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Uma das melhores aulas que já assisti (o segredo é literalmente simples)

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    É fácil achar no youtube inúmeras vídeo aulas. De acordes até escalas dos mais diversos sabores. De técnica até canções clássicas. Mas ontem pude assistir uma em especial. Uma aula, em vídeo, do Kiko Loureiro. De começo, ele mesmo avisou que seria uma aula diferente, pois seria voltada para ideias de composição, e confesso que para alguns aspectos, foi um despertar. De começo, Kiko citou sobre se desprender de conceitos, e tocar sem julgamentos: se é complexo, se é simples, se vão gostar ou não…não importa. Esse momento é seu, e o que importa é que sua musicalidade saia, e te agrade, mexa contigo. Dois acordes, uma pentatônica, algumas articulações, e pronto: Kiko começou a compor um tema melódico, variações, e uma frase me marcou: “ um tema simples, mas se bem interpretado, porque não?’’.  Aos poucos, fui conseguindo me conectar com minha própria vida, experiências, leituras, audições…lembrei-me de uma entrevista do mesmo, falando sobre o álbum Temple Of Shadows, no qual foi salientada a influência do rock progressivo, o virtuosismo típico do estilo, mas um trecho muito importante foi elucidado, dizendo que o foco era a composição e a melodia, pois se a música fosse enxugada, ainda sim, funcionaria bem. Bummmm! Nisso minha mente fervilhando, abriu como uma caixa de memórias musicais! Assim como dito nessa entrevista e na aula, tudo pode e soa belo ao começar do simples! Lembrei-me de bandas que sou fã e a forma que atingiram meu ser. O Mr. Big, com suas canções de hard rock cheias de dobras, e solos virtuosos… se enxugássemos esses elementos, ainda assim teríamos uma boa canção. O AC/DC, com seus acordes simples, porém diretos e rítmica gostosa de se ouvir, tem seus solos feitos muitas vezes em 2 desenhos de penta e soam grandiosos, com melodia que te prende e tornam-se clássicas, goste você ou não. Já ouvi inúmeras canções de arranjo hiper complexo, no qual era louvável o conhecimento e informações empregadas pelos intérpretes, mas não sobreviveram em minha alma após a audição. Certa vez, o mestre do blues contemporâneo, Joe Bonamassa, afirmou que sempre busca dar um gancho melódico forte em suas canções, e ainda cutucou alguns músicos de jazz:  “o que muitos deles esquecem, é que as mulheres gostam de ouvir melodias”. Dois grandes músicos dessa área que me cativam, são Miles Davis e Chick Corea, e inúmeras vezes vi  relatos de instrumentistas que tocaram com os mesmos, dizendo que ambos tinham como espinha dorsal de seus temas, a simplicidade. Em Kind of Blue, Miles possui a canção So What, com 2 acordes, e fecha com a canção All Blues, que é realmente um blues, com pequenas alterações.

    O mesmo em veio ao lembrar das bandas de rock/metal que amo: o Metallica chegou em seu ápice técnico e de arranjos complexos, nos álbuns Master of Puppets e And Justice for All, mas a alma estilística, foi sendo apenas incrementada à partir do mais simples e direto Kill ‘ Em All. Rush, com seus arranjos absurdamente quebrados, músicas de mais de 10 minutos, tornam tudo uma canção de audição simples e agradável, graças ao equilíbrio de seu virtuosismo, com ganchos de melodias simples e riffs mais diretos, que te reconectam no momento exato. E até mesmo as bandas que eram calcadas em suas viagens de improvisos, como Led Zeppelin, Deep Purple, possuíam riffs altamente marcantes, e improvisos conectados aos mesmos, que tornavam tudo mais extasiante.

    No fim, mais que teoria ou licks, o que pude aprender é que assim como as coisas mais marcantes e gostosas da vida, a base simples, torna tudo mais fácil, ingênuo e liberto de conceitos, seja lá para qual caminho você queira viajar depois.

