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Como estudar outro guitarrista?

Eric+Clapton

    Ontem tive a prova de que meu trabalho não é em vão, pois fui procurado no facebook, devido minhas postagens, e recebi a seguinte pergunta: ”Como posso estudar um guitarrista?”. Não trarei a fórmula de como estudar as tretas guitarristas do Guthrie Govan, e acordar tocando como ele, pois não faço milagre, mas não sei se você acompanhou, que a um tempo atrás escrevi sobre estudar os discos clássicos, algo que o pessoal hoje em dia não faz muito. Aconselho o mesmo processo na hora de estudar o estilo de um determinado guitarrista. Todo músico evolui e muda em alguns aspectos ( vide Richie Blackmore nos anos 70, e depois no meio dos anos 80, mais técnico ainda), porém, há elementos que sempre se repetem no estilo de cada um, tornando-se suas características. Por volta de 10 anos atrás, lembro bem de ter pouco acesso a discos como hoje ( ontem mesmo pensei em escutar algo do Albert Lee. Botei no youtube, e ouvi um álbum. Quer processo mais fácil do que esse hoje em dia? ), então, cada álbum era uma joia rara a ser degustada ao máximo. Estudei vários guitarristas e ainda o faço, porém, estudo a obra e características, e tento incorporar ao que toco. Quando tive acesso a 2 álbuns do Deep Purple com Steve Morse, eu pirei, pois já tinha visto em um show em VHS, ele destruindo. Ouvi incansavelmente, e tentei tirar algumas ideias, li revistas com licks dele, e descobri que uma ferramenta que ele usa muito, é o cromatismo. Ok. Trabalho de casa: entender como ele faz, em quais passagens, dentro de qual escala, qual sonoridade ele obtém com isso. Ao ter acesso ao Heaven & Hell, do Black Sabbath, eu pirei, pois era pesado, mas com um toque mais rock ‘n roll em algumas canções, e um fraseado muito bonito, e mais ”desenhado”, em comparação a época do álbum Paranoid, por exemplo. Lembro de ter estudado muito sobre a canção ”Lonely Is the Word”, última do álbum, e notei que o lindo solo dela, bem improvisado por sinal, usava e abusava de bends e vibratos, notas com longa duração, e fraseado altamente calcado em blues, mas sem soar tão blues. Então, ouvia essa canção incessantemente, e após pegar o tom e absorver a rítmica das frases, comecei a improvisar em cima, tentando na cara de pau, copiar aquela forma de tocar. Toco igual ao Tony Iommi? Porra nenhuma. E isso se repetiu com muitos outros álbuns e guitarristas (lembro como se fosse ontem, eu passando tardes chuvosas ouvindo Houses of the Holy, e o ao vivo putaqueparivelmente incrível, How The West Was Won, e copiar os bends exagerados e riffs do Jimmy Page ).

    Ver também é muito importante! Quando pude ter um aparelho de DVD vagabundo da Casa & Video, o mundo mudou! No mesmo dia, pra estrear o bendito aparelho, achei o DVD Unplugged – Eric Clapton, e ganhei dias depois, o Queen Live at Wembley Stadium. Tinham dias sagrados, em que eu ligava o ampli mais vagabundo que piranha do Centro, e botava os DVDs e tentava copiar licks, a dinâmica, e improvisar sobre. Digo o mesmo com outros DVDs como Toto – Live in Amsterdan, Pulse – Pink Floyd, ou Mr. Big Farewell Live in Japan, da fase do Mr Big com Richie Kotzen. Pude ver, rever e pausar, e não só ouvir, vários truques, formas de frasear, quem usava mais ligados, palhetada, forma dos vibratos, etc.

    No meio desse estudo, chega um momento em que tudo que você absorveu reside numa ”terra de ninguém” musical, em que os licks, estilos de fraseado, técnicas, escalas, se misturam e besunta tudo( Zakk Wylde e Al Di Meola tocam muito rápido, e Stevie Ray Vaughan tem uma pegada descomunal para licks de blues…que tal misturar os 2, e fazer um lick com altas palhetadas e bends furiosos? ) . Não adianta tentar copiar todos os detalhes, virar uma xérox ambulante, mas pegar emprestado nuances e ideias, estilos, é muito válido, e os mesmos, ficarão no seu sangue. Assim, o resultado dessa mistura será aquilo que você sempre quis ser musicalmente: você mesmo!

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Blues para todos nós…

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    Novamente um amontoado de coisas, mesmo organizadas, perto de mais um compromisso, fazem sua presença em forma de um frio na barriga. Dentre mais uma semana de aulas, visualizei alunos evoluindo bem, tanto na visualização de escalas pelo braço, e começando a improvisar melhor com as mesmas, mais uma constante foi notada em muitos: palhetada alternada, e a forma como cada um se posiciona fisicamente, perante o instrumento. Alguns alunos seguravam a palheta de uma forma a travar completamente a palheta entre os dedos, dificultando assim, tocar com mais leveza, e certas vezes, posicionando a mão, de forma um pouco diferente, que possuía muito mais chances de atrapalhar, do que ajudar. Tocar um instrumento, é relaxar para a vida, se divertir, e trazer paz para si. Não é para ser dotado de esforço, ou força desnecessária. Cada técnica vai demandar mais ou menos força, mas saber a forma mais tranquila de executar cada uma, é um dos detalhes mais importantes, para desenvolver-se bem no instrumento.  Acaba que cabe um pouco ao professor, fazer um certo trabalho de observador também, vendo o aluno tocar, de forma natural, certas vezes sem que o próprio repare, e fazer um trabalho de formiguinha, tentando achar pequenos detalhes, que podem estar dificultando o aprendizado.

    Junto disso, a cabeça a mil, com detalhes de um workshop a serem resolvidos: slides com fotos dos músicos citados, tópicos a serem falados, e estudo de cada tema a ser executado, da melhor forma possível, apresentando detalhes da história da guitarra, e de um gênero tão rico como o blues, com todas as vertentes que ele originou, em apenas 2 horas. Linkar o mundo de Robert Johnson, com o de Stevie Ray Vaughan e o de Joe Bonamassa, e o que isso tem a ver com Eddie Van Halen e Paul Gilbert. O que teria a ver isso, com country, ou com jazz? A responsabilidade de apresentar a muitos seus pontos de vista, informações valiosas, sem soar chato, e conquistar novos olhares para a música, seja para estudar mais e buscar melhorar, seja para se interessar a começar a tocar, ou apenas, trazer um pouco mais de conteúdo ao paladar musical de cada um, trocando informações, ouvindo o que cada um tem a dizer. Afinal, música é uma das mais belas trocas que um ser humano pode fazer para com o outro.