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Jerry Cantrell: o gênio minimalista

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     O David Gilmor do metal. Desde sempre foi a sensação que tive ao ouvir o som acachapante de Jerry, do Alice in Chains. Meu primeiro contato foi com o álbum Dirt, que fui ouvir com certo preconceito até ( afinal, era uma banda de grunge, que possui o esteriótipo de música simples demais, ou até mesmo mal tocada ). Mas tal qual não foi minha surpresa, ao ouvir as duas primeiras porradas que abrem o álbum: Them Bones.e  Dam That River. Com o passar do álbum ouvi riffs absurdamente pesados, compassos 7/8 ( oi? grunge? ), e solos melódicos com muita pegada, que me fizeram pensar que ele seria a união do Tony Iommi com David Gimour. Diferentemente dos seus companheiros de Seattle, o Alice in Chains possui um apuro melódico e senso de composição expostos em canções acústicas com influência country e folk, até às mais pesadas, que faz a ideia de que grunge é mal tocado, cair por terra. Aliás, o Alice possui sim elementos do movimento, como a melancolia nos vocais, mas seus temas são mais contemplativos, possuem harmonizações vocais complexas feitas por Jerry e o finado Layne Staley, com influências de cantos gregorianos, e uma base corpulenta com afinações muitas vezes baixas, com influência de Sabbath, e até mesmo afinação dropada, com guitarra meio tom abaixo, e o bordão descendo 1 1/2 tom, algo que Eddie Van Halen faz em Unchained, e Zakk Wylde passou a fazer à partir do álbum No More Tears, por exemplo. Aliás, o Alice já abriu shows do Van Halen e Jerry já arrancou elogios de músicos como Kerry King, Dimmebag Darrel e o próprio Zakk.

    Por fim, trago aqui alguns exemplos do porque eu considerar Jerry Cantrell um dos últimos gênios da guitarra a terem destaque numa geração em que cada vez mais, a música fica menos orgânica.

Cadê o grunge dessa porra?

Veja com essa canção soa o tempo todo: arrastada de maneira a quase sair do tempo…

OBS: Olha esse arranjo de guitarra e o solo!

Ué…Extreme?

Pqp!

Acho que eles andaram ouvindo Eletric Funeral, do Sabbath, na hora de compor essa…

Choremos…

Essa leveza ao vivo…

Esse riff é agonizante!!! Apenas 2 notas e bends.

Essa música é incrível, no arranjo como um todo, sem contar o super arranque pesado do meio.

Fecho com 2 do álbum The Devil Put Dinosaurs Here, que na minha opinião, é uma obra-prima dos últimos anos, produzido por Nick Raskulinecz, mesmo produtor dos últimos discos do…Rush!

Preste atenção no peso absurdo desse riff, e a quantidade de camadas gravadas, afim de dar peso e corpo.

Fecho com essa mais melancólica, que possui um dos solos mais belos de Jerry!

 

 

Os 40 anos do álbum “Frampton Comes Alive”: o álbum ao vivo mais vendido da história.