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E mais um festival…

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    Preciso confessar: nunca imaginei que algo tão sem pretensões, que começou com poucas pessoas, num ambiente de aula e com cara de festinha, tornaria-se um evento de grande porte, e numa lona cultural, mais especificamente na Areninha Carioca HermetoPascoal. Todos nós já quisemos desistir dos sonhos, abandonar tudo, ou achamos que não ia valer à pena. Mas o trabalho contínuo e perseverança mostraram o contrário. Um evento de guitarras, e apenas assim, conseguiu colocar um público de 200 pessoas num sábado, numa lona cultural. Em plena zona oeste do Rio de Janeiro, onde sejamos francos, impera estilos musicais que em nada têm a ver com guitarra. Alunos de diversos níveis provaram que a música não é competição, e que cada um é capaz de narrar uma história musical através de estudo e empenho, e com o tema ”Tributo aos anos 80”, conseguimos mostrar a um público, clássicos dessa década. Foi incrível ver famílias inteiras com crianças prestando atenção e vibrando ouvindo Judas Priest, Queen, Europe, AC/DC, Michael Jackson, etc, e algo que é tão raro atualmente: pessoas de verdade, em cima do palco, tocando bem uma guitarra, e permitindo esse contato para algumas pessoas que talvez nunca tenham visto isso de tão perto. 13754449_1087207428020446_6900056444430566523_n

    Eu ainda acredito sim, que a música e a cultura, são agentes capazes de transformar vidas, e agradeço a cada aluno que esteve lá presente se apresentando, e podem ter certeza: vocês foram agentes de mudança na cabeça de algumas pessoas que estavam lá.

Herick Sales Guitar Festival na Areninha Hermeto Pascoal

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    É com grande prazer, que comunico essa notícia: um grande festival de guitarras, com grandes guitarristas da região, de vários níveis, estarão juntos numa grande jam guitarrística na Areninha Hermeto Pascoal! Será dia 16 de julho,às 16h, e com entrada franca! Venha participar desse grande tributo aos anos 80, com grandes interpretações de clássicos dos anos 80. Van Halen, Scorpions, Whitesnake, Ratt, Rush, Judas Priest e muito mais, nessa festa da guitarra! Eu, Herick Sales, e a Areninha Carioca Hermeto Pascoal, esperamos vocês!

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Hoje é dia do guitarrista!!!

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    Tocar guitarra, sexo e chocolate, devem ser as coisas mais tesudas da vida. E ser guitarrista, é um ingresso para externalizar sentimentos: dor, raiva, paixão, tranquilidade… você pode fazer música com mais melodia, ou dotada de mais ritmo, e até com 3 notas e batidas percussivas você pode musicar algo. É ALGO INCRÍVEL! De dentro de si, podem sair paisagens incríveis em forma de notas. Acredito que seja um dos melhores trabalhos do mundo, e uma das melhores diversões também. Você pode tocar guitarra clean com dedilhados, fazer uma base simples de acordes, algo intrincado de jazz, tocar com som levemente distorcido numa onda blues, ou encher de distorção e tocar em drop D. Você pode ser direto, ou rebuscado. Usar mil efeitos, ou plugar direto no amplificador. Ser guitarrista é ficar ”preso” numa cadeira estudando, mas ter a mente e o coração livres para experimentar e sentir, algo que transborda mais ainda no palco. Seja Hendrix, Scott Henderson, Kurt Cobain, ou um jovem garoto: ambos podem sentir a mesma sensação de euforia com uma guitarras em mãos, e essa é a beleza! Tocar com os amigos, ou no quarto, sobre seus discos favoritos…seja lá como, poder exercer esse ato, é um dom de Deus, uma benção. E que nunca desonremos isso!

     E para fechar, deixo a frase da madrinha de um aluno, proferida ontem: ”Enquanto um jovem estiver com uma guitarra nas mãos, ele fica afastado das drogas” Parabéns para nós!

Finalmente, o ano começou…

    Não vim aqui falar mal do Brasil, esse país que só começa depois do carnaval. Vim aqui salientar, que agora, todas as desculpas para si mesmo acabaram. Já é passada mais de uma semana do fim do carnaval, e a vida voltando ao normal: ruas cheias de pessoas indo e vindo, resolvendo e criando problemas, jovens com uniformes escolares indo pra lá e pra cá, num balé por vezes desafinado, que vai no ritmo do estresse. Mas agora que o ano começou de vez, quais seus planos para você? E para seus sonhos? O que você espera para si nesse ano, musicalmente falando? Todos os afazeres vão querer te engolir sempre, e sussurrar em seus ouvido, para deixar para depois. A mente a mil, o corpo exausto, compromissos, mas… e você? E seu dom? Esse ano pode ou não ser um ano de avanços musicais e realizações? Uma guitarra nova, pedais, pedaleira, um bom amplificador, fazer aulas, criar uma rotina de estudos, tentar fazer uma banda, seja lá qual seja sua vontade, o agora é a hora. Se ano passado você deixou isso meio de lado, ok. Já foi. O tempo não volta. Porém, o tempo que virá continuará a passar, você fazendo algo ou não. gibson_les_paul_top_view

     Que mais uma vez, esse ano ”brasileiro” que se iniciou, seja uma folha em branco, no qual você possa escrever o que quiser, da forma que achar melhor, e que as cores da música, possam colorir essa sua folha em branco, bem mais do que antes.

