Arquivos do Blog

Steve Lukather: domínio pleno da guitarra

Steve-Lukather-toto-meditation-practice-9

    Steve Lukather, é guitarrista, cantor, compositor, arranjador e produtor norte-americano ( só isso, nada de mais ), sendo considerado um dos maiores sidemans de todos os tempos, tendo participação em ”apenas” 1500 álbuns, dentre eles o ”Thriller”, de um tal de Michael Jackson. Logo, seja na sua banda Toto, na sua carreira solo, ou como sideman, você com certeza já ouviu o som e timbre de Lukather. Dono de um dos mais amplos fraseados que já vi, sendo capaz de transitar pelo estilo que quiser ( pop, rock, hard rock, metal, blues, fusion, etc ), Lukather possui a lenda , confirmada por sinal, de nunca demorar mais do que 2 takes para registrar seus solos. Torna-se difícil apontar as qualidades latentes em seu estilo de tocar, mas é notório seu fraseado com embasamento na obra de Hendrix e utilização da alavanca no melhor estilo Jeff Beck ( talvez sua maior influência ). Ele também mescla momentos rápidos e técnicos, advindo de sua influência de Al Di Meola e Eddie Van Halen, e passagens de fusion influenciadas por  John McLaughlin e o já citado Jeff Beck.

     Então, meu amigo, ao ouvir ”Africa”, clássico da sua banda Toto, não se engane! Há muita coisa cabulosa e intrincada em meio da sua obra, e eu vou dar uma leve ajudinha…

     Aqui, um clássico do Toto. Ok, mas já reparou nos solos cheios de pegada, que renderam uma ligação do Clapton tecendo elogios?

     Vamos começar o arregaço: veja essa canção bem hard rock, e os solos desse cidadão…

 

     Uma mais progressiva, pra começar a variar um pouco. Obs: veja a influência de Eddie Van Halen e Jeff Beck:

 

     Lembra que eu falei que ele consegue tocar o que quiser? Aqui uma com afinação baixa, e muito atípica para o Toto.

 

       Diga-me se essa não parece com as clássicas do Mr. Big:

     Vamos ao extremo: veja o assento pop/soul e improvisos fusion ao violão.

     Seguindo para sua carreira solo, veja essa aula de hard rock, cheia de intervenções guitarrísticas fodonas:

     Aqui, uma menos alegre, e com drives secos e belos. Note os caminhos que o solo te leva:

     Olhe o riff inicial, onde ele usa as vozes dos acordes para criar a melodia, que guia toda a canção, densa e forte:

     Umas das minhas favoritas da carreira solo: olha como soa moderna, pesada e pop ao mesmo tempo. Fora o solo! Note a clareza da parte veloz, e como ele tece uma história com as notas:

    E pra fechar, um ótimo exemplo que nem sempre usar toneladas de distorção, é o que fará sua música pesada. Veja o riff inicial, com pouco drive, mas forte e pesado. No meio acordes de violão, dando pinta da sua influência de rock progressivo, e um solo magistral!

Como estudar outro guitarrista?

Eric+Clapton

    Ontem tive a prova de que meu trabalho não é em vão, pois fui procurado no facebook, devido minhas postagens, e recebi a seguinte pergunta: ”Como posso estudar um guitarrista?”. Não trarei a fórmula de como estudar as tretas guitarristas do Guthrie Govan, e acordar tocando como ele, pois não faço milagre, mas não sei se você acompanhou, que a um tempo atrás escrevi sobre estudar os discos clássicos, algo que o pessoal hoje em dia não faz muito. Aconselho o mesmo processo na hora de estudar o estilo de um determinado guitarrista. Todo músico evolui e muda em alguns aspectos ( vide Richie Blackmore nos anos 70, e depois no meio dos anos 80, mais técnico ainda), porém, há elementos que sempre se repetem no estilo de cada um, tornando-se suas características. Por volta de 10 anos atrás, lembro bem de ter pouco acesso a discos como hoje ( ontem mesmo pensei em escutar algo do Albert Lee. Botei no youtube, e ouvi um álbum. Quer processo mais fácil do que esse hoje em dia? ), então, cada álbum era uma joia rara a ser degustada ao máximo. Estudei vários guitarristas e ainda o faço, porém, estudo a obra e características, e tento incorporar ao que toco. Quando tive acesso a 2 álbuns do Deep Purple com Steve Morse, eu pirei, pois já tinha visto em um show em VHS, ele destruindo. Ouvi incansavelmente, e tentei tirar algumas ideias, li revistas com licks dele, e descobri que uma ferramenta que ele usa muito, é o cromatismo. Ok. Trabalho de casa: entender como ele faz, em quais passagens, dentro de qual escala, qual sonoridade ele obtém com isso. Ao ter acesso ao Heaven & Hell, do Black Sabbath, eu pirei, pois era pesado, mas com um toque mais rock ‘n roll em algumas canções, e um fraseado muito bonito, e mais ”desenhado”, em comparação a época do álbum Paranoid, por exemplo. Lembro de ter estudado muito sobre a canção ”Lonely Is the Word”, última do álbum, e notei que o lindo solo dela, bem improvisado por sinal, usava e abusava de bends e vibratos, notas com longa duração, e fraseado altamente calcado em blues, mas sem soar tão blues. Então, ouvia essa canção incessantemente, e após pegar o tom e absorver a rítmica das frases, comecei a improvisar em cima, tentando na cara de pau, copiar aquela forma de tocar. Toco igual ao Tony Iommi? Porra nenhuma. E isso se repetiu com muitos outros álbuns e guitarristas (lembro como se fosse ontem, eu passando tardes chuvosas ouvindo Houses of the Holy, e o ao vivo putaqueparivelmente incrível, How The West Was Won, e copiar os bends exagerados e riffs do Jimmy Page ).