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    A uns dias, venho pensando em escrever sobre o quanto Peter Frampton é subestimado, e falar sobre a qualidade de suas canções e seu talento como guitarrista, até que ao abrir o facebook, na página do próprio, há um recado comemorativo dos 40 anos do álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos: Frampton Comes Alive ! Você não leu errado. Esse foi o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos, bem mais vendido do que clássicos do rock, como Made in Japan, do Deep Purple, ou Live After Death, do Iron Maiden. Peter Frampton era guitarrista do Humble Pie, onde mostrou no álbum  Performance – Rockin’ The Filmore, que não devia a nenhum Jimmy Page ou Blackmore, em matéria de improviso no palco. Mas logo após, Frampton decidiu seguir carreira solo, tendo 3 álbuns com boas músicas, mas o auge da sua carreira veio em 76, com o álbum ao vivo Frampton Comes Alive !, que vendeu um milhão de cópias já na primeira semana! Assim como em sua carreira toda, não há virtuosismos em excesso, e sim, boas canções, bem trabalhadas, com guitarras muito bem construídas em torno de seus arranjos. Desse álbum, que saíram as versões de absurdo sucesso das canções ”Show Me The Way” ( com seu clássico uso de talk box ), e ”Baby, I Love Your Way”, duas músicas compostas em apenas um dia. Mas o álbum, e sua carreira no geral vão muito além disso: há baladas acústicas, hard rock vigoroso, blues e pequenas ideias jazzy inseridas em suas canções e fraseados, bastando apenas você dar a devida atenção a músicas como ”(I’ll Give You) Money”, ou ao clássico irretocável ”Do You Feel Like You Do”, no qual há de tudo: introdução com toques de jazz, frases de blues, riffs de hard anos 70, além de um longo improviso, com uso do talk box ( isso bem antes do Slash ou Richie Sambora ), e muita melodia. E foi assim que Frampton moldou seu estilo: mesclando suas composições com riffs e fraseados melódicos, que sempre contornam a canção com maestria.

    Que esse álbum possa entrar na sua lista de álbuns a ser escutados nesse início de 2016, pois ter um álbum ao vivo, que a 40 anos lidera como o mais vendido, é um feito que com certeza, credita a qualidade de um trabalho.

Alex Lifeson: a alma injustiçada do Rush

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“A Steve Morse Band esteve na turnê do disco Power Windows. Foi um ponto alto na minha carreira.” – Steve Morse.
“Minhas canções de rock instrumental preferidas são do Rush” – Paul Gilbert
“Gostava muito do estilo de Alex, especialmente, das partes rítmicas” – Vinnie Moore
“Minha banda excursionou com o Rush no começo dos anos 90. Alex tem um timbre feroz – seu estilo preenchia muito bem o som do trio.” – Eric Johnson
Bem….será que preciso falar mais alguma coisa sobre Alex Lifeson? Amante fervoroso de Jimi Hendrix, Pete Townshend, Jeff Beck, Eric Clapton e Jimmy Page (sua principal influência ), Lifeson não só ajudou a moldar a sonoridade do rock progressivo ”não-mala” , como deu de brinde, o mapa das milhares de convenções e tempos quebrados que o metal viria usar ( vide o Metallica, fã assumido da banda ). Seja no começo dos anos 70 , despejando suas influências de Cream e Led Zeppelin, somadas as texturas e arranjos típicos de bandas como Yes e Genesis, seja nos anos 80, timbrando sua guitarra com um belo chorus e absorvendo influências de Adrian Belew (o que caracterizaria parte do som da década), ou dos anos 90 em seguida, com a retomada do peso, Alex Lifeson criou partes de guitarra insanas e bem elaboradas, que ao lado de Geddy Lee e Neal Peart, fez a ponte entre os elementos progressivos e o hard rock/metal de forma complexa, mas sem soar chato. Alex possui um jeito despojado de tocar seus riffs complexos, demonstrando total naturalidade, e solos com ligados, cordas soltas, e intervalos atípicos, que tornam-se grandes desafios na hora de serem tirados nota por nota. Veja os vídeos abaixo, e note o quanto Alex e seus companheiros, tocam com naturalidade e se divertindo! E por fim, se você acha que o Dream Theater é a banda mais inacreditável e original das galáxias, ouça o material do Rush. Mas não me responsabilizo caso você fique com uma leve vergonha alheia….

For Unlawful Carnal Knowledge – Van Halen

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    Tecer comentários sobre Eddie Van Halen, é completamente desnecessário, mas vamos do princípio de que a fase com Sammy Hagar nos vocais, não é a favorita de muitos, porém no ano de 1991, o Van Halen resolveu abandonar um pouco os teclados em excesso, e soltar um álbum pesado e digno de figurar entre os melhores da banda.