Ser músico…

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    Nada de pompa, de luxo, de glamour. Nem mulheres ( homens ), bebidas, comidas exóticas, ou plateias ensandecidas correndo atrás de você. Os tempos são outros, o mercado é outro, e poucos chegam nesse patamar. Qual o real objetivo de ser músico? Você quer ser músico com esse objetivo, de ser capa de revistas, com todo o ”mundo” de beleza e futilidade que a riqueza e fama podem trazer? A música é umas das poucas formas que a alma encontrou, para se expressar. Seja de forma doce, ou com sabor amargo. Seja como uma brisa sutil, ou como um soco no estômago. Seja ela feliz como um raio de sol, ou soturna como um céu negro de dor. Seja nas mais sinuosas surpresas que o amor nos proporciona, ou seja nas mais agressivas tempestades, que a raiva causa. Na música, tudo é permitido: ser ingênuo sem soar bobo, ser romântico sem ser piegas, ser imprevisível sem incomodar, ser violento sem ferir. A música é o beijo, e ao mesmo tempo, o grito da alma. É por si só plena, e vive no ar que você respira, no sons da natureza, no afagar do vento, na transparência da alma. Com ela, você pode ser louco sem ser condenado. Você pode extravasar seus lados obscuros sem ser criticado, e ser sincero sem ser rejeitado. Basta apenas deixar. Deixar-se levar por ela, e por cada sensação que ela te causa. Captá-la ao seu redor, ouvi-la, e respeitá-la, da forma que ela vier. Da forma que ela permitir ser vista. A música vive, torna-se, multiplica-se, através de quem se permite ser um canal, uma ponte, despindo-se de vaidades e ego: simplesmente, deixando a música vir, tomar conta de si, ler as entrelinhas de sua alma, se expor, e tomar forma através de ti. Há um lindo ditado, que diz que os olhos, são o espelho da alma. Mas com certeza, a música, é a pureza em forma de notas, que expressa tudo que a alma sempre quis dizer. Feliz dia do musico a todos nós!

Que sejamos eternas crianças com uma guitarra

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    A criança não possui medos. Não possui receios. Tão pouco traumas. Há uma pureza e ingenuidade brilhante no olhar das mesmas. Não há nada que seja impossível, pois tudo pode ser feito e acontecerá. Não há tempo ruim, dificuldades, tristezas bobas, nem preocupações com coisas que não merecem nosso aborrecimento. E mesmo que tenham coisas que chateiem as crianças, elas possuem uma forma mágica de se desconectarem disso, e ficar felizes. Crianças não remoem dores, nem usam desculpas para se enganar. Muito menos, deixam problemas tomarem dimensões maiores do que possuem. Pelo contrário! Muitas vezes elas nem notam as dificuldades, e simplesmente seguem em frente. Crianças não se abalam na dor: caem, choram, levantam e fim. Crianças são maleáveis, pois quando vacilam, e recebem boa educação, ganham um corretivo, um puxão de orelha, e mudam determinada atitude com mais facilidade. Crianças são destemidas e  corajosas, e sentem que podem ter o mundo nas mãos. Crianças carregam nos olhos pequenos contos de fadas, e levam-nos consigo a cada lugar, não importa qual seja. Crianças são pequenos anjos de esperança, que vêm mostrar que tudo pode ter um toque de leveza a mais, e que desistir não deveria ser opção. Que nós adultos ( ou adolescentes ), nunca esqueçamos disso, desses ensinamentos que cada criança carrega consigo, e nunca desistamos de nossos sonhos, ideais, pois nada há de ser impossível para quem tiver ainda dentro de si, um coração e alma de criança. Que não permitamos que o mundo adormeça nossa criança interior, aquela que sempre diz que você é capaz, e que dores existem, mas basta levantar. Que existem tarefas e dificuldades, mas elas não devem ser maiores do que são, e nunca as dificuldades devem tirar suas forças. Que nesse dia, possamos abraçar carinhosamente a criança que há dentro de nós, pegarmos nossa guitarra e tocarmos felizes, com a certeza de que tudo podemos, e com a felicidade de uma criança que está com seu brinquedo favorito.

