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Rock ‘n roll, drogas e profissionalismo não combinam!

stones

    É simplesmente inegável, que a clássica frase ”sexo, drogas e rock n’ roll”, foi levada a risca por muitos, e forneceu, através do uso de drogas e bebidas, pérolas indiscutíveis da musica, e fazem parte da gênese do rock! Não há como negar. Extrapola gêneros. Miles Davis, um mito do jazz, que ajudou a fundar o fusion ( que propunha trazer elementos do rock, blues e diversos outros gêneros, ao jazz ), usava doses pesadas de heroína, e gravou o álbum ”Kind of Blues”, considerado o melhor disco de jazz de todos os tempos. O Rolling Stones, tem em Keith Richards, a simbiose do rock star rebelde: guitarrista, rebelde ( já ouviram falar das historias de móveis que ele quebrou, nos hotéis em que se hospedava?), e usuário assíduo de drogas. Há até mesmo a lenda, de que ele precisou de uma transfusão de sangue, na tentativa de limpar seu organismo, de tantas drogas. E isso serviu de combustível para a gravação de clássicos, como ”Exile on Main St.”, tido hoje, como melhor álbum dos Stones. Eles se auto exilaram na França, e no porão de uma casa, orgias, bebedeiras e drogas, tramitavam entre composições inspiradas. O Pink Floyd, através das drogas, se entregavam em viagens psicodélicas, a tentavam transpor ( com sucesso ), cada imagem e sensação vista nessas viagens, em suas canções ( ouça as musicas ”’Shine On You Crazy Diamond” e ”Set The Controls For The Heart Of The Sun”, para entender essa temática. A lista é infindável: Ozzy Osboune, Lemmy ( esses dois, juntamente com Keith Richards, precisam ser estudados pela ciência, para saber como ainda estão vivos ), Aerosmith, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, até os Beatles! E também há uma outra lista infindável, de artistas que se foram, por decorrência disso: Jimi Hendrix, Jim Morrison, Layne Staley ( vocal do Alice in Chains ), Bon Scott ( primeiro vocalista do AC/DC ), e saindo do rock, até mesmo a saudosa e brasileiríssima Elis Regina. E tantos outros, que precisam lutar, para se livrar do vicio, e ter capacidade de viver, sem ser refém: James Hetfield e Eric Clapton, são exemplos disso. Os anos 60, 70 e 80, são os espelho dessa realidade musical. Estamos em 2015., então pergunto: hoje em dia, qual a real necessidade de usar drogas, beber compulsivamente e fumar ( sim, cigarro é uma droga, tanto que hoje é proibido passar aquele comercial da Marlboro, com um homem com ar saudável, sobre um cavalo, e um cigarro sendo tragado ). Todos nós temos heróis, seja lá em qual profissão nos miremos, e não é diferente na música. Só que é necessário salientar, que nos anos 60, 70, as drogas eram vistas como um meio de libertação, de viagem. A era Hippie e ideias de paz e amor, pairavam, e as paisagens psicodélicas eram buscadas com outros fins. A rebeldia, tinha causas palpáveis, e legítima. Completamente diferente de hoje, do moleque mauricinho, que fuma e enche a cara, para impressionar as menininhas ( mulheres de verdade, não se impressionam com pouca merda ), e arrumam confusão, com o simples ideal, de se mostrar fodão. Nossos heróis, no passado, já erraram por nós músicos, e hoje, qualquer um sabe, os malefícios causados por essas substâncias. O mapa do rock e de suas vertentes, já foi escrito. Os exemplos musicais, estão nos magníficos discos, e canções deixadas por eles. Não há mais um pingo de necessidade, de cheirar uma carreira de cocaína, para tentar compor uma música. Saiba que muitos álbuns bons, foram feitos nesse período, abastecido por drogas, mas muita porcaria também! Hoje, existem mais informações, que permitem um melhor estudo da musica, mais fontes, discos e mais discos como referência, mais gente qualificada para ensinar…o seu talento, não é o suficiente? O blues, por exemplo, foi criado pelos negros escravos, que sofriam muito, e criaram o blues, como uma forma de lamento. Nem por isso, para você amar o estilo, e tocar um blues, você precisa ser escravo e sofrer. Já vi alunos que disseram para mim, que teriam que parar de fazer aula, pois estavam sem dinheiro, etc. Mas que fumam, e no fim de semana, enchem a cara de passar vergonha ( nada contra beber socialmente ). Isso é se dedicar a música? Já vi pessoas que se drogam, ou bebem antes de tocar. Será que não e possível confiar em si mesmo, e estar sóbrio, para tocar, em respeito ao público que esta ali te vendo? Muitos reclamam de falta de estrutura no local do show, falta de profissionalismo do bar, da casa de apresentação, mas… você acha profissional, encher a cara e se drogar antes do SEU trabalho? Lembre-se, que se você quer trabalhar com musica, ela é pura diversão, mas é um trabalho também, não é um festival de oba-oba. Você acharia bonito, legal, ver uma pessoa, que te tem como exemplo ( sim, você pode fazer poucos shows, e tocar sua guitarra, mas sempre pode servir de exemplo para alguém que te vê, pense nisso ), passar a fumar por sua causa, já que você é ”descolado” também?