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    Vou evitar dizer ”o melhor solo do álbum”, pois torna-se redundante, tratando-se desse cidadão. Pois bem, para dar um ”oi”, e bem carregado, a mais conhecida do álbum, ”Poundcake”, abre com sua icônica introdução de furadeira, com pegada pesada de bateria, em um riff na qual quero chamar a atenção: note como soa tudo pesado, sem possuir toneladas de distorção! Dentre brincadeiras com harmônicos naturais, a canção vai subindo a adrenalina até seu solo, dando uma aula de dinâmica, técnica e melodia. Tenho pra mim, que é um dos melhores que ele já compôs, com direito até mesmo ao som de furadeira novamente. Trago essa faixa ao vivo, pra você ver a treta:

    Em seguida, a agressiva ”Judgement Day”, entrega um riff bem mais direto e heavy metal, com direto a solo de tapping, feito com as 2 mãos por cima do braço da guitarra! Não entendeu? Vou botar ao vivo também…

   Com clima misterioso, começa ”Spanked”, que deságua num riff funky, belas melodias vocais, e um solo coeso e cozinha presente. Note como todos abusam da dinâmica, e deixam tudo com clima de jam. A seguinte, ”Runaround”, tem aquele clima típico de hard rock, mas dê atenção a sua introdução, que se repete várias vezes na música, com um dedilhado com acordes atípicos para o estilo. A guitarra desenha a música toda, arpejando acordes em muitos momentos e fazendo arranjos com notas dos acordes, até seu solo altamente inspirado, cheio de wah-wah, que entre frases belas, tapping, alavancadas, preenche cada espaço do groove. A mais experimental do álbum, ”Pleasure Dome” , é de dar um certo nó na cabeça, graças ao groove de bateria altamente louco , que brinca com o riff de Eddie Van Halen, dando margem a um solo com ares mais livres e técnicos. A rocker ”In N Out”, abre já com o pé na porta, sem pedir licença, sendo um hard rock vigoroso, que releva aos mais atentos, uma certa influência de Jimmy Page em alguns trechos, até Eddie se soltar no solo. Veja como ele brinca com as alterações que a alavanca proporciona, e a festa que ele faz com ligados, tapping, e até trechos outside, sem deixar de jogar frases bem blues rock entre os vocais até o seu final, do jeito que só ele sabe fazer mesmo. Já iniciando com um tapping atípico, com uma linha melódica dissonante, ”Man On A Mission” vem, e deixa um groove dançante e pesado ao mesmo tempo, e seu solo que entra sem pressa, e meio que plaina pela levada usada. A introdução pesada de ”The Dream Is Over” tem na sequência uma bela melodia na guitarra e mais acordes dedilhados dando um ar diferente ao típico hard rock anos 80, e você notará isso, ao ouvir seu refrão altamente pra cima. Note como que Eddie entra detonando tudo no solo! ”Right Now”, é outro hit do álbum, que possui uma bela base de teclado, e arranjo bem elaborado em volta, e talvez, o solo mais melódico do disco. Obs: essa música foi usada na campanha de Obama, nas eleições americanas! Os belos acordes dedilhados de ”316”, soam agradáveis, e dão margem a última canção do disco, ”Top Of The World”, que sintetiza bem o espírito musical do Van Halen: um hard rock pra cima, com clima de festa, e arranjos bem elaborados, além da guitarra de um dos maiores músicos que o mundo já viu. 

522369_365152026909512_429593611_nk  Herick Sales é músico, e professor de guitarra e violão a 11 anos.

Solos “completos” e equilibrados

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Esse cidadão não é muito humano…

    Qual seria a receita para um solo perfeito e completo? Tenho uma notícia um pouco triste, mas eu não possuo a resposta. Nem ninguém. O conceito de completo muda de pessoa para pessoa, situação para situação, mas vou me ater a quantidade de elementos bem equilibrados. A guitarra é dotada de diversas técnicas de interpretação, e ”truques”, que geram sons únicos e que bem trabalhados, se a música der abertura para isso ( David Gilmour fez solos incríveis, e creio que sequências de palhetadas alternadas e tappings, estragariam aquelas obras de arte ), geram solos incríveis!