A guitarra e os comportamentos tóxicos do aprendizado

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    A autoestima às vezes vem boicotar a porra toda, e quem toca guitarra sabe bem disso. Vem desânimo, achismos péssimos, que na maioria das vezes não possuem um pingo de verdade, e se valem da nossa mente e nossos pensamentos. Se forem pensamentos positivos, melhores resultados bons, se forem negativos, pior fica tudo. Então, de uma forma simples e direta, vou enumerar alguns pensamentos destrutivos que todo guitarrista tem uma hora ou outra, e você confere se já não teve um desses:

  • ‘‘Meus dedos não são rápidos, não vou conseguir tocar isso mais rápido ’’ : Seus dedos podem não ser rápidos, igual aos do Paul Gilbert, mas treino está aí para isso. Nem por isso, você não pode fazer sua música! Necessário disciplina e dedicação para ir galgando etapas. Ou você acha que ele nasceu, saindo da mamãe dele, e já foi gritando: ‘‘ Buááááá! Buááá! Quero voltar! Toma um padrão de palhetada do Al Di Meola, buáááá! ’’
  • “Meus dedos e pulsos doem, não vou conseguir tocar essa merda ’’ : a ponta do dedo vai doer mesmo, até criar calo, e se você fizer bend o dia inteiro tocando Stevie Ray Vaughan, vai doer também, mas pare de frescura, né? Você faz muito mais coisas que deixam um dolorido, e você nem liga… ( ͡° ͜ʖ ͡°). Quanto ao pulso, aí sim, é necessário cuidado! Não adianta querer botar força pra querer acelerar as coisas, e um posicionamento errado, que além de empatar sua vida, poderá trazer várias ‘‘ites” no futuro.
  • “Minha guitarra é uma droga! ’’: Antes uma ruim, do que nenhuma, e já cansei de falar e mostrar exemplos de músicos, tirando sons incríveis de instrumentos não tão bons assim. E se está ruim, vai juntando para comprar outra depois. Garanto que se você economizar aquele dinheiro que você gasta todo final de semana para beber com a galera, começará a ter uma economia a ser usada nisso.
  • “Ah, estou cheio de problemas, aí fica difícil me dedicar”: acho essa a desculpa mais esfarrapada que existe, junto com ”não tenho tempo”. Se você esperar os problemas passarem, você vai morrer, os vermes vão comer seus olhos, e você não terá feito nada. Sua mãe vai reclamar no seu ouvido ( adapte para esposa/ marido/ namorado/ namorada ) sempre, trará problemas da casa, seu parente mala vai arrumar mais treta para você, infelizmente doenças existem e temos que lutar contra, decepções irão magoar a alma, mas vai esperar a vida ser um lindo jardim florido, para fazer o que quer e precisa?
  • “Não tenho banda, aí desanima…”: Se você não estudar para tocar melhor sempre, aí que não vai ter mesmo. A não ser que queria fazer cover de Nirvana, e mesmo assim, é preciso tocar as bases certas e com atitude.
  • “Minha família não me apoia, nem minha namorada/esposa”: Mãe e pai vão querer sua felicidade. Faça seu caminho e não desista, pois uma hora ou outra, eles te verão felizes e vão notar que é isso que te completa. Namorada/esposa você troca.

    Lógico que há um tom de humor aqui, mas grave essas frases, e toda vez que algo parecido vier em sua mente, lance pensamentos positivos sobre você mesmo e busque reverter as adversidades, pois elas nós passamos por cima, já um dom, não.

O dia em que não gostar de música ruim, virou preconceito.