Estamos em 2015, repito. O profissionalismo é necessário, o estudo imprescindível, e inspiração pode ser encontrada sem uso de substâncias. Encare sua banda, seu projeto, como uma empresa ( note que as maiores bandas, que carregam muitas pessoas, funcionam assim. Vide o Rush e o Iron Maiden, que por um acaso, acredite, não usam drogas ), como SEU TRABALHO, e onde você vai tocar, pense que você foi contrato para prestar um serviço, que é entreter o público. Faça o seu trabalho da melhor forma possível, e ”limpo”. Ou será que você não confia em si mesmo? Nossos heróis, já extrapolaram tudo por nós. Agora, você só precisa depender do seu talento mesmo.

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Santana – Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time

Muro do Classic Rock

Muito além do que um álbum de covers.

    Santana estava com a carreira mais do que estável, e não precisa provar mais nada para ninguém. Após uma trilogia de cds ( Supernatural, Shaman, e All That I Am), com convidados pra lá de conhecidos, que rendeu bon$ fruto$ ne$$a empreitada, já estava meio que na hora dele carregar sua guitarra novamente, com um gás a mais, sem tanto apelo pop. Então, eis que surge ‘’Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time’’. Muito além de álbum de covers, Santana deu cara nova a muitas canções clássicas, correndo até certo risco, afinal, tem que ter muita bala na agulha para regravar Rolling Stones, Led Zeppelin, Van Halen, Beatles, com seu tempero latino característico, sem deformar as canções.

    De cara, Santana já entra com pé na porta, com uma versão latina de ”Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, com  Chris Cornell ( Soundgarden), nos vocais. Nunca imaginei que alguém pudesse transformar essa música, mudar até mesmo seu solo mais do que emblemático, e deixá-la em alto nível. ”Can’t You Hear Me Knocking”, do Rolling Stones, cantada por Scott Weiland ( ex- Velvet Revolver, ex- Stone Temple Pilots ) ficou sensacional, com uma jam no final e solos pra lá de sensuais. ”Sunshine of Your Love”, do Cream, ganhou uma batida latina, a ponto de ser mudado de leve o riff original, e torna-se quase impossível não se mexer na cadeira.  “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, ganhou uma introdução com ares flamencos, no violão de nylon, e a delicadeza de uma voz feminina, tornando-a angelical e doce. Catada a dedo, direto dos anos 80, “Photograph”, clássico do Def Leppard, manteve o peso hard rock típico, e uma levada latina, que superou a original. Ficou ótima!!!!! Nem tudo são flores, já que em ‘’Back in Black’’, ele dá uma derrapada gigante, ao colocá-la em rap, mas mesmo assim, há um solo excelente na mesma. The Doors foi representado aqui, com  “Riders on the Storm”, e uma das melhores interpretações que Chester Bennington, do Linkin Park, teve na vida. Nem ‘’Smoke in the Water’’, do Deep Purple escapou, ganhando uma ótima versão com licks e solos cheio de wah wah. A alegrinha “Dance the Night Away”, do Van Halen, ganhou percussão, licks e solo que não continham na versão original. “Little Wing” do Hendrix, com  Joe Cocker no vocal, ficou de doer o coração, e no solo que não tem como negar: é Santana na guitarra. “I Ain’t Superstitious’’, do Jeff Beck Group, e “Fortunate Son do Creedence Clearwater Revival, mantém o astral lá em cima, e por fim, uma baita surpresa: “Under the Bridge”, do Red Hot Chili Peppers, que ficou parecendo uma linda canção típica de pôr de sol na praia.

    Muito além de um álbum de covers, Santana mostrou que é possível fazer covers, sem destruir as músicas, e trazê-las para seu universo, quando se tem identidade.

 

 

 

 

 

 

 

Obs: no primeiro vídeo, você já encontra 9 músicas do álbum.