A receita, ninguém possui, mas vamos nos mirar nos exemplos, e organizar umas ideias:

Melodia: seu solo terá uma melodia principal, que vai permear o começo do solo, ou o meio? Isso pode ser um elemento marcante para seu solo;

Bends e vibratos: considero basicamente, as 2 técnicas que mais caracterizam a guitarra, e com características vocais. Faze-las meia boca, é comprar ingresso para ter um solo zoado;

Escalas: aqui é uma opção pessoal, que deve combinar com a sonoridade buscada. Você quer um som mais pentatônico? Mais tenso e dark? Mais sensual? Vai gastar um escala na mesma região ( Angus Young faz solos épicos assim, e é difícil também, não se engane!!! ), ou explorar o braço todo de cima a baixo?

Hammer-ons, pull-offs: desde ligados simples de passagem em melodias, licks, ou passagens intricadas e rápidas, podem ser uma ótima ferramenta para fluidez;

Palhetada alternada: mesma coisa: desde passagens simples, até corridas para chegar a outra parte, até fritações extremas, uma técnica muito bem vinda, se bem usada, e feita com precisão;

Tapping: Excelente para gerar intervalos maiores, com a sensação de fluidez vinda dos ligados;

Elementos de outros estilos: isso não é regra, mas diz respeito ao vocabulário. Que tal um lick com ar mais blues, funk, ou fusion, com notas outside? Isso pode gerar um efeito surpresa em seu solo, e torná-la único;

Pronúncia: note que a pronúncia das notas que você fará, podem variar, e gerar bons resultados, caso combinem com a música. O blues, possue um sotaque diferente diferente do metal, que é diferente do jazz. A mesma escala ou passagem, vai soar de forma diferente no contexto de outro estilo, porém, como citei acima, nada impede de você ”misturar” um pouco!

Alavancadas: ótimo recurso, mas que na minha opinião, deve ser usado com pudor, pra não ficar aquela guerra de notas flutuando na sua fuça…

Pausas: seu solo pode respirar amiguinho! Não precisa correr o solo todo, como se fosse tirar a mãe da forca! Dica do Dollynho!

Velocidade: vamos ser sinceros: um lick, ou passagem veloz, bem usados, dão um up fodido na música, mas como digo, vale o bom senso;

Pegada: não descuide disso jamais! Tocar as notas certas, com pegada errada, caga tudo!

Improvise: deixar um espaço para improvisar num solo, pode ajudar a deixa-lo sempre ”novo”, e trazer ideias.

    Por fim, trago exemplos de solos equilibrados, misturando vários elementos, tornando-os quase outra canção dentro de uma música:

Esse é mestre, nem tem muito o que comentar… apenas note, como ele passeia pelas notas, com sonoridades eruditas, melodias belas, e velocidade na medida certa.

Aqui, John Sykes dá uma aula, mesclando todas aquelas técnicas fresquinhas na década de 80…que solo bonito, puta que pariu!

Steve Lukather é um monstro…olha esse solo que na minha opinião, é tão bom quanto o original.

Esse solo aqui, se mudar uma nota, periga você tomar um tiro. Note como ele é basicamente outra canção dentro da mesma.

Pra fechar, trago um dos meus solos favoritos do Petrucci, em que ele faz de tudo: tapping, ligados, palheta, bends com licks mais blues rock, passagem funky, e alavancadas!

Aqui tem só ele fazendo o solo, pra você tão putinho vendo, quanto eu…

Melodia! Onde estás, sua linda?

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Exemplo de boas melodias!

