no gênero dele, e mais rico do que 99% dos que leem esse texto), resolve arriscar a carreira em prol da vertente que ama, a grande maioria marreta o cara, sem antes mesmo ver se ele manja ou não dos paranauês. Mal comparando, lembro do Alex Skolnick, guitarrista de Testament, que foi criticado por muitos da área do jazz, quando resolveu abordar e tocar o estilo, simplesmente por gostar muito e querer visitar essa paixão.

       Não sou nem um pouco fã das canções do Luan, e nem me agradava o estilo que ele adotou para si, mas torço para que ele seja feliz com essa mudança, passando a fazer o que gosta, e quem sabe isso não traga uma visibilidade para o gênero na TV (Domingão do Faustão?). E quanto aos headbangers mais xiitas, ficou a prova de que o pré-julgamento, o elitismo e desunião são grandes fatores que fazem tal gênero ser tão pífio no Brasil, mercadologicamente falando.

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10 momentos geniais de Kirk Hammett

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    Kirk Hammett. O bichinho é zoado. Muito zoado. Até eu não resisto e sacaneio às vezes, e entro na pilha de alunos, com seus comentários tipo: “O Metallica roubou do Exodus o guitarrista errado”, ou “Há 30 anos ele faz o mesmo solo”. Dentro da minha concepção atual, ele deixou-se cair na “mais do mesmo”, repetitivo, etc. Porém, lembro-me bem de ouvir o Metallica ao vivo em alguma rádio, tocando no Rock in Rio Lisboa de 2004, com seus solos cheios de ligados na pentatônica, muito wah-wah, e aquela porrada toda dos clássicos da banda. Realmente me impressionou, e tive uma sensação de que ele era uma espécie de Hendrix faiscante (salvo as devidas proporções, é claro). Aluno do mestre Joe Satriani, Kirk tem como influências o já citado Hendrix, Jimmy Page, Michael Schencker, Joe Perry, e etc, e junto do Metallica, influenciou direta ou indiretamente milhões de bandas e guitarristas de metal, sendo citado como influência até mesmo por John Petrucci (ouça AS I Am do Dream Theater e comprove). E vamos ser francos? Quem nunca se inspirou no Metallica, ou até mesmo, começou a tocar por conta deles?

    Por ordem cronológica, vamos de uma do Kill ‘Em ‘All, álbum em que notamos o “foda-se” como tônica, porém, nessa canção temos um começo de solo bem melódico e bem construído.

    Ah, essa nem tem muito o que falar, né? Clássico da banda, com solo inicial muito bem desenhado, que acrescenta muito à melancolia inicial da canção, fora o final com tom mais épico, no qual acho uma certa influência do Randy Rhoads.

     Acho essa canção muito esquecida, porém, contém um dos seus melhores solos, no qual ele passeia por técnicas como tapping, arpejos e aplicação de licks de blues muito bem colocados.

    Aqui, uma do meu álbum favorito, no qual ele usa elementos como pedal piont, e passeia pela menor harmônica, num solo com mudanças de andamento.

    Lembro até hoje da cara que fiz quando ouvi essa música, que tem pra mim, os melhores solos dele. Desde as passagens mais melódicas, até a parte mais rápida, considero esse o solo mais bem feito do Kirk!

       Curto, direto e dramático, esse solo dá para a canção exatamente o necessário:

A alavancada inicial, os licks com bends feitos de forma rápida, e uma cozinha extremamente quebrada, fazem dessa uma das mais bem entrosadas convenções do Metallica, na minha opinião.

    Eu sei que essa é batidona, mas acho muito legal o andamento arrastado da música, com sua entrada cheia de pagada. Arrisco a dizer que é um dos solos mais rock ‘n roll do Kirk, parecendo até um tributo aos seus ídolos Hendrix e Michael Schencker.

    Com esse começo de solo assumidamente retirado de Little Wing do Hendrix, aqui ele caprichou no elemento que o faz ser o Kirk: wah-wah pra car@#%* .

    Olha, se é bonito eu não sei, mas até hoje busco entender o que ele fez exatamente com esses quilos de wah-wah, pra conseguir esse efeito:

    Não sei se vão concordar, mas pra mim, essa é a melhor música composta pela banda desde o And Justice for All, e possui tudo que caracteriza o estilo do cara: aqueles bends palhetados em tremolo, licks de repetição, descidas cromáticas, e muito, mas muito…ah, você já sabe o que.