    Ver também é muito importante! Quando pude ter um aparelho de DVD vagabundo da Casa & Video, o mundo mudou! No mesmo dia, pra estrear o bendito aparelho, achei o DVD Unplugged – Eric Clapton, e ganhei dias depois, o Queen Live at Wembley Stadium. Tinham dias sagrados, em que eu ligava o ampli mais vagabundo que piranha do Centro, e botava os DVDs e tentava copiar licks, a dinâmica, e improvisar sobre. Digo o mesmo com outros DVDs como Toto – Live in Amsterdan, Pulse – Pink Floyd, ou Mr. Big Farewell Live in Japan, da fase do Mr Big com Richie Kotzen. Pude ver, rever e pausar, e não só ouvir, vários truques, formas de frasear, quem usava mais ligados, palhetada, forma dos vibratos, etc.

    No meio desse estudo, chega um momento em que tudo que você absorveu reside numa ”terra de ninguém” musical, em que os licks, estilos de fraseado, técnicas, escalas, se misturam e besunta tudo( Zakk Wylde e Al Di Meola tocam muito rápido, e Stevie Ray Vaughan tem uma pegada descomunal para licks de blues…que tal misturar os 2, e fazer um lick com altas palhetadas e bends furiosos? ) . Não adianta tentar copiar todos os detalhes, virar uma xérox ambulante, mas pegar emprestado nuances e ideias, estilos, é muito válido, e os mesmos, ficarão no seu sangue. Assim, o resultado dessa mistura será aquilo que você sempre quis ser musicalmente: você mesmo!

Kingdom of Desire – Toto

Toto-Kingdom_Of_Desire-Frontal 

    Muita gente não conhece a banda Toto, ou quando conhece, são apenas canções de rádio, como ‘’Rosanna’’ e ‘’Africa’’, mas na verdade, Toto quando quer, é uma baita banda de hard rock! Aqui, contando com os vocais fortes, e guitarra magnífica de Steve Lukather ( o cara já gravou, mais de 1000 álbuns! ), a banda solta em 1993, seu álbum mais pesado até então:  Kingdom of Desire. A abertura com ‘’ Gypsy Train’’, dá a base de como será o álbum, com riff pesado, e teclados no melhor estilo anos 70. Atenção à enxurrada de solos técnicos, com pegada  e feeling! Em seguida, um blues sexy, com timbre impecável,  vocalizações arrasadoras, e links blueseiros de arrepiar: ‘’ Don’t Chain My Heart’’. As faixas ‘’ Never Enough’’ e ‘’ How Many Times’’, são aqueles tipos de rock setentista, que chega a dar nostalgia dessa época (atenção ao solo da última!). A balada ‘’ 2 Hearts’’ , possue clima romântico e gostoso, e dá espaço para a viajadona ‘’ Wings of Time’’. Note que apesar de não ser um blues, ela possue uma vibe com tal influência na guitarra de Lukather. A funk ‘’ She Knows the Devil’’, é uma aula de ritmo, e sincronia em banda! Atenção à linha de baixo contagiante, e ao groove da guitarra na canção! Impossível não se empolgar! As baladas ‘’ The Other Side’’ e ‘’ Only You’’ não vão te impressionar, mas soam agradáveis, com clima suave de ‘’antena 1’’. Agora o caldo começa a engrossar: A pesada e soturna ‘’ Kingdom of Desire’’ dá as caras, beirando o heavy metal! Note o clima pesada e denso aos 3:53 minutos, que antecede o solo, daquele capaz de te fazer soltar um palavrão. Por fim, umas das melhores canções instrumentais feitas por uma banda de rock: ‘’ Jake to the Bone’’! Um fusion de cair o queixo, em que todos da banda brilham. Um groove sensacional e quebrado toma conta e a partir daí, é uma chuva de cadências e convenções. Note em 1:22 minuto, um riff quebrado, pesado e ritmado, que abre caminho para um solo de teclado com várias passagens outside, culminando na volta ao riff inicial. Em 3:21 minutos, Lukather brilha com um solo cheio de sentimento, mostrando o porquê de ser um músico tão requisitado, para aos 5:45 culminar numa baita pancadaria e retornar ao groove fusion, como se nada tivesse acontecido.

    Existem pérolas roqueiras escondidas, que muitas vezes não tomamos contato, e ‘’ Kingdom of Desire’’ do Toto, é uma delas.