    ”Sucessão coerente de sons e silêncios, que se desenvolvem em uma sequência linear com identidade própria. É a voz principal que dá sentido a uma composição e encontra apoio musical na harmonia e no ritmo. (…) Os sons da melodia possuem um sentido musical. A sucessão de sons arbitrários não se considera que produz melodia. Os sons que formam a melodia possuem quase sempre durações diferentes.”

    Abro esse post com esse conceito de ”melodia”, retirado do ”pai do burros” virtual, Wikipedia. E aproveito para emendar com um caso que ocorreu ontem comigo: uma aluna, por whatsapp, me questionou quanto ao nome de um música, e de quem era. Para que eu pudesse ajudar, ela me mandou um áudio, dela solfejando a introdução, e com apenas as 2 primeiras notas da melodia, já identifiquei: Heatbreaker , do Led Zeppelin. Então surgiu em minha mente a constatação, de que com algumas notas bem organizadas, esse tal de Jimmy Page, criou uma introdução absurdamente forte, reconhecível até de cabeça pra baixo, mascando chiclete de ova de baiacu. Converso sempre com alunos sobre hoje em dia, que muitas bandas e artistas parecem ter esquecido de criar boas melodias para as canções, usando bem esse fator ”sucessão coerente de sons e silêncios”. Faz silêncio também, porra! Silêncio também faz parte da música! Mas vou me ater mais nesse assunto, em futura postagem sobre groove. Voltando à melodia… não sou daqueles que fala que um solo para ser bonito precisa ser assobiável, pois o solo de ”Highway Star” do Deep Purple, é lindo de foda, mas se você tentar assobiar isso, você perde a os lábios, mas construir seu som envolto de belas melodias, faz com que tudo fique bem amarrado em sua canção, independente da complexidade. Não vou frisar em solos apenas! Isso é muito importante para bases, e muitas vezes, é esquecido. Já notou como as músicas do Rush, são complexas, com convenções e partes, etc, etc, mas não fica cansativo? Eles possuem um senso muito forte de melodia, fator que vez por outra os amiguinhos do Dream Theater esquecem, mas não vem ao caso. Certa vez, li Joe Bonamassa falando que muitos blueseiros e jazzistas, esquecem que as mulheres também precisam gostar do que ele toca, por isso, ele faz questão de incluir muita melodia em suas músicas ( deve ser por isso, que quando paquero uma senhorita, mostro músicas do Bonamassa, e funciona… ). Outro exemplo, é Joe Satriani, que tem uma carreira baseada em canções instrumentais, e muita gente que nem toca, gosta muito ( ouça ”Cryin” ou ”Summer Song”, e você não esquecerá mais dessas melodias ). E o Iron Maiden? Já notou a comoção que causa nas pessoas ouvir suas canções, em shows todo mundo se esgoela, canta tudo em ”ô ô ô” e o cassete? Observe as canções rápidas e pesadas da banda ( leia-se ”Aces Hight” ), porém, com frases melódicas espalhadas por toda a composição.

     Procure ver seus riffs, trechos musicais, não tão somente como ”movimentos de dedos”, em que mais é melhor, ou somente como conjunto de acordes, intervalos, etc. Veja também, como cada nota se comporta em conjunto, dentro de uma frase musical, pois é isso que seu ouvinte vai absorver de suas canções.

    Abaixo, trago 10 exemplos de arranjos, que acertaram em cheio na questão ”melodia”.

Veja a melodia de começo feita pelo belo riff, e as melodias que intercalam até o refrão, sem deixar de soar pesado pra c@#&*%:

Aqui, uma aula! A casa já cai com a melodia de abertura:

Essa é recente, e olha , como ficou incrível a melodia da guitarra, dobrada com o vocal…:

Aqui, uma música um pouco esquecida do Metallica, mas com riff sensacional, e um clima tenso usando o modo frígio:

Note como essa canção é extremamente complexa, mas soa leve, devido aos riffs melódicos da música, que intercalam tudo:

Aqui uma bem extrema, mas note que é banhada em melodias do começo ao fim, daí o termo ”death metal melódico”:

Conhece esse guitarrista? Então olhe essa música dele, e a chuva de melodias belas, que se encaixam uma na outra.