Jerry Cantrell: o gênio minimalista

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     O David Gilmor do metal. Desde sempre foi a sensação que tive ao ouvir o som acachapante de Jerry, do Alice in Chains. Meu primeiro contato foi com o álbum Dirt, que fui ouvir com certo preconceito até ( afinal, era uma banda de grunge, que possui o esteriótipo de música simples demais, ou até mesmo mal tocada ). Mas tal qual não foi minha surpresa, ao ouvir as duas primeiras porradas que abrem o álbum: Them Bones.e  Dam That River. Com o passar do álbum ouvi riffs absurdamente pesados, compassos 7/8 ( oi? grunge? ), e solos melódicos com muita pegada, que me fizeram pensar que ele seria a união do Tony Iommi com David Gimour. Diferentemente dos seus companheiros de Seattle, o Alice in Chains possui um apuro melódico e senso de composição expostos em canções acústicas com influência country e folk, até às mais pesadas, que faz a ideia de que grunge é mal tocado, cair por terra. Aliás, o Alice possui sim elementos do movimento, como a melancolia nos vocais, mas seus temas são mais contemplativos, possuem harmonizações vocais complexas feitas por Jerry e o finado Layne Staley, com influências de cantos gregorianos, e uma base corpulenta com afinações muitas vezes baixas, com influência de Sabbath, e até mesmo afinação dropada, com guitarra meio tom abaixo, e o bordão descendo 1 1/2 tom, algo que Eddie Van Halen faz em Unchained, e Zakk Wylde passou a fazer à partir do álbum No More Tears, por exemplo. Aliás, o Alice já abriu shows do Van Halen e Jerry já arrancou elogios de músicos como Kerry King, Dimmebag Darrel e o próprio Zakk.

    Por fim, trago aqui alguns exemplos do porque eu considerar Jerry Cantrell um dos últimos gênios da guitarra a terem destaque numa geração em que cada vez mais, a música fica menos orgânica.

Cadê o grunge dessa porra?

Veja com essa canção soa o tempo todo: arrastada de maneira a quase sair do tempo…

OBS: Olha esse arranjo de guitarra e o solo!

Ué…Extreme?

Pqp!

Acho que eles andaram ouvindo Eletric Funeral, do Sabbath, na hora de compor essa…

Choremos…

Essa leveza ao vivo…

Esse riff é agonizante!!! Apenas 2 notas e bends.

Essa música é incrível, no arranjo como um todo, sem contar o super arranque pesado do meio.

Fecho com 2 do álbum The Devil Put Dinosaurs Here, que na minha opinião, é uma obra-prima dos últimos anos, produzido por Nick Raskulinecz, mesmo produtor dos últimos discos do…Rush!

Preste atenção no peso absurdo desse riff, e a quantidade de camadas gravadas, afim de dar peso e corpo.

Fecho com essa mais melancólica, que possui um dos solos mais belos de Jerry!

 

 

Quando outros estilos invadem o metal

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Bill Steer: Carcass

 

    Graças ao bom Deus, hoje vejo muitas pessoas com mente mais aberta, para ouvirem outros estilos, e até mesmo incluir isso em sua música. O metal  se desenvolveu no final da década de 60 e no início da década de 70, tendo raízes no blues-rock. Basta ver que surgiu das contribuições de Eric Clapton ( fase Cream ), Hendrix, e solidificado na sonoridade de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Ufo e Black Sabbath. E todas essas bandas citadas, começaram a explorar bastante tons menores característicos do gênero, riffs em cordas graves muitas vezes, com paisagens sonoras mais maciças, mas sempre com elementos de blues, jazz, música erudita, etc. Com o passar dos anos, essa perspectiva foi sendo usada em maior ou menor escala, mas nunca excluída, e certas vezes o fã que ouve , não nota, ou no caso do mais tr00, não acha legal, pois acha que vai ”estragar” o estilo, etc. Há exemplos mais do que notórios em clássicos do metal, indo desde a sua gênese, até os estilos mais extremos! Quer ver só?

