Arquivos do Blog

Metallica – Hardwired…to Self-Destruct: um auto resumo musical

imagem1

    Demorou 8 anos, mas eis que o membro mais famoso do Big 4 lança seu álbum: Hardwired…to Self-Destruct. De cara, não fui impactado como fui ao ouvir o Death Magnetic, que é mais urgente, e demonstrava uma necessidade do Metallica em provar que ainda poderia ser ícone do thrash que ajudou a criar, após o horrendo St. Anger. Ao ir ouvindo com calma, pude notar que o álbum é violento, bem trabalhado, e traz passagens que remetem a todas as fases da carreira, porém com outro tipo de maturidade. Uma observação: eu não sou fã do Load e Reload. Ponto. Acho que se juntassem os dois, teria até dado um bom álbum, mas a pegada soa meio diluída a meu ver. Bem… é apenas o que sinto, porém, o que esses álbuns trouxeram, foram elementos melódicos aos vocais de James (que cantou muito nesse Hardwired!), que não ouvimos nos primeiros álbuns do Metallica. Ou seja, é um álbum que seja intencionalmente ou não, faz um resumo do que de melhor o Metallica fez em seus mais de 30 anos de carreira, e com uma timbragem certeira!

Hardwired: a mais direta, seca e Kill ‘Em All de todas. Riffs simples, e com palhetadas precisas, o arranjo ficou perfeito para o vocal agressivo de James. Só achei um pouco brochante o solo, que me soou muito parecido com outros que Kirk já fez.

Atlas, Rise!: Com uma intro que remete às convenções de Dyers Eve, do And Justice for All, essa canção possui linhas melódicas dobradas e refrão grudento, que ganha força cada vez que é escutada, remetendo bastante ao trabalho de guitarras do já citado And Justice;

Now That We’re Dead: o groove do riff inicial, junto dos bumbos que Lars imprimiu na canção, te remete imediatamente ao clima do And Justice for All (pense na Eye of the Beholder). Um detalhe: isso ocorre muitas vezes durante o álbum, porém, o clima é mais “pra cima” do que no And Justice, e podemos ouvir tranquilamente o baixo, que dá uma baita encorpada no som. Puta musicão!

Moth Into Flame: nessa dá pra notar o mix que citei no início: riffs thrash, que remetem aos primeiros álbuns, aceleradas raivosas, porém, as melodias no refrão remetem um pouco ao senso melódico encontrado nos álbuns Load e Reload;

Dream No More: Puta que pariu! A minha favorita do primeiro álbum, é uma espécie de Sad But True dos novos tempos, mas com uma pegada meio Sabbath e Alice in Chains, e com um vocal diferenciado de James: mais agudo e com certa angústia e raiva. Sensacional! O peso e timbragem da bateria ficaram sensacionais, e tais características permeiam o álbum todo (dessa vez tu acertou Lars, até que enfim!);

Halo On Fire: uma intro típica do Metallica dá vazão a um dedilhado suave, porém, uma vocalização bem diferente do que costumamos ouvir. Talvez essa seja a que mais se aproxime de uma balada, daquelas ao estilo da banda, que vão crescendo. O final com um riff melódico na guitarra e quase épico soou muito bonito, tal qual fizeram em canções como Fade to Black;

Confusion: quase saiu uma Am I Evil aqui (brincadeira). De cara não curti essa canção, mas com algumas audições fui passando a gostar um pouco mais, e notar elementos que remetem a The Day That Never Comes, porém muito melhorada, e sem os exageros da citada. Além de ser mais pesada.

Manunkind: eu simplesmente me amarrei nessa música! O Metallica fazendo rock n’ roll! Riffs setentistas e levada blues/rock, com um peso extra e umas belas quebradas de tempo, fazem dessa uma das mais legais do álbum! E ainda tem o clipe com referências ao black metal, que ficou sensacional!;

Here Comes Revenge: Após uma intro que remete ao clima de Leper Messiah, a canção ganha um groove que me remete um pouco ao Death Magnetic e toques do Black Album até, alterando em vocalizações mais melódicas (outro momento que me remeteu ao Load/Reload), até chegar num refrão bem legal;

Am I Savage?: a intro te engana que vem uma balada, mas a canção entrega o track mais Black Sabbath do álbum (ouça só Lord Of This World, e note o espírito), além de um dedilhado no meio que me deu a sensação que James deu uma escutadinha no Rust in Peace do Megadeth (não vejo problema algum!), e o final pesado com toques modernos na guitarra, com harmônicos naturais, é de bater cabeça!;

Murder One: a bela homenagem ao Lemmy, começa com belo dedilhado a lá And Justice for All, mas deságua num puta rock n’ roll, extremamente pesado! Lars parece que tocou com uma bigorna!!! Além de possuir o melhor solo do álbum, o que me soou interessante é que a canção tem um toque de Motorhead, mas soa como Metallica! Bela homenagem!;

Spit Out The Bone: acredito que essa seja a canção que muitos esperavam deles desde o fim dos anos 80, pois possui tudo que o fã de thrash gosta: riffs rápidos e pesados, vocais raivosos, várias partes que se encaixaram perfeitamente e bumbo duplo em vários trechos. Spit Out The Bone fecha o play da melhor forma possível!