Sem apresentações. Note apenas no dedilhado, e melodia se movendo em seu riff:

Você pode até não gostar desse tipo de som, mas aqui você consegue notar porquê canções dessa época duram até hoje ( foque na guitarra, simples, e bela ):

Por fim, os donos da foto do post, com uma música que é pura melodia do início ao fim, com a melodia feita nos acordes do riff.

Fused- Tony Iommi/Glenn Hughes

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Um dos melhores álbuns de metal dos últimos tempos!

     

      Aqui vem um álbum que quase ninguém conhece, porém, é um dos melhores da carreira de Iommi, e por incrível que pareça, sem a acunha do nome Black Sabbath. Tonny Iommi e Glenn Hughes já tinham trabalhado juntos em 85, no álbum Seventh Star, e lançaram um álbum, de jams feitas em 1996. Mas aqui, a história já é diferente, pois o chumbo é grosso! A sonoridade pesada, e mais moderna, gravada ao vivo no estúdio com o baterista Kenny Aronoff ( com alguns pequenos overdubs apenas ), é assustadora! De cara, o álbum abre com o peso de ‘’Dopamine’’, com um dos riffs mais absurdamente pesados da carreira de Iommi ( note as texturas de guitarra no refrão ), com solo cheio de licks blueseiros, tocados de uma forma que só Iommi sabe. ‘’ Wasted Again’’ segue, com um riff escabroso e grudento. A dobradinha ‘’ Saviour Of The Real’’, com riff pesado e swingado, de refrão belo, unida à depressiva e dark ‘’ Resolution Song’’, com seu refrão dissonante e que bota qualquer banda de metal atual no chinelo, derrete qualquer cérebro. A macabra “Grace’’, traz modernidade até mesmo na voz soul de Hughes, soando como a trilha sonora do fim do mundo. A balada ‘’ Deep Inside A Shell’’, chega a irritar de tão bonita, e possui um solo com tamanho feeling, que chega a dar raiva. A old school ‘’ What You’re Living For’’, é um puta arrasa quarteirão, que desacelera num refrão melódico, até ir para mais um riff incrível ( novidade!), e um solo rocker que taca tudo no chão. ‘’ Face Your Fear’’ abre com uma pressão na cara, desaguando em praias mais modernas, sem deixar de soar bela, mas logo ela dá lugar à obra-prima de riffs chamada ‘’ The Spell’’, acariciada pela magnífica voz de Glenn Hughles. Dê uma atenção especial, ao riff do refrão, que com certeza é uma das coisas mais demoníacas que Iommi fez desde a clássica canção ‘’Black Sabbath’’. Por fim, a épica ‘’ I Go Insane’’, com seus mais de 9 minutos, com solo na introdução, mostrando o apreço de Iommi pelo blues, até dar espaço para o vocal suave e belo. Daí em diante, é um desfile de riffs e convenções que não acabam mais! É um melhor que o outro!

      No fim, fica uma sensação, de como caras que já passaram da casa dos 50, fizeram algo tão moderno, pesado,  e perfeito. Um dos mais incríveis álbuns de metal dos últimos anos, sem dúvida!

Ideias musicais – como expandir seu vocabulário?

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Richie Kotzen: exemplo de vocabulário musical extenso

Ideias musicais – como expandir seu vocabulário?