    Tonny Iommi junto do Sabbath criou o metal. Disso todo mundo já sabe. Mas não precisa ser perito, para identificar que Iommi é um guitarrista de blues enrustido, desde seus riffs, até abordagem nos solos, e indo mais além, há uma forte veia jazz no mesmo. Note esse clássico do Sabbath, bem psicodélico por sinal, tendo um solo com sotaque totalmente jazz:

    O Megadeth, ícone do thrash, vira e mexe dá uma passeadinha em outros estilos. Lembro bem, de ter uns 15 anos e ouvir o clássico Countdown to Extinction, reparando vários exemplos de rock ‘n’ roll. Eis que chega a música High Speed Dirt, cheias desses elementos, e entra uma guitarra clean aos 3:25, e executa frases de blues, com a pegada do estilo, e na cara de pau…

    Pegando mais pesado, trago o exemplo do mestre Dimmebag Darrel, do Pantera. Acredito que a música The Great Southern Trendkill seja uma das maiores carnificinas da história, fazendo muita bandinha de metal atual parecer Restart. Mas devido o peso absurdo, muita gente pode não notar que à partir de 1:54 min, ela entra num riff bem mais rock clássico, e Dimme invoca suas raízes de southern rock no solo. Dá-lhe Lynyrd Skyrnyd!

    E para fechar, o dono da foto da matéria: Bill Steer, do Carcass. Ele com sua banda, ajudaram a fundar o grindcore, e solidificar o death metal. Porém, o amor de Bill pelo rock clássico foi ficando cada vez mais evidente, tanto que na separação da banda, ele formou um projeto voltado para o estilo, e tais influências são encontradas no estilo do Carcass, a ponto de muitos citarem a banda como Death ‘n’ roll. Ouve isso, e me diz se não parece o AC/DC do death metal, usando até mesmo o bottleneck, um anel de slide usado em blues.

O primeiro álbum de metal que ouvi: Dehumanizer-Black Sabbath

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    Existem álbuns que marcam sua vida de uma forma, que redefinem concepções e formas de enxergar a música. E isso aconteceu comigo, ao pegar emprestado, aquele que seria o primeiro álbum de metal que ouvi:  Dehumanizer, do Black Sabbath! Lançado em 1992, ele conta com a volta da segunda formação clássica da banda: Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo), Vinny Appice (bateria) e Ronnie James Dio (vocal). Esse foi o primeiro álbum do Sabbath que ouvi, e com certeza, é o mais raivoso e agressivo da banda. Lembro-me bem de, ter escutado falar muito sobre a mítica maléfica do Sabbath, e as músicas soturnas e pesadas  desse álbum, me fizeram ficar espantado, e impressionado, tamanho peso nos riffs, felling nos solos ( como ele toca assim, sem a ponta dos dedos), e frescor que esse álbum exala. Dehumanizer conta com as arrastadas ”After All (The Dead)” e ”Letters From Earth” ( Vinny Appice, parece que trocou baquetas, por marretas na gravação! Que porrada! ), as cassetadas ”Master Of Insanity” ( que riff! ), ”TV Crimes” e ”Time Machine”. Mas o absurdo, está nas 3 últimas: a melancolia e dor de ”Too Late”, com um dos solos mais absurdos que já ouvi, em questão de sonoridade! Arrepiante! A tapa na cara ” I ” , com outro solo fuderoso, e a incrivelmente pesada ”Buried Alive”! Um riff de 4 notas, com 3 se repetindo em sua maioria, uma bateria marcial, um baixo gorduroso, e Dio cantando com um ódio nunca visto, sendo essa, umas das músicas mais pesadas que ouvi! Tonny Iommi, é um caso a parte sempre, mas se superou nos solos e riffs!!! Você nota o quanto ele evoluiu com o tempo! O que já era bom, ficou melhor! Se você não conhece, meu caro amigo, prepare-se para essa aula de rock!