    Por fim, é muito gratificante ver o Big 4, num período de um ano, lançar álbuns muito bons e maduros, algo que merece palmas numa época em que o metal fica cada vez mais infantilizado, bobo, e não-orgânico.

Anúncios

10 momentos geniais de Kirk Hammett

kirk-hammett

    Kirk Hammett. O bichinho é zoado. Muito zoado. Até eu não resisto e sacaneio às vezes, e entro na pilha de alunos, com seus comentários tipo: “O Metallica roubou do Exodus o guitarrista errado”, ou “Há 30 anos ele faz o mesmo solo”. Dentro da minha concepção atual, ele deixou-se cair na “mais do mesmo”, repetitivo, etc. Porém, lembro-me bem de ouvir o Metallica ao vivo em alguma rádio, tocando no Rock in Rio Lisboa de 2004, com seus solos cheios de ligados na pentatônica, muito wah-wah, e aquela porrada toda dos clássicos da banda. Realmente me impressionou, e tive uma sensação de que ele era uma espécie de Hendrix faiscante (salvo as devidas proporções, é claro). Aluno do mestre Joe Satriani, Kirk tem como influências o já citado Hendrix, Jimmy Page, Michael Schencker, Joe Perry, e etc, e junto do Metallica, influenciou direta ou indiretamente milhões de bandas e guitarristas de metal, sendo citado como influência até mesmo por John Petrucci (ouça AS I Am do Dream Theater e comprove). E vamos ser francos? Quem nunca se inspirou no Metallica, ou até mesmo, começou a tocar por conta deles?

    Por ordem cronológica, vamos de uma do Kill ‘Em ‘All, álbum em que notamos o “foda-se” como tônica, porém, nessa canção temos um começo de solo bem melódico e bem construído.

    Ah, essa nem tem muito o que falar, né? Clássico da banda, com solo inicial muito bem desenhado, que acrescenta muito à melancolia inicial da canção, fora o final com tom mais épico, no qual acho uma certa influência do Randy Rhoads.

     Acho essa canção muito esquecida, porém, contém um dos seus melhores solos, no qual ele passeia por técnicas como tapping, arpejos e aplicação de licks de blues muito bem colocados.

    Aqui, uma do meu álbum favorito, no qual ele usa elementos como pedal piont, e passeia pela menor harmônica, num solo com mudanças de andamento.

    Lembro até hoje da cara que fiz quando ouvi essa música, que tem pra mim, os melhores solos dele. Desde as passagens mais melódicas, até a parte mais rápida, considero esse o solo mais bem feito do Kirk!

       Curto, direto e dramático, esse solo dá para a canção exatamente o necessário:

A alavancada inicial, os licks com bends feitos de forma rápida, e uma cozinha extremamente quebrada, fazem dessa uma das mais bem entrosadas convenções do Metallica, na minha opinião.

    Eu sei que essa é batidona, mas acho muito legal o andamento arrastado da música, com sua entrada cheia de pagada. Arrisco a dizer que é um dos solos mais rock ‘n roll do Kirk, parecendo até um tributo aos seus ídolos Hendrix e Michael Schencker.

    Com esse começo de solo assumidamente retirado de Little Wing do Hendrix, aqui ele caprichou no elemento que o faz ser o Kirk: wah-wah pra car@#%* .

    Olha, se é bonito eu não sei, mas até hoje busco entender o que ele fez exatamente com esses quilos de wah-wah, pra conseguir esse efeito:

    Não sei se vão concordar, mas pra mim, essa é a melhor música composta pela banda desde o And Justice for All, e possui tudo que caracteriza o estilo do cara: aqueles bends palhetados em tremolo, licks de repetição, descidas cromáticas, e muito, mas muito…ah, você já sabe o que.

Tirando o freio da mão!

MTE5NTU2MzE2MDU5NzY0MjM1

     Há um trabalho bem chato, até que a pessoa possa alcançar a velocidade que almeja, e não falo tocar rápido como exibicionismo. Grandes músicas exigem velocidade, seja em solos, ou em bases. Vou dar um exemplo de um clássico aqui:

     Viu só? O problema quanto à velocidade aqui, reside na base, hiper precisa e rápida! Já reparou nos riffs do tio James Hetfield, muito rápidos e precisos, que geralmente permeiam mais da metade de um show do Metallica? Imagina tocar assim, por 2 horas seguidas, fazendo força. Ele tem 52 anos, a idade veio chegando, e ele toca na mesma velocidade. Você não acha que se ele forçasse exageradamente, ele estaria tocando até hoje sem nenhum tipo de problema muscular? Fazendo um comparativo, lembram do Jeff Hanneman , do Slayer? Ele juntamente do Slayer fundamentou um estilo de thrash hiper violento, a ponto de influenciar o death metal, e merece total crédito por isso. Vou apenas atentar à parte técnica, ok? Ele sofreu aquela picada de aranha no braço, e até tentou ensaiar com o Slayer e voltar a tocar, mas não aguentava executar as músicas na velocidade certa. Veja só o quanto de movimento que ele faz ao tocar, dando a sensação que há um certo excesso de força e movimento. Repito, não estou desmerecendo o músico! Ele aprendeu assim, e dessa forma se acostumou, mas será que se ele tocasse com uma postura mais relaxada, ele teria tido menos dificuldade e teria voltado?