     É algo que leio e ouço constantemente, de pessoas de todos os níveis: como expandir o vocabulário musical? O fraseado na guitarra (ou seja lá qual for seu instrumento), quanto maior for, mais te possibilitará se aventurar, e dizer, enquanto toca. Imagina um cara que na hora de tocar um solo, faz sempre aquelas mesmas frases, mesmos licks, ideias parecidas, e você ouve, já sabendo como ele vai terminar, sem nunca ter um elemento surpresa. Não digo que você nunca possa repetir um lick, uma frase legal, mas criar variações soa importante. O vocabulário musical pode ser comparado com as palavras: aprendemos várias delas, e vamos fazendo combinações diferentes, e entonações diferentes, e formando frases, textos, etc. Um adjetivo como ‘’louco’’ pode ser direcionado a alguém com tom de humor, ou tom de espanto, ou raiva. Tudo depende do tom de voz que você usa. A mesma coisa para a guitarra! Uma nota, dependendo da sua interpretação, e do contexto, pode soar agressiva, suave, delicada, suja, etc. Cada variação para a mesma, combinações com outras, ritmos diferentes, e elementos novos, podem trazer ares novos à sua música, e seus solos. Não há problema, em você aprender os licks do Angus Young do AC/DC, uns padrões de palhetada do Paul Gilbert, frases inspiradas nos solos de trompete do Miles Davis, e rítmica fusion, e misturar tudo no pacote, dosando ao seu sabor. Na hora de tocar pra valer, você torna-se um grande chefe de cozinha musical: você é quem vai dosar o tempero! E é sempre bom tentar ter um ’’elemento surpresa’’, algo que deixe o ouvinte desconcertado, concentrado no que você toca, e visitar outros estilos, para buscar tais ideias, é uma ideia muito frutífera. Certa vez, li uma entrevista do Steve Morse, falando sobre improvisos, solos, e sua facilidade ímpar de transitar por vários estilos. Quando questionado sobre a última, ele disse que é muito chato quando alguém fala direto sobre um mesmo assunto, e não é capaz de contar uma boa piada.

     Tudo na música, e em qualquer área, para ser duradouro e consistente, leva tempo, e dedicação. O fraseado vai se somando, igual às palavras: vão juntando-se ao nosso vocabulário, e hoje fazemos frases, sem pensar. Treine sempre cada ideia musical que você tiver, anote para não esquecer, grave, mas busque ampliar! Não se conforme e tenha paciência. Um dos maiores improvisadores de todos os tempos, Allan Holdsworth, certa vez disse que uma nova ideia musical, sendo sempre estudada, demora em média, 2 anos para soar natural na sua forma de tocar. Se ele que é mestre, disse isso, só resta a nós mortais, estudar e perseverar.

Diário de um músico: marketing final

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Suas mãos: seu marketing final

Diário de um músico:

      Semana menos cheia que o normal. Alunos com problemas, dentre eles até de saúde, e inclusive, um resfriado de minha parte, para deixar certas tarefas mais arrastadas. Saber vencer o desânimo em prol de um trabalho bem feito é necessário. Superar a preguiça, o cansaço físico e mal estar, e continuar mantendo o máximo possível, o mesmo nível de dedicação, treinos, e não deixar cair o nível das aulas da semana. Em meio a isso, criar algumas estratégias de propaganda, como forma de divulgar o trabalho e conteúdos que atraiam visitas e futuros alunos, clientes, que precisam ver você ativo e presente, afinal, quem não é visto, não pode ser lembrado. Criar alguns estudos, que possibilitem suprir a demanda de alguns alunos: solar, usando a escala natural, mas de forma coesa e sem ‘’engasgar’’, sem deixar de lado, a visualização da harmonia em questão. É necessário dosar o conteúdo, aos poucos, para uma assimilação concreta do conteúdo, sem ficar algo largado na cara dos mesmos, e não absorvido. Faze-los também, trabalhar em conjunto, ainda mais, quando eles interagem em bandas, etc. Fazê-los não somente mecanizar um padrão, mas tentar direcionar o caminho, e fazê-los raciocinar, e entenderem os porquês de diversos elementos (o porquê dessa nota em tal acorde, o porquê de tal nota não soar bem, etc), mas mostrar na linguagem mais acessível possível, esmiuçando detalhes, sem ser pragmático ao extremo, como se fosse dono da verdade absoluta.