Judas Priest

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“Judas Priest é uma banda britânica de heavy metal que foi criada em meados de 1969, em Birmingham. O Judas Priest é tido junto ao Black Sabbath, Iron Maiden e Motörhead, como as quatro maiores bandas de Heavy Metal do mundo (…) pode ser considerada uma das precursoras do heavy metal moderno. O Judas Priest foi uma das mais influentes bandas de heavy metal dos anos 70, encabeçando a New Wave Of British Heavy Metal ou simplesmente NWOBHM (Nova Onda do Metal Britânico) no final da década de setenta. Tratou-se da primeira banda a unir o peso e temática violenta criados pelo Black Sabbath, à velocidade de alguns grupos de rock como o Deep Purple, adicionando uma frente de ataque com duas guitarras” Fonte: Wikipedia
Bem, creio que essa simples descrição, já diz muito por si só. K. K. Downing e Glenn Tipton, guitarristas originais do Judas Priest, fundamentaram um estilo, que deixou marcas profundas no metal, e no rock em geral. Influenciados por Jimi Hendrix, John Mayall, Eric Clapton e os clássicos Sabbath e Deep Purple, eles incrementaram a união de duas guitarras, dobrando trechos, muitas das vezes em velocidades altas, cravando uma nova forma de fazer musica pesada, que influenciou praticamente toda e qualquer banda que veio depois, como por exemplo, o Iron Maiden ( sim! O baixista/mentor da Donzela de Ferro, Steve Harris, nunca negou a influência do Judas Priest no estilo do Iron, e muito menos a dupla de guitarristas Adrian Smith e Dave Murray ). John 5, Paul Gilbert, Jerry Cantrell ( Alice in Chains ), Michael Weikath ( Helloween ), Chuck Schuldiner ( Death ), e mais uma infinidade de músicos, já declararam sua admiração por eles, e bandas como o próprio Death, Slayer, Angra, Machine Head e Anthrax, já prestaram homenagem ao Judas. Eu mesmo, tive um forte impacto ao ouvir pela primeira vez ( até hoje, me impressiono ), o álbum ”Painkiller”, com todo aquele peso e melodias incríveis, muitas das vezes dobradas de forma insana. Se você ouve bandas atuais fazendo altas dobras de guitarra, e acha que o mundo começou ontem, dê uma conferida no passado, e note que muitas, mas muitas coisas, foram criadas e sedimentadas numa época, em que o equipamento era muito menos sofisticado, e tudo era feito na base do suor e inspiração!

 

Mente fechada, radicalismo, e musicalidade não podem andar juntos!

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    Sou professor de guitarra a um bom tempo, encontro muita, mas muita gente, que vem com doses cavalares de radicalismo musical, sem ter os ouvidos abertos ao que a música pode oferecer de fato. Muito se fala sobre identidade musical, a digital sonora do músico, e de uma banda. Ok. Então me diga: você acha possível, criar algo original, ao menos, com elementos novos, preso a uma única vertente, ou fã(nático), por apenas uns pares de bandas? Estou cansado de ver amantes de Metallica, Steve Vai, e Dream Theater, que acham que eles são os mais fodas do mundo. Sim, eles são incríveis, mas o mundo não gira apenas em torno deles. Vou começar dando um exemplo jazzístico: Miles Davis. O mundo do jazz, é dotado ( assim como em qualquer outro), de puristas. Então, uma mente genial, como a de Miles Davis, chega em 17 de agostode 1959, e lança um dos maiores e revolucionários álbuns da história: Kind of Blue. Com seus modalismos ( conceito utilizado maciçamente por vários músicos, desde Frank Zappa até Satriani), complexas progressões de acordes  ( vi no documentário do Pink Floyd sobre o clássico álbum ‘’The Dark Side of The Moon’’, o tecladista Richard Wright, declarar que usou uma progressão de acordes do álbum do Miles Davis, na canção “ Breath” ), e improvisação, este álbum entrou na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Sim! Os 200 álbuns definitivos de ROCK! Desde a nossa bossa-nova, até o rock’ n roll foram influenciados por esse álbum. Miles Davis rompeu mais barreiras, ao incluir guitarra nos seus álbuns ( era fã confesso de Hendrix, tanto que se não fosse a morte prematura dele, teriam gravado um álbum ), criando assim, o fusion . Uma canção bem forte, que mostra esse rumo, é ‘’ Fat Time ‘’, de 81, na qual pediu para seu guitarrista, Mike Stern, soar o mais “Hendrix” possível. Com isso, Miles conseguiu a ira de certos puristas, e entrou para a história da música, revolucionando a mesma. Agora imagine, se ele tivesse mantido sua mente fechada ao jazz tradicional, e suas características? Outra área que vejo muita gente fechada, é o metal. Já vi alunos, músicos, até mesmo só ouvintes, mais chatos que uma velha resmungona de 90 anos, e com um radicalismo musical forte, como se existisse um deus metal, que ficará muito puto, se ele ouvir cançôes do U2 ou Genesis. O estilo que você ama e tem como ‘’pronto’’ hoje, já com suas ‘’regras’’, veio através de misturas, e influencias diversas. Todo mundo com mais de 2 neurônios sabe que o blues deu luz a muitos estilos ( como o jazz e o rock ). E não seria diferente no metal. ( Tonny Iommi, guitarrista do Sabbath, sabe muito bem disso). Mas isso vai muito além. Dimebag Darrel, por exemplo, com o som ultra pesado do Pantera, criou uma abordagem moderna e agressiva, sendo referência desde então. Mas para isso, ele não ouviu apenas Metallica o dia todo. Ele era fã absurdo do Kiss, e tanto ele como seus companheiros, que são Texanos, sugaram tudo que ZZ Top, e o southern rock do Lynyrd Skyrnyd podiam oferecer, além de passagens harmônicas, em que você nota que não estamos lidando com moleques que acham que metal é fazer só barulho. O hino deles, ‘’Walk’’, é baseado num groove de blues, e possui licks que beiram o country, sem deixar de ser brutal. O mesmo com Zakk Wylde: sua paixão por Allman Brothers é tamanha, que ele já gravou um álbum na linha, e… foi guitarrista da banda em um show! Além de acrescentar elementos ao fraseado, advindos do Al di Meola ( jazz fusion latino ), e melodias ao piano a lá Elton John. Sim, Zakk é fã de Elton John. Por fim, temos uma referência mais atual: Alexi Laiho, do Children of Bodom. Bodom é uma banda de Death Metal. Beleza. Mas vocês imaginam um cara assim, que que começou a tocar, porquê ama Dire Straits, e que estudou em conservatório, além de ter feito aulas de piano? Alexi Laiho pegou suas influências de Steve Vai, misturou aos licks de blues/rock do Slash, com riffs de hard rock do Europe , metal clássico do Iron, Dio, Metallica,e Slayer, e influência erudita em seus solos, criando uma paisagem sonora caótica, e ao mesmo tempo melódica…no death metal! Já vi um trecho de uma vídeoa-aula dele, em que demonstra um groove de funk, que ele usa em alguns riffs!
E cada um desses, e milhares de outros, foram sim radicais! Tão radicais, que não se prenderam num único enquadramento sonoro, regurgitando apenas, o mais do mesmo, que já foi criado. Então, se você quer ser ‘’o cara radical do metal’’, ou de qualquer outro gênero, seja radical como os músicos que eu citei, que aí eu quero ver…