    Então, deixo aqui essa dica: toque o mais relaxado possível, e com o mínimo de esforço/movimento. Não adianta forçar, pra ter mais uns pontos de velocidade no bpm. Na verdade, além de vício e dores, você só vai empacar nisso. O relaxamento que você tem ao fazer um exercício em 60 bpm, tem que ser praticamente o mesmo, ao fazê-lo em 140, por exemplo.

Bons estudos!

Treinando ideias da pentatônica hard. #hericksalesguitar #pentatonica #pentatonicahard #aulas #guitarra

A post shared by Herick Sales Guitar (@herick_sales_guitar) on

Jeff Waters – o monstro do thrash metal

10565090_658299977594714_744872573253807963_n

    Nem todos devem conhecer a banda Annihilator, mas ela está na ativa desde 1989, quando lançou o clássico álbum ‘’Alice in Hell’’, que juntamente com seu sucessor ‘’ Never, Neverland’’, deixaram sua marca no mundo thrash. Seu guitarrista, Jeff Waters, é um monstro das 6 cordas, botando muito Kirk Hammett no chinelo, e na disputa de palhetada rápida, pode dar ‘’tchauzinho’’ e tudo, para o pessoal do Slayer. Para se ter uma ideia, com 13 anos Jeff já dava aulas! Influenciado pelo hard/metal clássico do Kiss, Van Halen, Iron Maiden, Judas, e pelo thrash do Metallica , Exodus e Antrax, Jeff Waters se destacou de tal forma, que Dave Mustaine assumiu ter escutado muito o álbum ‘’Alice in Hell’’ na época que compôs o clássico ‘’Rust in Peace’’, tendo convidado inclusive, Jeff Waters para fazer parte do Megadeth duas vezes, ambas as vezes rejeitadas. Com riffs pesados e rápidos, fraseado que mistura licks clássicos a lá AC/DC, com pegada furiosa, ligados, harmônicos, palhetada fora do comum nas cordas graves, e uma banda que embora variasse muito de integrantes ( Mike Manginni, hoje baterista do Dream Theater, já foi do Annihilator ), Jeff Waters influenciou milhares de bandas e guitarristas, como Alexi Laiho ( Children of Bodom ), Michael Ammont ( Arch Enemy ), Jeff Loomis ( ex Nevermore ), e o pessoal do Killswitch Engage , Lamb of God e Trivium. Que tal conhecer um pouco? Creio que você não vai se arrepender…

Diário de um músico: Satisfação pessoal acima de qualquer coisa

anthrax_2012

Anthrax: fazendo muitos sonharem com música…

Passado o trabalho maçante de um workshop, em que tudo ocorreu até melhor do que o esperado, volta-se à vida normal. Primeiros dias após, dá uma sensação de alívio, e o cansaço bate, mas outros afazeres chamam, certo?  Aulas marcadas, alguns alunos novos, mirar no que cada um quer e buscar material novo para o mesmo, como algumas vídeo-aulas com estudos de músicas do Rory Gallagher e Joe Bonamassa, e relembrar um música do Bon Jovi (época que era rock…), afim de acrescentar tanto em repertório, como técnica, e utilização dessas técnicas de forma organizada, frutífera no seu habitat: uma canção. Não adianta fazer mil malabares na guitarra, e não conseguir aplicar isso de forma coesa numa canção. Mas valeria usar poucos acordes, e elementos simples, porém compor uma música de alta qualidade          ( Beatles e Creedence Clearwater Revival faziam canções simples e geniais!!! ).

O momento mais legal da semana, foi sábado no fim de tarde, quando dois alunos novos, um de 14 e outro de 18, chegam para fazer aula juntos, e com gostos parecidos. Ambos amantes de thrash metal, chegando ao fato de o mais novo chegar com uma blusa do Anthrax, e o próprio, ter aprendido na ‘’pedreiragem’’ a tocar riffs e licks do Metallica e Angra. Tão legal quanto, é o pai presente, apoiando o filho nessa empreitada, e quando você vai batendo papo, descobre que os dois alunos gostariam de seguir carreira musical. Nessas horas, cai a ficha do quanto você pode ser importante para o desenvolvimento de seus alunos. Papos e conversas mil, sobre música, como é se preparar para uma apresentação, estudos, como é a minha rotina, e talvez com isso, dar uma pequena luz para novos ‘’amigos’’ ( digo isso, pois o clima extravasa um simples trabalho ), é gratificante. Mesmo no fim de um sábado, corpo cansado, não troco essa sensação de alma lavada por nada.