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    A semanas atrás ocorreu aquele fato interessante do Zeca Camargo, que deu uma opinião quanto a supervalorização da importância musical do cantor Cristiano Araújo. O mesmo acontecendo com Mônica Iozzi, ao dizer no programa que apresenta, para as pessoas ouvirem menos funk e sertanejo universitário, e ouvirem mais Cazuza, Legião, e Elis Regina. Estamos na época mais escrotizada da história, no que tange dar uma opinião. Tudo será levado ao imoral, ao errado, ao caralho a 4. Hoje em dia, a música em massa, tornou-se um circo de canções estúpidas, com palhaços a baterem palmas a tudo que é feito por tais artistas. Letras que versam um amor que não existe, de forma piegas, ou pegações eternas da forma mais animal possível, melodias mais do que repetitivas ( ouço um lançamento de pagode, sertanejo universitário ou funk, já sei todas terminações melódicas da música, e às vezes, já pressupõe-se até a letra ), com arranjos que não querem dar nada novo a você. Tudo extramente igual, feito para bater no ouvido e ser digerido imediatamente. Antes que ache que sou completamente contra esse tipo de música, venho dizer que não. Embora isso nunca role em minha casa, e não costumo ir em ambientes em que toque isso direto, acho válido numa festa, numa brincadeira, para dançar, etc. Cada tipo de música tem seu momento, certo? Agora aí que entra aonde eu quero chegar: por que só isso? Por que ligo a televisão no domingo, e há um revezamento entre Zezé Di Camargo e Luciano, Luan Santana, Ivete Sangalo e alguma dupla xerocada de outros sertanejos em todos os programas? Será que todos que querem assistir a um programa de tv, gostam só disso? Será que não há artistas bons de MPB, de samba de verdade, de sertanejo de raiz, de pop, de rock, com um mínimo de conteúdo e músicas gostosas de se ouvir? Tim Maia fazia todo mundo dançar com suas canções, e tinha letras legais, divertidas, belas, e um groove e arranjos deliciosos! Porra, só dá pra dançar com Ivete e Claudia Leite? Sim, há pessoas que ouvem isso o dia inteiro, e vejo garotada cantando letras de funk horrendas, se sentindo os fodões, e não é pra brincar, zoar com amigos: ouvem porquê gostam e se identificam com as letras! Isso não é um processo de emburrecimento? Uma vez ouvi um relato de uma professora, citando seus alunos que ouvem funk o dia todo, e num desabafo ela disse que é complicado eles gostarem de outro tipo de música, pois muitos deles não tiveram acesso, contato mais afundo com outros estilos, gêneros, letras, ritmos. Consegue entender aonde quero chegar?

    Capaz de alguns lerem isso, e levarem já para o lado preconceito, acharem que sou ignorante, e não entendam que isso é uma opinião, um ponto de vista, com alguns argumentos concretos, e pensados. Tais pessoas, talvez sejam até as mesmas, que não se deram ao trabalho nem de interpretar o que Zeca Camargo e Monica Iozzi quiseram dizer.

E o medo de uma apresentação: o que fazer com ele?

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    “Será que estou preparado? Será que vou errar? Será que ficarei muito nervoso na hora? Vou fazer tudo errado! Estou errado agora, não sou bom o suficiente, e na hora vou estragar tudo!” Esses e outros milhares de questionamentos e falsas certezas incomodam a todos, em maior ou menor escala no momento auge da vida de um músico: uma apresentação. Desde músico profissional, até amador, ao executar seja uma música apenas, uma participação, um show, qualquer situação que seja necessário se expor musicalmente e ser ”avaliado” pela platéia, sentem apreensão, afinal, embora não ganhe nota, é nesse momento em que mostra-se a todos o quanto se estudou, treinou, se dedicou, e como faz isso virar música. A dúvida há sempre de existir, pois creio que ela alimenta a busca pela melhora, já que quem se acha bom o suficiente, amarra em si cordas que o travam de seguir. Mas é necessário o controle da ansiedade e insegurança. Estuda-se muito para isso: para domar esses sentimentos de insegurança, e fazer os resultados bons, vindos de seu empenho, brilharem. Não há outro caminho, e outra alternativa: se você treinou e se dedicou, pôs em prática o que foi ensinado em aula ( ou que você pesquisou sozinho ), e souber dominar o pânico, sua música há de se destacar. Todos são capazes! Repense a sua história: Quantas coisas você precisou abrir mão para comprar sua guitarra? Quantas vezes você sentiu dores nos dedos, de tanto tocar? Quantas vezes você treinou com afinco a mesma passagem, o mesmo riff, o mesmo solo, buscando perfeição? Quantas vezes, você deixou de sair para passear, ou dormiu tarde, para se entregar de corpo e alma à sua música e arte? Se nesse momento você respondeu a si mesmo que muitas vezes, e que já perdeu as contas, você há de estar no caminho certo, e tenha a certeza de que a música devolve para ti, exatamente o que você deu a ela, em mesma força e intensidade.

522369_365152026909512_429593611_nkkkk    Herick Sales é músico e professor de guitarra e violão a 11 anos.