Fused- Tony Iommi/Glenn Hughes

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Um dos melhores álbuns de metal dos últimos tempos!

     

      Aqui vem um álbum que quase ninguém conhece, porém, é um dos melhores da carreira de Iommi, e por incrível que pareça, sem a acunha do nome Black Sabbath. Tonny Iommi e Glenn Hughes já tinham trabalhado juntos em 85, no álbum Seventh Star, e lançaram um álbum, de jams feitas em 1996. Mas aqui, a história já é diferente, pois o chumbo é grosso! A sonoridade pesada, e mais moderna, gravada ao vivo no estúdio com o baterista Kenny Aronoff ( com alguns pequenos overdubs apenas ), é assustadora! De cara, o álbum abre com o peso de ‘’Dopamine’’, com um dos riffs mais absurdamente pesados da carreira de Iommi ( note as texturas de guitarra no refrão ), com solo cheio de licks blueseiros, tocados de uma forma que só Iommi sabe. ‘’ Wasted Again’’ segue, com um riff escabroso e grudento. A dobradinha ‘’ Saviour Of The Real’’, com riff pesado e swingado, de refrão belo, unida à depressiva e dark ‘’ Resolution Song’’, com seu refrão dissonante e que bota qualquer banda de metal atual no chinelo, derrete qualquer cérebro. A macabra “Grace’’, traz modernidade até mesmo na voz soul de Hughes, soando como a trilha sonora do fim do mundo. A balada ‘’ Deep Inside A Shell’’, chega a irritar de tão bonita, e possui um solo com tamanho feeling, que chega a dar raiva. A old school ‘’ What You’re Living For’’, é um puta arrasa quarteirão, que desacelera num refrão melódico, até ir para mais um riff incrível ( novidade!), e um solo rocker que taca tudo no chão. ‘’ Face Your Fear’’ abre com uma pressão na cara, desaguando em praias mais modernas, sem deixar de soar bela, mas logo ela dá lugar à obra-prima de riffs chamada ‘’ The Spell’’, acariciada pela magnífica voz de Glenn Hughles. Dê uma atenção especial, ao riff do refrão, que com certeza é uma das coisas mais demoníacas que Iommi fez desde a clássica canção ‘’Black Sabbath’’. Por fim, a épica ‘’ I Go Insane’’, com seus mais de 9 minutos, com solo na introdução, mostrando o apreço de Iommi pelo blues, até dar espaço para o vocal suave e belo. Daí em diante, é um desfile de riffs e convenções que não acabam mais! É um melhor que o outro!

      No fim, fica uma sensação, de como caras que já passaram da casa dos 50, fizeram algo tão moderno, pesado,  e perfeito. Um dos mais incríveis álbuns de metal dos últimos anos, sem dúvida!