    Não esquecendo também, que o um dia é munido de diversas outras tarefas, dentre elas, os preparos do workshop. Delinear conteúdos, encontrar assuntos, e se questionar quais seriam mais interessantes ao público, que mescla alunos, pessoas já inseridas na linguagem musical, e leigos que apenas admiram. Achar a linha tênue entre os elementos, e fazer do seu trabalho apresentado, uma grande e forte propaganda, que fica na mente das pessoas como uma lembrança bem guardada, uma melodia, um momento de despertar de sensações. Criar satisfação perante o evento esperado, pois o maior marketing/final de tudo, está em suas mãos e em como você trata à música, para ser degustada por cada paladar.

Santana – Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time

Muro do Classic Rock

Muito além do que um álbum de covers.

    Santana estava com a carreira mais do que estável, e não precisa provar mais nada para ninguém. Após uma trilogia de cds ( Supernatural, Shaman, e All That I Am), com convidados pra lá de conhecidos, que rendeu bon$ fruto$ ne$$a empreitada, já estava meio que na hora dele carregar sua guitarra novamente, com um gás a mais, sem tanto apelo pop. Então, eis que surge ‘’Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time’’. Muito além de álbum de covers, Santana deu cara nova a muitas canções clássicas, correndo até certo risco, afinal, tem que ter muita bala na agulha para regravar Rolling Stones, Led Zeppelin, Van Halen, Beatles, com seu tempero latino característico, sem deformar as canções.

    De cara, Santana já entra com pé na porta, com uma versão latina de ”Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, com  Chris Cornell ( Soundgarden), nos vocais. Nunca imaginei que alguém pudesse transformar essa música, mudar até mesmo seu solo mais do que emblemático, e deixá-la em alto nível. ”Can’t You Hear Me Knocking”, do Rolling Stones, cantada por Scott Weiland ( ex- Velvet Revolver, ex- Stone Temple Pilots ) ficou sensacional, com uma jam no final e solos pra lá de sensuais. ”Sunshine of Your Love”, do Cream, ganhou uma batida latina, a ponto de ser mudado de leve o riff original, e torna-se quase impossível não se mexer na cadeira.  “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, ganhou uma introdução com ares flamencos, no violão de nylon, e a delicadeza de uma voz feminina, tornando-a angelical e doce. Catada a dedo, direto dos anos 80, “Photograph”, clássico do Def Leppard, manteve o peso hard rock típico, e uma levada latina, que superou a original. Ficou ótima!!!!! Nem tudo são flores, já que em ‘’Back in Black’’, ele dá uma derrapada gigante, ao colocá-la em rap, mas mesmo assim, há um solo excelente na mesma. The Doors foi representado aqui, com  “Riders on the Storm”, e uma das melhores interpretações que Chester Bennington, do Linkin Park, teve na vida. Nem ‘’Smoke in the Water’’, do Deep Purple escapou, ganhando uma ótima versão com licks e solos cheio de wah wah. A alegrinha “Dance the Night Away”, do Van Halen, ganhou percussão, licks e solo que não continham na versão original. “Little Wing” do Hendrix, com  Joe Cocker no vocal, ficou de doer o coração, e no solo que não tem como negar: é Santana na guitarra. “I Ain’t Superstitious’’, do Jeff Beck Group, e “Fortunate Son do Creedence Clearwater Revival, mantém o astral lá em cima, e por fim, uma baita surpresa: “Under the Bridge”, do Red Hot Chili Peppers, que ficou parecendo uma linda canção típica de pôr de sol na praia.

    Muito além de um álbum de covers, Santana mostrou que é possível fazer covers, sem destruir as músicas, e trazê-las para seu universo, quando se tem identidade.

 

 

 

 

 

 

 

Obs: no primeiro vídeo, você já encontra 9 músicas do álbum.